quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Comer ou não comer de 3 em 3 horas?




Recentemente percebi que esse é um tema cada vez menos comentado. Talvez porque a controvérsia tenha diminuído ao longo do tempo, ou talvez só porque surgiram coisas novas que são mais atrativas de se discutir.

Ainda assim, essa questão da frequência alimentar é um tema que, como vários outros na nutrição, traz dúvidas para muitas pessoas, justamente porque parece não haver consenso. Pessoas diferentes, incluindo profissionais de saúde, terão respostas diferentes para a mesma pergunta. Por isso, é um assunto que provavelmente está mais ou menos junto da história do ovo, que acaba virando piada porque os nutricionistas sempre mudam de opinião sobre as coisas que fazem bem e as que fazem mal para a saúde.

Mas antes de esclarecermos essa questão, que é bem mais simples do que parece, vale a pena começar com a seguinte pergunta: qual é a ideia por trás da teoria do “comer de 3 em 3 horas” ou das “6 refeições por dia”?

Ela se baseia principalmente em dois pilares:

1) Refeições mais frequentes aumentariam o gasto energético, pois o corpo estaria constantemente trabalhando para digerir, absorver e utilizar os nutrientes dos alimentos, o que facilitaria o emagrecimento.

2) Refeições mais frequentes ajudariam a reduzir a fome e aumentar a saciedade, justamente porque o organismos estaria recebendo nutrientes de forma constante e gradual, o que auxiliaria a perda de peso.

Mas o que a ciência diz?

Em 2014, foi publicado aquele que até hoje é o melhor estudo de revisão sobre o assunto. Sim, já é um estudo um pouco mais velhinho, mas ainda sim extremamente relevante — e mais do que suficiente para esclarecer de vez o que sabemos sobre frequência alimentar e emagrecimento.

O grande diferencial desse estudo é que ele incluiu não apenas os ensaios clínicos convencionais sobre o assunto, mas também os controlled feeding trials. Os controlled feeding trials são ensaios clínicos “especiais”, nos quais a ingestão alimentar é estritamente controlada para que seja praticamente nula a influência dos mais diversos fatores de confundimento que envolvem os estudos, os quais poderiam atrapalhar a interpretação dos resultados.

Na maioria dos ensaios clínicos, os participantes evidentemente recebem orientações específicas do que devem ou não devem consumir, de acordo com o que o estudo está se propondo a explorar. Mas, na prática, são os próprios indivíduos que escolhem e preparam suas refeições. Nos controlled feeding trials, por outro lado, as refeições são ofertadas pelos próprios pesquisadores, com o consumo alimentar acompanhado da forma mais controlada possível. Essa é uma forma de garantir que os efeitos observados no estudo serão exclusivamente decorrentes das intervenções sendo testadas, o que faz com que os controlled feeding trials sejam a melhor forma de se avaliar como uma dieta específica influencia os parâmetros que estão sendo estudados.

Considerando apenas os ensaios clínicos convencionais incluídos nesse estudo de revisão, foi observado que o emagrecimento ocorre independentemente da frequência alimentar. E isso foi corroborado por todos* os controlled feeding trials analisados, que chegaram exatamente às mesmas conclusões. Ou seja, isso significa que fazer duas, três, seis ou quantas refeições forem essencialmente não muda a forma como a alimentação afeta a perda de peso. E o mais interessante é que esses resultados foram observados com diversas ingestões calóricas, com diversas frequências alimentares e após diversos períodos de intervenção dietética.


*Na verdade, houve uma exceção. No trabalho de Stote et al. (2007), que se trata de um estudo de jejum intermitente, o emagrecimento foi maior para os participantes do grupo intervenção (20 horas diárias de jejum, 1 refeição por dia) do que para aqueles do grupo controle (3 refeições por dia). Mas esse estudo possui particularidades justamente por trabalhar com o jejum intermitente, e por isso não se encaixa muito bem quando a discussão é apenas sobre frequência alimentar. Para mais informações sobre esse estudo, sugiro a leitura desse texto.


Nas palavras dos autores, no próprio resumo do estudo: "No geral, a consistência dos resultados nulos, provenientes de ensaios clínicos que exploraram a influência da frequência alimentar sobre a perda de peso, sugere que a crença sobre o papel de uma maior frequência alimentar sobre o emagrecimento em pessoas adultas não é sustentada por evidências".

E para quem interessar, a principal tabela dessa revisão:




Resumindo: não tem por que se preocupar com frequência alimentar. É simples assim. Os resultados dos ensaios clínicos mostram, claramente, que o número de refeições realizadas ao longo do dia, quando considerado isoladamente, é um fator basicamente irrelevante se estamos falando de emagrecimento.

Mas vale lembrar que, quaisquer que sejam os estudos que discutimos, os resultados observados normalmente são generalizações. Em contextos individuais, levar em consideração o número de refeições do dia pode ser um fator importante. Isso vai depender das preferências individuais de cada pessoa, assim como das necessidades específicas que um indivíduo pode apresentar. Por exemplo, um homem idoso pode precisar de mais refeições ao longo do dia para garantir que suas necessidades proteicas sejam alcançadas. Por outro lado, uma mulher adulta jovem, com um trabalho que não permite muitas pausas ou cuja preferência é comer menos vezes ao longo do dia, vai estar bem com apenas três refeições diárias.

Se olharmos com atenção, é fácil enxergar as individualidades e respeitar as preferências pessoais. E assim podemos adequar o melhor da nutrição para cada um.



190 comentários:

  1. Sempre relevante esse tema. Comer de 3 em 3 horas não funciona comigo, trabalho o dia todo e é muito chato ter que interromper uma reunião ou uma vídeo-conferência para fazer lanchinho. Fora que teria que ficar preparando dois lanches todo dia de manhã, a hora mais corrida do meu dia.

    Minha vida toda eu fiz 3 refeições ao dia e prefiro deixar assim.

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  2. Muito bom!!!
    Como sempre a ciência nos mostrando que a individualidade é que determina.
    Está com fome? coma! Não está, não coma.

    Não existe uma regra que valha para todos. Parabéns pelo texto

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  3. Boa tarde!
    Pacientes que possuem um HOMA-ir elevado se beneficiariam mais de comer em horários mais afastados?
    Os estudos em geral abrangem pessoas de todos os jeitos, saudáveis, magras, obesas, com RI. Talvez esse seja o problema dos estudos sem significância estatística"

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    1. Olá.

      Na verdade, a maior parte dos estudos determina de maneira satisfatoriamente clara os critérios de inclusão para os participantes, geralmente focando em grupos mais específicos. Por exemplo, os pesquisadores geralmente escolhem trabalhar apenas com pessoas com IMC normal, ou apenas com pessoas com excesso de peso; apenas com adultos (ou crianças), ou incluindo uma faixa de idade mais ampla; apenas com pessoas com síndrome metabólica, ou apenas com pessoas sem síndrome metabólica; apenas com homens ou mulheres (principalmente quando o estudo é mais relevante para algum dos sexos), mas às vezes os dois gêneros. Então isso geralmente não é um problema.

      Mas, considerando o que os estudos de frequência alimentar mostram, o número de refeições diárias também não parece ser muito relevante para pessoas com resistência à insulina (HOMA-IR elevado). Por outro lado, o que pode influenciar bastante é a quantidade total de carboidratos da dieta. Se existe um cenário em que as dietas low-carb normalmente são mais eficazes que as demais dietas mais ricas em carboidratos, é justamente com as pessoas que apresentam resistência à insulina.

      Escrevi sobre isso nesse texto:

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/12/quando-dieta-low-carb-nao-e-melhor-para.html

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    2. Obrigado pela resposta.
      Gostaria de saber em relação ao índice glicêmico. Eu já vi há um tempo seu texto sobre a supervalorização do IG.
      Mas quando a gente estuda o problema do excesso de CHO, nos deparamos com os fenômenos de glicação etc
      Não seriam esses fenômenos relacionados mais a piores desfechos (não só ao peso), se comparamos baixos IG com altos?

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    3. O que você quer dizer com glicação? Está falando dos AGEs (produtos finais da glicação avançada)?

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    4. Existe uma ideia equivocada de que os carboidratos da dieta, especialmente os alimentos com alto índice ou carga glicêmica, levam ao aumento na produção de AGEs. Na teoria parece fazer sentido, porque os carboidratos, que entram na circulação sanguínea majoritariamente na forma de GLICose, seriam responsáveis por causar o processo de GLICação. Mas não é isso que acontece.

      Os detalhes são muito complexos para comentar aqui, mas o importante de se saber é que os três macronutrientes, carboidratos, proteínas e gorduras, a princípio contribuem de maneira igual para a produção de AGEs e para o processo de glicação no corpo humano. Ou seja, não é algo exclusivo dos carboidratos, e nem mesmo dos carboidratos de alto IG.

      Na verdade, o contrário pode até ser verdade. Em condições normais, ou seja, em pessoas que não apresentam resistência à insulina, alimentos com maior IG teoricamente podem proteger contra a glicação. Isso porque a insulina, que naturalmente vai ser mais estimulada por esses alimentos, é um fator extremamente essencial para neutralizar a formação de AGEs e o processo de glicação, uma vez que esse hormônio sinaliza para as vias bioquímicas responsáveis por isso. Então, nem mesmo no sentido de proteger contra glicação podemos afirmar que alimentos de baixo IG são preferíveis a alimentos de alto IG.

      Não estou dizendo que um alimento refinado de alto IG é melhor que um alimento não processado de baixo IG. Mas, considerando também a questão da glicação, não existe base para afirmar que alimentos não processados de baixo IG são preferíveis a alimentos não processados de alto IG.

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    5. Discordo.
      Existem pessoas sem diabetes que possuem hemoglobina glicada alta para uma pessoa saudável.
      E esse exame é ótimo preditor de glicação. Uma hemácia glicada é estragada.
      Como você disse, claro que não é a maioria, um atleta provavelmente vai exigir mais carbo e vai glicar bem menos. Mas não é a realidade do povo.

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    6. Sim, é verdade que existem pessoas sem diabetes que possuem níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) mais elevados do que o normal. É justamente o que vemos no caso das pessoas que apresentam resistência à insulina.

      De qualquer forma, a HbA1c não chega a ser um ótimo preditor de glicação; é apenas razoável. Primeiro porque só reflete a glicemia correspondente a um período relativamente recente (algumas semanas). Segundo porque a atividade de enzimas que fazem o processo contrário ao da glicação, como frutosamina 3-quinase, pode mudar a forma como interpretamos os níveis de HbA1c de uma pessoa. Além disso, vale lembrar que a genética também tem um papel relevante: o turnover de hemácias, que é diferente para cada um de nós, sendo extremamente lento ou rápido em algumas pessoas, também afeta os níveis sanguíneos de HbA1c.

      Mas tudo isso nem importa tanto. O importante mesmo é ter em mente que os níveis de HbA1c não aumentam por causa de uma maior ingestão de carboidratos e da consequente elevação da glicemia. A HbA1c só vai começar a se elevar quando o organismo começar a entrar no estado de resistência à insulina, que se não for revertido leva ao diabetes.

