terça-feira, 22 de maio de 2018

Podcast: refluxo, colesterol, gordura saturada, sal e índice glicêmico




Recentemente participei do podcast do site Senhor Tanquinho. Falamos sobre quatro assuntos diferentes: refluxo; colesterol e gordura saturada; sal/sódio; índice glicêmico.

Parte dos assuntos foi escolhida por eles, enquanto parte foi escolhida por mim. Fiz questão de sugerir alguns tópicos justamente porque estão entre os que mais trazem dúvidas, já que costumo receber diversas perguntas e comentários sobre eles. Espero que, para os interessados, essa conversa possa esclarecer as principais confusões, incertezas e preocupações que existem sobre esses assuntos.

Com muita coisa para falar, a conversa acabou ficando em duas partes:

Parte 1 - Refluxo + Colesterol e Gordura Saturada
Parte 2 - Sal/Sódio + Índice Glicêmico

Grande parte das referências que embasaram os assuntos da primeira parte estão no link do próprio podcast. Para o tema do refluxo, como a discussão principal foi sobre como as dietas low-carb influenciam esse quadro clínico, as referências contidas no link são praticamente todos os estudos que já foram publicadas nessa área. O restante das referências são especialmente dedicadas ao tema colesterol e gordura saturada, porque, embora eu já tenha escrito alguns textos sobre o assunto, é um tópico bastante complexo e que merece ser tratado com mais detalhes.

Para os assuntos da segunda parte, os textos aqui do blog são suficientes como fonte de referência para os principais estudos que envolvem o foco discutido nos dois temas:

1) Sal — o que nunca lhe contaram sobre ele
2) A ilusão do sal rosa do Himalaia
3) A irrelevância do índice glicêmico

E, para quaisquer esclarecimentos adicionais, sintam-se à vontade para perguntar.


129 comentários:

  1. Muito bom, João!
    Aproveito para perguntar: porque tanta gente idolatra a carna de porco?
    Existem de fato beneficio extra a fonte de proteína em relação a outras carnes?

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    1. Olá.

      É verdade que condenam mais a carne bovina do que a carne de porco, mas não vejo as pessoas exaltando a carne de porco mais do que a carne de frango ou os peixes. Pelo menos essa é a minha percepção.

      De qualquer forma, a maioria dos estudos observacionais mostram que um maior consumo de carne de porco (sem contar os embutidos), carne de frango e peixes está associado a desfechos de saúde mais positivos, quando comparado a uma maior ingestão de carne vermelha. Não necessariamente é uma relação de causalidade, mas é o que se observa. Só que, mesmo nesse sentido, a carne de porco seria "igual" às outras duas, então não haveria muito motivo para ela ser mais idolatrada do que as demais.

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  2. Parabéns, muito boa a entrevista.

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  3. Parabéns pelo podcast. Ficou muito legal.

    Sobre colesterol, no final das contas ainda tenho muitas duvidas. Um parente meu, que passou a seguir uma dieta mais voltada para a Paleo, fez um exame de sangue, e os resultados foram esses:

    NÃO-HDL COLESTEROL: 171,mg - (Valor de referencia diz que acima de 160 é alto).
    LDL-COLESTEROL: 149,mg - (Valor de referencia diz que acima de 130 é limitrofe, o desejável é abaixo de 129)
    COLESTEROL TOTAL: 252mg - (desejavel menor que 190)
    HDL COLESTEROL: 81mg (desejavel maior que 40)

    A pessoa ficou assustada (ainda vamos voltar na nutricionista para orientação. Ela é magra, vai na academia todo dia e é jovem (menos de 30 anos). Esses resultados são muito ruins?

    Todos os outros indicadores estão dentro do padrão ou baixos (como glicose, etc).

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    1. Olá.

      Se todos os outros marcadores, especialmente glicemia, triglicerídeos, insulina basal e HOMA-IR, estão realmente baixos, então a princípio não tem por que se preocupar.

      O colesterol como um todo, nesse caso, deve ter aumentado como resultado de um maior consumo de gordura saturada na dieta, o que é comum de acontecer em pessoas que seguem dietas paleo, low-carb e similares. E isso é completamente normal, uma vez que algumas pessoas têm essa tendência de aumento (natural) do colesterol com uma maior ingestão de gordura saturada.

      Mas note o HDLc. A pessoa que se encontra num estado de desregulação metabólica muito dificilmente vai apresentar um HDLc elevado. Logo, se você tem uma pessoa saudável, com todos os outros exames dentro da normalidade, um colesterol (total e LDL) "aumentado" é apenas um reflexo da dieta e do metabolismo normal dessa pessoa, ainda mais se o HDLc não estiver baixo.

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  4. Sim, resistência insulínica é um fator prejudicial nas doenças cardiovasculares.
    Mas ainda não concordo com ignorar a hipercolesterolemia.
    Já está mais que provado que é um fator causal e não de correlação, tanto é que remédios como estatinas, e até os mais novos inibidores de PCSK9 mostraram-se eficaz na redução de mortalidade cardiovascular. Isso já é o bastante para não ser apenas uma correlação.

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    1. Vamos anonimar então.....rsrsrs
      Primeiramente é preciso diferenciar uma coisa da outra. Hipercolesterolemia é um distúrbio e precisa ser tratado. Outra coisa é a excessiva indicação de estatinas em pessoas com colesterol apenas ELEVADO, mas com todos os demais marcadores de risco bons.
      Em relação aos estudos, a sua grande maioria são patrocinados pela indústria farmacêutica e no geral utilizam de subterfúgios estatísticos na conclusão, optando por apresentar valores relativos ao invés de absolutos. O Liptor por exemplo (estatina da Pfizer) apresentou em seu estudo uma redução de mais de 36% na mortalidade. 36% de redução seria muita coisa, não é?? Mas são valores relativos!!! O resultado (absoluto) do estudo de 3 anos foi que: 3% das pessoas tratadas com placebo tiveram ataque cardíaco (e não morreram), enquanto 2% das pessoas tratadas com o Liptor tiveram ataque cardíaco (e não morreram). Em números absolutos isso é irrisório!! Significa que a cada 100 pessoas tratadas com medicamento APENAS UMA não terá um ataque cardíaco! Vale salientar que este estudo foi feito em pacientes de risco, se transportar este estudo para a população em geral o benefício deve ser ainda menor.

