segunda-feira, 2 de junho de 2014

Glúten: sensibilidade e permeabilidade intestinal — Parte 1




Um estudo recentemente publicado sobre glúten tem repercutido bastante na mídia e nas redes sociais. Resumidamente, a pesquisa avaliou o efeito do consumo e da retirada do glúten na dieta de indivíduos com sensibilidade ao glúten, mas que não apresentavam doença celíaca.

Mas o que está sendo devidamente exposto e interpretado sobre esse estudo? O que sabemos sobre a sensibilidade ao glúten?

O objetivo dessa série de posts relacionada ao glúten é falar principalmente sobre esse estudo recente. Mas, antes de entrarmos em detalhes, vamos primeiro entender alguns conceitos importantes.


Glúten

O glúten é uma proteína. Mais especificamente, o glúten é uma prolamina, proteína rica nos aminoácidos prolina e glutamina. Ele é muito valorizado na culinária, por ser capaz de conferir elasticidade, consistência e facilitar o crescimento de pães e massas. Muitos vegetarianos também prezam pelo glúten, uma vez que é uma fonte de proteína relativamente barata e de fácil acesso — apesar de não ser uma fonte de proteína "completa", ou seja, o glúten, como proteína, não é tão bem aproveitado pelo corpo como as proteínas das carnes, dos ovos ou dos laticínios. (O sabor também é bem "diferente"; quem já provou sabe).

Entre as fontes alimentares, o glúten pode ser encontrado em três cereais: trigo, centeio e cevada. Está contido também em cereais híbridos de algum desses três, como o triticale, ou em produtos derivados desses cereais, como o malte.

Atualmente, é amplamente aceito que a proteína semelhante ao glúten encontrada na aveia é diferente do glúten encontrado no trigo, no centeio e na cevada. Isso acontece porque a aveia pertence a tribo, gênero e espécie diferentes dos três cereais que contêm glúten em sua composição. Apesar disso, e de alguns estudos já terem demonstrado que o consumo de aveia pode ser seguro em pacientes com doença celíaca, algumas pesquisas já verificaram que certos cultivares de aveia, mas não todos, podem causar reações adversas em pacientes celíacos [1,2,3].

Além disso, já foi verificado que a aveia e produtos derivados (farinha e farelo de aveia, por exemplo), inclusive no Brasil, muitas vezes estão contaminados com traços de trigo, centeio ou cevada, aumentando seu risco de causar reações indesejáveis em indivíduos celíacos [4,5,6]. Por esses motivos, talvez não seja uma boa ideia os pacientes celíacos arriscarem o consumo de aveia, até porque mesmo não havendo reações adversas com algum produto contendo aveia em determinado momento, ninguém garante que o mesmo produto, da mesma marca, não estará contaminado numa próxima vez (por contaminação, por exemplo).

E por que o glúten é problemático? Porque ele não é uma proteína facilmente digerida, exatamente por ser rica em sequências dos aminoácidos prolina e glutamina. Nossas enzimas digestivas têm dificuldade para digerir esse tipo de sequência de aminoácidos. A digestão desfavorecida de glúten no trato gastrointestinal resulta na formação de peptídeos (pequenos fragmentos de proteína) não digeridos — sendo que o normal, na maioria das vezes, é que as proteínas sejam completamente digeridas em aminoácidos, e não em peptídeos. São esses peptídeos que provocam a reação ao glúten em pessoas com doença celíaca.


Doença celíaca

A doença celíaca é uma patologia desencadeada pelo consumo de glúten em pessoas geneticamente suscetíveis.

O glúten, ao chegar até o intestino dos portadores de doença celíaca, deflagra uma resposta imunológica que aumenta a inflamação e danos às vilosidades desse órgão, normalmente levando a quadros de diarreia, dor e distensão abdominal e perda de peso pela má absorção de nutrientes. Os sinais e sintomas da doença celíaca normalmente são intensos e severos, e a única forma de controlar a doença é através da restrição do consumo de glúten.

O diagnóstico de doença celíaca é definido através de uma série de testes específicos para essa patologia, como pela verificação da presença, no sangue, de anticorpos anti-transglutaminase tecidual e pela realização de uma biópsia intestinal.

Uma atual corrente de pensamento defende que a doença celíaca seria uma doença auto-imune, sendo desencadeada, entre outros fatores, pelo aumento na permeabilidade intestinal — a qual, por sua vez, seria decorrente do consumo de glúten em pessoas suscetíveis [7,8].


Permeabilidade intestinal

A permeabilidade intestinal, como o nome sugere, nos diz o quanto nosso intestino está permeável, ou seja, o quanto ele “permite” ou não a passagem de determinadas substâncias.

Em condições normais, o intestino absorve, através de receptores ou canais em suas células, todos aqueles compostos e substâncias que o corpo julga serem necessários ou essenciais. Ao mesmo tempo, tudo que o organismo não precisa é “passa direto” pelo intestino até ser excretado nas fezes. Tudo isso acontece porque as células intestinais — que se encontram “grudadas” umas nas outras — não permitem que nenhuma partícula  ou substância estranha passe entre elas.

Entretanto, algumas condições específicas, como o estresse ou a ingestão de toxinas, assim como o desbalanço entre bactérias boas e bactérias ruins no intestino (mais sobre esse assunto em posts futuros), podem fazer com que a permeabilidade intestinal aumente. Nesses casos, o aumento na permeabilidade intestinal, por sua vez, pode acarretar na passagem de substâncias indesejadas do intestino para a corrente sanguínea. A presença de compostos estranhos dentro do nosso corpo leva, então, à ativação “indevida” do sistema imunológico, podendo causar inflamação e danos a diversos órgãos e tecidos.

Existem ainda diversos outros problemas relacionados ao aumento na permeabilidade intestinal, mas por enquanto ficaremos apenas com doença celíaca e sensibilidade ao glúten.


Sensibilidade ao glúten

A sensibilidade ao glúten, diferentemente da doença celíaca, é uma condição ainda pouco conhecida pela ciência, e por isso não se sabe muito sobre sua etiologia ou patogênese. Assim, não há um consenso sobre a definição exata do que de fato seria a caracterização da sensibilidade ao glúten.

De forma semelhante à doença celíaca, os sinais e sintomas também parecem ser desencadeados pelo consumo de glúten (a terminologia "parece" foi utilizada aqui exatamente porque o novo estudo questiona essa hipótese — mais sobre isso nos dois próximos posts!). Entretanto, os sinais e sintomas na sensibilidade ao glúten são menos específicos e variam muito de indivíduo para indivíduo, incluindo dores abdominais, diarreia, fadiga, constipação, dormência nas extremidades, dores de cabeça, vermelhidão na pele, dores musculares etc.

Apesar de alguns sintomas semelhantes e de também ser desencadeada pelo consumo de alimentos que contêm glúten, ainda não existe qualquer evidência mostrando que indivíduos com sensibilidade ao glúten apresentam os danos às vilosidades intestinais que ocorrem na doença celíaca. E essa talvez seja a grande diferença entre a sensibilidade ao glúten e a doença celíaca.

Para o diagnóstico de sensibilidade ao glúten, primeiro são realizados testes para a exclusão da possibilidade do paciente ter doença celíaca ou, ainda, alergia ao trigo. Depois, realizam-se testes com a introdução e remoção de glúten na dieta. Verificando que o paciente melhora os sintomas ao retirar o glúten da dieta e piora com seu consumo, desde que a doença celíaca e a alergia ao trigo tenham sido excluídas como hipóteses diagnósticas, pode-se dizer que o sujeito apresenta algum tipo de sensibilidade ao glúten — ou, de forma conceitualmente mais correta, sensibilidade a (pelo menos alguns) alimentos que contêm glúten.

Dois artigos científicos para quem quiser saber um pouco mais sobre a sensibilidade ao glúten:
  • Non-celiac gluten sensitivity [9]
  • Non-celiac gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders [10]

É possível que o autodiagnóstico de sensibilidade ao glúten tenha aumentado consideravelmente nos últimos anos, principalmente devido ao crescente número de dietas que recomendam a exclusão do glúten. Muita gente sem sensibilidade certamente se incluiu nessa categoria por acreditar que o glúten por si só faz mal — mesmo em pessoas sem doença celíaca. Veremos nos próximos posts se isso realmente é verdade ou não.


Em breve...

O assunto é extenso, e por isso será dividido em 3 partes. No próximo post, comentaremos os estudos mais importantes que avaliaram o efeito do glúten e sua relação com doença celíaca, sensibilidade ao glúten e permeabilidade intestinal.

Após essa parte, poderemos entrar em detalhes no estudo mais recente e “polêmico”.


---
Posts da série:


***
Se você vê valor no meu trabalho, considere fazer uma contribuição.




Referências

1. Arentz-Hansen H, et al. The molecular basis for oat intolerance in patients with celiac disease. PLoS Med. 2004;1(1):e1.

2. Real A, et al. Molecular and immunological characterization of gluten proteins isolated from oat cultivars that differ in toxicity for celiac disease. PLoS One. 2012;7(12):e48365.

3. Silano M, et al. Diversity of oat varieties in eliciting the early inflammatory events in celiac disease. Eur J Nutr. 2013 Nov 19. [Epub ahead of print]

4. Thompson T. Gluten contamination of commercial oat products in the United States. N Engl J Med. 2004 Nov 4;351(19):2021-2.

5. Koerner TB, et al. Gluten contamination in the Canadian commercial oat supply. Food Addit Contam Part A Chem Anal Control Expo Risk Assess. 2011;28(6):705-10.

6. Vieira EL. Determinantes de glúten em cultivares brasileiros de aveia e produtos derivados [dissertação]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina. 2001.

7. Visser J, et al. Tight junctions, intestinal permeability, and autoimmunity: celiac disease and type 1 diabetes paradigms. Ann N Y Acad Sci. 2009;1165:195-205.

8. Fasano A. Leaky gut and autoimmune diseases. Clin Rev Allergy Immunol. 2012;42(1):71-8.

9. Lundin KE, Alaedini A. Non-celiac gluten sensitivity. Gastrointest Endosc Clin N Am. 2012;22(4):723-34.

10. Catassi C, et al. Non-Celiac Gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders. Nutrients. 2013;5(10):3839-53.



209 comentários:

  1. Só uma correção... O Glúten não é um elemento natural... Ele não é encontrado na natureza...
    O Glúten surge quando misturamos trigo/cevada/aveia/cevada com água e há uma ação mecânica desses elementos... Ou seja, quando mexemos... O resultado é o Glúten na composição resultante...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Gilberto.

      Sinto muito, mas a sua correção não está correta. O glúten é uma proteína, simples assim. Ou seja, o glúten é uma cadeia de aminoácidos, enovelados em uma estrutura tridimensional, assim como qualquer outra proteína. E qualquer proteína, ou cadeia de aminoácidos -- por maior que ela seja -- é invisível a olho nu.

      Essa reação à qual você se refere, entre o glúten e água, é a formação do glúten "alimento", ou do glúten "ingrediente". Não da proteína em si, mas sim de várias moléculas de glúten, ou seja, são várias cadeias polipeptídicas juntas. Só a presença de várias moléculas de glúten são capazes de fazer com que o glúten seja visível a olho nu.

      O glúten é sim encontrado naturalmente nos alimentos.

      Excluir
  2. Bom dia João
    Tenho que fazer um trabalho sobre a doença de crohn, mas especificamente sobre os alimentos que devem ser evitados por quem tem a doença, mas em diversas informações que pesquisei, sempre citam que as carnes gordas, manteiga e creme de leite devem ser evitados.
    Fiquei na dúvida se isso é válido, pois no geral existe aquela crença de que a gordura saturada faz mal, então não sei se para este caso realmente deve-se evitar ou se é só a velha fobia da gordura.
    O glúten deve ser evitado nestes casos?
    Se puder me ajudar a tirar essas dúvidas, ficarei grato.
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Ulisses.

      Se essas informações que você obteve vieram de fontes onde não há referências científicas, sugiro desconsiderá-las, justamente pelo motivo que você falou. Se forem informações obtidas de estudos, verifique até que ponto, em tais estudos, foram avaliadas alterações na ingestão de fibras (seja em estudos com animais ou humanos). Digo isso pelo seguinte: a microbiota intestinal pode influenciar os sintomas da Doença de Crohn, e a redução no consumo de fibras é o principal fator que modifica a composição da microbiota intestinal. Nos estudos de intervenção, em humanos, que testam os efeitos "negativos" de alimentos de origem animal na microbiota intestinal, os pesquisadores sempre reduzem de forma significativa a oferta de alimentos de origem vegetal, o que faz diminuir o consumo de fibras pelos participantes. Nesse tipo de estudo, você está mexendo em duas variáveis: 1) aumento no consumo de alimentos de origem animal e 2) redução de fibras (e outros compostos de origem vegetal, que também podem ter função prebiótica e que, portanto, também podem modular a microbiota intestinal).

      De qualquer maneira, desconheço ensaios clínicos que testaram o efeito de alimentos de origem animal. As recomendações para evitar esses alimentos deve ser baseada no medo e nas ideias errôneas que bem sabemos que ainda perduram.

      Em relação ao glúten, a história já é um pouco mais clara:

      - Existe uma maior prevalência de Doença Celíaca e Sensibilidade ao Glúten em pacientes com Doença de Crohn.

      - Existe uma associação entre dietas sem glúten e redução na frequência e severidade de sintomas de pacientes com Doença de Crohn.

      - Pacientes com Doença de Crohn e Sensibilidade ao Glúten (autoreferida) relatam sintomas mais intensos do que pacientes sem Sensibilidade ao glúten.

      - De forma semelhante a indivíduos com Doença Celíaca, pessoas com Doença de Crohn também apresentam aumento da permeabilidade intestinal.

      Apesar disso, até onde sei não existem ensaios clínicos que diretamente testaram a influência de uma dieta sem glúten em pacientes com Doença de Crohn.

      Algumas referências que podem ajudar (se por acaso precisar de ajuda para obter os artigos na versão completa, só falar):

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15973121
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19148373
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24865778
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25719528
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26006779

      Excluir
    2. Boa noite João, obrigado pelo esclarecimento e pelas referências, irei ler com atenção, mas sua explicação já me deu o caminho certo a seguir.
      Mais uma vez, sem palavras para agradecer. Parabéns pelo seu profissionalismo.
      Abraço.

      Excluir
  3. Olá. Quem não tem sensibilidade nem é celíaco, pode comer o glúten livremente?
    Qual sua opinião?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Não sei se você leu as outras duas partes dessa série sobre glúten e permeabilidade intestinal, mas a minha opinião tá lá no final da terceira parte. Aqui os links:


      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/06/gluten-sensibilidade-e-permeabilidade_9.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/06/gluten-sensibilidade-e-permeabilidade_23.html


      Vou resumir: apesar de não existir evidências de que o consumo de glúten aumenta a permeabilidade intestinal de pessoas que não têm doença celíaca (inclusive de pessoas sem sensibilidade, como mostrei no segundo post), a ingestão de glúten ainda sim está associada a vários problemas de saúde.

      O pior de tudo é que todos esses problemas aparentemente não têm nada a ver com o glúten (mas a relação existe): fibromialgia, autismo, diabetes tipo 1, depressão, esquizofrenia, ataxia etc.

      Então a questão vai além de permeabilidade intestinal e inflamação, chegando ao ponto de causar -- ou seja, ser mais do que uma simples associação -- algumas doenças.

      Excluir
    2. Parabéns pra vc....
      Foi exatamente isso que o médico nutrólogo disse pra gente. Pra minha mãe ele disse pra cortar o glúten ( ela tem Tireoidite de Hashimoto )
      E pra mim ele orientou evitar ao máximo, segundo ele, a maioria dos alimentos com glúten não são saudáveis, não só pelo glúten em si.

      Obrigado por dar sua opinião, estamos no caminho certo. O que mais tem é divergencia nesses assuntos entre os profissionais.
      Abraço e muito obrigado mais uma vez!

      Excluir
    3. É um prazer poder ajudar.

      E esse detalhe que eu me esqueci de mencionar, e que seu médico falou, é importantíssimo: os produtos que contêm glúten em geral não são nem um pouco saudáveis. Isso por si só já é motivo suficiente para restringir ao máximo a ingestão de trigo/glúten.

      Excluir
  4. Me chamo Maria Tabet, sou nutricionista, e acho um absurdo esse tipo de "alerta"
    Se vc é celíaco, ou tem uma intolerância ( não digere o glúten, tudo bem vc retira-lo da alimentação, essa "sensibilidade" também ocorre em alguns casos, mas é GENÉTICO.
    Não existe motivo nenhum, nada comprovado que deve ser retirado ou "excluido" o glúten da alimentação. É uma proteína como qualquer outra, e tem seus beneficios. Prefira o pão integral pois tem mais fibra, do que o francês.
    Passar bem.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Maria Tabet.

      Sinceramente não deu pra entender muito bem no que o seu comentário foi baseado, porque aparentemente não foi nesse post.

      Não tem nenhum "alerta" nesse texto. Em nenhum momento tem a recomendação de excluir ou não excluir o glúten da alimentação. Além disso, parece que você não leu os dois outros textos da série, o que eu recomendo fortemente para que você pode entender o contexto e detalhes que abordo sobre o assunto (links no final desse post).