      É por isso que nem a restrição de carboidratos e nem uma dieta de baixo IG são estratégias que servem como prevenção contra níveis elevados de HbA1c. Essas alternativas podem ajudar a reduzir níveis de HbA1c que já estão elevados, especialmente a restrição de carboidratos, mas não servem como prevenção. A única forma de realmente prevenir o aumento nos níveis de HbA1c, que são um reflexo do processo de resistência à insulina, é garantir uma composição corporal adequada, ou seja, evitando o acúmulo de gordura corporal (especialmente na região abdominal).

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  4. Acrilamida da batata-frita e nitrosamina das salsichas causam câncer? (claro com consumo frequente)

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    1. Olá.

      Não tem como generalizar muito, porque cada tipo de câncer é diferente um do outro. Mas o que a literatura científica mostra é que, para a acrilamida, parece não haver associação de seu consumo com a maioria dos tipos de câncer já estudados. E para a nitrosamina, os estudos são escassos e foram realizados com poucos tipos de câncer, então é algo que realmente não se sabe, embora as evidências (bem preliminares) apontem para uma possibilidade de associação com alguns tipos de câncer.

      De qualquer forma, vale lembrar que os estudos que dizem respeito a seres humanos são todos de caráter observacional, a partir dos quais é extremamente difícil estabelecer relações de causa e efeito. Dito isso e levando em consideração todo esse contexto, o mais simples a fazer é evitar o consumo de alimentos processados.

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  5. Conhece os trabalhos do Dr.Bernstein?
    endocrinologista diabético que escreveu o livro "diabetes solution"?
    O que acha?

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    1. Olá.

      Já li alguns estudos de revisão, sobre o uso de dietas low-carb no tratamento do diabetes, no qual ele participa como autor. Mas sempre como autor secundário, não entre os principais. Logo, presumo que o trabalho e o livro dele sejam em volta disso. Se for, provavelmente concordo com o que ele fala.

      Se quiser, fique à vontade para descrever mais sobre o que ele propõe no livro. Daí posso comentar a minha opinião sobre a abordagem que ele usa.

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  6. Boa tarde. Me permite perguntar algo que não tem a ver com o post?
    Como pode eu pesar X kg antes de deitar, acordar e me pesar e estar 300g a mais?
    Anabolismo não vem do que ingerimos? então eu deveria ter o tanto de gramas que eu engordei no meu estomago/intestino antes de dormir na forma de alimento

    Poderia me explicar isso? desculpa mandar isso aqui, mas é o único modo que vou descobrir isso.

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    1. Olá.

      Antes de responder, eu gostaria de fazer uma pergunta: por qual motivo você quer saber essa resposta? Poderia me explicar a relevância?

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    2. Para entender fisiologicamente como pode. Eu faço educação física e me interesso por essa área e testo tudo em mim.
      Não entendi porque aumentei 300g sem ter ingerido nada neste espaço de tempo

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    3. Ainda antes de responder, tenho algumas perguntas e uma sugestão.

      Você já observou isso mais de uma vez? Já observou de maneira consistente, tentando controlar ao máximo as condições que podem afetar o peso, como roupas, urina ou água ingerida (sei que você disse que não ingeriu nada, mas pode ter bebido água e não ter notado)?

      Se não observou isso mais de uma vez, sugiro que o faça.

      Minha resposta: não sei. Não consigo pensar em nada que daria uma resposta realmente satisfatória. De repente é um problema com a balança, que quando descalibrada pode apresentar variações como essa. De repente pode ter a ver com a temperatura ambiente (diferença de um dia para o outro, ou diferença entre noite e manhã), que de alguma forma influencia o peso ou como a balança afere o peso.

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    4. Obrigado pela resposta. Só de vc dizer que não sabe já me satisfaz porque eu achei que algo muito simples.
      Mas bioquimicamente não tem explicação
      Obrigado!

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    5. Experimente pesar algum objeto, de preferência com o peso da mesma ordem de grandeza do seu, de noite e no dia seguinte de manhã. Se for uma variação na calibragem da balança (provavelmente é) essa diferença aparecerá.

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  7. Boa noite. Poderia falar um pouco a respeito de micoriza
    O agrotóxico pode danifica-la. Qual sua importancia, uma planta que não tenha micoriza ela não absorve mesmo ou é mito.
    Obrigada. Renata

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    1. Olá, Renata.

      Fazendo uma busca rápida, vi que existe uma relação entre fungos e degradação de agrotóxicos. Não é que a planta deixa de captar o agrotóxico, mas essa degradação por fungos, num processo de fitorremediação (se for algo previamente planejado), parece que pode levar a uma menor concentração nos vegetais.

      Mas essa não é minha área, então sinto não poder ajudar muito.

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  8. Olá João, estava lendo uma recomendação de um médico que tem um canal no Youtube (aliás vc deveria ter o seu pela altíssima qualidade que possui) sobre água com limão dos supostos malefícios etc. E vc o que teria a dizer sobre o assunto? Eu por ex. sempre bebi limonada e nunca tive problema algum. Grande abraço. Valdomiro.

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    1. Olá, Valdomiro.

      Poderia citar os supostos malefícios que ele menciona? Porque a partir deles posso falar a minha perspectiva e o que a ciência tem a dizer.

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  9. Parabéns pelo texto.
    Gosto muito do seu blog e sempre passa aqui para ler o conteúdo e perguntas. Não concordo com todos os temas, como por exemplo o do pH que achei inviesado mas no restante está de parabéns.
    Abç

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  10. Olá João. É o médico Fernando Lemos. Aqui o vídeo dele. https://youtu.be/g_UPC8B6g3o

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    1. Ok, vou tocar no que acredito ser mais relevante.

      A parte mais difícil é encontrar fontes confiáveis do real pH do limão, que inclusive deve ser diferente entre as diversas variedades da fruta. E esse ponto é muito importante, porque todo argumento que o médico Fernando Lemos usa, para ser contra a ingestão de água com limão em jejum, gira em torno do fato do pH do limão ser menor que o pH do ácido clorídrico presente no suco gástrico.

      Mas vamos considerar que o limão, invariavelmente, apresenta um pH menor que o do ácido clorídrico. Com isso em mente, devemos nos perguntar: o que a ciência diz sobre o efeito da ingestão de limão sobre a saúde do sistema gastrointestinal? E a resposta é: nada. Porque não existem estudos diretamente explorando esse tema. Então não podemos ter certeza que o limão, com seu pH baixo, realmente estaria causando problemas no trato gastrointestinal devido a sua acidez. Simplesmente porque não existem estudos.

      Porém, quando não temos estudos a respeito de um determinado assunto, podemos pensar na biologia e na fisiologia do organismo para tentarmos entender o que pode estar acontecendo. Ainda considerando o limão com um pH inferior ao do ácido clorídrico do estômago, conseguimos facilmente concluir, pela lógica da fisiologia, que o estômago muito possivelmente será prejudicado por uma acidez que está abaixo daquilo que ele normalmente estaria preparado para conter.

      E daí devemos colocar duas coisas em perspectiva: supostos benefícios x possíveis malefícios da ingestão da água com limão em jejum. O argumento das pessoas que são a favor dessa prática simplesmente não possui embasamento científico. E não é que não existem estudos sobre isso. A ciência mostra que dietas e alimentos “acidificantes” não apenas não são prejudiciais, mas que podem até ser benéficos no sentido de possivelmente melhorar problemas atribuídos a um organismo “acidificado” (osteoporose é o principal exemplo). E não tem nada que sugira benefícios diretos provenientes da “alcalinização” do sangue ou do organismo. Inclusive escrevi uma série de textos sobre esse assunto:

      https://bit.ly/2QA5OTS
      https://bit.ly/2LhqDxy
      https://bit.ly/2Blkyvy

      Junto a isso, por mais remota que seja a probabilidade, não podemos simplesmente descartar que talvez existam limões com pH mais baixo que o pH do ácido clorídrico do estômago, ou até que a maioria dos limões se encaixe nesse cenário. Ou seja, por mais que não seja para todo mundo, ou que seja apenas para pessoas que já apresentam algum tipo de alteração no estômago, como gastrite ou úlcera, teoricamente pode existir um risco associado à ingestão de água com limão em jejum.

      Assim, quando juntamos a ausência de benefícios que a ciência mostra e a possibilidade de risco (por menor que seja) dessa prática, podemos tranquilamente concluir que não vale a pena. Se a pessoa acredita que os alimentos "alcalinizantes" trazem benefícios, é só consumir boas quantidades de frutas e hortaliças na dieta. Ela não vai precisar de água com limão em jejum para obter os benefícios nos quais ela acredita.

      Agora, se encontrarmos fontes confiáveis de que o pH do limão é superior ao do ácido clorídrico, todo argumento utilizado pelo médico deixa de ser válido. Ainda assim, não podemos ignorar o que ele fala sobre sua experiência prática com pacientes. Quando não temos dados científicos sobre um assunto, a vivência prática pode nos dizer muito sobre o que observamos. Considerando a frequência de casos que ele relata, começa a parecer coincidência demais um número expressivo de pacientes apresentando problemas gastrointestinais positivamente associados ao consumo de água com limão em jejum. Ainda mais considerando que existe um mecanismo de ação plausível no qual a água com limão poderia ser diretamente responsável por esses problemas.

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    2. Nossa to chocada. Eu bebo todos os dias há 2 anos e sempre pensei me fazer bem.
      Agora com esse briga que teve era o médico Fernando e o Lair eu fiquei confusa e vc só confirma a tese do Fernando.
      Obrigada vou refletir

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    3. Evidências de estudos científicos não existem, nem para confirmar e nem para refutar a ideia de que água com limão faz bem. Por outro lado, vão existir relatos de diversas pessoas e profissionais falando bem e falando mal.

      A questão é: melhor experimentar para ver se o consumo de água com limão traz benefícios, ou melhor deixar de lado para não correr o risco de complicações que, segundo o relato de algumas pessoas, podem ser relativamente sérias? Até que ponto os possíveis benefícios valem a pena sobre os possíveis riscos?

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    4. E estudos com refrigerante, tem? Qual a segurança
      o pH da água misturada com limão espremido supera o pH de 2, que é o aproximadamente de um estômago saudável, baseando-se nisso não tem como dizer que água com limão é corrosiva para o estômago e duodeno, cono dito pelo médico Fernando, também discordo das alegações do Lair que diz da "importância" de fazer isso toda manhã.
      No fim eu acho que faz quem quer. Mas alarmar isso é ridículo

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    5. Também nunca encontrei estudos avaliando diretamente o efeito de refrigerantes na integridade física do estômago ou do trato gastrointestinal. É bem possível, e até provável, que não existam trabalhos avaliando alimentos específicos nessa área de pesquisa.

      Talvez o pH do limão seja superior a 2, mas talvez não. Digo isso porque não sei se existem fontes confiáveis com essa informação. Se você afirma que é superior a 2, pode nos dizer a fonte de onde tirou essa informação?