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    2. Excelente explicação,espero que seja verdade sua explicação. Sou leiga no assunto e estou absmada...

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    3. Primeiro anônimo, o que você tem a dizer sobre o fato de que todos os outros medicamentos que reduzem o LDL-c (fibratos, sequestradores de ácidos biliares, niacina, inibidores da CETP) falharam em seus estudos no sentido de reduzir mortalidade e risco cardiovascular?

      Na ciência, uma hipótese só pode ser confirmada se não existe nada que contrarie ela. E o que não faltam são fatos capazes de contradizer a hipótese de que as partículas de LDL ou o LDL-c são fatores causais relevantes no desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Cisnes negros por todas as partes.

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  5. A crítica ao estudo dos seis países, por teis seis países, continua pertinente. E não é por causa da correlação em si. Embora mais fraca, ela continua lá. É porquê, usando aqueles seis países Keys montou um gráfico bem ... favorável. Basta ver o gráfico com os 22 países para notar que não teria o mesmo impacto.

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    1. Olá, cfmorais.

      Sim, é verdade que a correlação é atenuada com os 22 países. Mas ela continua existindo, e por isso esse argumento não é suficiente para desmerecer o estudo. Os verdadeiros problemas do estudo são outros.

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  6. Fala João!

    Queria agradecer pelas entrevistas, ficaram realmente excelentes.

    Recebemos muitos emails agradecendo e elogiando, e estamos à disposição caso precise de algo!

    Segunda-feira (28/05/2018) vai sair a segunda parte :)

    Obrigado novamente pelo seu tempo e disposição.

    Forte abraço!

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    1. Parabéns a vocês também. Convidem mais ele

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    2. Muito obrigado! Pode deixar, profissionais como o João são sempre bem-vindos no nosso podcast :D

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    3. Sempre feliz de poder contribuir, pessoal!

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  7. Boa tarde , João. Faço acompanhamento com o médico endocrinologista para aumentar o peso, pois tenho o IMC muito baixo, sou alto e muito magro.
    Já me passou cobavital que é uma vitamina e um estimulador do apetite, e ganhei só 400g de peso, agora ele quer me passar buclina mas minha mãe andou vendo na internet e tem vários efeitos colaterais.
    Já fui em 2 nutricionistas e os mesmos não me ajudaram só aumentou os carboidratos e, uma passou suplemento que me fez super mal, um pó que eu tinha que tomar a tarde derivado do açucar, que me fez vomitar muito com gosto de laranja.

    Pode por favor me ajudar, algum suplemento que de fato ajude ao ganho de peso. A creatina pode ser usada sem fazer musculação? ele aumenta o peso?


    Obrigado. Não quero me identificar tenho 23 anos

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    1. Boa tarde,

      Ganhar peso é diferente de ganhar massa.
      Se o objetivo é ganhar peso (gordura), coma muito carboidratos junto com gorduras, é tiro e queda!
      Se o objetivo é ganhar massa, a maneira mais rápida de atingir seu objetivo é fazer musculação e comer adequadamente. Fora isso, ou são invencionices para tomar seu dinheiro ou usar anabolizantes.
      OBS: alguns suplementos podem ajudar, mas só em casos específicos e com orientação adequada.

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    2. Boa tarde, entendo sua dica mas isso que é "clássico" já fiz.... musculação e comer adequadamente. Ainda assim custo a ganhar massa....

      Anabolizantes não vou usar. Quero suplementos que ajudem sim, tipo creatina comecei a usar mas não sei a dose... to tomando 1 colher de sopa por dia com água

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    3. Olá.

      Gostaria muito de poder ajudar, mas infelizmente não posso. Casos como esses só podem ser conduzidos com o devido acompanhamento nutricional.

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  8. Parabéns, João, pelo podcast. Vou ouvir com calma em casa...

    Aliás, quando terá os seus próprios, hein???

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    1. Obrigado, Cristina. Não pretendo fazer podcasts. Mas, se algum dia eu mudar de ideia, todos que acompanham o blog ficarão sabendo.

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  9. Alguém tem noticias dele????
    Ele respondia quase todos os dias, agora ele sumiu

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  10. Gente cadê ele??
    Alguém tem notícias?????

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  11. Parabéns João, sempre atualizado e com informações úteis e importantes. Eu sempre recomendo seu blog!

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  12. Primeiro, parabéns pelo excelente blog!
    Segundo, você tem planos de escrever alguma coisa sobre agrotóxicos? Com a qualidade que você escreve, seria maravilhoso ver um ensaio sobre o assunto aqui no blog.
    Obrigada!

    Atenciosamente,
    Raquel Pontes

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    1. Olá, Raquel.

      Pra falar a verdade, não tenho nada planejado. Mas é sim um assunto interessante de ser abordado, embora amplo e complexo. Sugestão anotada.

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  13. Porque não tá dando para comentar mais nos outros posts??
    Só nesse

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    1. Olá.

      Não sei se o problema persiste. É possível que tenha sido alguma coisa no sistema do Blogger, porque também tive alguns problemas com a plataforma. Mas respondi diversos comentários recentemente, então é provável que esteja tudo certo agora.

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  14. Oi. Cade vc? to preocupada

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  15. Qual sua opinião sobre a briga de Lowcarb que teve?
    A low carb é uma boa estratégia para quem tem resistência insulínica? ( não para perda de peso somente )

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    1. Olá.