      Mesmo assim, apesar de não ter nada "provado" (até porque isso é uma das coisas mais difíceis de se fazer na ciência, ainda mais na área das ciências da vida), existem bons motivos para evitar o consumo do glúten. Ao contrário do que é defendido pela maior parte das pessoas que é contra o glúten, a restrição no consumo de alimentos que contêm essa proteína não seria justificado pelo fato do glúten levar a um aumento da permeabilidade intestinal (isso só acontece em celíacos; nem mesmo pessoas com sensibilidade não-celíaca ao glúten apresentam esse tipo de alteração).

      A redução no consumo de glúten pode ser justificada pela associação da ingestão dessa proteína ao desenvolvimento de várias doenças, como depressão, fibromialgia, esquizofrenia, autismo, diabetes tipo 1, tireoidite de Hashimoto etc. Não só isso, já existem vários estudos mostrando que, em pacientes que apresentam essas doenças, a exclusão do glúten na dieta reduz ou até elimina os seus sintomas. Essas evidências sugerem de forma bem interessante que o glúten parece possuir um papel direto na desenvolvimento ou desencadeamento dessas doenças. (Todas as referências para essa parte encontram-se no terceiro post dessa série).

      Caso tenha lido os 3 posts, saiba agora que esse é o intuito deles: mostrar que, mesmo não levando ao aumento na permeabilidade intestinal na maioria das pessoas, o consumo de glúten está diretamente relacionado ao desenvolvimento de várias patologias. Caso não tenha lido os demais textos, recomendo que o faça.

      Acima de tudo, não deixe vieses, como o de confirmação, influenciar de forma direta a sua opinião sobre as evidências. Tenha uma visão crítica, inclusive em relação às suas próprias ideias pré-concebidas.

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html

      Excluir
    2. Querido, até ovo ( em algumas pessoas ) pode desencadear dor de cabeça, depressão etc... Isso é individual... Mas ovo pode porque tá na moda agora né? Há 10 anos atrás não podia!

      Além do mais tem um guru médico chamado Lair Ribeiro que diz que a gliadina ( um vilão da nutrição por modismo ) muda a permeabilidade de TODOS , a longo prazo e com o consumo constante ( o que até você disse que não é verdade ) e que, por esse motivo, passa proteínas por esse intestino , cria anticorpos e ataca tiróide etc..... Teoria completamente maluca, não existe isso comprovado!!
      Eu sinceramente fico triste em ver que a nutrição ta indo por um lado de "teoria" ao invés de "ciência"


      Minha opinião: é alérico ao leite? Tire!
      É intolerante a lactose? Tire!

      É celíaco? Tire o glúten

      Excluir
    3. Maria, infelizmente você não está utilizando raciocínios válidos ou informações baseadas em evidências para construir os seus argumentos.

      Nesse caso, pouco interessa o que a pessoa X ou pessoa Y tem a dizer sobre o glúten ou a gliadina. A não ser que essa pessoa apresente referências sobre aquilo que ela está falando. No caso, as informações do Lair Ribeiro são sempre divulgadas em forma de vídeo; por isso, como não tem como saber quais são as referências que ele supostamente estaria citando, não é possível confirmar se o que ele diz tem validade científica ou não. Por outro lado, citei tudo que há (ou havia naquele momento) sobre glúten e permeabilidade em pessoas não celíacas.

      Falando de tireoide, independentemente do mecanismo, existe uma relação direta entre tireoidite de Hashimoto (e, em menor grau, outras desordens da tireoide) e o consumo de glúten. O mecanismo não é tão importante diante da realidade de que o fato pode acontecer.

      O que você falou sobre alérgicos ao leite, intolerantes ao leite e celíacos removerem leite, leite e glúten da dieta é verdade. Porém, isso não exclui o fato de que outras pessoas poderiam se beneficiar da restrição do consumo de glúten.

      Excluir
  5. Olá, Maria

    Sou Mariana Halla, médica, especialista em Ginecologia, e estou terminando Nutrologia.
    Fellowship da American Academy of Anti-Age Medicine.

    Na minha prática clínica, TODAS pacientes se beneficiam da retirada do glúten ( podemos falar um pouco de FODMAPs ) que pode ser um marcador, embora os estudos mesmo, apontam que a substância chata mesmo é a proteína Glúten, e que suas frações são altamente inflamatórias e de difícil digestão.

    Hoje mesmo, estudando me deparei com um artigo que eu posso garantir por prática clínica:
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23334113

    Glúten nas doenças ginecológicas e seus sintomas. Eu consigo remissão de mais da metade de casos de endometriose, com a retirada do glúten, e claro, a introdução, ao lado da nutricionista aqui da clínica, o uso de alimentos melhores, carboidrato de altíssima qualidade e nada refinados.

    Cuidado com o modo de falar para não ser grosseira. Citando o professor Lair, um homem de 78 anos, com um currículo admirável, e além de tudo, estudioso. Merece todo respeito, mesmo se não gosta da pessoa dele.

    E você João Gabriel, adorei a matéria, vou ler ainda mais ( gosto de ler mais uma vez )
    Parabéns pelo site. Continue nesse caminho

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Mariana.

      Gostei muito do seu comentário, mas vou "discordar" de um pequeno ponto: respeito o Lair Ribeiro, mas de vez em quando ele fala umas besteirinhas. E essa da gliadina (que eu não sabia) parece ser uma delas. O glúten pode causar problemas mesmo em quem não tem doença celíaca? Sim, claro. Porém, as pessoas às vezes têm a mania de querer achar uma explicação para os fatos, e no caso dos sintomas apresentados por indivíduos não celíacos, a explicação normalmente é o aumento da permeabilidade intestinal. Isso não é verdade, pelo menos de acordo com a evidência que temos sobre o assunto (que ainda não é tão grande, mas pelo menos é consistente).

      De qualquer maneira, pacientes que não são celíacos ainda assim podem apresentar sintomas e, portanto, se beneficiar com a restrição de glúten -- independentemente do mecanismo pelo qual o glúten (ou outros componentes presentes nos alimentos que contêm glúten, como os próprios FODMAPs) desencadeia tais problemas.

      Obrigado pela leitura e pelo elogio!

      Excluir
    2. Sou eu, Mariana de novo.
      De fato, cada um tem sua opinião, eu adoro o prof. Lair, aprendi muito com ele, e coloco em prática e vejo resultado... acho que se ele fosse algum maluco, não teria tanto sucesso ( hoje a pós dele está com uma fila de espera de 2 anos ) mas ninguém abre a boca pra falar que vai fazer, justamente por ele ser polêmico e tanta gente não gostar dele.

      Não podemos comparar um glútenzinho numa célula intestinal, a essa alimentação básica do brasileiro constituída de SOJA, LEITE E TRIGO. Trigo e Soja estes transgênicos, temos estatísticas que o glúten aumentou cerca de 400% no trigo moderno, será que ele ainda não é tóxico para o nosso corpo???

      na minha opinião sim, mas não estou escrevendo isso pra mudar a opinião de ninguém

      Abraço. Bom trabalho.

      Excluir
    3. Claro.

      Opiniões à parte, sempre escrevo baseado em evidências. Os estudos que testaram o efeito do glúten na permeabilidade intestinal são poucos, e todos são do tipo ex-vivo. Ou seja, apesar das evidências mostrarem que aparentemente não há aumento na permeabilidade intestinal de pessoas sem doença celíaca, é possível que ensaios clínicos (bem feitos) futuros mostrem o contrário.

      Porém, por enquanto não podemos dizer que o glúten exerce efeitos adversos por meio de aumento na permeabilidade intestinal. Que causa problemas em várias pessoas, isso é um fato. O mecanismo não é tão importante assim. E é claro que poderia ser pelo aumento na quantidade total de glúten ou até mesmo devido a alterações da sequência de aminoácidos que compõem essa proteína. As evidências não são conclusivas, mas existem argumentos a favor e contra mostrando que alterações quantitativas e "qualitativas", no glúten do trigo moderno, poderiam ser responsáveis por efeitos adversos do seu consumo.

      Além disso, jamais pode ser descartado o fato de que a exclusão do glúten normalmente leva a um aumento qualitativo absurdo na alimentação da maioria das pessoas. E se isso for o verdadeiro fator por trás dos benefícios observados a partir da restrição de glúten? Não sabemos ao certo, mas uma coisa é verdade: na prática, quase todos (ou todos) podem se beneficiar da restrição de glúten na alimentação.

      Como falei, o Lair Ribeiro fala muita coisa interessante, principalmente ao questionar algumas "verdades absolutas" do conhecimento popular. Mas ele definitivamente fala algumas coisas exageradas ou até mesmo erradas. Porém, mesmo quando ele erra -- como na questão do pH sanguíneo --, normalmente não há implicações negativas para a saúde. Ao contrário, o fato das pessoas acreditarem que a alimentação pode modificar o pH sanguíneo, por exemplo, pode levar ao aumento significativo no consumo de frutas e hortaliças -- o que pode ser bem interessante pra muita gente. Ou seja, uma informação a princípio incorreta pode até proporcionar benefício às pessoas.

      Excluir
    4. Você acha que alimentação não altera ph sanguineo?
      acha mesmo que o corpo tampona tudo?

      Temos que ser amigos do nosso corpo, e ajudá-lo a viver.
      Ao contrário do que acreditam, nosso corpo tem uma escala ( pouco variável )
      de ph, onde o corpo "tolera" pequenas variações, decimais por exemplo.
      Quando mais pra baixo, pior. O corpo só começa a tamponar quando abaixa demais, e neste caso outros órgãos já entra em processo desmineralizante.

      Eu concordo que temos que ter uma dieta alcalina sim, mas veja, nem todos alimentos ácido são acidificante, o limão por exemplo, tem ph ácido, mas no nosso corpo ele atividade alcalinizante, aumenta a liberação de bicarbonato e ajuda a prevenção de inúmeras doenças crônicas.

      Excluir
    5. os orgãos começam, esqueci do plural.

      Excluir
    6. Se você se interessar, vale a pena a leitura.

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3195546/

      Excluir
    7. Olá.

      Talvez você não tenha lido todos os posts da série sobre alimentação e pH sanguíneo, então seguem os links:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de_24.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/04/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html

      Entenda que no primeiro texto não é discutida a influência que a alimentação possui sobre o pH sanguíneo. Na verdade, isso é levantado nos dois outros posts subsequentes, especialmente na parte 2. Já na parte 3, são apresentadas as evidências mostrando que, mesmo que alimentos "acidificantes" influenciassem negativamente o pH sanguíneo, eles não causam prejuízos na saúde -- ao contrário, os ensaios clínicos mostram claramente que tais alimentos geram efeitos neutros ou positivos (especialmente na saúde óssea, que normalmente é o principal foco dessa discussão).

      Caso já tenha lido os textos da série, sugiro que os leia novamente. Além disso, recomendo também a leitura desse outro post do blog:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html

      E um detalhe: não confunda alteração do pH urinário com alteração do pH sanguíneo. Uma coisa não necessariamente implica na outra. A alimentação pode alterar o pH urinário, mas na grande maioria dos casos não influencia o sanguíneo. Algumas estratégias nutricionais para aumento do pH urinário podem ser benéficos em algumas condições clínicas, só que isso não necessariamente significa que a redução do pH urinário seria ruim nessas mesmas condições (mas isso é um assunto pra outro momento).

      E sobre o estudo que você citou: contraste-o com as referências que eu citei nas partes 2 e 3 da série sobre pH sanguíneo e alimentação. Olhando com cautela, é possível observar que a qualidade e a importância das referências do artigo que você citou são bem inferiores.

      Excluir
  6. Oi João Gabriel, tudo bem? parabéns pela publicação.....

    tenho 20 anos, sou homem, não tenho doença celíaca nem sinto nenhum desconforto quando ingiro pão, ou qualquer outro alimento com glúten...

    na sua opinião, devo restringir, moderar ou comer tranquilo??

    Obrigado. Valeu

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Como mencionei na parte 3 dessa série sobre glúten, existe uma relação direta entre o consumo dessa proteína (dos alimentos que contêm o glúten) com uma série de doenças. Além disso, pacientes que já apresentam essas doenças se beneficiam, e às vezes apresentam remissão de sintomas, quando excluem o glúten da dieta. Isso sugere que o glúten não apenas está associado como pode agravar ou até causar algumas doenças -- pelo menos em pessoas suscetíveis.

      E como saber se você teria maior risco de desenvolver essas doenças? Não tem. Por isso, costumo recomendar a restrição de glúten para todo mundo. No caso de pessoas que não apresentam sintomas, o consumo esporádico provavelmente não vai causar problemas.

      Essa é a realidade. A partir disso só você pode determinar se vale a pena ou não restringir o consumo de glúten.

      Obrigado pela leitura!

      Excluir
  7. soniapereira-marques@hotmail.com

    Olá. Vc tem algum artigo sobre adoçantes? é uma polêmica
    uns falam que o melhor é Linea ( sucralose )
    outros dizem que só Estévia que é natural
    a minha sobrinha faz nutrição e disse que o melhor é Xilitol ou Açucar de Coco.....

    Fico confusa, é verdade que o Aspartame a longo prazo aumenta chance de ter demência???

    Grata, SÔNIA MARQUES

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Sônia.

      Quando você diz "artigo" você quer dizer um texto no blog para que eu te recomende a leitura? Ou você quer dizer artigo científico para eu te enviar?

      Se for a primeira opção, não tenho nenhum texto especificamente sobre adoçantes aqui no blog. No segundo caso, eu teria que te passar vários estudos diferentes -- e você teria que ter boa proficiência para leitura de artigos científicos -- para que você pudesse chegar a alguma conclusão.

      Posso te dizer uma coisa: esqueça os adoçantes artificiais. Você não precisa deles e eles podem, sim, causar problemas.

      Se você está buscando emagrecimento ou tem alguma doença crônica (obesidade, síndrome metabólica, câncer, doença cardiovascular etc.), eu diria pra esquecer os açúcares, até mesmo açúcar de coco, mel, melado de cana e as opções mais naturais e menos processadas. Esqueça o xilitol também. Nós não precisamos de nenhum deles.

      Porém, se você não está preocupada com emagrecimento ou não possui problemas metabólicos crônicos, qualquer uma dessas alternativas (açúcar de coco, mel, melado de cana, xilitol, stévia) são melhores que os adoçantes artificiais e os açúcares refinados.

      Pretendo escrever em breve sobre adoçantes, principalmente a respeito da sua influência na perda de peso e na saúde em geral. Então fique por perto pra conferir depois!

      Excluir
    2. Obrigada querido,
      Já salvei a página e vou atualizar todo o dia.

      Vi seu blog pois minha amiga compartilhou no face. vOU FAZER O MESMO
      GRATA

      Excluir
  8. Boa noite

    Gostaria de saber sua opinião sobre consumo frequente de carne vermelha ( proteína de origem animal ). A teoria que eu aprendi era que ela causava uma acidificação no organismo, mas como aprendi no seu blog, isso não existe cientificamente comprovado.
    Então gostaria de saber qual o mecanismo que esse tipo de alimento proteico de origem animail está correlacionado com a alta incidência de doenças como câncer de intestino e doenças cardiovasculares.

    Obrigado. José Carlos.
    ( Não tenho conta no Google )

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, José.

      A associação entre carne vermelha e o risco de câncer é bem consistente, assim como mostraram a última meta-análise (em 2013) e o relatório da OMS que ganhou as notícias nessas semanas que passaram.

      Mesmo assim, algumas evidências sugerem que, apesar da associação ser consistente, ela não necessariamente se traduz em relação de causa e efeito, como a OMS quer nos levar a acreditar. Por exemplo, vegetarianos não possuem risco reduzido de câncer colorretal quando comparados a onívoros (teve um estudo que verificou, inclusive, maior risco desse tipo de câncer nos vegetarianos); e isso é importante porque, além de não comerem carne, os vegetarianos geralmente possuem vários outros hábitos de vida e de alimentação mais saudáveis que os onívoros. Junto a isso, algumas evidências mostram uma associação INVERSA entre o consumo de carne vermelha e o risco de câncer colorretal; essa última questão, por si só, é muito interessante para se questionar o papel causal da carne vermelha no desenvolvimento de câncer.

      Mas digamos que a carne vermelha realmente possa causar câncer. Nesse caso, os dois mecanismos mais prováveis seriam:

      1) O mineral ferro (encontrado na forma heme), levando ao aumento no estresse oxidativo nas células epiteliais do intestino, e consequentemente aumentando os danos e o potencial proliferativo dessas células.

      2) A formação de aminas heterocíclicas que ocorre com a cocção da carne, as quais de fato possuem potencial carcinogênico.

      Porém, nem mesmos essas hipóteses são tão consistentes. A questão das aminas heterocíclicas pode ser contrariada pelo fato de que a carne de frango, que possui concentrações de aminas heterocíclicas semelhantes à da carne vermelha, quase nunca tem o seu consumo associado ao risco de câncer. A questão do ferro é um pouco mais forte, mas seria dependente de um ambiente celular propício ao estresse oxidativo; ou seja, um menor consumo de gorduras poli-insaturadas e o aumento na ingestão de compostos antioxidantes poderiam ser fatores fundamentais para reduzir a probabilidade de risco -- caso ele realmente exista -- de desenvolvimento de câncer.