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  11. Agradeço a gentileza da resposta e, faço alusão a seguir; http://dietacomciencia.com/melhores-sites-de-alimentacao-e-emagrecimento/

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  12. Gostaria de saber porque nós acumulamos gordura na barriga e não nos braços, pernas, rosto... sou muito magro, entretanto to com "barriga" passei no nutricionista para uma dieta com foco em hipertrofia, ele passou muito carboidrato ate como suplemento e eu to aumentando muito a barriga. Faço abdominal e pouco aerobico pq não quero perder peso...
    Teria alguma dica de longe pra me da?
    Te acho muito inteligente. Obrigado. Pedro Fortini

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    1. Olá, Pedro.

      Nem todo mundo acumula gordura principalmente na região abdominal, como acontece com você. O padrão de acúmulo de gordura em determinadas regiões do corpo é algo particular, determinado pela genética da pessoa.

      Você está acumulando gordura porque está consumindo mais calorias do que precisa, principalmente dos carboidratos adicionais. O fato de ser na região abdominal é só uma consequência da sua genética. Se fosse uma pessoa que tem tendência de acumular gordura de forma mais generalizada no corpo, esse excesso de calorias seria incorporado no tecido adiposo nas mais diversas regiões do corpo: braços, pernas, barriga, rosto etc.

      Vou deixar algumas sugestões:

      1) Reduzir a ingestão total de calorias, seja de carboidratos ou não, até encontrar o ponto "ideal" em que ocorre o ganho de massa muscular com o mínimo possível de ganho de gordura corporal. No seu caso, reduzir pelo menos parte dos carboidratos suplementados parece ser a forma mais fácil de fazer isso.

      2) Concentrar os carboidratos mais nas refeições imediatamente pré-treino ou imediatamente pós-treino. Dessa forma, diminui a chance do corpo converter o excesso das calorias dos carboidratos em gordura corporal.

      3) Aumentar a intensidade do treino. Aqui, isso se aplica apenas se o seu treino não estiver no máximo que ele pode estar. Mas eu costumo ressaltar esse ponto porque é bem comum que o treino da maioria das pessoas não esteja tão intenso quanto poderia estar. Treinos mais intensos por si só são capazes de reduzir o acúmulo de gordura corporal. E ainda tem outro benefício: quanto maior a intensidade, maior é o ganho de massa muscular.

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    2. Muito obrigado por essas valiosas dicas.
      Faz muito sentido o que vc disse, estou tendo exatamente o mesmo tipo de barriga do meu pai.
      Sobre o treino é verdade, eu posso tentar aumentar mais a intensidade sim e em relação aos carboidratos vou pensar como faço isso...
      Muito obrigado pela sua atenção.

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    3. Tenho uma dúvida, aí neste caso seria mais interessante ingerir CHO no pré- e pós, e aumentar os treinos aerobios ou indifere?

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    4. É muito relativo. Só com informações adicionais sobre um caso específico para poder responder com mais certeza. E mesmo assim, só o tempo e a experimentação de fato mostram o melhor a se fazer.

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  13. Boa tarde. Poderia me tirar uma dúvida sobre cálcio?
    Eu reponho vitamina D e no sangue está em torno de 40-50. Porém o nível de cálcio iônico sempre fica inferior ao valor de referência, geralmente o meu está em torno de 1,15 (VR: 1,17 A 1,32 )

    Isso significa que devo aumentar a vitamina D ou que devo ingerir mais laticinios etc?

    Obrigada

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    1. Olá.

      No laboratório aqui de Brasília no qual eu costumo pedir exames de sangue, o valor de referência para o cálcio iônico é 1,12 a 1,32 mmol/L. Considerando esses números, você estaria dentro do esperado.

      Mas você pode experimentar com as possibilidades que você mesmo levantou. Se optar por isso, eu recomendaria primeiro ver como uma maior ingestão de cálcio na alimentação pode influenciar o cálcio iônico. Caso não mude, eu testaria a suplementação de vitamina D.

      Ainda assim, o mais importante é não se preocupar muito. Porque os níveis de cálcio iônico que você apresenta ainda estão dentro da normalidade para a maioria das pessoas.

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  14. Eu queria me atualizar na nutrição. Só a faculdade não nos garante sermos bem remunerado, hoje o mercado exige atualização. penso em fazer uma pós mas seu blog é muito bom. Poderia falar mais nos textos... parabéns
    Obrigado.

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    1. Olá.

      Os cursos de pós-graduação geralmente apresentam qualidade de razoável a boa, mas estão longe de serem a melhor opção em termos de custo-benefício. O ritmo de ensino é relativamente lento e o conteúdo é relativamente limitado, então não acho que sejam as melhores opções para se investir tempo e dinheiro.

      Mas, querendo ou não, acaba sendo a melhor opção para grande parte dos profissionais. Porque é muito mais fácil alguém te passar um conteúdo do que você ir atrás e aprender por conta própria.

      Dito isso, vale ressaltar que os benefícios de estudar por contra própria são muito maiores. Não tem comparação. É verdade que o esforço muitas vezes é maior, e o ideal é que exista uma vontade natural de querer entender e aprender (senão é difícil ir adiante). Mas é mais recompensador.

      O caminho para estudar por conta própria é por artigos. O bom é que com o tempo vai ficando relativamente mais tranquilo, porque temos cada vez mais estudos de revisão sobre os mais diversos temas. E isso ajuda demais para crescer em conhecimento de maneira mais eficiente, mas sem perder qualidade. Talvez a parte mais difícil seja aprender a buscar e selecionar os melhores artigos para estudar, mas isso se aperfeiçoa com o tempo.

      A minha recomendação é sempre estudar ao máximo por conta própria. Se não estiver apto, busque o melhor curso de pós-graduação que puder. Mas ainda assim procure estudar por conta própria, dentro do que for possível para você.

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  15. Dieta pobre em gordura pode predispor a calculo biliar?

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    1. Olá.

      Isso depende do quanto a dieta for pobre em gordura e de fatores genéticos. Mas há boas evidências científicas que indicam sim essa possibilidade.

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  16. Feliz natal e um próspero ano novo! Obrigado pelos esclarecimentos de sempre!

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  17. Minha endocrino pede pra eu comer de 3 em 3 horas pra manter o metabolismo. Do contrário estoco gordura pra poupar o tempo em jejum. Minha endocrino é endocrino mesmo, titulada. Não essas nutrologas que tem por ai. Cada caso é um . procure seu médico especialista, obesidade não é brincadeira.

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  18. Boa tarde. Beber bastante liquido e caprichar nas frutas ajuda nas jacadas do fim de ano? o liquido ajuda ou gera retenção de liquido?
    obrigada

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    1. Olá.

      Se for para "exagerar" nas festas de fim de ano, o melhor a fazer é simplesmente retornar para uma alimentação saudável depois que passar essa época. Se preocupar demais não ajuda muito.

      Mas é claro que, quanto mais equilibrada estiver a alimentação, provavelmente mais em homeostase o corpo estará, mesmo com os "excessos".

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  19. Sua opinião sobre consumo de café por crianças. Vê algum problema?
    Obrigado, próspero 2019. Ricardo

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    1. Olá, Ricardo.

      Se a criança estiver bem de saúde, a literatura científica sugere que quantidades habitualmente consumidas de café (3 a 4 xícaras por dia) a princípio são bem toleradas e não causam problemas.

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  20. O que este estudo traduz, mesmo sendo em ratos?
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24194504

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    1. Olá.

      Se trata de um estudo extremamente complexo, e por isso é bem difícil entrar em detalhes sobre todas as implicações que ele pode trazer. O que posso resumir é que ele reforça o que sabemos (que ainda é pouco) sobre a relação entre microbiota intestinal e sistema imunológico. E que o pH da água, ou até mesmo outros fatores capazes de modular a microbiota intestinal, talvez possua influenciar o desenvolvimento de algumas doenças autoimunes.

      Mas é claro que temos que ter calma. Como falei, o estudo é tão complexo que precisamos de mais tempo para entender o que os resultados apresentados realmente significam para a saúde humana.

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  21. Boa tarde, em geral os profissionais dizem que para ter uma barriga tanquinho é preciso dieta, e não só treino.
    O que seria essa dieta? faço dieta ha anos com a nutricionista e nunca chego a ter essa barriga, precisa ser feito a lowcarb? cetogenica?
    como faço pra secar? sou homem tenho 25 anos.

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    1. Olá.

      Em geral, uma boa alimentação costuma ser imprescindível para alcançar esse objetivo. O "problema" é que eu, daqui, sem conhecer nada sobre você, não posso te dizer qual seria a melhor forma de você se alimentar para essa finalidade. Uma dieta low-carb pode ser o caminho, mas não necessariamente.

      Se continuar lendo sobre o assunto, e experimentando para saber o que funciona melhor para você, com tempo e paciência é bem possível que você alcance o objetivo que está buscando.

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  22. Preciso ler sobre dieta prudente
    poderia me recomendar algum livro, artigo etc?

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    1. Olá.

      Segue link para artigos com o termo "prudent diet" no título. Se precisar de ajuda para conseguir o arquivo pdf dos estudos, basta pedir.

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=prudent%20diet%5BTitle%5D

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  23. Sua opinião sobre a guerra da água com limão

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    1. Olá.

      Nos comentários mais acima, fiz um resumo do que penso sobre o assunto, baseado num vídeo enviado por outro leitor. Basta dar um Ctrl+F (Windows) ou Cmd+F (Mac) e procurar por "limão" até encontrar o comentário.

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  24. Olá
    parei de comentar e divulgar seu blog porque vc mudou muito
    não responde mais e nem fala de forma clara
    Claudia

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    1. Olá, Claudia.

      Continuo respondendo todos os comentários. Se algum passou, foi apenas coincidência. No caso, você pode apontar quais comentários ficaram sem respostas que vou respondê-los com o maior prazer (se realmente precisarem de resposta, porque alguns comentários não precisam).

      Ou se tiver alguma resposta minha que você achou que não ficou clara, basta perguntar que posso tentar esclarecer com uma nova resposta.

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  25. Bom dia.
    um dia vi um comentário seu sobre a inutilidade de tomar suplemento/comer proteína logo após o treino com a finalidade de hipertrofia.

    Poderia me passar alguma referencia cientifica que valida essa informação?

    Obrigado!

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    1. Olá.

      Em alguns casos bem específicos, a ingestão de uma maior quantidade de proteína, que normalmente acontece na forma de suplementos, antes ou depois do treino, até pode contribuir para a hipertrofia muscular. Mas isso não é garantido, e ainda assim o efeito, mesmo que aconteça, provavelmente será bem pequeno.

      O mais importante de tudo é garantir uma ingestão total de proteínas adequada, todos os dias, durante todo o período em que se busca maximizar a hipertrofia muscular induzida pelo exercício. Uma das melhores referências sobre o assunto, por se tratar de uma revisão sistemática com meta-análise:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24299050

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  26. quem tem doença autoimune pode fazer o jejum?
    e usar capsulas de probioticos ajuda?
    obrigada

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    1. Olá.