      Que briga foi essa?

      Em relação ao efeito das dietas low-carb em pessoas com resistência à insulina, segue o link para o texto no qual falo em detalhes sobre o assunto:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/12/quando-dieta-low-carb-nao-e-melhor-para.html

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  16. Bom dia João Gabriel.
    Meu nome é Pedro e sou nutricionista, totalmente a favor do consumo de leite e derivados, só os restrinjo quando o paciente tem de fato alguma incompatibilidade, alergia, intolerância. Mas gostaria de te perguntar uma coisa, talvez saiba me responder
    Porque tantos (muitos) pacientes chagam até a mim relatando melhora de doenças imuno-mediadas como rinite , otite e até asma com a retirada do leite? Numa rápida busca no PubMed não vi nenhuma revisão sobre o tema, não sei se você tem esses relatos porque aqui em Minas é uma coisa estrondosa e eu não tenho resposta.

    Mesmo se não concordar estatisticamente com esses casos, pensar que seja um efeito placebo por exemplo, teria alguma justificativa para ocorrer apenas com leite?

    Muito obrigado!

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    1. Olá, Pedro.

      De fato, muitos nutricionistas relatam que seus pacientes melhoram de problemas relacionados ao sistema imunológico, como os que você citou, após a restrição do leite na dieta.

      O "problema" é que ninguém realmente sabe por que o leite poderia estar causando esses problemas. E digo que ninguém realmente sabe justamente pelo que você comentou: quando olhamos para a literatura, não há trabalhos sobre o assunto. Ninguém realmente sabe como as proteínas do leite se relacionam com o sistema imune em seres humanos. É uma área que simplesmente ainda não começou a ser explorada de verdade.

      Por outro lado, existem sim algumas evidências indiretas que podem ser usadas para tentar explicar por que alguns pacientes melhoram de problemas relacionados ao sistema imunológico quando retiram o leite da alimentação. O mais provável é que elas possuam algum tipo de sensibilidade a uma ou mais proteínas do leite bovino. E isso poderia acontecer porque o leite bovino tem um perfil proteico consideravelmente diferente do leite humano.

      E por que isso acontece com o leite, mas não com outros alimentos? Também não sabemos. Mas é bem possível que seja por causa da estrutura proteica e da composição de aminoácidos de algumas das proteínas presentes no leite bovino. Talvez as enzimas humanas, em algumas pessoas, não consigam digerir de maneira adequada algumas das proteínas do leite bovino, levando à formação de peptídeos que poderiam ser reconhecidos como antígenos, potencialmente levando à ativação do sistema imune.

      E pessoas diferentes possuem respostas diferentes aos alimentos ingeridos, assim como funções imunológicas distintas. Isso poderia explicar por que algumas pessoas seriam sensíveis ao leite enquanto outras não são. A boa notícia é que a suscetibilidade a possíveis sensibilidades alimentares pode ser testada. Basta retirar e reintroduzir, algumas vezes, o leite (ou outros alimentos) da dieta. Se for observado que os sinais e sintomas sempre melhoram quando o alimento é retirado, então é praticamente certo que a pessoa possui algum tipo de sensibilidade.

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  17. Oi João, tudo bem? que bom que voltou
    Me nome é Lucas, já comentei aqui uma vez, que comecei a usar creatina, faz alguns meses, e é impressionante o resultado na balança ( eu pesada 57 e agora estou com 63 ) não dá pra perceber o que é, acredito que seja massa muscular porque estou malhando, mas esteticamente não deu muita diferença.
    Posso usar a creatina ( 1 colher de café ) todos os dias durante muito tempo? tenho 23 anos
    Obrigado !

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    1. Olá, Lucas.

      A princípio a ingestão de creatina, mesmo no longo prazo, não traz problemas. De qualquer forma, você pode fazer exames anuais de função renal (ureia, creatinina, taxa de filtração glomerular) e função hepática (AST, ALT, GGP etc) para ir acompanhando se tudo vai se manter de acordo com o esperado.

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    2. Entendi. Muito obrigado
      E em relação ao ganho de peso, seria resultado do aumento de água ou de massa muscular/gordura? Esteticamente não vi muito resultado

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    3. Existe um aumento do peso corporal resultante do "acúmulo" de água, necessário para o aumento na concentração de creatina nas células musculares. Em algumas pessoas, isso acontece de forma mais acentuada do que em outras, e pode ser o seu caso.

      O aumento na massa muscular não ocorre pela simples suplementação de creatina. Ele depende de um treino bem planejado e executado. Se você ainda não notou ganhos nesse sentido, e se o treino está em dia, talvez só precise de tempo para que os resultados comecem a aparecer.

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  18. Gostaria de saber se o excesso de frutose pode ser considerado fator causal de esteatose hepática e sindrome metabólica?
    Não me refiro a ingerir moderadamente sucos e frutas. Me refiro ao excesso.

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    1. Olá.

      Em humanos, pelas evidências que temos hoje, a frutose só é capaz de ser um fator causal para esteatose hepática num contexto de excesso de calorias.

      O problema é que as fontes concentradas em frutose são os produtos ricos em açúcar, que invariavelmente são ricos em calorias. Além disso, eles geralmente fazem parte da alimentação de pessoas que consomem vários outros produtos processados com elevada densidade energética, facilitando bastante um consumo de calorias além das necessidades.

      É essa soma de fatores que faz com que o consumo de alimentos ricos em frutose, proveniente essencialmente do açúcar, contribua diretamente para o desenvolvimento de esteatose hepática, resistência à insulina e síndrome metabólica.

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  19. Oi João Gabriel.
    Afinal de contas, o que vc chegou a conclusão nos seus estudos sobre o ácido láurico?
    Uns falam que é benéfico, outros dizem que é mito ser TCM, outros falam que aumenta o risco de DCV por por este ácido graxo se comportar como cadeia longa.
    Eu pesquiso muito no PubMed e no Google acadêmico, e nunca vi um trabalho criticando, pelo contrário, mas aí eles falam que são evidências fracas.
    Quero sua opinião

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    1. Olá.