      O aumento nas concentrações de IGF-1 (induzido provavelmente pela composição de aminoácidos da carne), a ingestão de Neu5Gc (carboidrato presente nas carnes), a formação de nitrosamina (pelo calor) e o balanço entre aminoácidos específicos (como metionina e glicina) também são possíveis mecanismos pelos quais o consumo de carne vermelha poderia aumentar o risco de câncer. Porém, as evidências para essas possibilidades não muito menores.

      Excluir
    2. Interessante... eu faço suplementação de Glicina...
      será que eu deveria usar Metionina também, ou o balanço é maior pra Glicina?

      e se entendi bem, o ferro é oxidante? meu último exame de ferro deu no limite máximo, seria bom moderar para vê se ele abaixa??

      Grato. José Carlos

      Excluir
    3. OLÁ.
      MINHA FILHA FAZ USO DE SUCO DE FRUTA NATURAL COM FREQUENCIA.
      COLOCO NA MERENDA DELA, SEM AÇUCAR

      DIZEM QUE A FRUTOLISE DA FRUTA É METABOLIZADA COMO SE FOSSE BEBIDA ALCÓLICA NO ORGANISMO.

      FRUTOSE FAZ MAL MESMO?

      Excluir
    4. José, o balanço positivo é justamente pro lado da glicina. A maior proporção de metionina que poderia favorecer o risco de câncer.

      Em relação ao ferro, é justamente o papel oxidante que ele pode ter. Porém, mesmo que essa seja uma das hipóteses mais plausíveis e com mais evidências sobre a influência da dieta no risco de câncer colorretal, esse ainda é um tópico controverso. Porém, acredito que, no seu caso, reduzir o consumo de carne vermelha poderia ser interessante, principalmente se a ferritina estiver elevada.

      Excluir
    5. Olá, pessoa da frutose.

      A frutose por si só não faz mal. Existem algumas evidências mostrando que o açúcar refinado, também conhecido como sacarose (glicose + frutose), pode ser prejudicial a alguns parâmetros de saúde. Porém, a literatura científica nunca demonstrou efeitos deletérios do consumo de frutas.

      Dito isso, costumo sugerir que o melhor é dar preferência à fruta íntegra em vez dos sucos, mesmo que naturais.

      E vale ressaltar que a frutose (seja da fruta ou dos açúcares) não é metabolizada igual ao álcool. Existem, sim, algumas similaridades entre os metabolismos das duas substâncias, mas há também diferenças importantes.

      Fique por perto pois em breve escreverei sobre frutose!

      Excluir
    6. Boa tarde

      Sou eu José Carlos.
      E em relação a proteínas, se eu reduzir o consumo de carne animal, posso vim a ter deficiência de proteinas? os vegetais tem proteínas?

      Grato.

      Excluir
    7. José, se você consome outras proteínas de origem animal, a probabilidade de você ter algum tipo de deficiência é praticamente inexistente.

      Vegetais também possuem proteínas, mas a contribuição desses alimentos depende do tipo e da quantidade do vegetal, além de dependerem de outras características da alimentação e do próprio indivíduo.

      Porém, se você quer adequações mais específicas pra você, recomendo se consultar diretamente com um nutricionista. Por aqui, sem conhecer suas características, não posso fazer recomendações individualizadas.

      Excluir
  9. Oi João Gabriel
    sou Fabiana, esto no último período de nutrição, simplesmente amei de blog... e me deu uma outra visão sobre leite, eu li bastante a respeito e vi que de fato, não é legal cortar 100% de todo mundo por alguns motivos sem embasamento... embora existe sim alguns beneficios quando se corta.

    A maior parte das pessoas quando você fala que se deve evitar o consumo de glúten, associa com aumento de peso, e, se é profissional da saúde bem com 10 pedras na mão dizendo que glúten é proteína e não engorda, o que engorda é o carboidrato presente nesses alimentos com glúten, mas, se possível queria que você me ajudasse a analisar um artigo, é um artigo ainda com pouca conclusão, mas é uma porta para um possível problema com glúten associado a aumento de peso e outras comorbidades

    dê uma olhada e me fala o que acha!!

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23253599

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Fabiana.

      Esse mesmo grupo de pesquisa (que é brasileiro) publicou mais um trabalho, esse ano, que vai mais ou menos nessa linha.

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26443339

      Utilizando essencialmente o mesmo desenho experimental, o novo estudo foi um pouco além do primeiro. Ele mostrou o efeito "engordativo" do glúten não apenas numa dieta high-fat (que naturalmente leva ao ganho de peso em roedores), mas também numa dieta controle convencional.

      Os dois estudos são extremamente interessantes. Porém, devemos ter cuidado na hora da interpretação e extrapolação dos resultados, por alguns motivos:

      1) São estudos com camundongos. Humanos não são camundongos gigantes. Nossa fisiologia é bem diferente, em alguns aspectos, em relação à fisiologia desses animais. As dietas high-fat, por exemplo, induzem obesidade e resistência à insulina de maneira ridiculamente fácil nesses animais, mas não em humanos.

      2) A quantidade de glúten utilizada nesses estudos foi bem elevada: 4,5% do peso total da dieta ingerida pelos animais. O glúten equivale a 10% do peso do pão (escolhi o pão porque é o alimento que contém glúten mais comumente consumido pela nossa população). Se uma pessoa consome 1,5 kg de comida e 200 g de pão todos os dias, que são duas quantidades bem razoáveis, isso quer dizer que 1,33% do que é ingerido por essa pessoa seria glúten. Para chegar no valor de 4,5% utilizados nos estudos, a ingestão diária de pão teria que ser por volta de 600 g/dia. Se for uma combinação de pães, biscoitos, macarrão etc., a quantidade poderia ser um pouco diferente (maior ou menor), mas provavelmente não muito. Ou seja, não é fácil consumir 4,5% da dieta na forma de glúten.

      Ainda não temos evidências de que o glúten seria "engordativo" em humanos. Na prática, muita gente realmente perde peso ou reduzir a ingestão de glúten. Porém, várias outras coisas podem acontecer quando o consumo de glúten é diminuído: restrição de carboidratos, redução de alimentos processados, aumento na ingestão de proteínas etc.

      Ou seja, diversas variáveis que podem contribuir para a perda de peso normalmente são introduzidas quando há restrição de glúten. Juntando isso ao fato de que ainda não temos evidências em humanos mostrando que a restrição de glúten ajuda no emagrecimento, ou que o maior consumo dessa proteína poderia ser "engordativo", não dá pra dizer muita coisa sobre o papel do glúten na regulação do peso.

      Na minha opinião, mesmo que o glúten influencie o emagrecimento, acredito que a perda de peso observada na restrição de glúten acontece principalmente decorrente da restrição de produtos extremamente processados (ricos em carboidratos, elevada densidade energética, baixo poder de saciedade) -- afinal de contas, o consumo de glúten da nossa população é essencialmente proveniente dessas porcarias alimentares.

      Obrigado pelo comentário e pela leitura!

      Excluir
  10. Olá me chamo Cláudia Damasceno, sou de Minas Gerais, Juiz de Fora
    Tenho 43 anos fui diagnosticada com Tireoidite de Hashimoto e Esclerose Múltipla
    Trato há 1 ano com um médico nutrólogo, faço um tratamento alternativo pois se fosse com um neurologista tradicional teria que tomar injeção de beta interferão a cada 6 mêses... e com efeitos colaterais... abri mão de uma "medicina" diferenciada e estou vendo resultados fantásticos. ( obs: umas das maravilhas chama-se vitamina D )

    A pergunta que quero que me responda é: não tenho Doença celíaca, mas meu médico disse desde o início do tratamento que ele teria que "fechar a porteira" do meu intestino antes de começar com qualquer tratamento, desde então comecei com uma dieta mais "paleolítica" como ele diz, zerei açúcar , glúten e Glutamato Mono-sódico além de evitar qualquer coisa que venha empacotada.... até aí tudo bem, lendo na internet eu descobri que esse "fechar porteira" devia-se a uma permeabilidade intestinal, só que essa só existe na doença celíaca.... Como ele pode dizer isso sendo que não tenho doença celíaca? ele mentiu e me fez fazer essa dieta atoa?

    Não estou reclamando pois vi benefícios, mas a palavra que ele disse foi que o intestino é uma rede, que com os lixos eu comia essa rede ficava permeável.... agora lendo seu blog reforça que só Doentes celíacos tem isso...

    Como proceder? acha que devo mudar de médico? Obrigada

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Cláudia.

      O seu médico pode estar certo mesmo estando errado. Vou explicar.

      A maioria das pessoas que já ouviu falar sobre o fato de que o glúten pode afetar a permeabilidade intestinal acredita que isso acontece com qualquer um. Mas isso não é verdade, como apresentei nos posts. Porém, o seu médico pode ter recomendado a exclusão de glúten justamente por acreditar que, em qualquer pessoa, o consumo dessa proteína leva ao aumento na permeabilidade intestinal. Ou, como explicarei abaixo, ele pode ter de fato acertado em pedir para você restringir o glúten.

      De qualquer maneira, considerando as evidências que temos disponíveis, os celíacos são o único grupo de pacientes que responde com um aumento de permeabilidade intestinal desencadeada pelo glúten. Entretanto, existem dois detalhes importantes:

      1) A doença celíaca é uma doença autoimune (mesmo que tradicionalmente ela não seja classificada dessa forma). Diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune. O que a ciência tem mostrado nos últimos anos é que as doenças autoimunes parecem ter, entre elas, uma característica comum: a permeabilidade intestinal. Ou seja, se o glúten leva ao aumento na permeabilidade intestinal em pacientes com doença celíaca, é bem provável que essa proteína também leve ao mesmo quadro em pacientes que apresentam outras doenças autoimunes. Já foi demonstrado, por exemplo, em modelos animais de diabetes tipo 1, que essa permeabilidade intestinal também parece ser desencadeada pelo glúten. Não é à toa que pacientes com um tipo de doença autoimune normalmente possuem um risco maior de desenvolver outras doenças autoimunes. Um exemplo clássico é diabetes tipo 1 e doença celíaca em crianças.

      2) Nunca foram feitos estudos para testar de que forma o glúten influencia a permeabilidade em pacientes que apresentam outras doenças autoimunes, como diabetes tipo 1 ou tireoidite de Hashimoto. E é por isso que o único público que podemos afirmar que realmente vai apresentar aumento de permeabilidade intestinal com o consumo de glúten são os celíacos. Mas isso não quer dizer que pessoas com outras doenças autoimunes não apresentem o mesmo quadro.

      Assim, se o seu médico fez essa restrição de glúten, falando em "fechar a porteira", pensando na ideia de que a tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune, então, na minha forma de ver, foi uma decisão muito acertada. Por outro lado, se ele pensou no efeito do glúten sobre a permeabilidade intestinal de qualquer pessoa, ele acertou errando.

      O mais importante é que a restrição de glúten no seu caso é algo que realmente deveria acontecer.

      Excluir
    2. Obrigada pela excelente explicação
      estou ciente que, embora a ciência não tenha todas as repostas, parece haver algum tipo de relação entre isso e esse tipo de doença...
      Vou divulgar seu blog na minha rede social como o vi no face da minha amiga. Você faz um grande serviço a humanidade explicando com educação para as pessoas

      Obrigada de coração. Estou tranquila

      Excluir
    3. Ajudou muito.

      Você conhece ou usa suplementos quelados?
      esse médico meu me passa tudo quelado. ( Por exemplo: Magnésio Glicina 200mg )

      Isso tem um efeito melhor?
      Obrigada mais uma vez

      Excluir
    4. Os minerais quelados, de maneira geral, são mais bem absorvidos que os não quelados. Porém, sua necessidade é muitas vezes questionável.

      A princípio, um paciente só vai precisar mesmo de um mineral quelado se a absorção desse nutriente necessitar de uma super otimização -- como no caso de uma pessoa com insuficiência ou deficiência importantes, ou no caso de um tratamento específico onde o nutriente em questão é extremamente importante.

      Além disso, dependendo do custo-benefício -- avaliado a partir do valor que você paga em relação à quantidade percentual que o seu corpo consegue aproveitar das versões quelada e não quelada no mineral --, o nutriente quelado pode ser melhor que as versões "convencionais".

      No final, os efeitos de um mineral quelado, em comparação ao mesmo nutriente não quelado, são exatamente os mesmos -- desde que sejam ofertadas quantidades equivalentes no que diz respeito à sua absorção e utilização. Porém, se forem ofertadas quantidades iguais (200 mg de cada tipo, por exemplo), os minerais quelados normalmente são melhores porque são mais bem absorvidos.

      Excluir
  11. Opa... boa tarde, parabéns pelo site, li essa matéria do Glúten toda e de fato, é uma realidade pouco divulgada, talvez por questões econômicas...

    vi que você estuda o açúcar no nosso organismo, na sua opinião você o considera uma substancia tóxica, como alguns profissionais o comparada até com outras drogas?
    ( estou me referindo apenas do açúcar dietético e não da gliconeogênese natural e necessária )

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Não considero o açúcar como tóxico. Vários fatores podem determinar se o açúcar consumido vai ser problemático ou não: idade, atividade física, presença ou não de doenças, estado metabólico; fontes e quantidade de açúcar ingerido; composição nutricional da alimentação etc.

      Imagino que com açúcar você quis dizer a sacarose, talvez por causa da frutose -- que onde as pessoas que falam mal do açúcar costumam focar. Caso esteja se referindo também à glicose ou outros carboidratos dietéticos, a história é ainda mais complexa.

      De qualquer maneira, uma coisa é certa: praticamente todas as substâncias naturalmente encontradas nos alimentos podem ser bem toleradas e não prejudiciais ao organismo. Mas isso normalmente depende do contexto.

      Obrigado pelo elogio e pela leitura!

      Excluir
  12. Oi João, vi que você falou que alimentação não altera o Ph mas pode alterar o da urina?
    Meu exame de urina deu cristais de oxalato de cálcio, na internet eu li que é comum aparecer em urinas ácidas, e a minha deu o valor normal, mas pra ácido....

    tem alguma coisa que posso fazer? vou ao médico sexta-feira
    Obrigada, Júlia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Júlia.

      Sim, a alimentação pode alterar o pH da urina.

      Um pH urinário mais ácido pode favorecer a formação de cristais e cálculos de oxalato de cálcio, principalmente em pessoas mais suscetíveis.

      Nesse caso, consumir mais frutas e hortaliças pode ajudar. A suplementação com magnésio também. Evitar suplementos com vitamina C pode também ser uma boa ideia, principalmente aqueles com dosagens elevadas de 1000 mg ou mais.

      Excluir
  13. Olá, segue um artigo Glicose X Demência

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3955123/

    ResponderExcluir
  14. João, aproveitando que a Dra. Mariana falou sobre o Lair Ribeiro vou contar uma experiencia boa, porque temos que elogiar o que dá certo
    Meu primo afastado, veio pra São Paulo para tratar um tumor de cabeça com um médico que é da linha desse Lair Ribeiro, e pasme: ele conseguiu resultados que nem com o oncologista ele conseguia... ( que além de não estar funcionando, dava fortes efeitos colaterais no fígado etc )
    Uma das tecnicas desse médico, junto com o nutricionista da clínica dele foi passar uma dieta chamada Cetogênica.

    O último PET-Scan dele o tumor está parado, parou de crescer.... impressionante né

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Então, eu não sou "anti" Lair Ribeiro. Reconheço que ele fala coisas certas, inclusive na maioria das vezes -- o que não é tão difícil, já que até mesmo os profissionais mais medíocres, de qualquer área, normalmente falam coisas certas na maior parte do tempo.

      O problema do Lair Ribeiro é que ele às vezes fala coisas que não tem fundamentação científica ou extrapola algumas evidências. E isso é ruim principalmente porque pode iludir as pessoas em tratamentos que não vão beneficiá-las em nada ou vai fazer com que elas invistam em algo que não vale a pena -- investimento esse, de tempo e dinheiro, por exemplo, que poderia ser feito em outras estratégias.

      Em relação ao tratamento de tumores de cabeça, principalmente glioblastomas, a literatura vem mostrando consistentemente que uma dieta cetogênica pode ser extremamente benéfica. O mesmo provavelmente se aplica ao jejum. A combinação das duas coisas possivelmente é melhor ainda.

      Tumores resistentes, agressivos e poucos responsivos a tratamentos convencionais, como é o caso do exemplo que você deu, devem sempre ser levados em consideração para tratamentos "alternativos" como a dieta cetogênica.