      Sim, o jejum intermitente pode ser praticado por pessoas com doenças autoimunes. E não só isso: existem evidências que apontam a possibilidade do jejum ajudar no tratamento de pelos menos alguns quadros. São estudos ainda preliminares, mas potencialmente promissores.

      Ainda não temos resultados muito expressivos sobre o uso de probióticos em casos de doenças autoimunes. Mas, considerando a base fisiopatológica dessas doenças, temos boas razões para acreditar que os probióticos também podem ajudar no tratamento. Só que ainda estamos bem longe de saber se os possíveis benefícios dependem ou não do tipo e da concentração de bactérias ingeridas nesses suplementos.

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  27. Suco de laranja é bom pro emagrecimento?
    ou interfere em algo. Obrigado , Renato.

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    1. Olá, Renato.

      Em linhas gerais, nenhum alimento isoladamente vai ter um grande impacto, negativo ou positivo, sobre o emagrecimento, porque a regulação da perda de peso é um processo complexo e que depende de vários e vários fatores. Mas qualquer alimento que possui uma quantidade minimamente razoável de calorias, e os sucos e frutas estão incluídos aqui (assim como a maioria dos alimentos), podem prejudicar o emagrecimento se houver um consumo excessivo.

      Só que um ponto-chave é que alguns alimentos são extremamente mais fáceis de serem consumidos em excesso do que outros. Alimentos industrializados e processados, por exemplo, de maneira geral são fáceis de serem consumidos em excesso; não só porque possuem elevada densidade de calorias, mas também porque possuem características sensoriais que agradam as preferências humanas e por isso favorecem o consumo. Por outro lado, alimentos não processados são bem mais difíceis de serem consumidos em excesso.

      Os sucos estão no "meio". É bem difícil consumir 4 laranjas de uma vez, por exemplo, na forma de fruta mesmo. Mas não é nem um pouco difícil ingerir 4 laranjas na forma de suco. Por isso, é muito mais fácil consumir frutas em "excesso" na forma de sucos do que na forma de fruta propriamente dita.

      Mas repito: o emagrecimento depende de uma série de fatores. Um pouco de suco não é o que vai fazer uma pessoa engordar ou impedir a perda de peso. Porém, seguindo a regra de "quanto menos processado, melhor", geralmente vale mais a pena optar pelas frutas do que pelos sucos.

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  28. Boa tarde João Gabriel.
    Vc poderia me citar o que de fato os trabalhos do James Lind mostraram? me passar alguma boa referencia.
    Muita gente propagando o limão como milagroso e referenciando esse pesquisador como curador do escorbuto.
    Obrigada, sou nutricionista e acompanho seu blog sempre.

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    1. Olá.

      Nunca li o suficiente sobre o trabalho dele, então a princípio não tenho o que comentar e não tenho referências para passar. Mas fiquei curioso com o seguinte: as pessoas citam James Lind porque seus trabalhos são relevantes para essa discussão toda sobre o limão, ou só para contextualizar o assunto (por causa da relação limão, vitamina C, escorbuto)?

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    2. Um determinado profissional que defende essa prática simples de espremer 1 limão na água e tomar ( independente da hora do dia ) foi questionado por vários outros profissionais e nutricionistas. A parte da nutrição alega que 1 limão não possui nutriente suficiente pra impactar a saúde de uma pessoa ( igual a história do sal integral )
      Aí este profissional pra contestar, citou esse pesquisador James Lind dizendo que foi o primeiro no mundo inteiro a fazer um ensaio clinico num navio, com um grupo que tomou limão espremido na viagem marítima e morreu menos ( morte por escorbuto apenas) comparado ao grupo que viajou e não tomou. E ele alega que escorbuto ainda existe e muito, mas numa forma subclínica ( o que de fato eu acredito que exista ) e que por isso o benefício da vitamina C não se resume apenas nela, mas aos ácidos organicos presentes na fruta, limonenos, limonoide, limonina, naringenina etc....Minha curiosidade era saber sua opinião já que você mesmo me respondeu uma antiga pergunta relacionado a este mesmo profissional, mas referencia ao Weston Price.

      Obrigada, se não tiver o que opinar tudo bem.
      Boa noite!

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    3. Ressaltar o o papel do limão e da vitamina C sobre o escorbuto, mesmo falando que o limão pode ser consumido em qualquer refeição, parece ser apenas um argumento para fortalecer a ideia de que limão em jejum faz bem. Além dos supostos benefícios de quem defende a prática, ainda teria essa vantagem adicional de prevenir ou curar deficiências de vitamina C.

      Se o problema for deficiência subclínica de vitamina C, a recomendação não faz sentido. Por que limão em vez de outras frutas ricas em vitamina C?

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    4. Pelo que entendi é só uma dica: usa quem quer.
      Poderia ser suco de laranja, mas tem mais frutose, mais caloria.
      O limão pelo que entendi tem baixa caloria.
      Claro que tudo pode, poderia ser chupar laranja pela manhã, comer acerola a noite... enfim, é uma modinha que surgiu pra sistematizar um hábito.

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    5. Na minha opinião, parece mais uma explicação (vitamina C) para tentar justificar uma prática (limão em jejum) que não possui base científica ou clínica. Digo isso porque é a primeira vez que ouço falar desse outro motivo para consumir água com limão. Se essa explicação adicional veio depois, então ela provavelmente é uma tentativa de justificar algo que aparentemente não se sustenta sozinho.

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    6. O que as pessoas alegam?
      eu sempre ouvi porque é vitamina C

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    7. A lista de supostos benefícios geralmente começa pelo limão ser um alimento "alcalinizante", mas provavelmente é interminável. Procure no google por "limão em jejum" ou termos similares que você vai encontrar o que as pessoas alegam (e provavelmente alguns sites questionando tais alegações).

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    8. Uso agua com limão faz 8 meses. Recomendo, ajudou muito no refluxo.
      Limão taiti que eu uso espremido com um copo de água morna
      Boa noite

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    9. Olá, João Gabriel.
      Sobre a discussão de pH e alimentação, o que me diz sobre trabalhos como essa revisão?

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28587067

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    10. Olá.

      Você pode apontar uma parte específica? Porque fica complicado para mim ter que comentar um estudo de revisão como um todo.

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    11. Me refiro ao fato de afirmar que a dieta não é capaz de influenciar o pH e predispor a desfechos como DM, câncer e sindrome metabólica.

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    12. Nesse caso, o contra-argumento é bem simples: os autores citam vários estudos mostrando um correlação entre "carga ácida" da dieta e os mais diversos problemas de saúde. A questão é que nenhum ensaio clínico é citado.

      Os únicos ensaios clínicos que temos diretamente testando o efeito de dietas "acidificantes" sobre desfechos de saúde são com dietas ricas em proteínas sobre a massa ou densidade mineral óssea. E esses estudos são bem claros em mostrar que dietas hiperproteicas exercem um efeito neutro ou até positivo na saúde óssea, mesmo quando ocorre aumento na excreção urinária de cálcio. Citei inúmeros desses estudos nesse texto:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com/2015/04/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html

      Como não temos estudos assim com diabetes, câncer ou síndrome metabólica, não podemos afirmar que os resultados de estudos observacionais necessariamente correspondem ao que seria observado se fossem realizados ensaios clínicos nessa área. Apesar disso, temos uma infinidade de trabalhos científicos mostrando um efeito positivo de dietas ricas em proteínas em marcadores relacionados a diabetes e síndrome metabólica. Esses estudos não são suficientes para afirmar que dietas "acidificantes" não poderiam aumentar o risco dessas doenças, porque existem alguns fatores de confundimento (perda de peso, por exemplo) que devem ser levados em consideração. Por outro lado, o simples fato de não se observar uma piora de marcadores relacionados ao diabetes e à síndrome metabólica (e em geral se observar melhorias), no caso de pessoas que consomem dietas hiperproteicas, é algo relativamente próximo de uma garantia de que dietas "acidificantes" não são deletérias do ponto de vista metabólico.

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  29. Boa noite.
    Vc trabalha com o Guilherme Schweitzer?
    Sou homem e não quero elogia-lo no IG dele, mas gostaria que passasse o o recado que ele é um dos poucos que cederam ao instagram e realmente ajuda, sem gerar confusão, sem causar polêmicas e criticas a outros profissionais . Assim como vc no blog também nos ajuda muito!
    Abraço

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    1. Olá.

      Não trabalho mais com ele, mas já trabalhei. De fato, ele é um profissional excelente. Pode deixar que vou passar o recado. Obrigado pelo comentário.

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  30. Boa tarde. qual o mecanismo que explica alimentos ricos em carboidratos refinados e açúcar piorar quadros de candidíase?
    Quem disse foi um especialista com residência em ginecologia mas não explicou a parte nutricional, e minha esposa luta com candidiase de recorrencia mas ela não larga doce, pudim etc ... Obrigado!

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    1. Olá.

      Resumidamente, o que acontece é que os carboidratos podem favorecer o desenvolvimento e a adesão de fungos do gênero Candida, tanto na cavidade oral como no sistema gastrointestinal. Na prática, considerando os tipos de carboidratos mais consumidos em dietas habituais, a sacarose, amplamente presente nos doces, é o carboidrato que mais favorece esses processos.

      Por esses motivos, uma dieta restrita em carboidratos, principalmente em sacarose, pode vir a ajudar em casos de candidíase. Além disso, o consumo de óleo de coco também pode ter um papel interessante. Os estudos sugerem que algumas pessoas apresentam maior suscetibilidade do que outras ao efeito dos carboidratos sobre os fungos do tipo Candida, mas essa opção de uma dieta restrita em carboidratos é sempre uma boa alternativa para se experimentar.

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  31. Boa tarde. Pessoas obesas grau 3, tem alguma regra para o tempo de refeição que seja baseada em algum padrão ?

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    1. Olá.

      Nenhuma regra. Mas elas geralmente vão apresentar bons resultados no emagrecimento com dietas restritas em carboidratos, com a prática do jejum intermitente e/ou com a maior parte das calorias diárias consumidas de manhã:

      https://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2017/06/para-emagrecer-mais-calorias-manha-ou-noite.html

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  32. Ola quem sofre de doença auto-imune precisa restringir leite?
    Obrigado

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    1. Olá.

      Não existem evidências capazes de apontar o leite e seus derivados como alimentos que desencadeiam ou exacerbam sintomas em doenças autoimunes. Porém, isso não necessariamente quer dizer que não existem casos em que a restrição de leite e derivados possa ser benéfica.

      Por isso, o melhor a fazer é experimentar. O bom de se experimentar, no caso de leite e derivados, é que os efeitos costumam ser relativamente fáceis de serem observados quando a pessoa apresenta alguma reação negativa a esses alimentos.