      Tudo na nutrição é complexo, e por isso poderíamos entrar em muitos e muitos detalhes nessa história. Mas vou fazer alguns breves comentários.

      Nenhum ácido graxo leva ao aumento no risco de doenças cardiovasculares. Na verdade, até onde as evidências estão disponíveis, são pouquíssimos os fatores alimentares como um todo que são capazes de influenciar o risco cardiovascular. No caso do ácido láurico, existem inclusive evidências mostrando associação inversa entre consumo de óleo de coco e o risco cardiovasculares. É claro que isso não necessariamente isenta o ácido láurico, mas sugere grande chance de ausência de risco, uma vez que o óleo de coco é de longe a fonte mais concentrada de ácido láurico que podemos ter em nossa alimentação.

      Tecnicamente, o ácido láurico não deveria ser chamado de TCM (triglicerídeo de cadeia média). E por um simples motivo: ele não é um triglicerídeo, mas sim um ácido graxo (triglicerídeo = 3 ácidos graxos + 1 glicerol). Agora, do ponto de vista estrutural, e considerando a classificação padrão, ele é sim um ácido graxo de cadeia média. Os ácidos graxos de cadeia média são aqueles que vão de 6 a 12 átomos de carbono, o que engloba o ácido láurico (12 carbonos).

      Apesar de ser um ácido graxo de cadeia média, quando o assunto é metabolismo energético, o ácido láurico não se comporta como os outros ácidos graxos de cadeia média. Por esse motivo, aqui ele estaria junto dos ácidos graxos de cadeia longa (14 carbonos ou mais, pela classificação padrão).

      E esse ponto anterior é importante de ser ressaltado. Os estudos que mostram possíveis efeitos benéficos dos TCMs sobre o metabolismo energético utilizam suplementos de TCM, que são compostos por ácido caprílico (8 carbonos) e/ou ácido cáprico (10 carbonos). O ácido láurico (12 carbonos) não entra nos suplementos de TCM justamente porque os pesquisadores sabem que seu metabolismo é similar aos dos ácidos graxos de cadeia longa. Logo, qualquer estudo que mostre possíveis efeitos benéficos da suplementação de TCM não pode, por exemplo, ser extrapolado para o óleo de coco, que possui grande quantidade de ácido láurico, mas baixa quantidade de ácido caprílico e ácido cáprico.

      Ainda assim, existem sim estudos mostrando potenciais benefícios tanto do óleo de coco como do ácido láurico. Mas esses estudos geralmente são feitos em outras áreas, a princípio não relacionadas a metabolismo energético ou saúde cardiovascular.

      Resumindo: não existem evidências capazes de mostrar efeitos negativos do consumo de ácido láurico ou óleo de coco, mas existem estudos mostrando possíveis efeitos benéficos. Então não tem por que se preocupar. Ao contrário: melhor consumir do que evitar.

      Na sessão de comentários do texto abaixo, já respondi várias dúvidas relacionadas. Você pode usar o Ctfl+F (Windows) ou o Cmd+F (Mac) para buscar por palavras-chave:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com/2014/08/qual-e-o-melhor-oleo-para-coccao.html

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    2. Muito obrigado !! Eu já li este post, mas como houve algumas notícias novas na mídia, queria sua opinião.
      Boa noite.

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    3. Certo. Mas fica o lembrete pra você e outros leitores: a sessão de comentários dos textos tem muita coisa legal, porque costuma ter várias perguntas interessantes e desdobramentos do assunto inicial. Sempre vale conferir.

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  20. Olá, poderia me esclarecer se tem alguma regra na suplementação de vitaminas do complexo B?
    quando suplementa um tipo, tem que usar as outras ou não necessariamente?
    O médico do meu pai fez um tratamento "empírico" com ele para tratar um formigamento que ele tem nas pernas. Não é diabético, não possui nenhuma doença, só a hipertensão que é controlada. toma losartana e sivastantina todos os dias.
    Este médico mandou manipular 150mg de Tiamina (B1). Na internet as doses de referencia são bem mais baixas, e minha dúvida é se não teria que repor as outras vitaminas B para não haver um desbalanço.
    Att. Grata.

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    1. Olá.

      A suplementação de uma vitamina do complexo B não necessariamente implica na necessidade de suplementação ou maior consumo de outras vitaminas do complexo B. Até porque existem sete vitaminas do complexo B, e a maioria delas não possui interação direta entre si.

      De qualquer forma, casos específicos como esse que você relata, do qual eu não conheço os detalhes, são praticamente impossíveis de opinar. Então infleizmente não posso falar muita coisa sobre a necessidade ou não da suplementação de outras vitaminas do complexo B nesse contexto.

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  21. Opa, Lucas Moreira aqui.
    Ja ouviu falar em caldo de ossos?
    O que vc acha sobre isso. Aproveito e pergunto, colágeno ingerido presta para alguma coisa?
    Valeu.

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    1. Olá, Lucas.

      Os possíveis benefícios dos caldos de ossos são muitos. Apesar disso, seu consumo não é essencial se a pessoa possui uma alimentação diversa e ao mesmo tempo isenta ou restrita em alimentos processados. Provavelmente vai ser bom para quem consome, mas não necessariamente negativo para quem não consome.

      O mesmo vale para o colágeno, que também possui potenciais efeitos positivos nos tecidos conectivos, na pele e na saúde cardiovascular, por exemplo. Mas o assunto realmente é muito complexo para entrar em detalhes nesse breve comentário.