      Excluir
  15. Opa, meu nome é Luiz Felipe de Araújo
    tenho muita dúvida quanto suplementação de aminoácido, proteína BCAAs...
    você tem algum post só sobre isso?
    meu primo foi num médico ou nutricionista não sei, que passou pra ele uma fórmula manipulada de Valina, Isoleucina etc... diz ser os aminoácidos essenciais... já meu outro amigo usa Citrulina, Tirosina e outros nomes diferentes... são tantos... eu preciso de tudo isso pro músculo crescer? qual a diferença de cada um desses? qual o melhor pra hipertrofia? ou seria melhor um whey protein?
    Sei que cada caso é uma indicação, mas puder me ajudar a entender pelo menos essas diferenças eu agradeço..
    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Luiz.

      Nenhum suplemento de proteínas ou aminoácidos é essencial para a hipertrofia muscular. Nem mesmo whey. Dá uma conferida nesse texto aqui do blog, caso ainda não tenha lido:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/04/whey-protein-e-essencial-para-o-ganho.html

      Em alguns casos, principalmente para praticantes mais avançados e bem treinados, o uso de estratégias específicas pode ser interessante para otimizar o ganho de massa muscular e a composição corporal desejada. E entre essas estratégias estão incluídos alguns suplementos.

      Não tem como detalhar suplemento por suplemento em apenas um breve comentário. O que eu posso te dizer é que a maioria dos suplementos não vai te ajudar em quase nada. Ao mesmo tempo, os "clássicos" podem trazer alguns benefícios (desde que aliados a treino, alimentação e sono adequados): creatina e whey protein.

      A creatina é certeza, e por isso nem pretendo falar sobre ela em textos futuros. O caso do whey tem algumas nuances importantes, e em breve vou escrever sobre o efeito da sua suplementação na hipertrofia.

      Excluir
  16. Tem um video na internet daquele Olamir Ribeiro dizendo que excesso de proteína vira açucar no sangue... e disse que esses maromba que toma esses whey adoidado podem engordar a ate contrair alguma doença metabolica tipo diabetes por conta do excesso de carbidrato também

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      O uso de whey não afeta negativamente o controle glicêmico e o metabolismo de carboidratos; ao contrário, os estudos sugerem que uma maior ingestão de proteínas, inclusive na forma de whey protein, é benéfica nesse sentido.

      Dizer que o "excesso" de proteínas vira açúcar no sangue é desconhecer a fisiologia do organismo. A gliconeogênese, via bioquímica que seria responsável por tal alegação, é um processo que depende da demanda do organismo, e não da oferta de substratos. Os aminoácidos provenientes das proteínas ingeridas na dieta são, sim, substratos para a gliconeogênese; porém, eles só são direcionados para essa via bioquímica quando o corpo apresenta uma necessidade em ativá-la de maneira mais intensa (como no jejum, por exemplo).

      E o "excesso" de proteína com certeza não engorda:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/09/proteina-em-excesso-engorda.html

      Excluir
    2. Boa resposta... não sabia que excesso não engordava, eu achava que engordava também.... mas numa pessoa que não treina pesado, e se entope de proteína sim, vira açucar, é isso??

      Excluir
    3. Não exatamente. A conversão de aminocácidos (proteína) em glicose (açúcar) é essencialmente o mesmo em pessoas que treinam ou não treinam.

      O "excesso" de proteína não leva ao ganho de gordura corporal e também não é (quase nada) convertido em glicose, independente do nível de treinamento da pessoa. A grande diferença é que a pessoa que treina consegue utilizar melhor essa proteína no sentido de estimular a síntese muscular.

      Excluir
  17. boa noite dr João
    o que vc indicaria pra fritar um bife?

    banha de porco ou óleo de soja refinado?

    grata, marilene

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Marilene.

      A banha de porco definitivamente é uma opção melhor do que o óleo de soja. No caso, procure por uma banha que não seja refinada (porque essa opção existe).

      Manteiga, óleo de coco e azeite também são opções muito boas para a cocção:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/08/qual-e-o-melhor-oleo-para-coccao.html

      Excluir
  18. Qual sua opinião sobre sal?
    qual sal usar? Já li a respeito do sal integral, sal rosa que é mais vantajoso por não ser refinado
    Mas já vi alguns profissionais dizendo que o sal de mesa é melhor porque tem iodo

    Qual sua opinião?

    Obrigada, Maria Lúcia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Maria Lúcia.

      Os sais não refinados não possuem vantagens em relação ao sal de mesa. Além disso, como você mesma mencionou, o fato do sal refinado possuir iodo é um diferencial importante, já que a alimentação da população em geral é bastante pobre nesse nutriente.

      Recomendo ler os comentários do texto que escrevi sobre sódio/sal para mais detalhes sobre esse assunto:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/09/sodio-faz-mal-saude.html

      Excluir
    2. kkkkkkk tive que me entrometer... então sal refinado não possui vantagem sobre o integral? conte-me mais os solventes químicos que se usa para refinar o sal marinho....

      e como um sal constituído apenas de Na e Cl, pode ser melhor do que outro que além desses, possui outros minerais ( mesmo que em doses baixíssimas ) que são favoráveis? e ainda por cima na sua forma ionizada... perfeita para absorção... Nisso aí eu discordo completamente.... Em relação aos óleos vegetais concordo 100%

      Excluir
    3. Só é possível realmente especular sobre as informações que temos, que são exatamente essas que expus. Como não existem estudos comparando a diferença, na saúde, entre a ingestão de sal refinado e sais não refinados, qualquer alegação sobre a superioridade desses últimos ficaria apenas no campo da mera suposição.

      Além disso, cuidado com alguns conceitos. Os minerais presentes nos sais não refinados não estão presentes na forma ionizada. A ionização só vai acontecer dentro do organismo. Acontece com o Na e o Cl do sal refinado, assim como acontece com qualquer sal (no sentido químico da palavra) presente nos sais não refinados.

      Porém, mesmo que a ionização facilite a absorção de alguns minerais, as quantidades são tão pequenas que, no contexto de uma boa alimentação (e geralmente são pessoas que se alimentam bem que consomem sais não refinados), praticamente não fazem diferença. Sem contar que a ionização não necessariamente significa um estado ótimo de absorção de nutrientes; alguns minerais quelados têm absorção muito mais significativa do que comparados àquelas na forma iônica.

      E leia com mais cuidado os comentários. Eu, por exemplo, em nenhum momento usei a palavra "menor" para comparar o sal refinado aos sais não refinados, apesar da maior concentração de iodo ser uma característica bem importante.

      Excluir
  19. OLÁ JOÃO GABRIEL

    FUI RECEITADA SOLUÇÃO DE LUGOL NUM COPO DE ÁGUA PELA MANHÃ
    JUNTO COM O HORMONIO DA TIREÓIDE

    LUGOL É IODO E POTÁSSIO, QUAIS OS BENEFICIOS?
    NÃO USO MUITO SAL

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      O iodo é um mineral extremamente importante para a tireoide, já que participa da formação dos hormônios dessa glândula.

      Como prescreveram-lhe hormônio da tireoide, posso inferir que você deve estar com hipotireoidismo. Considerando que a tireoidite de Hashimoto é, isoladamente, a principal causa de hipotireoidismo, é bem possível que esse seja o seu caso (se você não souber, pergunte ao seu médico).

      E por que estou falando isso? Porque a literatura científica já demonstrou que aumentar a suplementação de iodo em pacientes com tireoidite de Hashimoto normalmente não é uma boa ideia, podendo piorar o quadro; ao contrário, a restrição de iodo pode ser benéfica.

      Além disso, a suplementação com selênio é ainda mais importante do que se trabalhar com iodo.

      Por isso, sugiro questionar o seu médico sobre a causa do seu hipotireoidismo e também o porquê da suplementação com iodo e o porquê da não suplementação com selênio. O selênio é importante, principalmente se houver insuficiência ou deficiência (seria uma boa ideia pedir ao seu médico para medir os seus níveis de selênio, caso ainda não o tenha feito), em qualquer caso de hipotireoidismo.

      Excluir
    2. OLÁ. ELE DISSE QUE NÃO GOSTA DE MEDIR SELÊNIO, NÃO PORQUE

      TENHO HIPOTIROIDISMO DE HASHIMOTO

      SEGUE O QUE EU USO DIARIAMENTE

      Tiroxina - 75 mcg
      triiodotironina - 25 mcg

      Glutamina 800 mg
      Magnésio quelado - 200 mg
      Selênio glicina - 150 mcg
      Zinco glicina - 15 mg
      Boro - 1 mg


      Metilcobalamina sublingual - 1mg

      Vitamina D3 veículo oleoso 2 mil UI/ GOTA ( tomo 5 gotas )
      Solução de lugol 5% - 1 a 2 gotas por dia ( mandou variar )

      Não ingerir glúten ( nem pão nem cerveja )


      O que vc acha? eu sei que meu médico é bom porque foram varias indicações. Grata quero sua opinião

      Excluir
    3. Olá, sou médico nutrólogo, me chamo Ícaro Alcantara, pratico medicina ortomolecular ( aceita pela RESOLUÇÃO CFM nº 1938-2010 – Ortomolecular e Biomolecular. )

      E posso te afirmar que os estudos que fizeram com Iodo piorando Tiroidite autoimune foram mal feitos.

      Iodo não só ajuda em hipotireoidismo ( em muitos casos ) como trata diversas outras doenças como nódulos e cistos de mama, próstata e ovário.

      Vou lhe sugerir uma leitura : http://drbrownstein.directfrompublisher.com/


      Ou se preferir algo mais dinâmico, um video: https://www.youtube.com/watch?v=Ih6Kpzu2E74

      Dr. Brownstein, autoridade em iodo mundial, se dedicou a vida médica para estudar o efeito do iodo ( e iodeto ) na saúde humana.

      Paz e sucesso.

      Excluir
    4. Olá, pessoa que citou os medicamentos e suplementos que está utilizando.

      A minha opinião continua sendo a mesma. De qualquer maneira, não posso mudar a conduta do seu médico.

      Se quiser uma opinião profissional que você pode vir a adotar, consulte diretamente, de forma presencial, outro(s) profissional(is). Pelo menos para ter um segundo (ou terceiro, ou quarto) ponto de vista sobre o assunto.

      Excluir
    5. Olá, Ícaro.

      Respeito o trabalho do Brownstein. Porém, ele não tem trabalhos publicados na literatura científica. Além disso, desconheço estudos que testaram a suplementação de iodo, na ausência de selênio, demonstrando benefícios em pacientes com hipotireoidismo (se souber, mande o link, por favor).

      Ao contrário, existem evidências mostrando que a restrição de iodo pode ser benéfica. Não sei se concordo que esses estudos foram "mal feitos". Se quiser levantar os pontos falhos de tais estudos, basta citá-los aqui que estou totalmente aberto a discussões.

      Além disso, existe meta-análise sobre a suplementação de selênio no hipotireoidismo. Ou seja, é um mineral que já fui muito mais bem estudado do que o iodo nesse contexto. Por isso, na minha forma de entender, o iodo até pode ser suplementado, mas sempre na presença de selênio.

      Excluir
    6. Claro colega, não tem como tratar saúde dando apenas 1 nutrientes.... Selênio é um deles, e , como é pouco acessível o mineralograma ( o mais fidedigno exame para detectar níveis de selênio ) eu vou pela clínica, o selênio pode reduzir os anticorpos contra a tireóide.

      Excluir
  20. Boa noite. Uso sal integral. Então devo parar e usar o refinado branquinho? achei q o integral fosse melhor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      A grande questão é que, sem o sal refinado (que é, por lei, fortificado com iodo), a ingestão de iodo da população é bem baixa. Se você tiver um consumo elevado de alimentos fonte de iodo (como algas e frutos do mar) ou suplementar com esse mineral, é bem possível que você não precise do iodo do sal refinado.

      De qualquer maneira, caso pretenda manter o consumo de algum sal integral, recomendo procurar um profissional competente para isso. Pode ser um nutricionista para incluir na sua dieta alimentos que vão garantir um bom aporte de iodo. Pode ser um médico ou nutricionista que te prescrevam uma suplementação adequada desse mineral.

      Excluir
    2. Por favor, estou sem o que fazer... Qual o sal que você usa?

      se eu comprar o sal marinho integral iodado serve?

      O sal rosa é muito caro além de vc ter dito que não há beneficios

      qual sua opinião?? qual sal eu uso?? tem que ser o refinado?

      Excluir
    3. A minha opinião sobre os sais (que você mesmo mencionou no seu comentário) está nos comentários acima e também nos comentários do texto sobre sódio:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/09/sodio-faz-mal-saude.html

      Mas se estiver com tanta dúvida, fique com a opção mais simples que é a do sal comum mesmo.

      Excluir
  21. Qual açucar vc indica?
    refinado?

    ResponderExcluir
  22. Mais uma vez vou me intrometer....

    TODO SAL MARINHO tem iodo...só que eles refinam ( e usam solventes químicos ) para extraírem minerais e deixar só o Na e o Cl ( cloreto de sódio ) .......... ponto, depois eles viram a necessidade do iodo ( que já tinha no sal natural ) e agora eles falam que "acrescentaram" iodo no sal.... a verdade é que nunca deveria ser tirado. Então cidadão que perguntou aí em cima, posso dar minha opinião?

    Use sal marinho integral ( com iodo )

    não precisa usar o Rosa do Himalaya que é gourmet e é caro

    Boa noite

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, sal marinho tem iodo. Mas a questão não simplesmente ter ou não ter iodo, mas sim ter quantidades adequadas desse mineral.

      Sal rosa também tem iodo, e nem por isso é uma fonte recomendável desse nutriente.

      Excluir
    2. Entendo, mas vou ser sincero, não tenho como aqui te provar, mas sei que o iodo acrescentado é um iodo pra prevenção de bócio.... Iodo pra ter saúde é outra história... a próstata precisa de iodo, as mamas, toda glandula ( tireóide não é a única)
      eu ainda não sou nutricionista formado, e discuto muito isso com professor mas o Lugol não pode ser usado sozinho, e sim o selênio-metionina.... o selênio protege a saturação da tireoide com o iodo...
      Minha mãe tinha 2 cistos no ovário... o médico quis operar
      acha que eu deixei?? Iodo trata isso, hoje eu posso mostrar o ultrassom de abdome inferior dela... não tem nada !

      Mas eles não querem isso.. simplesmente colocou iodo no sal refinado pra "mascarar" o bócio.... vergonha

      Excluir
    3. Concordo que a ingestão "apenas" do iodo contido no sal refinado muitas vezes não vai ser suficientes para suprir as demandas individuais de cada pessoa.

      Porém, isso não muda o fato de que o sal refinado possui mais iodo do que qualquer outro sal não refinado. E também não muda o fato de que o sal refinado e outros alimentos fortificados (em outras partes do mundo) são basicamente as únicas fontes significativas de iodo para a maior parte da população mundial.

      O exemplo que você dá sobre a suplementação com iodo ser benéfica para uma (ou mais) condição clínica não é um argumento contra o consumo de sal refinado. Ao contrário, é um argumento mais a favor da ingestão de sal refinado do que de sal marinho (ou outros tipos de sais não refinados ou menos refinados), simplesmente por causa da maior concentração de iodo, devido à fortificação, no sal refinado.

      Excluir
  23. Estudo publicado esse ano.

    Grupo: celíacos, sensíveis-não celíacos, e indivíduo normal

    conclusão: " O aumento da permeabilidade intestinal ocorreu em todos os indivíduos após a exposição a gliadina (...) "

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25734566

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Obrigado pela referência. Vou olhar com mais detalhes depois. O problema desse e dos outros estudos é que eles são todos ex-vivo, o que limita demais a extrapolação de resultados.

      Ainda falta sair um estudo in vivo em humanos. Algo que não é difícil de testar, mas que ainda não foi feito.

      Excluir
    2. Olá mais uma vez!

      Tinha me esquecido desses estudos aqui, que menciono na parte 2 dessa série sobre glúten e permeabilidade intestinal:

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21392369
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21224837

      Assim como o trabalho que você mencionou, estudos ex-vivo anteriores (que também mencionei na parte 2) já haviam verificado que a permeabilidade intestinal de pessoas sem doença celíaca pode, sim, aumentar com a exposição à gliadina. Porém, isso não é observado nos estudos in vivo.

      Em outras palavras, "não adianta" termos evidências ex-vivo mostrando aumento de permeabilidade com gliadina se os estudo in vivo, que são superiores, contradizem isso.

      Excluir
  24. Olá. Sou marta campos. Faço nutrição na UFJF
    O que você pensa sobre alimentos transgênicos?

    procurei no site mas não achei nenhum post a respeito.
    Boa noite

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Marta!

      Essa é uma discussão bem complexa, com vários argumentos que podem dar suporte a quem é a favor e também a quem é contra os transgênicos.

      Acredito que a ciência talvez ainda não tenha informações suficientes para saber ao certo se, do ponto de vista de saúde e segurança, os transgênicos não seriam problemáticos e, quem sabe, poderiam até ser benéficos. Por isso, eu normalmente prefiro não opinar muito sobre esse assunto.

      Porém, acho que a "pergunta certa" nunca é feita:

      Por que precisamos de transgênicos?

      Quando essa pergunta é feita, é possível perceber que a maioria dos argumento (senão todos) de quem defende os transgênicos vão por água abaixo. Ao mesmo tempo, as preocupações de quem é contra os transgênicos deixam de ser preocupações, uma vez que provavelmente não precisaríamos deles.