      Se a pessoa estiver disposta a experimentar, ela pode começar retirando todos os laticínios da alimentação por um mês. Depois, ela pode fazer a reintrodução dos alimentos gradualmente, um de cada vez. Por exemplo, duas semanas só com leite; depois duas semanas também com queijo; depois duas semanas também com iogurte.

      Se nada for observado, então provavelmente os laticínios não estão influenciando. Se algum alimento em específico aparentemente causou alguma reação, o ideal é repetir a experimentação novamente (mais de uma vez, de preferência e se possível) para que seja descartada a possibilidade de outros fatores externos estarem influenciando, e para que o laticínio suspeito possa realmente ser confirmado.

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    2. Muito obrigado. Não é pra mim, é para minha mãe que ja tinha uma doença na tiroide e agora descobriu mais duas doenças, todas elas doenças auto-imune, e estamos pesquisando tudo que possa ajudar na internet tem muita coisa dificil saber o que realmente ajuda.
      Obrigado pela ajuda... boa noite!

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  33. Se eu reduzir o consumo de gordura eu emagreço do mesmo modo que eu emagreceria se reduzir a mesma quantidade de carboidrato? ou o padrão de emagrecimento muda?
    O conceito de emagrecimento anabólico existe?
    Obrigado

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    1. Olá.

      Reduzir quantidades iguais de carboidratos ou gorduras não vai levar ao mesmo efeito no emagrecimento, simplesmente porque a quantidade de energia (calorias) por grama de cada um desses nutrientes é diferente. Enquanto 100 g de carboidratos representam 400 kcal, 100 g de gorduras representam 900 kcal.

      Mas, se você reduzir a mesma quantidade de calorias desses nutrientes, seja de carboidratos ou gorduras, como regra teremos o mesmo efeito no emagrecimento. O problema é que essa regra tem várias excessões. A principal dessas exceções é o grau de resistência à insulina que a pessoa apresenta enquanto está no processo de emagrecimento. Falo mais sobre esse assunto no texto abaixo:

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/12/quando-dieta-low-carb-nao-e-melhor-para.html

      Não tenho certeza o que você quer dizer com emagrecimento anabólico, mas imagino que seja perder gordura corporal ao mesmo tempo em que ganha massa muscular. Se for isso, emagrecimento anabólico é algo que pode sim acontecer na prática. Porém, o ganho de massa muscular junto da perda de massa magra não é tão comum de se observar, uma vez que são processos "contrários", e que por isso necessitam de estímulos muito específicos e bem coordenados para resultarem nessa ideia de emagrecimento anabólico.

      Por outro lado, algo que é relativamente fácil de se conseguir é a perda de gordura corporal acompanhada da manutenção de massa magra. Quando isso acontece, já temos um quadro bastante interessante do ponto de vista da composição corporal, porque o mais comum de se ver é a perda de massa magra quando o corpo está perdendo gordura. Por isso, quando se consegue manter a massa magra enquanto a perda de gordura corporal ocorre, pode-se dizer que já temos resultados bem favoráveis do ponto de vista da composição corporal.

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    2. Emagrecer sem flacidez
      Foi por isso que a "dieta" HCG virou moda uma época
      Mas os riscos são grandes
      Quero saber só alimento, existe abordagem?
      Obrigado

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    3. Olá.

      Não existe milagre, mas três recomendações podem fazer diferença:

      1) Dieta rica em proteínas, independentemente da quantidade de gordura ou carboidrato. Isso invariavelmente vai ajudar na manutenção de massa magra enquanto ocorre o emagrecimento, algo essencial para minimizar a flacidez.

      2) Dieta não tão restritiva, para que a a perda de peso não seja tão abrupta, o que poderia levar a uma perda desproporcionalmente grande de massa magra.

      3) Exercícios de força de alta intensidade, especialmente musculação ou crossfit. A prática desse tipo de atividade física ajuda na manutenção, ou até mesmo no ganho, de massa muscular durante o processo de emagrecimento. E esse é sem dúvida o ponto mais importante. A prática de exercícios de força de alta intensidade não só ajuda diretamente no próprio emagrecimento, mas também ajuda em prevenir a flacidez por otimizar a massa muscular durante a perda de peso.

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  34. Muito obrigado pelas informações e tiradas de dúvidas de sempre.
    Você nos ajuda muito!
    Boa noite

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  35. Bom dia. Gostaria de saber se vocês tem experiencia em pacientes com câncer. Se sim poderia me passar o contato da clinica de vocês.

    É importante restringir a carga de carboidrato e proteina animal?
    Muito obrigada. Regina - Pouso Alegre.

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    1. Olá, Regina.

      Aqui só tem uma pessoa responsável, que sou eu. Nesse momento não estou trabalhando com pacientes com câncer. E também não posso dar recomendações específicas, pois cada caso é um caso e requer atenção individual.

      Se quiser, você pode entrar na aba "Contato" e me enviar um email diretamente. Dependendo do caso, posso indicar algum profissional que possa ajudar.

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  36. Existe evidência que pirroloquinolina quinona (PQQ) promove biogênese mitocondrial?

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    1. Olá.

      Sim, estudos com animais e células sugerem efeitos positivos da PQQ sobre a biogênese mitocondrial. Quando o efeito não é na biogênese propriamente dita, ocorre um aumento na eficiência/capacidade mitocondrial.

      Em humanos, o único estudo que encontrei não avaliou diretamente a biogênese ou função mitocondrial, mas os resultados observados podem ser sugestivos de aumento na biogênese e/ou função mitocondrial:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24231099

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    2. Muito obrigada. Vc brilha demais!!
      Tem instagram?

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    3. Boa noite qual o melhor exame pra saber se o metabolismo é rapido ou lento?
      Se eu demorar muito a comer eu engordo mais fácil do que se eu comer de 2 em 2 horas ficar beliscando. Hehehe
      Ou eu mesma que acho né

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    4. Olá.

      Não existe um exame que realmente mede se o metabolismo de uma pessoa é "rápido" ou "lento". Seria possível discutir até mesmo a existência de tais conceitos. O que você pode fazer, por experimentação, é descobrir o padrão e a frequência alimentar que funcionam melhor para você.

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  37. Gostaria de saber se pra reduzir o colesterol que está muito alto no sangue deve-se restringir açúcar e carboidratos.
    Alguns profissionais falam que os carboidratos elevam a insulina e ela estimula a enzima que produz colesterol no figado.
    Faz sentido pra vc?
    só um comentário, claro que atletas é diferente, eles precisam muito mais de glicogênio do que uma dona de casa, um trabalhador de escritório etc... esses profissionais que generalizam na internet geralmente ele tenta atingir o grande público, tipo meus pais rsrs
    Obrigado pela opinião.
    Bom dia!

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    1. Olá.

      Mais importante do que saber como reduzir o colesterol sanguíneo é saber o que esse marcador realmente significa para a saúde. Por isso, sugiro o seguinte podcast que eu participei, no qual discuto vários e vários detalhes sobre o assunto:

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2018/05/podcast-refluxo-colesterol-gordura.html

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    2. Já assisti.
      Eu na verdade acompanho seu blog há muito tempo, ja comentei várias vezes sou acadêmico de nutrição.
      Digo isso porque já pesquisei outros distúrbios, glicemia normal, TGs normais, ácido urico, não é obeso, mas colesterol total 302. Médico do posto já encaminhou para o cardio

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    3. Então o mais provável é que esteja tudo bem. Se o colesterol está "elevado", mas não há nenhuma outra alteração que indica desregulação metabólica, como glicemia e triglicerídeos elevados ou acúmulo de gordura abdominal, então não tem por que se preocupar.

      Mas respondendo à sua pergunta: sim, em algumas pessoas, uma ingestão mais elevada de carboidratos pode levar ao aumento no colesterol sanguíneo. Assim como um consumo mais elevado de gordura saturada também pode. Até mesmo uma maior ingestão de ômega-3 costuma levar ao aumento na concentração sanguínea de colesterol.

      Existem sim alguns fatores que, mesmo num contexto metabólico saudável, podem levar ao aumento no colesterol sanguíneo. Os que citei acima são alguns exemplos. Mas isso não quer dizer que existe um problema; quer dizer apenas que existem substâncias, nutrientes e alimentos capazes de regular o colesterol sanguíneo de maneira independente do estado metabólico.

      De forma semelhante, existem alimentos, nutrientes e substâncias que podem ter o efeito oposto: de redução do colesterol sanguíneo. Um ótimo exemplo são os fitoesteróis. Uma maior ingestão de fitoesteróis leva a uma redução no colesterol sanguíneo? Invariavelmente, sim. Isso quer dizer algo positivo? Não, pois é apenas um regulação dos níveis de colesterol independentemente do estado metabólico do indivíduo. Tanto é que tanto estudos observacionais como estudos controlados confirmam essa relação entre maior ingestão de fitoesteróis e menores níveis de colesterol sanguíneo, mas não mostram que essa relação se traduz em benefícios no risco cardiovascular.

      Em 99% dos casos, os níveis de colesterol sanguíneo só são importantes quando são indicativos de um estado metabólico desregulado. Se todos os outros parâmetros estiverem normais, é quase zero a chance do colesterol sanguíneo "elevado" representar um problema.

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    4. Tá certo então, obrigado!

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  38. Bom dia,

    Quais livros você indica para um estudante de nutrição?

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  39. Nenhuma em especifico, só gostaria de saber quais os livros que você mais gosta ou considera "indispensáveis" a um estudante da área.

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    1. Não considero nenhum como essencial, porque é possível ir aprendendo continuamente sem usar livro algum, apenas por meio de artigos. Mesmo quando os livros ajudam fornecendo uma base de conhecimento, ainda assim não são a parte mais importante para a evolução contínua na nutrição. Ele podem e acabam sendo úteis para muita gente, mas particularmente prefiro usar e recomendar o estudo por meio de artigos científicos.

      Por isso, admito que meu conhecimento sobre livros não é tão grande, pois usei muito poucos ao longo dos anos. Então é possível que existam bons livros que eu simplesmente não conheço. De qualquer forma, vou deixar abaixo o link de dois livros que eu gosto. O primeiro fala sobre as mais diversas áreas da nutrição, enquanto o segundo foca em metabolismo energético e regulação metabólica:

      https://amzn.to/2NB9gJm
      https://amzn.to/2HgodzB

      (Os links da Amazon são apenas por uma questão de praticidade. Se por acaso for comprar online, pode comprar onde achar melhor).

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    2. Porque será que o Shils tem uma capa que faz apologia ao trigo?

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    3. O trigo faz parte do símbolo da nutrição.

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    4. Por isso que o povo critica a low carb, cetogênica... não faz parte do mundo da nutrição aprendida nos livros e nas faculdades. É a pirâmide ao contrário, que num mundo tóxico e sedentário, causou a pandemia de obesidade.
      Kkkkkk pode rir

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    5. Obrigado pela resposta! Vou olhar esses livros e tentar aplicar o método de estudo por artigos quando for o momento!