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  22. Fala João, tudo bem?
    Curso nutrição e queria um pouco da sua experiência.
    Vc me recomenda alguma especialização/pós?
    Já pensei na nutrição esportiva mas queria alguma coisa voltada a doenças, você saberia me indicar alguma?
    Obrigado. Vinícius Ribeiro

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    1. Olá, Vinícius.

      Eu não conheço nenhuma especialização ou pós-graduação lato sensu a fundo, até porque nunca fiz, então não sei se sou a melhor pessoa para recomendar.

      Apesar disso, pelo que já ouvi de alguns colegas que fizeram, até mesmo as mais bem conceituadas podem decepcionar. Não necessariamente porque são cursos ruins (devem existir alguns bons e outros ruins), mas porque podem estar abaixo das suas expectativas da profundidade ou da abordagem ou do ritmo que uma especialização ou pós-graduação deveria ter.

      O que eu sempre recomendo é: independentemente de fazer cursos por fora, estude por conta própria. Esse é o caminho. Além de poder ir no próprio ritmo (geralmente mais eficiente que o ritmo de um curso), você provavelmente vai ganhar um entendimento mais profundo do que decidir estudar. Porque você não vai estar estudando o que te passam; você vai estar estudando o que você quer estudar naquele momento, ou o caso de um paciente que está atendendo, ou procurando resposta para uma dúvida que surgiu de uma conversa, ou indo atrás de resposta para a pergunta de alguém etc.

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    2. Muito obrigado.
      Você tem razão, mas percebo que hoje o mercado cobra muito a questão de currículo e na própria universidade não tive o incentivo que deveria para essa questão científica.
      Talvez eu faça algum projeto de pesquisa e futuramente tente algum mestrado.
      Obrigado! Vinicius.

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  23. A moda agora é defender carboidrato, ir contra a low carb.
    Mas eu queria que me respondesse, eles dizem que saldo calórico positivo causa a obesidade, mas excesso de gordura e proteína vão ter os mesmos efeito hormonais?
    Exemplo> comer um prato de macarrão e um pudim antes de dormir não seria um erro para quem quer perder peso já que a noite ela vai ter hiperglicemia e hiperinsulinemia compensatória vai facilItar o acumulo?
    Não sou da área da saúde, só gosto de ler mesmo.
    Obrigado !

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    1. Olá.

      O "saldo" final de calorias sempre é o que mais conta; isso é um fato. Mas isso não quer dizer que as calorias são todas iguais, porque não são, especialmente quando estamos tratando de um caso em que a pessoa apresenta resistência à insulina, síndrome metabólica ou diabetes tipo 2.

      A sua pergunta não é tão fácil de responder porque não depende apenas do que estaria sendo consumido, mas de alguns outros fatores: composição corporal, grau de resistência à insulina, prática de exercício (se é regular, se ocorreu no dia), tipo de exercício, outros alimentos consumidos junto ou próximos (se for o caso) etc. Além disso, o total de calorias consumidas durante a noite, em comparação ao que é consumido no resto do dia, também pode ser um fator relevante.

      Para mais detalhes relacionados a esses assuntos, recomendo a leitura de dois textos que escrevi anteriormente. Acho que eles são bons pontos de partida para responder à sua pergunta. Se ficar alguma dúvida, só perguntar.

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2016/12/quando-dieta-low-carb-nao-e-melhor-para.html

      https://cienciadanutricao.blogspot.com/2017/06/para-emagrecer-mais-calorias-manha-ou-noite.html

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  24. Boa noite.
    Vc concorda com os estudo que mostrou que Omega 3 não ajuda na doença cardiovascular?
    O que acha sobre? teve um cardiologista polêmico que fez um video dizendo que a randomização não foi feita porque não houve placebo, eles usaram azeite de oliva como placebo e então não houve significância estatística.

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    1. Olá.

      Desde 2012, uma série de revisões sistemáticas vêm mostrando que a suplementação com ômega-3 parece não conferir benefícios no sentido de reduzir o risco de mortalidade ou eventos cardiovasculares:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22968891
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22493407
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24472636
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24885361

      E agora em 2018 foi publicada mais uma revisão sistemática mostrando a mesma coisa. O interessante é que, dessa vez, o estudo foi conduzido pela Cochrane Collaboration, uma organização especializada em conduzir estudos de revisão sistemática na área de saúde. Considerando o histórico, o trabalho dessa organização tende a ser bem pouco enviesado, então a princípio podemos confiar nos resultados. Link para o estudo:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30019766

      Dito isso, esses resultados não querem dizer que a suplementação com ômega-3 é inútil. O ômega-3 pode ser benéfico em vários quadro, e talvez até mesmo nas doenças cardiovasculares ele possa ter efeitos positivos.

      É possível que os resultados desses estudos possam ser explicados pela dosagem, que talvez seja muito baixa para que os possíveis efeitos positivos no sistema cardiovascular apareçam. Ou, em vez de suplementado, talvez o ômega-3 precisa ser consumido como parte de um alimento, como o peixe, para apresentar benefícios mais claros; nesse cenário, o ômega-3 poderia apresentar sinergia com outros nutrientes presentes nos alimentos, como a vitamina D. Ou talvez a suplementação de ômega-3 simplesmente não tem um impacto relevante sobre sistema cardiovascular, o que também não pode ser descartado.

      Mas uma coisa é certa: não podemos afirmar que as dosagens normalmente suplementadas, de 1 a 3 g de ômega-3, trazem benefícios para a redução do risco de doenças cardiovasculares. Porque os estudos, até o momento, mostram que isso não acontece.

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    2. Muito obrigado, mas em relação a metodologia, de fato você concorda com o que foi dito?
      que "...usaram azeite de oliva como placebo, e isso reduz a significância estatística do desfecho já que o azeite também tem ação cardiovascular benéfica..." LR

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    3. Sim, boa parte dos estudos incluídos nessa revisão sistemática utilizaram azeite de oliva como a forma de suplemento para os grupos controle.