      Excluir
  25. ... Apenas observando a turminha da medicina funcional querendo discutir com um nutricionista kkkkkkkk

    Gente, pelo amor, cada um acredita no que quiser. Ciência NÃO É exata....

    Ninguém é dono da verdade, não existe "bater o martelo" em medicina.

    Só acho que não fácil esse assunto do glúten. Já vi vários casos do paciente vir com uma dieta evitando glúten, melhorar os sintomas, mas na verdade ele tinha uma doença celíaca oculta. Ou seja só evitar glúten não era o bastante, embora o bem estar melhore como um todo.
    Ou o sujeito tira o glúten 100% da vida, ou ele investiga doença celíaca... "evitar" glúten pode mascarar um problema grave.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obs: não estou debochando, estou apenas ironizando a questão de fazer querer mudar de opinião... Vindo aqui postando artigos... Pra que? É profissional, pratique isso na sua clínica!

      Excluir
    2. Nada mais justo, até porque a permeabilidade intestinal não precisa ocorrer para o glúten ser prejudicial a alguém.

      Mesmo que as pessoas com sensibilidade ao glúten (sem doença celíaca) não apresentem aumento na permeabilidade intestinal, elas ainda assim possuem sintomas. E isso, no caso, é a parte mais importante.

      Excluir
  26. To adorando essa discussão... e eu sei que isso tudo é muito polêmico

    João Gabriel, eu sigo um médico no instagram e ele defende muito que nós não devemos beber leite de vaca, eu sei que sua opinião é que o consumo moderado pode ser benéfico, pois tem cálcio etc....

    Só que esse médico posta a opinião dele, e em baixo ela posta alguns artigos, eu abri um e joguei no google tradutor pra ler todo, e diz que o leite de vaca moderno pode reduzir a testosterona, o que você acha disso, ou acha que é sensacionalismo científico?

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19496976

    Obrigada!! e um feliz ano novo pra você

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Três coisas são impressionantes:


      1) Como as pessoas (no caso, o médico) não observam direito, ou não observam de forma crítica, as informações que leem.

      2) Como as pessoas (no caso, o médico) às vezes interpretam as informações da forma como querem interpretar, deixando ideias pré-concebidas influenciarem diretamente, e muitas vezes de forma errada, o julgamento dos fatos.

      3) Como pesquisadores às vezes tentam "maquiar" os resultados.


      Antes de qualquer coisa, vale ressaltar que a testosterona, no estudo que você mencionou, só foi medida em homens, e por isso os resultados a princípio se referem apenas a indivíduos do sexo masculino. O que os pesquisadores fizeram foi dar mais ou menos 1 litro de leite para alguns homens beberem em 10 minutos e, depois, mediram os níveis de testosterona (e algumas outras coisas) durante as duas horas seguintes. O que foi observado é que, durante essas duas horas, o nível mais baixo de testosterona foi de 500 ng/dL, comparado a 600 ng/dL antes de os homens beberem o leite. Houve diferença estatística, mas essa diferença não é clinicamente relevante, simplesmente porque 500 e 600 ng/dL são dois valores que estão bem no meio dos valores de referência de testosterona para homens.

      A "pilantragem" dos pesquisadores foi que eles compararam a concentração basal de testosterona (600 ng/dL) ao valor mais baixo obtido nas duas horas de mensuração (500 ng/dL). Se eles tivessem feito a média dos níveis de testosterona durante essas duas horas, em vez de pegarem apenas o valor mais baixo, a diferença provavelmente não teria sido estatisticamente significativa. De qualquer maneira, como falei antes, 500 e 600 ng/dL são, na prática, essencialmente a mesma coisa.

      Além disso, o médico ao qual você se refere ou não leu de forma crítica o estudo (caso realmente tenha lido, porque o que mais tem é gente por aí repetindo informações das quais desconhecem o verdadeiro teor), ou simplesmente quis enxergar os resultados da forma que lhe é conveniente.

      Esse último caso se encaixa no viés de confirmação:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html


      Obrigado pela leitura e feliz ano novo também!

      Excluir
    2. Sem contar aquela que provavelmente é a maior das limitações do estudo:

      Não tem grupo controle.

      Excluir
  27. Dizem que quando esquenta um alimento as proteínas são desnaturadas, certo?
    No caso do leite fervido, a caseína é desnaturada?

    Me fale sobre a caseína, ela é uma molécula inflamatória como dizem, ou é importante a nossa saude?

    Obrigada. Monique

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Monique.

      Sim, as proteínas são desnaturadas quando os alimentos são aquecidos. Maior temperatura e maior tempo de aquecimento, maior desnaturação proteica. E isso vale para todas as proteínas, inclusive a caseína.

      Mas não precisa achar que isso é ruim, porque não é. Muita gente fala sobre a desnaturação proteica como algo prejudicial, o que não é verdade. Muito pelo contrário. A desnaturação proteica é essencial para que as proteínas possam ser digeridas e absorvidas. Quanto mais uma proteína for desnaturada, maior será seu aproveitamento pelo corpo.

      E não tem nada de inflamatório na caseína, desde que a pessoa consiga digeri-la bem. Algumas pessoas têm, sim, problemas com essa proteína. Nesses casos, o indivíduo responde “apenas” com algum tipo de resposta alérgica. Mas é uma alergia como qualquer outra alergia comum, como a camarão ou amendoim, por exemplo.

      Porém, quando falam sobre o potencial inflamatório da caseína normalmente estão falando sobre o fato de ela ser inflamatória pra quase todo mundo. Isso não é verdade, e a ciência é bem clara em relação a isso.

      Em breve vou escrever sobre o efeito do leite, e suas proteínas, sobre a inflamação, então fique por perto.

      Obrigado pela leitura!

      Excluir
  28. Boa noite
    o músculo precisa de quais aminoácidos para crescer?
    Todos os essenciais? ou os nãos essenciais? ou qualquer aminoácido?

    Além disso, quando treino, e não consigo me alimentar ( como ovo ) logo depois do treino como fonte proteína, isso aumenta o catabolismo?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      O músculo precisa de todos os aminoácidos. Porém, como o nome sugere, são os aminoácidos essenciais que são limitantes e, portanto, precisam ser obtidos por meio da alimentação.

      A sua pergunta sobre o catabolismo é relativamente complexa e envolve vários fatores, mas os mais importantes provavelmente são a alimentação pré-treino e a alimentação pós-treino. O exercício naturalmente aumenta o catabolismo muscular. Entretanto, usando o seu caso como exemplo (onde nem sempre dá pra fazer uma refeição logo após a atividade), é seguro dizer que se você estiver bem alimentado no pré-treino esse catabolismo não vai ser relevante, justamente porque você, antes do treino, já forneceu nutrientes ao seu corpo.

      Em todo o caso, se você se alimentou antes do treino, não precisa se preocupar em fazer uma refeição imediatamente após o treino.

      Caso ainda não tenha lido, sugiro esse texto aqui do blog:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/04/whey-protein-e-essencial-para-o-ganho.html

      Excluir
  29. BCAA ( ISOLEUCINA, LEUCINA E VALINA )

    É BEM SUPERIOR a qualquer whey protein

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caro anônimo, não faça uma alegação para a qual não existe embasamento científico.

      Excluir
  30. Olá. SOu Marta

    Minha médica me indicou usar Clorella ( Kenbi )
    quais são os benefícios?

    Obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Marta.

      Pra falar a verdade, os estudos em humanos são limitados em número e relevância, mostrando possíveis efeitos benéficos (modestos) em marcadores de esteatose hepática, na melhora do perfil lipídico e na melhora do controle glicêmico.

      Excluir
  31. Estou usando uma pasta dental sem flúor
    o que vc acha disso?
    minha nutricionista recomendou

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Essa não é bem minha área. Porém, existem algumas evidências que poderiam sugerir que a pasta de dente com flúor não é necessária, desde que haja acesso a água com concentração adequada desse elemento.

      De qualquer maneira, acho que algumas perguntas são mais importantes: quais são os outros ingredientes contidos na pasta de dente? Por que eles estão lá? Eles são necessários? Podem fazer mal?

      Excluir
  32. Oi Dr. João

    Eu li toda a matéria incluindo as outras partes mas eu ainda não entendi
    quem não tem doença celíaca deve restringir ou não?

    Podemos dizer que o glúten faz mal a todos em proporções diferentes?

    Obrigada, Júlia Moreira

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Júlia!

      Vou resumir em tópicos:

      1) Quem tem doença celíaca deve excluir alimentos com glúten, já que essas pessoas desencadeiam uma resposta imunológica (inflamatória) após a ingestão dessa proteína. Isso resulta em sintomas e danos ao organismo. Ocorre também aumento da permeabilidade intestinal em celíacos, o que, depois, pode resultar em uma série de problemas; especula-se que esse aumento da permeabilidade intestinal poderia explicar, inclusive, por que os celíacos apresentam maior risco de desenvolver doenças autoimunes.

      2) Em pessoas sem doença celíaca, o aumento da permeabilidade intestinal não ocorre -- nem mesmo em pessoas que têm sensibilidade ao glúten (sem ser doença celíaca). Ou seja, pessoas que não têm doença celíaca, mas que apresentam sintomas ao consumir alimentos com glúten, não demonstram permeabilidade intestinal aumentada quando ingerem glúten. E o mesmo vale para pessoas que não apresentam qualquer sintoma ao ingerir alimento que contêm glúten (que é a maior parte da população).

      3) Mesmo sem aumento da permeabilidade intestinal, é uma boa ideia que as pessoas com sensibilidade ao glúten façam uma restrição no consumo de alimentos que contêm essa proteína. O fato de essas pessoas apresentarem sintomas indica que algo não está certo, ou seja, que o corpo provavelmente está respondendo de forma negativa a esses alimentos com glúten.

      4) Apesar de as pessoas não celíacas não apresentarem aumento da permeabilidade intestinal com o consumo de glúten, isso não significa que o glúten não é problemático -- mesmo naquelas pessoas que não apresentam sintomas. Isso ocorre porque existe uma associação entre o consumo de glúten e o desenvolvimento de várias doenças (citadas na parte 3) que aparentemente não têm nada a ver com o glúten. Além disso, alguns estudos mostram que a retirada do glúten da dieta de pacientes que apresentam tais doenças reduz ou até elimina os sintomas, indicando que, pelo menos em alguns casos, os alimentos com glúten são um fator que desencadeia, ou amplifica, os sintomas dessas doenças.

      Esse último ponto é, na minha opinião, motivo suficiente para que qualquer pessoa evite o consumo de glúten. Não dá pra dizer que o glúten necessariamente faz mal a todos, mas, pelas evidências que temos, é possível dizer que ele pode vir a fazer mal a qualquer um.

      Excluir
    2. Sou eu de novo, não dá pra apagar o comentário que eu fiz anteriormente, eu li outra vez e entendi sim.
      Seria como se fosse uma "prevenção" de um possível problema que a proteína poderia vir a causar, certo?

      Obrigada!!

      Excluir
    3. Pronto, deixei só o seu último comentário.

      É isso mesmo, como se fosse uma prevenção!

      Excluir
    4. Ótimo! vou fazer uma pergunta pessoal: você ingere glúten?

      Júlia

      Excluir
    5. Não ingiro glúten na maior parte do tempo, mas acabo consumindo uma ou duas vezes por mês em ocasiões com família ou amigos.

      Excluir
    6. Chique =D
      Obrigada, boa semana!

      Excluir
  33. Boa noite
    Sua opinião sobre Soja não fermentada

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Soja é uma assunto muito complexo que, infelizmente, não dá pra comentar com poucas palavras. Porém, pretendo escrever sobre isso em breve, então fique por perto.

      Excluir
  34. Olá, já estudei muito sobre isso e o que eu aprendi é que glúten é prejudicial apenas pra quem é HLA-G2 e HLA-G8 positivo

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Nesse caso você está falando de doença celíaca, e na verdade são os genótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8. Mesmo assim, os sintomas em resposta ao glúten podem aparecer independentemente desses genótipos, principalmente no caso de sensibilidade ao glúten não celíaca.

      A genética é importante, mas as manifestações clínicas são muito mais. O que você faria se visse um paciente, que possui esses dois genótipos negativos, com sintomas associado ao consumo de alimentos com glúten. Independente de ter doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou sensibilidade a FODMAPs, por exemplo, você deve investigar a causa do problema. E, nesse tipo de situação, o mais importante é descobrir o motivo de desencadeamento dos sintomas.

      Excluir
    2. Sim, claro. Pacientes sintomáticos que tiram o glúten e melhoram claro que deve ser restringido. Estou me referindo aos casos de pessoas não positivas, assintomáticas que "evitam" ou restringem o glúten por algum motivo inconclusivo. Porque todos os artigos dizem que glúten só faz mal pra quem tem sintoma ( claro ) ou os HLA positivos ( vulgo celíacos )

      Excluir
    3. Tais artigos não consideram a associação entre o consumo de glúten e o desenvolvimento de várias doenças. E também não levam em conta que, em estudos clínicos, a restrição no consumo de alimentos com glúten leva à redução ou remissão dos sintomas dessas mesmas doenças.

      As referências para isso que estou falando estão na parte 3 dessa série sobre glúten e permeabilidade intestinal.

      Excluir
    4. Ok, vou dar uma olhada.
      Obrigado

      Excluir
  35. Essa polêmica toda em volta do glúten é porque, as pessoas ou não estudam, ou não querem abrir mão do glúten. Vamos lá!

    Doença celíaca é uma coisa, assumir que glúten não faça mal é outra.

    A diferença é que, quando a fração gliadina do glúten chega na mucosa intestinal, mais precisamente numa proteína chamada zonulína, ela desencadeia um processo imunológico adaptativa ( essa reação só ocorre na DC ) isso pode ou não causar sintomas. A grane maioria sente flatulência, diarréia, constipação e até sangramentos fortes. Além de apresentar a clássica permeabilidade intestinal ( de um grau que só ocorre em celíacos )

    Numa criança, num jovem ou num adulto ( celíacos negativos ) por genótipo por exemplo, não tem a reação adaptativa e autoimune vista na doença celíaca, mas a gliadina do glúten também desencadeia em todos os indivíduos alteração nas "tight junctions" em menor quantidade, talvez subclinicamente, de modo que uma pessoa pode comer glúten a vida toda e nunca ter uma doença relacionada com a teoria "mimetismo molecular" que é uma teoria totalmente embasada cientificamente. Ou seja, a pessoa tem que colocar na balança se ela prefere ser feliz comendo o que gosta e correndo um risco ( risco esse que não tem como prever o grau ) cada indivíduo apresenta uma sensibilidade maior.

    E claro, tirando o resto de intolerantes ao glúten, que ingerem e sentem os efeitos prejudiciais, nessa caso nem preciso dizer nada, quer melhorar? Tire o glúten !!!!! Não tem polêmica nenhuma quanto a isso...

    Interessante aqui as pessoas debatendo esse e outros assuntos sobre saúde, mas cuidado com as fontes. Tem muito site que inventam lorota e coloca frases de 10 segundos de um ou outro médico que nem é autorizado.

    Abraço, José Roberto Mello

    ResponderExcluir
  36. Boa tarde João Gabriel. Me chamo Rafael Meireles.
    Meu pai foi diagnosticado com ataxia de glúten
    ele tem 73 anos, acha que eu tenho probabilidade maior de ter?

    Não li toda a matéria sobre glúten, confesso, pois não entendo nada desse assunto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Rafael.

      Não falo especificamente sobre isso nos textos, mas a sua probabilidade de também ter, devido ao componente genético, é maior.

      Excluir
  37. Boa noite! Meu nome é Laura

    Gostaria que me esclarecesse uma coisa:
    A doença celíaca para desenvolver precisa da predisposição genética, e a sensibilidade ao glúten? ela é causada pela hiper exposição a proteína, ou é causada por um fator genético?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Laura.

      A predisposição genética é, sim, necessária para o desenvolvimento da doença celíaca. Porém, essa patologia só se manifesta quando há, também, exposição ao glúten.

      Não dá pra dizer ao certo quantas vezes uma pessoa, com a suscetibilidade genética, "pode" se expor ao glúten antes de desenvolver a doença. De qualquer maneira, mesmo após sua manifestação, os sintomas relacionados à doença celíaca são totalmente controláveis com a restrição total de alimentos que contêm glúten.

      Excluir
    2. Entendi, e quanto a sensibilidade?
      qualquer pessoa pode ter, ou tem que ter a genética?

      Excluir
  38. Até onde sei, ainda não temos conhecimentos se existem ou não componentes genéticos relacionados à sensibilidade ao glúten, mas é bem possível que sim.

    Por outro lado, existem doenças relacionadas ao glúten, como a ataxia (mencionada logo acima), que possuem influência genética.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então se existir ( ou existisse ) um teste genético, eu fizesse e eu não for geneticamente sensível ou predisposto a sensibilidade ou posso comer glúten sem medo? Caraca que coisa difícil de entender...... acho que os próprios estudiosos não entendem a verdade

      Excluir
    2. O teste genético certamente ainda não existe. A incerteza que eu mencionei acima se refere à extensão de estudos de componentes genéticos relacionados à sensibilidade ao glúten. Eu, particularmente, desconheço tais estudos, mesmo já tendo dado uma breve pesquisada. Os estudos podem até existir, mas, se esse for o caso, com certeza é uma área que ainda está dando os primeiros passos.