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  40. Os estudos que tem de dieta sem gluten melhoras alguns desfechos além da doença celíaca, são feitos em pacientes com doença celiaca?
    não sei ler artigo. Mas sigo um nutricionista Felipe no instagram que ele desmascara varias coisas da nutrição entre elas que gluten faz mal pra tireoide.

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    1. Olá.

      Sim, existem vários estudos mostrando que dietas sem glúten podem melhorar sintomas e condições clínicas em pacientes que não apresentam doença celíaca.

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    2. João,

      Esses estudos conseguem isolar a causa da melhora nos sintomas como sendo a exclusão do glúten? Fico imaginando se essa melhora não poderia ser devida à exclusão de carboidratos refinados, que quase sempre acompanham o glúten.

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    3. Olá, Flávio.

      Sim, temos estudos que conseguem avaliar isoladamente o efeito do glúten.

      Em vez de pegar pessoas que consomem glúten e simplesmente retirar o glúten da dieta de metade dos participantes, esses estudos fazem diferente. Eles pegam todos os participantes e colocam eles em dietas sem glúten; depois, oferecem glúten purificado para metade dos participantes. Assim, é possível avaliar isoladamente o efeito do glúten.

      Mas apesar de sabermos que o glúten é capaz de independentemente desencadear sintomas em algumas pessoas com sensibilidade a essa proteína, mesmo na ausência de doença celíaca, isso não necessariamente quer dizer que os carboidratos refinados ou os alimentos que contêm esses carboidratos não podem ter algum papel nessa história. A restrição de carboidratos refinados é invariavelmente boa para todo mundo, então é uma recomendação que vale para qualquer pessoa. Se for o caso de ter algum papel nos casos de sensibilidade ao glúten, melhor ainda.

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  41. Bom dia João.
    O assunto não é pertinente ao post mas se puder me responder agradeço, você ja leu algum trabalho cientifico que demostre algum benefício na restrição de açúcar e a redução de carboidratos totais em pacientes com câncer inicial? uma dieta isocalórica, apenas reduzindo os CHOs e aumentando lipidio.
    Obrigado, Renato.

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    1. Olá, Renato.

      Possíveis benefícios podem existir, mas os estudos nessa área ainda estão muito no começo. Então não podemos dizer que existem boas evidências para recomendar uma restrição de carboidratos (dieta cetogênica) para pacientes com câncer.

      Por outro lado, é quase certo que uma dieta cetogênica não vai trazer riscos à saúde do paciente. Assim, considerando que existe pelo menos uma pequena chance de ajudar, a minha opinião é que na maioria dos casos não custa avaliar o efeito de uma dieta cetogênica.

      Segue link para um recente estudo de revisão sobre esse assunto. Você pode jogar o título do artigo no Google para encontrar o pdf do estudo:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28353094

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    2. Muito obrigado por sempre disponibiliar informações de qualidade e responder as perguntas com presteza e até agilidade.
      Vc nos ajuda muito coisa que profissionais em consulta não fazem.
      Abraço

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  42. Boa noite.
    Em pacientes diabéticos que já fazem uso de insulina a questão é mais complicada, ficar muitas horas sem comer pode descontrolar a glicemia, o consenso é sim comer de 3 em 3 horas.
    Att

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    1. Olá.

      O mais importante aqui é ressaltar que o texto não é direcionado a pacientes em condições específicas, como o diabetes, mas sim às pessoas em geral.

      Além disso, o consenso não necessariamente significa a melhor opção. Mesmo que comer de 3 em 3 horas, considerando uma alimentação padrão, seja uma opção melhor do que não ter intervalos regulares pré-determinados, ainda assim não quer dizer que seja o melhor que um paciente com diabetes, que faz uso de insulina, pode fazer para ter o melhor controle da sua glicemia.

      Existem outras estratégias tão efetivas ou até mais efetivas do que comer de 3 em 3 horas, tanto por meio de modificações na administração dos tipos e quantidade de insulina como por meio de alterações na própria alimentação. Não estou dizendo que comer de 3 em 3 horas é uma opção ruim, porque não vai ser caso o paciente coordene bem a alimentação e o uso de insulina. Só estou reforçando que o consenso não necessariamente se traduz na melhor alternativa sempre, até porque inúmeros fatores precisam ser considerados para se determinar o que é o melhor para cada paciente individualmente.

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  43. O jejum ou comer de 3 em 3 horas pode beneficiar um indivíduo magro que tenha 42,26 kg de peso muscular e 5,21 de peso gorduroso mas que tenha uma barriguinha? ou o jejum vai eliminar primeiro a massa magra? IMC de 19. Faço musculação mas nunca fico forte, é genética minha ser magro e eu não me dedico muito pra crescer. Quero só ser saudável

    Tenho 23 anos. Obrigado

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    1. Olá.

      Nesse caso, comer de 3 em 3 horas provavelmente não vai ajudar com o seu objetivo. Por outro lado, o jejum intermitente tem boa chance. Com uma janela de jejum de pelo menos 16 horas/dia, de acordo com o que os estudos mostram, é bem possível que você consiga reduzir a gordura na região abdominal.

      Como forma de preservar a massa magra, três coisas são importantes:

      1) Não deixar que sua ingestão calórica caia demais por causa do jejum. É até natural que a pessoa passe a consumir menos calorias, simplesmente pela redução no número de horas que ela tem para se alimentar durante o jejum. Mas não deixar a ingestão calórica ficar muito menor do que o seu corpo está acostumado ajuda a preservar a massa magra.

      2) Manter a prática de exercícios de alta intensidade. No seu caso essa parte é relativamente fácil, porque você já pratica musculação. O simples fato de você manter esse estímulo do exercício de força também é importante.

      3) Manter ou aumentar a ingestão de proteínas que você tem normalmente. Tanto o período de jejum como a possível redução (mesmo que modesta) na ingestão calórica acabam pedindo do corpo uma maior ingestão de proteínas. Não precisa aumentar excessivamente; mas, mesmo que acabe reduzindo a quantidade total de alimentos ou calorias que você normalmente consome, vale a pena prestar atenção no quanto de proteína você ingere durante o período que decidir praticar o jejum intermitente.

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    2. Muito obrigado pelas excelentes dicas. Sem duvidas vou testar e depois comento aqui.
      Aproveito pra tirar uma dúvida que estava discutindo com um amigo:
      Quem tem facilidade para ganhar gordura abdominal, apesar de ser magro, faz diferença ingerir uma refeição grande (ex arroz, feijão, ou macarrão, lasagnha....) no almoço por exemplo e treinar ás 14h da tarde. Comparado com o mesmo almoço e ir treinar 19h ? O fato de ingerir muito e só gastar depois faz acumular mais gordura? Pode ser boba a pergunta mas não sou da área e tenho essa curiosidade.
      Obrigado!

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    3. Não existe um número suficiente de estudos para responder essa pergunta com tanta precisão, mas as evidências que temos sugerem que, se você consumir uma maior quantidade de carboidratos em determinada refeição, é melhor que seja mais próximo do horário do exercício.

      Logo, no cenário que você levantou, teoricamente seria melhor treinar às 14:00 do que às 19:00, se o objetivo é minimizar a chance de acúmulo de gordura na região abdominal. Apesar disso, a quantidade total de carboidratos e calorias da dieta, assim como a intensidade do treino, são fatores mais importantes do que a relação "ingestão de carboidratos x horário de treino".

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  44. Boa noite. Feijão tem me feito muito mal. Muita distensão na barriga e eu estou ligando ao feijão porque minha deita é perfeita. Muita fruta, vegetais, carnes magras, evito açúcar, farinhas refinadas e gordura saturada.
    Saberia me dizer se trocar feijão preto por vermelho ou o branco ajuda a reduzir essa distensão? gases etc.... Muito obrigado@

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    1. Olá.

      Você precisa experimentar esses outros tipos de feijão para saber se eles vão causar o mesmo problema que você relata para o feijão que consome atualmente.

      Independentemente disso, o remolho geralmente funciona para reduzir problemas como esse. Basta deixar o feijão de molho por 12 a 24 horas (quanto mais horas, geralmente melhor é o efeito), descartar a água e depois cozinhar o feijão numa nova água. Por causa do remolho, o tempo de cocão vai ser menor, e talvez nem precise usar uma panela de pressão.

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  45. Tem embasamento de dieta carnívora em doenças autoimunes?
    Obrigado

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    1. Olá.

      Estamos longe de termos estudos conclusivos sobre o assunto, mas existem algumas evidências que sugerem um potencial para as dietas carnívoras no tratamento de doenças autoimunes. Você pode encontrar os principais mecanismos no link abaixo, que provavelmente é a melhor fonte sobre esse assunto na internet:

      http://obscurescience.com/2018/12/17/how-does-the-carnivore-diet-reverse-serious-health-conditions/

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    2. Obrigado por existir, estou emocionado agora. Dificil explicar o que está acontecendo comigo, mas saiba que sou extremamente grato por toda ajuda que vc presta. E mesmo não podendo te contribuir financeiramente, se acredita em alguma recompensa do universo você merece e receberá.
      Um abraço carinhoso de minas gerais.

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    3. A presença de qualquer pessoa por aqui é tão importante, ou até mais, do que qualquer contribuição financeira. Abraço e boa sorte no caminho.

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  46. 14 gramas de óleo de coco , duas vezes ao dia.
    Tem algum impacto negativo na saúde?

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    1. Olá.

      É sempre complicado dizer "nunca". Mas, como regra, é bem seguro afirmar que essa quantidade diária de óleo de coco não vai causar problemas.

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  47. Pq não consigo mais comentar em outros posts?

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    1. Olá.

      Não sei, mas você pode tentar usar outro navegador ou usar/criar uma conta do Google. Se não der certo, pesquisando no Google você talvez encontre uma resposta.

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  48. Existe algum artigo cientifico que comprove que tumores usam 19 vezes mais glicose do que uma celula normal pra crescer?

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    1. Olá.

      Sinceramente não sei qual é a taxa de aumento de utilização de glicose por células tumorais, mas muitos tumores apresentam sim um aumento expressivo na utilização de glicose como substrato energético.

      Ainda assim, isso varia de tumor para tumor. Alguns apresentam aumento na utilização de glicose, enquanto outros podem ter aumento de outros nutrientes. Por isso, é complicado afirmar que existe um aumento X na utilização do nutriente Y, uma vez que pode variar bastante em cada tipo de tumor.

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    2. Se me permite responder, sim, existe:

      "Economy of cellular energy balance"

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4860798/

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    3. De fato, tem boa chance de essa ser a fonte. Porém, vale ressaltar que o artigo não "prova" que existe uma necessidade 19 vezes maior de glicose por células tumorais, por pelo menos três motivos: 1) são dados teóricos, que não necessariamente refletem o que acontece na prática; 2) mesmo refletindo, valeriam para quaisquer células em condição de hipóxia, sendo elas tumorais ou não; 3) na prática, tumores diferentes vão apresentar necessidades diferentes de glicose como substrato.