      Mas temos dois pontos importantes que surgem a partir daí. O primeiro é: não existem evidências conclusivas de que o azeite possui efeitos positivos em desfechos cardiovasculares, porque ensaios clínicos de longo prazo testando a eficácia do azeite nesse sentido nunca foram conduzidos. O máximo que temos são estudos de curto prazo avaliando o efeito do azeite sobre *marcadores* de risco cardiovascular, mas não sobre desfechos (mortalidade e eventos cardiovasculares). O fato do consumo de azeite afetar positivamente fatores de risco associados a doenças cardiovasculares é sugestivo de um possível benefício; mas, sem ensaios clínicos que avaliam diretamente o risco, não podemos afirmar que uma maior ingestão de azeite seria positiva nesse sentido.

      E isso nos leva ao segundo ponto: mesmo que existissem evidências concretas de que o consumo de azeite reduz o risco de problemas cardiovasculares, temos que considerar a quantidade consumida. Nesses estudos que avaliaram a suplementação de ômega-3, e que usaram azeite como grupo controle, a quantidade suplementada de azeite é pequena, provavelmente numa média de 6 g/dia. Teoricamente, é bem provável que essa quantidade de azeite seria baixa para que benefícios cardiovasculares fossem observados (caso esses benefícios sejam reais).

      Por isso, acho pouco provável que o uso de azeite como suplementação dos grupos controle seja um fator relevante nessa história. Se o ômega-3 na forma de suplementos não é eficaz, como os estudos até o momento sugerem, acredito que seja simplesmente porque ele não age diretamente sobre a raiz do problema que está por trás das doenças cardiovasculares.

      Além disso, considerando o possível cenário que você citou, em que os benefícios do ômega-3 não teriam sido demonstrados porque o azeite também estaria exercendo um efeito positivo, não acredito que isso seja um problema. Muito pelo contrário. Isso significaria que temos duas opções interessantes para manter ou melhorar a saúde cardiovascular, com o azeite sendo geralmente mais barato e mais saboroso, e por isso mais fácil de ser incorporado à alimentação.

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    4. To perdido então

      Estudos como este não valem nada??
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29141571

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    5. Esse é um estudo de revisão, que cita vários outros estudos e discute o potencial benéfico do azeite de oliva sobre a saúde cardiovascular. Mas nenhum dos estudos mencionados em revisões como essa pode ser usado para afirmar que o azeite possui um efeito claro e direto sobre a redução do risco cardiovascular. Simplesmente porque ensaios clínicos avaliando o efeito específico do azeite, sobre parâmetros como mortalidade e eventos cardiovasculares, nunca foram feitos.

      É possível que o azeite tenha um efeito direto sobre o risco cardiovascular? Sim, é possível. Só não podemos afirmar com muita certeza porque não existem estudos disponíveis para isso. A ausência de estudos não prova que o azeite não é benéfico; ela só não nos permite dizer mais do que sabemos sobre o assunto.

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    6. Entendi. E na nutrição existe algum alimento que reduza eventos cardiovasculares?
      É difícil randomizar um grupo com dieta porque varia muito né, tem viés, e irregularidades.
      O próprio Omega 3 do estudo. Quem garante que era de qualidade?
      O profissional tem que ter visão crítica mesmo para avaliar estudos em nutrição.

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    7. Sim, entendimento científico e visão crítica são fundamentais.

      Existe um único ensaio clínico que mostrou um efeito claro e evidente da alimentação sobre o risco cardiovascular. Só que esse estudo não foi realizado para testar o efeito de um ou outro alimento específico, mas sim com a ideia de avaliar um padrão alimentar: a dieta mediterrânea.

      Esse estudo foi chamado de PREDIMED. Curiosamente, um dos grupos experimentais consumiu azeite de oliva como parte da intervenção, embora os efeitos positivos que foram observados não tenham sido decorrentes especificamente do azeite -- uma vez que o outro grupo experimental, que consumiu oleaginosas no lugar do azeite, também apresentou redução no risco cardiovascular:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29897866

      (O estudo foi originalmente publicado em 2013, mas agora em 2018 foi republicado com algumas correções necessárias na visão dos autores)

      Então não podemos falar de alimentos específicos que levam à redução do risco cardiovascular, simplesmente porque não temos estudos para isso. Mas, considerando a totalidade das evidências, incluindo ensaios clínicos e estudos observacionais, as oleaginosas provavelmente são os alimentos sobre os quais temos um maior grau de "certeza" de conferirem benefícios.

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  25. Existe alguma abordagem nutricional para rinite alérgica?
    Me alimento bem. Como variado, de tudo um pouco.
    Trato com a otorrino mas não resolve o problema . Pode ter a ver com alimentação?

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    1. Olá.

      Sim, pode ter relação com a alimentação. Mas casos como esses são muito complexos para generalizar que X ou Y poderiam ajudar. Uma avaliação bem detalhada do caso seria essencial para se pensar em possíveis alternativas.

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  26. Ola dr. João Gabriel
    O que diria a respeito da suplementação de glucosamina, condroitina e UC II para osteoartrite no joelho?
    Quais as evidências sobre o UC II sendo que o mesmo seria um colágeno, e proteínas não são absorvíveis.
    Obrigada. Patrícia

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    1. Olá, Patrícia.

      Existem evidências modestas mostrando melhora dos sintomas com glucosamina, condroitina e colágeno tipo II não desnaturado (UC II), mas nada relevante no sentido de realmente serem tratamentos que modificariam as causas da osteoatrite.

      Ou seja, podemos esperar melhorar nos sintomas e na qualidade de vida dos pacientes, mas não sabemos se no longo prazo são suplementos capazes de levar à regressão ou no mínimo à estabilização do quadro. Ainda assim, no mínimo ajudam nos sintomas, o que pode ser um diferencial importante.

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  27. Oi João
    Comprei magnésio dimalato 500 mg
    Como que eu sei quantos miligramas tem de magnésio elementar?