      Além disso, é complicado falar sobre "entender" a verdade, porque nesse tipo de afirmação fica implícito que, de certa forma, já temos o conhecimento necessário para tal, apesar de não utilizá-lo de maneira adequado. Mas não é isso que acontece. Nesse caso, o mais adequado seria dizer que ainda não temos conhecimentos suficientes para falarmos sobre fatos mais concretos.

      Independente dessas considerações, ter "medo" do glúten talvez seja algo positivo. São pouquíssimos (ou nenhum, discutivelmente) os alimentos que contêm essa proteína que são verdadeiramente saudáveis. Mais de 99% dos alimentos com glúten são processados e contêm uma série de aditivos que são potencialmente prejudiciais à nossa saúde; até mesmo o pão integral, que talvez seja (discutivelmente) a opção mais saudável entre os alimentos com glúten, tem várias coisas adicionadas que seria melhor evitar.

      A não ser que estejamos falando de um alimento produzido do zero, como (discutivelmente) um pão integral artesanal, de trigo ou centeio, por exemplo, dificilmente teremos um alimento saudável que contêm glúten.

      De qualquer maneira, a questão genética é bem secundária à sensibilidade ao glúten. Os sintomas são o mais importante. A grande questão, como mencionado na parte 3 dessa série, é a associação do consumo de glúten a outras doenças (como a ataxia citada alguns comentários acima). E isso é um problema porque essas doenças não apenas podem demorar a se manifestar, mas também normalmente não serão acompanhadas de sintomas clássicos relacionados à ingestão de glúten.

      Excluir
  39. Bom dia, por favor, assista esse video no minuto 8:24 e veja se concorda com o que ele disse em relação ao que o glúten faz quando "chega" no organismo

    https://www.youtube.com/watch?v=dPM1V1cQFAU

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aos que comumente citam o Lair Ribeiro por aqui, esse vídeo é uma boa apresentação do que ele representa.

      Considerando o vídeo a partir do minuto 8:24, ele começa falando coisas exageradas -- e até "erradas", no sentido de que não existem evidências para tais alegações. O glúten não vai atingir "elo mais fraco" coisa alguma.

      Por outro lado, em seguida ele fala que possui respaldo científico: a restrição de glúten, pode, de fato, melhorar significativa os sintomas de pessoas com esquizofrenia. Algumas referências:

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22771303
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22771303

      Depois, quando fala sobre vilosidades, aquilo só acontece com pacientes celíacos. Pessoas sem doença celíaca a princípio não apresentam essas alterações negativas no intestino -- nem mesmo os indivíduos com sensibilidade ao glúten. Tanto é que a referência citada na parte superior direita do slide diz respeito a um artigo científico sobre doença celíaca:

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15128357.

      Como essa parte do vídeo não tá completa, não tenho certeza se ele está dizendo que essas alterações nas vilosidades acontecem com qualquer pessoa ou só com celíacos, mas é bem possível que ele esteja extrapolando para todos.

      Agradeço por ter colocado um vídeo do Lair Ribeiro como forma de questionamento, em vez de simplesmente dizer que o que ele fala está correto e pronto (como muita gente faz).

      Excluir
    2. Uai, qual respaldo científico que ele não tem então? já que vc mesmo postou dados relacionando com glúten e essas doenças?

      seria porque ocorre apenas em doentes celíacos?

      Excluir
    3. e o que ele representa? você é contra ele? notei um ar de deboche... o cara é expert em medicina, ele estuda na alemanha e trás tudo pro brasil pra ensinar médicos que fazem curso com ele
      e ele apresenta algumas coisas alternativas também... "diferenciada" melhor dizendo

      Excluir
    4. A questão não é apenas ter (ou não ter) respaldo científico em um momento específico, mas sim o profissional (ou qualquer outra pessoa que queira realmente ajudar alguém) apresentar argumentos baseados em evidências para cada uma das afirmações que fizer -- ou pelo menos deixar claro quando for o caso de alguma informação sobre a qual ainda não temos evidências para ter certeza sobre X ou Y.

      Todos nós aprendemos e obtemos nossas informações de algum lugar, de alguma fonte. A não ser que você mesmo conduza um estudo original, ninguém gera conhecimento "do nada" ( e talvez nem mesmo nesse caso, mas fazer um estudo original é o mais próximo de uma "geração espontânea" de conhecimento). Eu não sei exatamente de onde o Lair Ribeiro obtém as informações que ele passa adiante, mas a questão é que nem todas elas são realmente baseadas em evidências concretas para serem afirmadas do jeito que ele faz.

      A internet tem muita informação sobre tudo. Qualquer pessoa pode, hoje, se informar sobre praticamente qualquer coisa. O problema é que, pelo menos no caso da área da saúde, quase ninguém se preocupa (ou sabe, ou quer) avaliar de forma crítica a relevância ou até mesmo a veracidade de uma afirmação. Isso vale tanto para pessoas leigas como para profissionais. E aparentemente se estende ao próprio Lair Ribeiro, porque, apesar de em alguns momentos afirmar coisas que de fato possuem embasamento científico, em vários outros momentos ele não faz isso -- como nos exemplos que dei acima.

      E, sim, vários dos argumentos que ele utiliza para recomendar a exclusão do glúten são baseados no efeito dessa proteína em pessoas celíacas, mas não em indivíduos sem a doença. Na minha opinião, esse tipo de orientação, sem o devido embasamento, não deveria ser feita por um profissional da área. É claro que isso não quer dizer que o glúten pode ser consumido por qualquer um, a qualquer momento. Eu mesmo termino a série concluindo que, a meu ver, baseado nas evidências que temos até o momento, restringir o glúten provavelmente é uma boa ideia para todos.

      No final das contas, a minha conclusão sobre o consumo de glúten é a mesma do Lair Ribeiro? Sim... Mas isso acontece nesse caso. E se, em outra situação, a apresentação de argumentos sem embasamentos científicos levá-lo a orientar as pessoas a uma prática que pode ser potencialmente prejudicial à saúde delas? Essa é a grande questão: a falta de respaldo científico em uma orientação pode vir a prejudicar alguns (ou muitos) indivíduos – talvez não especificamente no caso do glúten, mas muito possivelmente em outros casos.

      Resumindo: o Lair Ribeiro representa um pouco da dificuldade, ou da "preguiça", que quase todos temos no que diz respeito a realmente discernirmos as informações que realmente apresentam respaldo científico daquelas que não apresentam. Ou talvez ele represente, pelo menos em alguns momentos, o viés de confirmação -- que está extremamente presente em praticamente todo mundo. (Se ainda não o fez, recomendo a leitura do texto aqui do blog sobre viés de confirmação: http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html).

      Não sou contra o Lair Ribeiro. Mas sou, sim, contra qualquer argumento sem embasamento científico, principalmente contra aqueles que são feitos com objetivo de serem generalizados e de alcançarem toda a população. Se existirem evidências para dar suporte às ideias que ele busca difundir, ótimo. Não tenho nada contra ideias novas (ou "alternativas", ou "diferenciadas"), desde que tenhamos um verdadeiro motivo para recomendá-las à população.

      Excluir
    5. Sim, eu sei que você não é contra ele, nem eu. Mas também discordo 100% de algumas ( não todas ) coisas que ele diz, como por exemplo dieta e tipo sanguíneo... que o tipo O "tolera" mais carne vermelha que o A.... que o tipo A é mais vegetariano e por isso deve comer menos carne. Pode ser verdade? sim! mas hoje, por tudo que eu sei e estudei nunca vi absolutamente nada provando isso.

      Excluir
  40. Dieta de Gerson, conhece? o que acha?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não conhecia. Mas dando uma breve olhada não parece ser muito diferente de uma dieta vegana comum.

      Apesar de dietas veganas terem um potencial interessante para a saúde, elas podem, se não forem bem planejadas, levar à ingestão insuficiente de alguns nutrientes, como ferro, zinco, vitamina A, vitamina D. Além disso, outros nutrientes não são obtidos a partir de dietas veganas, como a vitamina B12 -- sendo sua suplementação essencial.

      Resumindo: pode ser interessante, desde que muito bem planejada e seguida, já que alguns nutrientes são muito mais facilmente encontrados, e mais bem absorvidos pelo corpo, a partir de alimentos de origem animal.

      Excluir
  41. Olá, meu nome é Juliana... Gostei muito da publicação e ainda mais dos comentários. Sou nutricionista e confesso que sempre tive um pé atrás com o médico Lair Ribeiro, pelo jeito dele... ele tem uma cara de exagerado. Pois bem, me formei e fiz amizades, até que um certo dia uma amiga de faculdade me chamou para assistir uma palestra dele em Minas Gerais, no ano de 2012. Gostei e aprendi muito com tudo que ele disse sobre nutrição. Até ele falar a "besteira" de água alcalina ( na época eu nunca havia ouvido falar nisso ) e muito menos lia rótulo de água. Recentemente, o meuu cunhado voltou de uma viagem ao japão, e me contou a "novidade" que havia um hospital onde todos os doenças são tratados com uma água ionizada, cujo pH é 10.
    Intrigada, dei um google científico e me deparei com um trabalho científico demonstrando alguns efeitos positivos de água alcalina em algumas doenças, até mesmo diarréia crônica. Segue o link, dê uma lida e me diz o que acha.

    http://www.americanaci.org/uploads/8/1/2/0/8120997/medresearchaiw.pdf

    Boa noite, Juliana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Juliana.

      São estudos interessantes que podem até mostrar certo potencial. Mas nenhum deles foi feito em humanos. Enquanto não existirem ensaios clínicos, jamais poderemos afirmar que água alcalina ou ionizada proporciona algum tipo de benefício.

      Podemos até começar a hipotetizar algumas coisas, e até a pensar quais seriam as melhores formas de se testar, em humanos, o efeito dessas águas sobre a saúde. Mas não podemos, de forma alguma, afirmar qualquer coisa específica sobre elas, e muito menos com a veemência que algumas pessoas apresentam.

      E mais: precisam ser ensaios clínicos bem desenhados (controlado por placebo, duplo ou triplo-cego, de longo prazo), porque o que mais tem por aí são estudos mal feitos em humanos.

      Excluir
  42. Boa noite. Só gostaria de tirar uma dúvida de suplemento
    Vou tirar o dente do siso sexta-feira e aproveitei que fui numa consulta com um nutricionista funcional, ele sugeriu que eu tomasse um suplemento para melhorar o pós-operatório. Qual sua opinião em relação a eficácia, eu já uso essa fórmula, ele acrescentou a vitamina c e o zinco quelado

    1g de vitamina C --- 3x ao dia
    15mg de Zinco quelato ----- 2x ao dia
    10.000 UI Vitamina A ----- TOMAR SUBLINGUAL 1x ao dia/pós almoço
    6.000 UI Vitamina D3 -------TOMAR SUBLINGUAL 1x ao dia/pós jantar
    120 mcg Vitamina K2(mk7) ------- TOMAR SUBLINGUAL 1x ao dia/pós jantar
    550mg GABA ----- 1x ao dia, se estresse, repetir a dose no final da tarde.
    200mg Magnésio Glicina ---- 1x ao dia, pela manhã

    Mix Right ( aminoácidos essenciais ) --- 2x ao dia

    1g Omega 3 ( Omegafor ) ------- 3x ao dia

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não entendi se você queria que eu opinasse sobre a fórmula como um todo ou só sobre a influência que a vitamina C e o zinco teriam na melhora do pós-operatório.

      Como não sei exatamente por que você utiliza esses suplementos todos, fica difícil comentar. Em relação ao zinco e à vitamina C, eles podem sim ajudar no pós-operatório, principalmente se você atualmente tiver níveis abaixo do ideal desses nutrientes no seu corpo.

      Porém, a retirada do siso é um procedimento relativamente simples que, no seu caso, provavelmente nem precisa da suplementação de zinco ou vitamina C. Isso porque essa suplementação talvez nem apresente um efeito apreciável, uma vez que seus níveis desses nutrientes bem possivelmente já estão adequados. Além disso, o tempo total de recuperação da cirurgia é curto, e isso faz com que, mesmo que a suplementação tenha algum efeito, o benefício seja muito pequeno.

      Excluir
    2. Era em relação a vitamina C e o zinco mesmo! Ontem na internet eu li e vi que ajuda a cicatrizar... Minha cirurgia foi complicada, estou tomando sopa gelada e sorvete...
      o dente estava em baixo do osso. A dentista disse que só poderei comer sólidos após 15 dias.
      Fiquei quase 2 horas na cadeira pra tirar dois dentes.

      Sobre a suplementação, comecei a tomar dia 15, e tirei o dente ontem.

      Obrigado!!

      Excluir
    3. Se o procedimento foi um pouco mais complicado, então provavelmente não tem por que não tentar a suplementação.

      Boa sorte!

      Excluir
  43. Sou eu da pergunta anterior!!

    Uma curiosidade, quando dizem que a vitamina C aumenta a absorção de ferro tem que ser ingerida junto com o alimento rico em ferro, ou ela depois de cair no sangue que ajuda a absorver?

    O mesmo caso da vitamina D e o cálcio... a vitmaina D tem que ser ingerida junto com o cálcio ou ela age pelo sangue absorvendo?
    Deu pra entender a dúvida?

    Obrigado!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No caso da vitamina C, o efeito de potencializar a absorção de ferro acontece quando os dois nutrientes são ingeridos juntos. Porém, isso vale essencialmente para o ferro proveniente de alimentos vegetais.

      Para vitamina D e cálcio, a situação é outra. A vitamina D, já dentro do organismo, promove alterações fisiológicas que levam ao melhor aproveitamento do cálcio, tanto na absorção como na excreção.

      Excluir
  44. Boa noite João Gabriel. Parabéns pela matéria completa.
    Não sei se você conhece, mas eu terminei de ler recentemente o livro de uma nutricionista e pesquisadora chamada Denise Carreiro, o livro chama " Glúten, toxicidade, reações e sintomas " e no livro, aborda com muita clareza a relação da transgenia ( hibridações que fizeram no trigo ) e existe uma discordando em alguns aspectos que aborda o seu blog. Vou copiar um trecho do livro:

    "... Há pelo menos 50 epítopos tóxicos em peptídeos de glúten exercendo ação citotóxica, imunoestimuladora e atividades de alteração na permeabilidade intestinal independendo dos haplótipos HLA-DQ2 ou HLA-DQ8..."

    Isso vai na contra-mão do que você disse que a permeabilidade só ocorre em celíacos. O livro tem mais de 15 páginas só de referência bibliográfica... Mentiroso acho que não é, pode dar uma pesquisada nessa autora ou no livro e me dar uma posição?
    Obrigado! Yuri Chimelli

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Yuri!

      Um problema sério na hora de falarmos sobre evidências científicas é que, como existem muitas informações, e com muita variabilidade na qualidade e na relevância dessas informações, é possível chegar a conclusões distintas sobre um assunto. E isso pode acontecer sem nenhuma das partes estar "mentindo".

      A questão principal, nesse tipo de situação, é a relevância das evidências. Eu não preciso nem olhar as referências do livro que você citou para saber que os estudos que a nutricionista cita são todos em células (in vitro ou ex vico) ou, no máximo, em animais.

      Esses estudos são interessantes para especularmos o que poderia acontecer com humanos. Porém, de maneira algumas podemos extrapolar os resultados de trabalhos com animais ou células diretamente para o que aconteceria em humanos. Se tivermos evidências em humanos, ótimo. Se não tivermos, precisamos ter cautela com as coisas que afirmamos.

      Por sorte, já temos estudos em humanos que testaram diretamente o efeito do consumo de glúten sobre a permeabilidade intestinal. Apesar de estudos em células de fato mostrarem que o glúten pode levar ao aumento na permeabilidade intestinal, isso nunca foi demonstrado em humanos sem doença celíaca.

      Como você mesmo mencionou (sobre o que eu escrevi), apenas pacientes com doença celíaca apresentam aumento de permeabilidade intestinal após a ingestão de glúten. Isso não ocorre na sensibilidade ao glúten e também não acontece em pessoas que não possuem reações a essa proteína.

      As referências estão todas na parte 2 dessa série. Como falei, precisamos dos estudos certos para chegarmos às conclusões certas.

      De qualquer maneira, caso seja possível, você poderia me enviar fotos ou digitalizações dos trechos e das páginas de referências para que eu pudesse confirmar o que eu escrevi acima (sobre os estudos citados por ela não terem sidos realizados com humanos).