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    4. Muito obrigada aos dois. Na verdade o artigo me ajudou muito porque eu queria saber se esse número "19" realmente tem uma explicação ou foi inventado pela pessoa que falou isso... disserem que ele usou o numero 19 por causa de neurolinguistica pra poder impressionar
      Mas agora ja vi que pelo menos tem algum artigo por trás. Mas também entendi o que o João falou, na prática nem tudo que é teórico acontece.
      Obrigada, boa noite!

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  49. Oi João, pode me orientar numa situação?
    Me alimento muito bem, como crucíferas ( porque tenho caso de cancer de mama na família ) uso pelo menos 3x na semana, mas está me incomodando muito a quantidade de gás que estou tento , com um odor bem ruim e fico com a barriga inchada. Já passei a deixar o feijão de molho, e realmente foi uma estratégia que me ajudou. Mas não está sendo suficiente. Quando fico 2 ou 3 dias me alimentando mal, quando viajo por exemplo, minha barriga desincha. Quando sigo a risca como vegetais etc, ela incha. Já usei probióticos, fibras e nada ajuda.
    Obrigada!

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    1. Olá.

      A primeira sugestão que eu daria é testar um vegetal crucífero de cada vez, pois é possível que só um deles esteja te causando problema. Recomendo experimentar um vegetal por vez. Por exemplo, só brócolis na primeira semana, só couve-flor na segunda semana, só repolho na terceira semana etc. Você não precisa restringir os outros vegetais; esse "só" se refere apenas às crucíferas.

      E você pode testar isso para outros alimentos que você imagina que podem ter alguma relação com a produção de gases. Novamente, o ideal é testar a exclusão de um alimento por vez. Se quiser, depois você pode voltar aqui para relatar como foi a experiência.

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  50. Você acha válida a discussão sobre leite A1 e A2 ou é tudo bobagem ?

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    1. Olá.

      Existem sim evidências de que algumas pessoas talvez reajam negativamente à caseína A1, apesar do número de estudos que temos sobre o assunto ser bem pequeno. Dito isso, caso esses dados se confirmem em estudos futuros, vale ressaltar que o principal indicativo de reação negativa aos laticínios, seja qual for a variedade do laticínio ou o tipo dominante de caseína presente, é a manifestação de sintomas. Geralmente os sintomas são gastrointestinais, mas também podem se manifestar como sinais cutâneos ou respiratórios, por exemplo.

      De qualquer forma, o importante é entender que, independentemente do tipo dominante de caseína, as pessoas que apresentam sensibilidade ao leite vão manifestar essa sensibilidade. Não temos evidência de que existem pessoas que respondem negativamente ao leite e seus derivados sem a presença de sinais ou sintomas.

      Por isso, a discussão sobre caseína A1 ou A2 é secundária. Se a pessoa tiver sensibilidade, não importa muito o porquê. O importante é que ela vai manifestar essa sensibilidade de alguma forma. Assim como para vários outros alimentos, os laticínios também podem causar reações em algumas pessoas. E quando o corpo não tolera bem algum alimento, via de regra a melhor opção é restringir o alimento em questão.

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  51. Dieta com restrição de carboidrato é igualmente eficaz para perda de peso que dietas com restrições de gorduras?

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    1. Olá.

      Isso pode depender de uma série de fatores. Mas, para pessoas que apresentam acúmulo de gordura abdominal, resistência à insulina ou síndrome metabólica (ou seja, pessoas para as quais a perda de peso é essencial), as dietas com restrição de carboidratos geralmente são mais eficazes. Caso contrário, a eficácia é similar entre as duas estratégias, ou às vezes até superior para a restrição de gorduras:

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/12/quando-dieta-low-carb-nao-e-melhor-para.html

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  52. O que a literatura diz sobre "remissão de doenças autoimunes"?
    Existe abordagem nutricional baseada em evidência ou é puro empirismo? Não acredito que esse monte de gente que diz que reverte quadros de autoimune seja charlatanismo.
    Vocês nutricionistas podem solicitar exames de PCR, VHS, FAN, anti-TPO, anti-TRAP e anti-gliadina?

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    1. Olá.

      A literatura diz muito pouco sobre a remissão de doenças autoimunes, seja por medicamento ou pela alimentação. No caso da alimentação, provavelmente mais por causa da ausência de estudos do que pela improbabilidade de acontecer. Mas existem sim evidências que mostram a possibilidade de remissão; só ainda não sabemos exatamente as melhores estratégias e quais os mecanismos de ação.

      Sim, nutricionistas podem pedir todos esses exames, desde que eles estejam disponíveis pelo laboratório. Nutricionistas podem pedir quaisquer exames que auxiliem no diagnóstico ou no tratamento de condições relacionadas à nutrição.

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  53. Boa noite, João
    Quais são as recomendações atuais relacionada a proteína na dieta em pacientes com insuficiência renal não dialítico ?
    Muito obrigada

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    1. Olá.

      As evidências mais recentes podem ser encontradas no artigo a seguir. No menu à direita, você tem um link para a subseção "Plain language summary", para um resumo numa linguagem mais acessível, e também um link para baixar o arquivo pdf completo do estudo.

      https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD001892.pub4/full

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  54. Boa tarde.
    Gostaria de saber se é verdade que mascar chiclete doce mas sem açúcar com frequência pode estimular a insulina e atrapalhar a perda de peso (mesmo esse chiclete sendo diet )
    Muito obrigado.

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    1. Olá.

      Até existem evidências sugerindo que alguns adoçantes artificiais podem estimular a insulina. Mas, nos chicletes que contêm adoçante, a quantidade é tão pequena que a influência sobre a insulina, caso exista, é virtualmente zero.

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    2. Mas o fato de ser doce, as papilas gustativas não influenciam na percepção cerebral?

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    3. Sim, existe a percepção do sabor doce pelo cérebro. Mas isso não quer dizer que vai haver secreção de insulina capaz de influenciar a glicemia ou a regulação do metabolismo energético, o que poderia alterar como o corpo acumula a energia dos alimentos na forma gordura corporal.

      Mesmo que existam adoçantes capazes de dificultar a perda de peso ou levar ao ganho de peso, isso não necessariamente aconteceria por meio do estímulo à secreção de insulina, e muito menos a partir da pequena quantidade de adoçante presente em chicletes.

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  55. Olá,

    O que pensa da recomendação de Magnésio para todas as pessoas (mesmo sem deficiência constatada em exames - argumentam que o exame de sangue não mostra isso, e que é os solos não produzem alimentos tão ricos em magnésio)? Trás benefícios ou pode ser perigoso?

    Sofro de dor de cabeça, geralmente quando durmo pouco (infelizmente as vezes não consigo dormir a quantidade de horas corretas), e vi um estudo dizendo que suplementação de magnésio diminuiu a frequência de dores de cabeça em pessoas. Será que para o meu caso funcionária?

    Eu também tenho músculos encurtados (nada que gere dor ou problema de mobilidade, apenas não consigo me alongar bem, como encostar na ponta dos pés sem dobrar o joelho, estando de pé), e a doutora do RPG disse que consumo de Magnésio pode ajudar nisso (como também a suplementação de Omega 3 e Vitamina D), mas achei um pouco pseudo cientifico (ela nem tinha dados de exame de sangue ou sabia sobre a minha alimentação). Tem alguma experiencia nesse assunto?

    Por todos esses fatores, penso em experimentar por 1 ou 2 meses o Magnésio quelado/dimalato, o que acha?

    Obrigado, mais uma vez.

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    1. Olá, Felipe.

      É bem possível que a recomendação generalizada para suplementação de magnésio ajude sim muitas pessoas. Não necessariamente porque os solos são pobres em magnésio e isso leva a alimentos com baixa concentração desse mineral, mas porque muita gente simplesmente não consome boas fontes de magnésio em quantidade suficiente.

      Além disso, os riscos da suplementação de magnésio são basicamente inexistentes, o que é mais um ponto a favor. Pessoalmente sou sempre a favor de garantir uma boa ingestão de nutrientes pela alimentação. Mas, em casos em que existe uma ou mais dificuldades para que isso aconteça, a suplementação pode ser muito bem vinda.

      Realmente existem evidências que sugerem a melhora de quadros de dor de cabeça com a suplementação de magnésio, então acredito que no seu caso seria uma boa opção para se experimentar. Qualquer tipo de magnésio pode ser eficaz, mas o magnésio quelado/dimalato possui a vantagem de ter biodisponibilidade muito boa (menor dosagem para o mesmo efeito). Então é sim uma boa opção.

      Em relação à sua segunda dúvida, esses três nutrientes têm sim relação com função e capacidade muscular, mas isso não necessariamente quer dizer que a suplementação é eficaz no cenário que você citou. Não consegui encontrar qualquer artigo que relacionasse magnésio, ômega-3 ou vitamina D à melhora da flexibilidade. Quando não temos estudos, as experimentações são sempre válidas; só não precisamos afirmar o que não sabemos de fato.

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  56. Obrigado pela resposta bem completa. Eu tento manter uma alimentação saudável, mas não consigo consumir vegetal verdes escuros em mais do que uma refeição (no almoço - e ainda depende da disponibilidade do restaurante) - fora isso eventualmente como amendoas e quase diariamente chocolate amargo (70/85). Em tese eu imagino que consumo uma quantidade boa de magnésio.

    Mas como existem supostos benefícios, e parece que não existem efeitos indesejados, vou experimentar e ver o resultado.

    Acha que 500mg diario do dimalato é o suficiente? Peso 68kg e tenho 1,70.

    Quanto a vitamina D, cada vez mais leio sobre a suplementação não reproduzir os efeitos do sol ( a pessoa aumenta no exame de sangue a vitamina D, mas não usufrui dos benefícios desse aumento). O que pensa sobre isso? Eu tento tomar sol ao máximo durante a semana, mas é difícil eu conseguir 15 minutos - porém no final de semana, geralmente consigo me expor a mais de 15 minutos nos dois dias.

    Li um texto interessante sobre o assunto, conhece? https://www.outsideonline.com/2380751/sunscreen-sun-exposure-skin-cancer-science

    Mais uma vez, muito obrigado pela resposta completa.

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    1. Se o seu caso realmente for um quadro em que o magnésio vai ajudar, essa quantidade de 500 mg provavelmente é suficiente para que os benefícios apareçam. Inclusive, por se tratar de uma forma de magnésio com boa biodisponibilidade, é possível que quantidades menores do que isso já sejam eficazes. Caso você veja resultados com os 500 mg, pode ficar a seu critério experimentar se quantidades abaixo dessa são suficientes para se observar benefícios.

      Se estamos falando de como a vitamina D é importante de maneira geral para o corpo, não há dúvidas de que a exposição solar é superior à suplementação. Por outro lado, se estamos falando sobre casos em que a vitamina D pode ter um efeito terapêutico, que vai além da fisiologia normal desse nutriente, a suplementação pode ser bem importante. No seu caso específico, não temos evidências e então não sei se pode ajudar, por isso recomendei a experimentação (mas sinceramente acho que a chance de ajudar é pequena). No entanto, existem sim casos em que a suplementação com vitamina D realmente pode ser benéfica.