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    1. Olá.

      Basta saber o peso molecular do magnésio e do ácido málico, pois o magnésio dimalato nada mais é do que a combinação de uma molécula de magnésio e duas moléculas de ácido málico.

      O peso molecular do magnésio é 24,305 u, enquanto o do ácido málico é 134,087 u. Se somarmos uma molécula de magnésio a duas moléculas de ácido málico, ficamos com um peso molecular final de 292,479 u para a molécula de magnésio dimalato.

      Sabendo disso, é só calcular quanto o peso do magnésio representa do peso total da molécula de magnésio dimalato: 8,3%. Com esse valor, você pode determinar quantos miligramas de magnésio estão presentes em 500 mg de magnésio dimalato.

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    2. Que absurdo. Paguei 24 reais em 41.4 miligramas então
      Muito pouco.
      Eu preciso tomar 200 mg de magnésio por dia.
      Tenho extrassistole, tomava magnésio glicina manipulado. Fiz o exame de Holter e diminuiu demais as arritimias, mas agora vou ter que tomar então 4 capsulas por dia. O excesso de dimalato tem problema?

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    3. Mas a questão não é tão simples.

      As formulações com magnésio malato estão entre as opções com maior biodisponibilidade, o que significa que o corpo absorve e aproveita muito bem o magnésio nesses casos. Os 40 mg de magnésio nessa forma podem significar mais do que o dobro ou o triplo do magnésio em outras formas.

      A ingestão recomendada de magnésio para adultos vai de 310 a 420 mg/dia, variando de acordo com sexo e idade. Mas as recomendações chegam a essas quantidades porque já consideram que boa parte do magnésio ingerido, proveniente principalmente da alimentação (mas também de suplementos), não vai ser absorvida pelo organismo. E, como regra, isso vale para todos os nutrientes. Mas suplementos com elevada biodisponibilidade nutricional, como é o caso do magnésio malato, "quebram" essa lógica, justamente porque sua absorção e aproveitamento pelo organismo são consideravelmente maiores.

      Em relação ao seu suplemento de magnésio glicina, ele apenas dizia "200 mg" ou dizia "200 mg de magnésio elementar"? De qualquer forma, porque não experimentar aos poucos para ver o efeito do magnésio malato nas suas arritmias? Uma opção é testar por um tempo com apenas uma cápsula; depois, caso não observe efeito, aumentar a dose de cápsula em cápsula.

      E sobre o malato, sua ingestão a princípio não causa problemas.

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    4. Na verdade agora eu entendi. Atrás da embalagem bem escrito que na porção de 500mg contém 150mg de magnésio, 0 proteína, 0 carbo, 0 gorduras e 0 fibra. Ou seja o restante 350mg é o ácido málico? e ele faz bem por ser um ácido não pode sobrecarregar os rins?

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    5. Deve ser isso mesmo: mais ou menos 350 mg de ácido málico.

      A não ser que seja algo extremamente fora do comum, que o organismo como um todo não seja capaz de lidar, substâncias ácidas não causam sobrecarga nos rins. A princípio não tem por que se preocupar com o ácido málico.

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    6. Muito obrigado por ajudar!!
      Boa semana

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  28. Fala João, tudo bem?
    Sou acadêmico de medicina e acho blog é muito bom! Posta mais conteúdo sempre que der!

    Você saberia uma possível resposta para a dieta sem glúten ajudar pacientes com Síndrome de Gilles de la Tourette ( tique nervoso )?

    Estava dando uma lida em alguns artigos para fazer um poster num evento mas não tem muita explicação científica dessas relações com doenças neuropsiquiátricas...seria mais um possibilidade mesmo... segue o link no PubMed do trabalho.

    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29735930

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    1. Olá.

      Lembro de ter feito a mesma pergunta quando vi esse estudo. E a primeira coisa que veio à cabeça foi: ataxia causada por glúten.

      Assim como o glúten é capaz de causar uma reação imunológica, em pessoas com suscetibilidade, e levar ao desencadeamento da ataxia, é bem possível que exista um ou mais mecanismos similares que ocorrem na Síndrome de Tourette. Até porque ambos os casos envolvem cérebro, sistema nervoso e musculatura.

      Detalhes não sabemos, mas imagino que o caminho seja por aí.

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    2. Obrigado por responder.
      O fato de ser um estudo piloto, faz com que esse trabalho requeira mais estudo para concluir que o glúten causa esses sintomas em pacientes predispostos?

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    3. Sim, mais estudos são necessários.

      Em um estudo piloto, o número de participantes é pequeno, então estudos maiores são necessários para que o efeito seja replicado numa amostra mais representativa.

      Além disso, o estudo não contou com um grupo controle, que é fundamental para entendermos o real efeito de qualquer intervenção da intervenção em ensaios clínicos. Sem grupo controle não podemos, por exemplo, descartar a possibilidade de que a simples passagem do tempo (um ano) foi suficiente para que os pacientes apresentassem melhora do quadro.

      E outro ponto importante: mesmo que o efeito observado tenha sido por causa da dieta sem glúten, não podemos concluir que a melhora do quadro foi necessariamente causada pela restrição do glúten. Pode ter sido por causa da retirada do glúten da dieta? Pode. Mas também pode ter sido por alguma outra modificação na alimentação que veio junto da restrição de glúten, já que a prescrição de uma dieta sem glúten naturalmente vai levar a outras mudanças na alimentação.

      Mas o glúten é sim o principal "suspeito" na história, mesmo que mais estudos sejam necessários para entendermos essa relação.

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  29. Gostei da entrevista.
    Poderia citar algum artigo que corrobore que níveis elevados de LDLc não é causador de doença cardiovascular?
    Obrigada.

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    1. Olá.