      Excluir
    2. Sim. Eu entendo sua visão, mas será que os estudos em humanos levaram em conta o alto consumo? Será que se tratou de trigo transgênico? Eu acho que a expressão da zolunina em não-celíacos pode não acontecer com o consumo normal, mas e o exagero? - bem, isso é uma especulação minha, vou te mandar um link do livro..
      No livro, ainda menciona a relação com diebetes tipo 1, Doença de Hashimoto e outras patologias mesmo em pessoas NÃO-celíacos. Não consigo mandar foto de parte dos livros, vou te mandar um link da capa.

      http://www.editorametha.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/800x800/9df78eab33525d08d6e5fb8d27136e95/g/l/gluten_-_toxicidades_rea_es_e_sintomas_-_gtrs.jpg

      Excluir
    3. Eu acredito que a relação do consumo de glúten com essas outras doenças, que eu cito na parte 3 dessa série e em vários dos comentários acima, é motivo suficiente para evitar a ingestão crônica de alimentos que contêm essa proteína.

      Essa questão do elevado consumo, por tempo realmente prolongado, ainda não foi (e provavelmente nem será) diretamente testada. Os estudos que já foram feitos até o momento são relativamente curtos. Assim, não é possível descartar que a exposição crônica poderia levar a alterações na permeabilidade intestinal de pessoas sem doença celíaca.

      Porém, como mencionei antes, as evidências que temos até o momento só nos permitem afirmar que a ingestão de glúten parece alterar a permeabilidade intestinal em pessoas com doença celíaca. De qualquer maneira, a relação da ingestão de glúten com outras doenças, como falei antes, já seria motivo suficiente para restringir o seu consumo.

      Excluir
    4. Entendi. Obrigado pela explicação.

      Excluir
  45. Olá. Minha nutricionista postou este link no facebook fiquei feliz, pois o próprio conselho de nutrição já publicou dizendo que DIETA GLUTEN-FREE, até o momento só é necessária para celíacos ou quem apresente sintomas de sensibilidade.

    Você conhece KEFIR?
    minha nutricionista me indicou, e uma conhecida vai doar, de fato, ha benefício com o uso de probióticos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Eu não concordo com a opinião dos conselhos de Nutrição sobre o glúten. Na parte 3 dessa série sobre o glúten, assim como em vários comentários acima, eu falei sobre a relação que existe entre o consumo de glúten e o desenvolvimento de várias doenças -- independentemente dos sintomas "clássicos". Ou seja, há evidências demonstrando que a restrição de glúten pode ser potencialmente benéfica pra várias outras pessoas.

      Em relação ao kefir, tenho um texto sobre ele aqui no blog:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/10/kefir-faz-bem-mesmo.html

      Mais especificamente sobre a sua pergunta acerca de probióticos, já temos boas evidências para afirmar que eles podem ser benéficos à saúde (existem algumas ressalvas, mas não vou me estender porque são muitos detalhes). Eu recomendaria obtê-los a partir de alimentos, como o próprio kefir.

      Excluir
  46. Olá
    Adorei essa matéria sobre o glúten. To usando muito crepioca. E me sentindo ótima.

    É verdade que o arroz e feijão é uma boa combinação? oferece proteínas ou só carboidratos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      É importante entender, primeiro, que o arroz e o feijão oferecem nutrientes que vão além dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras). Eles proporcionam uma quantidade razoável de alguns micronutrientes, que são as vitaminas e os minerais.

      Mas falando de macronutrientes, se a pessoa for onívora ou vegetariana que consome laticínios e/ou ovos, a quantidade de proteína presente na combinação arroz e feijão é praticamente irrelevante. Porém, se a pessoa for vegana, aí essa dupla se torna uma fonte bem interessante de proteína.

      De qualquer maneira, vale ressaltar que o nutriente presente em maior quantidade, tanto no arroz como no feijão, é o carboidrato.

      Excluir
  47. Oi. A pergunta não é persistente a esse post mas como li acima vou perguntar.
    Você é contra suplementação de nutrientes sem carência?
    Exemplo, usar 10.000 UI de vitamina A sem ter falta, ou simplesmente para melhoria da pele.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não sou contra a suplementação de nutrientes quando não há deficiência, porque a deficiência não precisa ocorrer para que a "falta" do nutriente possa fazer diferença na saúde. Por exemplo, várias evidências sobre vitamina D sugerem que a deficiência não precisa ocorrer para que possíveis efeitos negativos possam acontecer.

      Além disso, a suplementação pontual de alguns nutrientes, em algumas condições específicas, pode conferir alguns benefícios interessantes. Nesse tipo de situação, não é que o corpo estava deficiente, mas ele provavelmente não estava com os níveis "ideais" do nutriente em questão.

      O que sou contra é a suplementação generalizada, com quantidades exageradas de nutrientes e com doses questionáveis (tanto subdoses como megadoses), que se faz hoje em dia. Parece que, atualmente, qualquer coisa é motivo para suplementação. E essa é uma prática recorrente que muitas vezes acontece sem o devido embasamento científico e sem uma necessidade real.

      Excluir
  48. Boa noite
    Parece até loucura toda hora voltar nesse assunto, já entendi a sua conclusão. Sei que em não-celíacos não ocorre permeabilidade.

    Mas, pode-se dizer numa quebra de tolerância ao glúten em não-celíacos, e por ventura a gliadina seja absorvida, poderia num organismo predisposto a reagir autoimunidade via mimetismo molecular?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não tem problema voltar ao assunto, até porque essa última pergunta fez me lembrar de um ponto no qual eu ainda não toquei.

      Mesmo que as evidências mostrem que o glúten não leva ao aumento na permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca, isso não necessariamente quer dizer que um intestino mais permeável do que o "normal" não possa ocorrer.

      Ou seja, se uma pessoa apresentar aumento de permeabilidade intestinal por outras causas, acredito que a hipótese que você levantou possa acontecer. Nesse caso, a maior permeabilidade poderia favorecer a passagem de fragmentos não totalmente digeridos de glúten (nós, como humanos, de maneira geral não digerimos muito bem o glúten) e, assim, imagino que esses fragmentos poderiam sim levar a reações de autoimunidade em pessoas predispostas.

      Excluir
    2. Entendi, que bom compartilhar da mesma opinião com outros profissionais
      Mês passado eu fui ao Rio assisti uma palestra ( 2 dias de curso ) e foi muito abordado essa teoria - totalmente verdadeira - de mimetismo molecular. Alguns peptídios do glúten tem sequência de aminoácidos muito parecidos para não dizer idêntica a tireoperoxidade ( TPO )- da tireóide, e um fragmento da células beta pancreáticas. Só parar e pensar, e concluir que talvez seja por isso que existe a relação quanto essas duas doenças em específicas ( Tireoidite autoimune e diabetes tipo 1 )

      Grande abraço.

      Excluir
  49. Boa noite. Meu nome é Marcos.
    Existe algum prejuízo no consumo de grãos na nossa alimentação?
    arroz por exemplo, tirando as calorias, pode ser consumido com qualquer frequência?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Marcos.

      Tirando talvez os grãos que possuem glúten, praticamente qualquer outro pode ser consumido todos os dias. A frequência e a quantidade "ideal" de ingestão vão depender da saúde e dos objetivos de cada pessoa. Os benefícios ou prejuízos teoricamente podem ser previstos de acordo com o caso individual de cada pessoa.

      Por exemplo, pessoas com resistência à insulina ou diabetes tipo 2 vão se beneficiar bastante da redução no consumo de grãos. Não porque os grãos fazem mal por si só, mas sim porque a redução no consumo de grãos é provavelmente a maneira mais fácil de reduzir a ingestão de carboidratos.

      Excluir
  50. Olá, gostaria que você assistisse esse video a partir do minuto: 1:40
    e veja onde está o erro que ele diz. Eu sou muito crítica, principalmente com esse história de acidez sanguinea. Mas não tenho compreensão da diferença.

    https://www.youtube.com/watch?v=FDTCB0YjGvM

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Você está pedindo pra eu identificar algum erro específico ou gostaria que eu apontasse algum trecho que eu considerei como errado?

      Talvez seja difícil dizer que há erros propriamente ditos. Porém, seria bem fácil dizer que não existem evidências científicas para embasar várias das coisas que ele fala.

      Claro, evidência científica não é, e nunca será, tudo nessa vida. Se alguém usar algo da forma X e der certo, ótimo. O que não se pode fazer é dizer que determinado alimento ou intervenção, mesmo sem terem sido cientificamente testados, são "verdadeiros" e que, a princípio, vão funcionar pra (quase) todo mundo. Só podemos dizer que algo realmente funciona se de fato houver evidências para isso.

      Excluir
  51. " Proteínas de glúten podem mediar inflamação em indivíduos independente de doença celíaca "

    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25855121

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. "Estudo transversal".

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/12/tipos-de-estudos-cientificos.html

      Excluir
    2. qual o problema? pode não ser um estudo completo, 100% confiável
      mas existe correlação...

      Excluir
    3. O problema é que já existem evidências experimentais sobre isso, então um estudo transversal é irrelevante nesse caso. Dá uma olhada na parte 2 dessa série, caso ainda não tenha lido.

      Excluir
  52. Discordo de você em alguns aspectos.
    A gliadina do glúten aumenta a permeabilidade intestinal em todos os indivíduos, em tempos e graus diferentes.

    Segue a referência: http://gut.bmj.com/content/52/2/218.full

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não vejo problema em você discordar, desde que as evidências que você apresente de fato permitam isso.

      Assim como ocorreu com outras pessoas que discordaram acima (e que mostraram referências pra isso), você citou um estudo em células. Existem outros estudos in vitro, além desse que você mencionou, que mostram aumento de permeabilidade com gliadina.

      Porém, quando avaliamos estudos in vivo (não ex vivo), com humanos, esse efeito não existe, a não ser quando temos pacientes com doença celíaca. E enquanto não houver evidências mostrando que a gliadina ou o glúten aumentam a permeabilidade intestinal em seres humanos (ainda mais quando já temos estudos mostrando justamente o contrário), não é possível afirmar o que você afirmou.

      Excluir
    2. me mostre por favor esse estudo que diz que não causa.
      como é feito um estudo desse "in vivo" ?

      Excluir
    3. Um estudo in vivo testando o efeito do glúten sobre a permeabilidade intestinal é feito da seguinte forma: você oferece glúten (ou gliadina) aos participantes e depois mede com um teste, como o da lactulose, se houve ou não aumento na permeabilidade intestinal.

      Os dois estudos já conduzidos em humanos, até hoje, foram citados e comentados em detalhes na parte 2 dessa série:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/06/gluten-sensibilidade-e-permeabilidade_9.html

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21392369
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21224837

      Excluir
    4. qual o mecanismo de ação da relação de glúten e doenças autoimunes ( não a DC ) então já que ele não aumenta a expressão da zonulina? não seria apenas sintomas gastrointestinais?

      Excluir
    5. Nesse caso, acho que três observações são bem importantes:


      1) A chance de desenvolvimento de uma doença autoimune por quem já possui doença celíaca é muito maior do que em pessoas sem a doença. Ou seja, realmente existe uma relação entre doença celíaca e outras doenças autoimune.

      2) É bem possível que existam pessoas com suscetibilidade ao desenvolvimento da doença celíaca que, por algum motivo, não chegarão a manifestar a doença. Mas digamos que essas mesmas pessoas, devido aos mecanismos em comum entre as doenças -- incluindo a questão da zonulina --, ainda assim vão desenvolver algum tipo de doença autoimune que não seja a doença celíaca. Nesse tipo de situação, essas pessoas provavelmente apresentariam aumento da permeabilidade intestinal e desenvolveriam alguma (ou mais de uma) doença autoimune, mas não a doença celíaca. Só que tem um detalhe: esses indivíduos não estão incluídos nos estudos que eu citei, simplesmente porque são comparadas pessoas "saudáveis" contra pessoas com doença celíaca; outras patologias são excluídas para não envolver mais um fator de confundimento no estudo. Ou seja, ainda podem existir outras população que apresentam aumento da permeabilidade intestinal com o consumo de glúten, como pacientes que já possuem outras doenças autoimune ou doenças que envolvem o sistema imune, como a doença de Crohn.

      3) Sabemos como o glúten influencia a permeabilidade intestinal em pacientes com Hashimoto? E lúpus? E artrite reumatoide? E fasciite eosinofílica? A resposta é "não" pra essas ou qualquer outra doença autoimune. Enquanto essa área sobre glúten e doenças autoimunes não receber mais atenção, infelizmente não podemos afirmar nada. Pode ser que o glúten realmente tenha um papel importante nessas e em outras doenças, inclusive pela sua influência sobre a permeabilidade intestinal (afetando ou não a zonulina)? Sim, claro que é possível. Assim como talvez não tenha nada a ver o glúten em si (mas talvez alimentos que contêm glúten, como produtos processados e industrializados).


      No final das contas, o mais importante é que as pessoas se informem para que cada um possa tomar suas próprias decisões. Se o indivíduo considerar que não consumir glúten é uma forma de potencialmente se prevenir de algumas doenças, ele pode fazer isso sabendo que existe uma fundamentação mínima pra isso.

      Excluir
    6. Boa tarde João Gabriel, sou Bianca, estudante de medicina que já comentou em outras postagens suas.
      Me impressiona sua dedicação em informar "de graça" parabéns e continue assim... Sobre o assunto, realmente é muito polêmico, tenho amigas que estão "infiltradas" nessa área mais polêmica que garante que o glúten faz mal a todas as pessoas, que sol do meio dia é o ideal, etc... eu ainda sou cética, mas estou adorando sua página. Com certeza irei acessar mais vezes.

      Obrigada.

      Excluir
    7. Olá, Bianca.

      Desde que elas apresentem evidências para dar suporte às ideias que elas defendem, não tenho nada contra. O mais importante, principalmente para nós profissionais de saúde, é sabermos interpretar o que a literatura científica diz, sempre tentando deixar de lado nossos pré-conceitos e vieses (como o de confirmação):

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html

      Seja sempre bem-vinda. E obrigado pelos elogios!

      Excluir
  53. OI JOÃO.
    EXiste algum beneficio em tomar agua com limão expremido?
    tomo toda manhã com agua morna. faz bem ajuda?
    oBRIGADA

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Cientificamente falando, a água com limão provavelmente não vai te trazer nenhum benefício, mas também provavelmente não vai fazer mal algum.

      Excluir
  54. eu tambem comia muito pão parei de comer reduzi a quantidade e me senti muito mais disposta também.
    OBrigada Marlene

    ResponderExcluir
  55. Boa noite, você tem algum conhecimento de homeopatia?
    minha mãe foi orientada cortar o glúten por alguns probleminhas de saúde, e a médica disse que era pra ela usar uma medicação homeopática que chama Glúten CH30 mesmo não comendo, que isso melhoraria a tolerancia ao contaminantes de gluten

    na internet eu já li que homeopatia funciona e já li que não... o que vc acha?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Infelizmente sei pouco sobre homeopatia. A única coisa que posso dizer é que, do ponto de vista da ciência, a homeopatia não é algo que possui um embasamento muito forte -- apesar de muita gente dizer que, na prática, funciona.

      Posso estar errado, mas me parece que a ideia aí é dar um pequeno estímulo de glúten para que organismo da sua mãe seja exposto ao glúten numa dose mínima para criar algum tipo de "resistência".

      Mas não tome essa minha suposição como simples verdade. Pergunte ao profissional que fez a prescrição qual é o objetivo do tratamento, assim como o mecanismo de ação.

      Excluir
  56. Olá

    isso que ele falou da clorofila é verdade??

    https://www.youtube.com/watch?v=Srvk6-bloHg

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      O anel contido na clorofila possui um magnésio em seu centro, e é por isso que os vegetais verdes escuros são fontes razoáveis desse mineral. Isso significa que, em algum momento, o magnésio é liberado da estrutura da clorofila. Com isso, teoricamente a molécula de clorofila pode se ligar a outro metal, incluindo os minerais (utilizados como nutrientes pelo corpo, como ferro ou zinco) e também os metais pesados (como mercúrio ou arsênio).

      Porém, fazendo uma busca rápida na literatura, não encontrei nenhum trabalho científico falando da afinidade da clorofila por esses metais. Ou seja, será que os minerais que são nutrientes são mais facilmente ligados à clorofila ou será que são os metais pesados? Se forem os minerais, isso talvez seja um problema, porque essa maior afinidade faria com que eles se liguem mais facilmente do que os metais pesados, potencialmente aumentando ainda mais um desbalanço que já pode existir.

      Além disso, também não encontrei nenhum estudo que testou diretamente essa capacidade quelante da clorofila nos níveis corporais de metais pesados -- nem em humanos e nem em animais. Ou seja, mesmo que teoricamente essa atividade de se ligar a metais pesados exista, parece que ela nunca foi diretamente testada em um trabalho científico. Por isso, não seria possível afirmar com tanta certeza.

      Outra questão: será que, depois de ingerida, a estrutura da clorofila permanece intacta? Sinceramente desconheço o que acontece com ela, mas acredito que existe uma boa possibilidade dessa estrutura ser degradada. Inclusive, essa seria uma das formas mais fáceis que o corpo tem de ter acesso ao magnésio contido na clorofila. Caso a clorofila não permaneça intacta, essa capacidade quelante de metais pesados também não existiria.

      Porém, a parte mais importante é a que mencionei mais acima, acerca da ausência de estudos testando os efeitos da ingestão de clorofila sobre os níveis de metais pesados no organismo. Se os estudos nunca foram feitos, não tem como afirmar que o efeito de fato existe.