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  57. Boa noite! Vc ja viu caso onde a pessoa tinha um cocô de 4 na escala de Bristol e após começar a usar probiótico com recomendação nutricional por causa de autoimune, o cocô perdeu o padrão saudável e ficou fezes cápricas? neste caso o melhor é parar o probiótico? minha esposa volta na consulta só em julho.
    Obrigado

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    1. Olá.

      Nunca vi esse caso. É difícil falar muito porque eu teria que saber outros detalhes para poder dar uma resposta condizente. Mas, se o único suspeito for o probiótico, ou seja, se a princípio mais nada foi mudado no estilo de vida do paciente para que essa alteração negativa acontecesse, faz sentido que o probiótico seja suspendido.

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  58. Bioquimicamente, é verdade que se comer só gordura não engorda porque só ácido graxo ( sem glicerol) não pode ser armazenado como gordura no corpo? (porque não pode formar triglicéride)

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    1. Negativo. Tudo que tem caloria engorda se consumido em excesso. 1g de proteína tem 9 kcal , logo se em excesso a gordura engorda mesmo se não for consumida com carboidrato.

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    2. Só uma pequena correção ao comentário logo acima: imagino que na sua resposta você quis dizer 1 g de gordura, e não 1 g de proteína.

      É basicamente por aí mesmo: qualquer macronutriente em excesso pode fazer o corpo armazenar energia como gordura corporal. Mas, para complementar a resposta, vale ressaltar que esse "excesso" é algo que pode ser muito variável e que pode depender de uma série de fatores, tais como a proporção de macronutrientes da dieta, a pratica de exercício físico, o momento do dia em que as calorias são ingeridas (e a proporção de calorias de cada refeição), a prática de jejum intermitente etc.

      Por isso nunca é tão simples dizer que X ou Y sempre causam acúmulo de gordura corporal ou nunca causam acúmulo de gordura corporal. Sempre precisamos considerar o contexto e o máximo de variáveis que podem estar envolvidas.

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    3. Obrigado por responder!
      Então mesmo não tendo fontes de glicerol "trialcool" (CHO), o corpo consegue fazer triglicerídeo só com ácido graxo...!?

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    4. Na verdade, a gordura dos alimentos se encontra principalmente na forma de triglicerídeos. Ou seja, obtemos na dieta tanto os ácidos graxos como o glicerol, pois ambos formam juntos as moléculas de triglicerídeos.

      Além disso, o corpo tem formas próprias de produzir glicerol. Sendo assim, quando existe um excesso de energia no organismo, mesmo se a oferta de glicerol estiver relativamente baixa o corpo consegue produzir glicerol para armazenar a gordura na forma de triglicerídeos no tecido adiposo.

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  59. Boa noite.
    Alguma dica para quem tem bacteria h pylori?
    Obrigado

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    1. Olá.

      Nada específico, pois cada caso de H. pylori é muito diferente um do outro. Seria necessário conhecer o caso em detalhes para poder opinar. Minha recomendação é tentar achar o melhor profissional possível, alguém que realmente entenda do assunto, para poder te ajudar.

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    2. Bom dia.
      A médica tratou com antibióticos e omeprazol . Repeti o exame agora e continua com com o h pyori. Na internet tem vários profissionais dizendo coisas sobre alimentação mas a médica disse só pra evitar refrigerante, comer de 3 em 3 horas e usar omeprazol de manhã 20mg.
      Alguma dica de alimentos ? por favor. Obrigada. Sou Rita moro em Viçosa Minas gerais.

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    3. Entendi, então seguem alguns alimentos que podem ajudar: alho, brócolis, chá verde, própolis, mel, açafrão, noz-moscada, alimentos ricos em ômega-3, canela, cominho, alimentos fermentados (lácteos e não-lácteos), berries (morango, mirtilo, framboesa etc). Além disso, uma dieta restrita em carboidratos também pode ser benéfica.

      Mas lembre-se de que nenhuma dessas alternativas são garantias de que o problema será resolvido, especialmente no curto prazo. São opções que podem exercer algum efeito, mas não necessariamente vão ajudar em todos os casos de infecção por H. pylori.

      E mais uma dica: talvez valha a pena procurar outro médico. Existem boas evidências mostrando que omeprazol e medicamentos similares não devem ser utilizados em casos de infecção por H. pylori (como em quadros de refluxo e gastrite, que parece ser o seu caso). Apesar de inibir os sintomas, esses medicamentos podem ter um efeito ainda mais negativo na raiz do problema.

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  60. Boa tarde,

    Em relação ao Atum em lata, qual você recomenda: o que vem no óleo, ou o que vem na água? Eu pensava ser uma escolha óbvia o que vem na água.

    Porém li mais de um texto de nutricionistas recomendando a versão com óleo, pelos seguintes motivos:

    - Preserva mais o omega3
    - "Absorve" os metais pesados da lata, deixando o atum livre, ao passo que na versão com água, isso não acontece.

    Ainda não fiquei convencido que a versão com óleo é melhor, e também não consegui encontrar muitos dados conclusivos. Qual o seu take?

    Obrigado.

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    1. Olá, Felipe.

      Não tem como saber. O óleo da conserva pode sim "sequestrar" parte dos metais pesados contidos no atum, mas ninguém sabe se isso é de fato relevante. Digo isso porque a concentração de metais pesados em peixes que não estão no topo da cadeia alimentar é baixa, o que talvez signifique que não influencie a saúde. Além disso, alguns nutrientes contidos nos próprios peixes, especialmente o selênio, são capazes de quelar os metais pesados que também podem estar presentes, diminuindo ainda mais a chance de haver problemas. E também podemos nos perguntar o seguinte: se a concentração relativamente baixa de metais pesados talvez não seja um problema, vale a pena consumir atum em óleo considerando que inevitavelmente teremos de consumir óleo vegetal refinado?

      Se a questão é a preocupação em ingerir ômega-3, minha sugestão é ficar com os peixes frescos. Tirando o salmão, todos eles têm um preço razoável. E mesmo o salmão pode ter um custo que vale a pena, considerando o quanto ele é rico em ômega-3:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com/2017/04/omega-3-e-mais-barato-comer-salmao-ou_4.html

      Se a questão não for o ômega-3, o que não faltam são alternativas ao atum ou ao salmão. Não só entre os peixes, mas em vários outros grupos alimentares.

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  61. Encontrei um estudo feito com latas de atum no RIo de Janeiro (http://www.scielo.br/pdf/cta/v21n1/5354.pdf), e parece que metade delas continham mais mercúrio que o recomendado. Mas o estudo não faz distinção entre as latas com águas e as latas com oleo. O outro estudo que eu vi, mostra que a concentração de metais realmente aumenta na lata, mas em uma quantidade muito pequena (irrelevante). Então realmente parece que faltam evidencias de que a conserva em óleo seja uma melhor escolha se baseando nisso.

    Quanto ao Omega-3, uma duvida. Supondo que o óleo vegetal realmente preserve mais a quantidade de omega-3 no alimento, no final das contas, o beneficio não seria anulado pela ingestão do óleo vegetal (que tem omega 6?).

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  62. e complementando o meu post (não consigo editar), também achei informações conflitantes em relação a retenção de vitaminas. As fontes em português geralmente dizem que o óleo retem mais vitamina D e Selênio do Atum. Mas encontrei vários sites em ingles que dizem justamente o oposto, que a gordura do óleo suga nutrientes do atum!

    Sabe se existe algum estudo que testou esse tipo de coisa?

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    1. Até onde sei, o quanto o óleo pode afetar positivamente ou negativamente a concentração de ômega-3 ou vitaminas basicamente não faz diferença, porque o efeito é relativamente pequeno. Sinceramente, não vale a pena se preocupar com isso. Se você focar no consumo de alimentos nutricionalmente densos, isso já é suficiente.

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  63. Mais um adendo, me corrija se eu estiver errado, esse estudo: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4675452/ mostra que o atum conservado em água possui mais omega 3 que o em óleo, correto?

    Obrigado pela atenção.

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    1. Parece que sim, mas isso não quer dizer que qualquer atum conservado em água possui mais ômega-3 do que qualquer atum conservado em óleo. Nesse estudo, por exemplo, o atum em água é de um tipo diferente do atum em óleo, o que provavelmente explica a diferença na concentração de ômega-3.

      Além disso, se olharmos para a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), para termos um ideia dos produtos que circulam pelo Brasil, o atum conservado em óleo possui mais ômega-3 (DHA e EPA) do que o atum fresco. O atum fresco analisado pela TACO é cru, mas a quantidade de ômega-3 (principalmente DHA) do atum conservado em óleo tão maior que, mesmo se considerássemos o atum fresco cozido/grelhado/assado, a concentração de ômega-3 do atum em conserva ainda assim seria mais elevada.

      Sem contar a variação que existe entre os tipos de atum, a quantidade de ômega-3 pode muito bem variar de época para época, pois é bem possível que a alimentação dos animais não seja exatamente a mesma ao longo do tempo, o que provavelmente leva a variações na formação e estoque de ômega-3. Por tudo isso, pode ser que marcas diferentes ofereçam produtos com concentrações diferentes de ômega-3, que poderiam variar com o tipo de atum e com a época do ano.

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  64. Saindo um pouco de pergunta sobre alimentos e abrangendo mais a saúde como um todo, qual desses cientistas, você mais acredita na teoria no âmbito da saúde, a de Louis Pasteur ou a do Antoine Béchamp?

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    1. Olá.

      Conheço pouco sobre os dois. Mas, se você especificar as teorias de cada um deles sobre as quais você se refere, posso dar minha opinião.

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  65. Quais os beneficios do piparão. Obrigada

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    1. Olá.

      Se o nome estiver correto, não conheço. Se tiver o nome científico ou outra nomenclatura popular, talvez eu possa ajudar.

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    2. Uma mistura de chás com finalidade de emagrecimento.
      Cha de picão, cavalinha e moringa.
      Tenho insuficiencia cardiaca tomo rosuvastatina a noite, carvedilol, losartan , barivit, citoneurin todo mês e vitamina D 10 gotas. Fiz bariátrica porem estou ganhando peso porque passei por momentos tristes e acabo descontando na comida.

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    3. Fiz bariatrica em 2016

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    4. Se a finalidade é emagrecimento, o máximo que vai acontecer é o chá ajudar um pouco. Assim como qualquer outro caso em particular, nenhum alimento sozinho leva a resultados expressivos independentes. O que conta mesmo é a alimentação como um todo.

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  66. Junho e ainda nenhum artigo este ano. Estou ansioso pelo próximo, valorizo seu trabalho e me inspiro nele.

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    1. Olá, Rafael.

      Com muita coisa acontecendo, fica difícil escrever novos textos. Mas espero conseguir publicar algo novo nas próximas semanas. E obrigado pelo comentário.

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  67. Boa noite. existe relação entre aumento de ingesta de gordura e maior agregação plaquetaria e por isso risco cardiaco?
    cardiologista soltou isso na aula...

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