      Excluir
    2. Obrigada

      e Coentro? tem ação quelante?

      Excluir
    3. A princípio, o coentro poderia ter ação quelante justamente pela clorofila. Ou também por alguma substância específica que existe em sua composição; porém, sinceramente não conheço com propriedade os compostos bioativos presentes no coentro, então não sei lhe informar se alguma substância poderia apresentar função quelante.

      De qualquer maneira, as frutas, hortaliças e ervas são invariavelmente ricas em compostos bioativos, o que significa que, mesmo sem atividade quelante, elas podem mitigar efeitos nocivos causados por metais pesados e por uma série de outras substâncias potencialmente prejudiciais.

      Excluir
    4. Então eu já sei que essa história da clorofila é verdade, e posso provar pelo menos no meu caso.

      Eu mesma fiz sem ajuda de médico nenhum ( só pelo mestre Lair por videos )

      fiz exame de sangue medindo alumínio e o resultário foi 9.00...... mandei manipular Coentrum Sativum usei 15 gotas 2x ao dia, durante 2 mêses, interrompi 1 mês e tomei mais 1 mês. Refiz o exame em abril agora e deu 2.00... sei que nada vale 1 caso, mas pra mim eu tenho certeza que foi o Coentrum e o Dr. Lair é um homem muito inteligente ele não precisaria inventar nada disso

      Excluir
  57. interessante isso. E em relação aos sucos feitos de vegetais? a clorofila não teria esse papel de destoxificação? Isso que eu Lair falou eu sempre soube, por isso que sempre que fazendo qualquer quelação é obrigatório repor minerais importantes, principalmente esses que você citou, alem de selênio, cobre e boro

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Os sucos feitos com vegetais podem sim auxiliar o processo de detoxificação que é natural do organismo, principalmente pela oferta, por exemplo, de uma série de nutrientes e compostos bioativos. Porém, isso não se limita aos vegetais; vários alimentos de origem animal também podem fazer isso.

      Quem faz a detoxificação é o próprio corpo, especialmente no fígado, e é por isso que o fundamental é a oferta de nutrientes -- tanto de origem animal como vegetal.

      Porém, nesse sentido, a clorofila a princípio não teria um papel direto de suporte aos processos de detoxificação. Os vegetais que contêm clorofila sim, mas pelos motivos citados acima.

      Excluir
  58. Boa noite
    esses probióticos em capsulas funcionam?
    eles não morrem em ficar ali dentro sem estar no intestino?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Os probióticos em cápsula costumam funcionar sim. E não precisa se preocupar porque eles não morrem só porque não estão no intestino.

      Excluir
  59. Boa noite, João

    Já assisti vários videoconferências do Dr. Souto
    e ele sempre diz que grãos não deveriam fazer parte da nossa dieta e que o glúten pode causar inflamações sistêmicas pela permeabilidade intestinal que produz. Com essas palavras,
    é possível garantir que o glúten causa permeabilidade sem estar provado cientificamente?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não, não é possível afirmar que o glúten causa permeabilidade intestinal se não existirem evidências científicas para isso. Nesse caso específico, temos evidências contrárias: os estudos que citei nessa série de posts mostram que, em pessoas sem doença celíaca, a ingestão de glúten NÃO leva ao aumento da permeabilidade intestinal.

      O José Carlos Souto é um ótimo profissional e tenho certeza que seu blog já foi de grande ajuda para milhares de pessoa. Porém, nesse caso específico do glúten causando aumento na permeabilidade, ou ele está se baseando em estudos com células (como um que eu cito nessa série de posts) e desconhece os estudos com humanos, ou o viés de confirmação tem falado um pouco mais alto nesse assunto (todos nós estamos suscetíveis ao viés de confirmação).

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html

      De qualquer maneira, isso não significa que não existe problema em consumir glúten. Eu terminei o terceiro post dessa série falando justamente sobre as várias doenças associadas à ingestão de glúten (e que, em alguns casos, podem ser melhoradas pela exclusão de alimentos que contêm glúten da dieta). O mais importante não é o aumento ou não na permeabilidade intestinal, mas sim as doenças que podem ser desencadeadas pelo consumo de glúten ou de alimentos que contêm essa proteína.

      Excluir
  60. Boa noite!

    O que acha dessa matéria?

    http://www.sciencealert.com/scientists-who-found-evidence-for-gluten-sensitivity-have-now-shown-it-doesn-t-exist

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Eu destaquei exatamente esse estudo nessa série de posts, mais especificamente no segundo texto:

      "As evidências mostrando que o glúten por si só é o culpado pelo desencadeamento de sintomas ou pelo aumento na permeabilidade intestinal em pacientes com sensibilidade ao glúten são muito fracas. Entretanto, ainda não é possível descartar que o consumo de alimentos com glúten causem sintomas nesses pacientes."

      Excluir
  61. Olá, reduzir o consumo de glúten já ajuda a prevenir esses problemas ou tem que ser 100% sem glúten?

    é obrigatório fazer o rastreio de doença celíaca antes de reduzir o glúten?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Investigar doença celíaca não é necessário.

      No caso das doenças relacionadas ao consumo de glúten, é bem provável que reduzir a ingestão dessa proteína já tenha um possível efeito positivo. Porém, é claro que evitar 100% (ou o máximo possível) provavelmente leva a menores chances de ter algum desses problemas de saúde.

      A grande questão é que o desenvolvimento dessas doenças provavelmente é ditado por fatores genéticos, e por isso algumas pessoas vão ter uma maior predisposição que outras. Como saber quem está mais propenso a desenvolvê-las? Não tem como. Por isso, na minha opinião, evitar sempre que possível ainda é a melhor saída.

      Excluir
  62. Boa noite, na sua opinião pessoal, o futuro da ciência em relação ao glúten, será mostrar que ele não é tão vilão como se pensava, ou que ele é mais vilão do que se pensava?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Acredito que já começamos a observar que ele é mais "vilão" do que se imaginava, pelo simples fato de haver uma relação direta entre o consumo de glúten e o desenvolvimento de algumas doenças.

      Além disso, existem algumas evidências que levam a crer que a influência negativa que o glúten pode ter sobre a saúde depende de outros fatores alimentares. Assim, caso a alimentação das pessoas em geral continue relativamente ruim, imagino que a ciência, se continuar a estudar o glúten, talvez venha a mostrar de forma mais clara como, e em que situações, essa proteína pode ser de fato prejudicial.

      Excluir
  63. Oi João Gabriel Marques.
    Não sei se você poderá me ajudar por aqui. Moro numa cidade pequena de minas e temos poucos profissionais que entendem disso.

    Meu filho tem 13 anos e foi dignosticado com diabetes tipo 1, ele não é obeso, porém a alimentação sempre foi ruim comia muitos doces e biscoitos, o médico disse que isso não influenciou em nada na doença, pois era genético.
    Pesquisando na internet, meu marido e meu filho mais velho descobriram que a diabetes que ele tinha,embora não é aceita pelos médicos, poderia ser causada pela hipersensibilidade ao glúten, e como ele sempre comeu muitos alimentos que tinha glúten, entramos em contato com um email que postou o video, era de uma empresa de propaganda, e essa empresa nos enviou um telefone de contato de alguns profissionais da área. Vou tentar resumir para não ficar cansativo a história.

    Pagamos particular, sem consulta alguns exames: anti-transglutaminase tecidual, anti-gliadina IGG, IGA total, e Peptídeo C

    O anti-gliadina o valor de referência é positivo pra glúten acima de 10.00.

    O do meu filho deu 7,00.
    Não sabemos o que fazer, o médico nem conhece este segundo exame, e não temos contato de nutricionista nenhum, no grupo que participo no facebook, as pessoas disseram que ele é altamente sensível ao glúten e isso pode ter causado a diebetes, teria que fazer uma dieta altamente restrita, incluindo contaminação cruzada. Uma nutricionista do grupo, que mora em Salvador, disse que ele provavelmente tem uma espécia de doença Celíaca. Não sei o que fazer. Moramos em Ubá- Minas Gerais

    Conhece algum profissional que entenda de glúten?? Acha que ele tem essa doença? o que podemos fazer? a dieta restritiva podemos fazer sem consultar um profissional?

    Muito obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      A primeira coisa que gostaria de falar é que o diabetes tipo 1 tem sim relação com o glúten, como mencionei na parte 3 dessa série de posts. E, antes de entrar em detalhes sobre o caso, vou esclarecer algumas coisas.

      Existem basicamente três tipos diferentes de sensibilidade ao glúten:

      1) Doença celíaca.
      2) Sensibilidade não celíaca ao glúten.
      3) Doenças relacionadas ao consumo de glúten.

      No primeiro caso, de doença celíaca, o paciente normalmente apresenta sintomas característicos, e por isso é um pouco mais fácil de identificar o problema. Além dos sintomas intestinais, que são os mais comuns, a doença pode ser investigada a partir de outros exames, como os que você informou no comentário. Ou seja, os exames que vocês foram orientados a fazer são direcionados para a investigação apenas de doença celíaca, mas não de outras possíveis sensibilidades ao glúten.

      O segundo problema, de sensibilidade não celíaca ao glúten, não possui exames específicos para que seja identificado. Em outras palavras, o diagnóstico é baseado apenas em sintomas, sendo que os mais comuns são gastrointestinais e de pele. Após descartada a hipótese de doença celíaca, caso os sintomas persistam com o consumo de glúten, a sensibilidade não celíaca pode ser considerada como diagnóstico.

      No caso do seu filho, se ele de fato tiver algum tipo de sensibilidade ou problema relacionado ao glúten, provavelmente não é nenhum desses dois casos que mencionei acima. Se ele tiver sensibilidade, ele provavelmente se encaixa no terceiro caso, que explico melhor abaixo.

      O diabetes tipo 1 com certeza é uma doença multifatorial, em que o principal fator causal provavelmente é o componente genético. Se a pessoa tiver a predisposição, teoricamente é difícil prevenir o desenvolvimento da doença. Porém, nos últimos anos, começaram a ser identificados alguns fatores de estilo de vida e alimentação que parecem estar diretamente relacionados ao diabetes tipo 1. Entre esses fatores, temos o consumo de glúten.

      No caso do diabetes tipo 1 e de outras doenças autoimunes, o glúten parece ter um papel no sentido de causar aumento na permeabilidade intestinal do indivíduo que tem predisposição a essas doenças.

      Eu mencionei nessa série que pessoas normais que consomem glúten NÃO apresentam aumento de permeabilidade intestinal. Entretanto, é provável que pessoas com predisposição a doenças autoimunes APRESENTEM SIM um aumento de permeabilidade intestinal com o glúten. Nesse caso, a possibilidade de passagem de agentes externos pelo intestino, até a corrente sanguínea, estaria ligada ao aparecimento de respostas autoimunes no organismo dessas pessoas.

      Já existem evidências, em estudos pequenos, que a adoção de uma dieta ISENTA de glúten, e com baixa quantidade de carboidratos, pode reduzir a progressão do diabetes tipo 1. Em estudo de caso publicado há alguns anos, um menino recém-diagnosticado com a doença ficou mais de 3 anos sem precisar fazer o uso de insulina ao adotar esse padrão alimentar de dieta sem glúten e baixo carboidratos.

      A ciência ainda está engatinhando nesse assunto, e por isso as opções são extremamente limitadas.

      O que eu recomendaria a vocês é esquecer essa investigação de doença celíaca e investir completamente em uma dieta isenta de glúten e possivelmente com restrição de alimentos ricos em carboidratos (mas a eliminação do glúten ainda é o principal). Outra coisa importante: evitar AO MÁXIMO produtos industrializados que contêm qualquer tipo de aditivo alimentar, como adoçantes, conservantes, aromatizantes, emulsificantes etc. Leia sempre a lista de ingredientes dos produtos que têm embalagem; sempre que possível, dê preferência a alimentos que não são embalados.

      O que causou a doença não é o mais importante nesse momento, mas sim o que pode ser feito para reduzir a progressão dela.

      Se quiser conversar um pouco melhor ou dar mais detalhes sobre o caso, pode entrar em contato comigo por e-mail: jgmarques27@gmail.com

      Excluir
  64. Oi. Não sei se parou de responder.
    Mas gostaria de saber a respeito de enzimas.
    Recentemente vi no facebook que estão vendendo suplementos que ajudam na digestão do glúten. É válido?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Já existem evidências mostrando que as enzimas podem ajudar a reduzir um pouco os sintomas em pacientes com doença celíaca. Porém, essas enzimas provavelmente nunca serão tão eficazes como é a restrição total do glúten -- tanto para sintomas como para complicações mais sérias da doença.

      Para casos de sensibilidade ao glúten, até onde sei as enzimas nunca foram cientificamente testadas. Mas a lógica é a mesma: muito dificilmente existirão enzimas que são tão boas quanto a exclusão do glúten da dieta.

      Se você estiver pensando em usar as enzimas como forma de "prevenir" contra outras possíveis doenças que podem estar relacionadas ao consumo do glúten, eu diria que isso provavelmente não é uma boa ideia. É possível que elas ajudem? Sim, mas também é possível que elas facilitem o desenvolvimento de tais doenças: as enzimas não digerem o glúten por completo, e os fragmentos que são gerados podem vir a causar problemas em pessoas que possuem algum tipo predisposição a essas doenças.

      Excluir
  65. o termo intolerância ao gluten é certo? ou seria alergia? ou hipersensbilidade?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Esses termos são relativamente bem definidos, mas às vezes fazem um pouco de confusão, porque alguns quadros clínicos podem receber mais de uma dessas classificações.

      A intolerância acontece quando um nutriente não é digerido adequadamente. Intolerância à lactose, por exemplo, é o quadro em que o corpo não produz quantidade suficiente da enzima lactase para digerir adequadamente a lactose. O mesmo pode valer para o glúten: quando o glúten, que é uma cadeia de aminoácidos (proteína), não é digerido corretamente, a pessoa tem uma intolerância a ele.

      Hipersensibilidade é um conjunto de respostas imunológicas geradas pelo corpo, em resposta a diferentes fatores capazes de desencadeá-las. As alergias são classificadas como um tipo de hipersensibilidade, e uma das suas características principais é a resposta imediata ao estímulo.

      Tanto nas alergias como nas hipersensibilidades, o sistema imunológico está envolvido. Nas intolerâncias, essa não é uma característica essencial, mas pode também estar presente.

      A doença celíaca, por exemplo, é considerada uma intolerância e uma hipersensibilidade ao glúten. Porque, antes do sistema imunológico reagir a fragmentos dessa proteína (hipersensibilidade), o sistema gastrointestinal não a digere muito bem (intolerância).

      Mas existem outros tipos de sensibilidades.

      A alergia ao trigo, por exemplo, não é a mesma coisa que doença celíaca. Nela, além da resposta imunológica não ser desencadeada pelo glúten, e sim por outras proteínas presentes no trigo, a reação do sistema imune é mais rápida (como na alergia a camarão e outros alimentos) -- ao contrário da doença celíaca, que é mais crônica.

      Excluir
  66. Sua opinião sobre essa informação:


    Quando se fala de trigo, muita gente pensa apenas no glúten. Indo um pouco mais longe, temos outros elementos de igual destaque como "inimigos" em potencial. Falo das lectinas, do ácido fítico, das aglutininas do germe de trigo, dos inibidores de amilase/tripsina....
    Os inibidores da amilase/tripsina do trigo e outros cereais contendo glúten são ativadores nutricionais das respostas imunes inatas via TLR4 no intestino. Portanto, a ingestão de inibidores de amilase/tripsina contribui para a ativação de células imunes inatas em níveis baixos em inflamações pré-existentes de intestino delgado e cólon.
    Isto tem importantes implicações não apenas para o início e a severidade de doenças inflamatórias intestinais, mas provavelmente também como um contribuinte para a gravidade da doença inflamatórias extraintestinais, uma entidade reconhecida na sensibilidade não celíaca ao trigo.
    Mais estudos poderiam determinar se uma dieta isenta ou reduzida de inibidores de amilase e tripsina poderia beneficiar os pacientes e que medidas poderiam ser tomadas para remover o excesso de destes inibidores alimentos à base de trigo (cevada, centeio).


    Referência: http://www.gastrojournal.org/article/S0016-5085(16)35503-2/abstract?referrer=http%3A%2F%2Fwww.gastrojournal.org%2Farticle%2FS0016-5085%2816%2935503-2%2Fabstract%3Freferrer%3Dhttps%253A%252F%252Fwww.ncbi.nlm.nih.gov%252F

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Considerando as evidências disponíveis, é muito pouco provável que esses fatores antinutricionais causem problemas de saúde. E a maior razão para isso é a seguinte: virtualmente todas as populações mais saudáveis do mundo já estudadas consomem/consumiam um ou mais alimentos que contêm fatores antinutricionais.

      Falo um pouco mais sobre isso nesse texto:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/06/fatores-antinutricionais-e-sua.html

      Excluir
  67. Pessoal, devido ao grande número de comentários, é preciso apertar o link "Carregar mais", perto da caixa de comentários, para que os comentários mais recentes sejam mostrados.

    ResponderExcluir