      Como mencionado no podcast, os artigos usados como referência nesse assunto (e também nos outros assuntos) estão todos no post dedicado ao próprio podcast, lá mesmo no site do Senhor Tanquinho.

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  30. Bom dia Sou diabetico quero saber se posso usar deribose
    Obrigado Carlos Junior

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    1. Olá, Carlos.

      A princípio não tem problema algum você fazer uso de D-ribose sendo diabético. Só não dá pra dizer que essa substância vai ter algum benefício direto no seu quadro, caso esse seja o motivo da sua dúvida.

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  31. Boa noite, João Gabriel.
    Me ajuda a escolher um bom azeite?
    Não precisa citar marcas, só dizer como escolher um bom
    A dica que o Lair ribeiro dá, serve? ( de vidro escuro, prensado a frio, extra-virgem- parece pleonasmo mas não é, e acidez baixa )

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    1. Olá.

      A informação "prensado a frio" nem sempre aparece na embalagem, mas o fato de ser extravirgem já implica que o azeite foi extraído por prensagem a frio. De resto é isso mesmo: vidro escuro, baixa acidez (e bom preço).

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  32. Boa tarde!
    Suco de beterraba é vasodilatador mesmo ou é mito?

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    1. Olá.

      Sim, o consumo de beterraba é capaz de melhorar a vasodilatação. Seguem alguns estudos mostrando esse efeito em seres humanos:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24125415
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23884387
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27182277
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25764393

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  33. Muito boa matéria!
    Sem extremismos e bem esclarecedor!! Parabéns

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  34. Fico muito triste e envergonhado em ver uns posts tão bons quanto esses e as pessoas virem até aqui para perguntar de magnésio, citar Lair Ribeiro, perguntar como toma creatina... é o fim do mundo. O João deveria apagar porque demostra que o blog está sendo mal visitado, basicamente leigos iludidos por gurus lowcarb.

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    1. Olá.

      Esse é um bom ponto, e com certeza pode ser levado em consideração. Mas acho que existe outro lado nessa história: se são pessoas que talvez estão um pouco perdidas, por que não aproveitar o momento para esclarecer algumas questões a essas pessoas e até desfazer alguns mitos que elas podem ter ouvido em outros lugares?

      De qualquer forma, agradeço pela preocupação em querer manter esse blog como um espaço de clareza e imparcialidade dentro da nutrição, que infelizmente acaba sendo desvirtuada em alguns momentos por algumas pessoas -- assim como boa parte das áreas de conhecimento.

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  35. Vc recomenda ciclamato para adoçar?
    causa cancer de bexiga?
    Obrigada

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    1. Olá.

      A associação entre o consumo de ciclamato, e também de outros adoçantes artificiais, e o desenvolvimento de câncer de bexiga nunca foi bem explorada em seres humanos. A ideia de que esses adoçantes causam câncer de bexiga foi baseada em estudos em animais, realizados principalmente nas décadas de 70 e 80, que mostraram um efeito indutor de câncer desses produtos. Nem todos os estudos mostraram isso, mas uma boa parte sim.

      Apesar disso, mesmo praticamente não havendo evidências em humanos, eu não recomendo o uso de nenhum adoçante artificial. Simplesmente porque a necessidade não existe. Os açúcares naturais podem ser usados em pequenas ou moderadas quantidades sem problema. A verdade é que qualquer pessoa que esteja apresentando uma necessidade de consumir grande quantidade de açúcar está com um problema geral no paladar e na alimentação. Sendo assim, a solução não é trocar o açúcar pelo adoçante, mas sim melhorar a qualidade da alimentação e diminuir a dependência pelo açúcar.

      E mesmo que mais estudos fossem realizados, e mesmo que se verificasse a não existência de uma associação entre adoçantes artificiais e câncer, como podemos saber se o consumo desses produtos não está associado a outros problemas de saúde? E existem sim estudos que podem sugerir o risco de vários outros problemas. Por isso, acredito que o risco simplesmente não vale. Sem contar que, em grande parte dos casos (provavelmente a maioria), o uso de adoçantes é simplesmente mais um indicativo de que a pessoa precisa melhor a qualidade da sua alimentação como um todo.

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  36. Boa noite. Tenho transtorno do pânico e minha nutricionista me prescreveu manipulação de magnésio glicina e L-teanina/ alternando a cada 2 meses com Taurina. Uso contínuo . Gostaria muito da sua opinião pois acho o blog muito bom sobre ciência nutricional e meu médico psiquiatra disse que é jogar dinheiro fora. Mas também sei da industria farmacêutica. Uso Rivotril sublingual quando tenho as crises de pânico mas o antidepressivo não quero ficar refém. Gostaria de apostar na manipulação, acha que poderia ter algum beneficio??
    Muito obrigada. Laíssa.

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    1. Olá, Laíssa.

      Os estudos avaliando o efeito de nutrientes sobre transtorno do pânico são bem escassos, e isso vale tanto para glicina como para a teanina.

      Pensando nas função bioquímica que a glicina pode desenvolver no cérebro, e provavelmente foi por isso que sua nutricionista fez a prescrição, a suplementação com esse aminoácido poderia ajudar. Porém, no único estudo minimamente relacionado a isso que eu encontrei, o medicamento testado, que basicamente leva ao aumento na concentração de glicina no cérebro, não apresentou efeito:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22394471

      É claro que a suplementação com glicina, em vez do uso de um medicamento que aumenta os níveis cerebrais de glicina, poderia levar a outro resultado, mas não podemos afirmar muita coisa se não existem estudos que avaliaram a hipótese. De qualquer forma, como existe uma lógica bioquímica por trás dessa possibilidade, talvez valha a pena experimentar essa suplementação.

      Por outro lado, existe um bom número de estudos mostrando o efeito "calmante" da teanina, que tende a ser mais acentuado justamente em pessoas que apresentam algum tipo de transtorno de ansiedade. Sendo assim, imagino que a suplementação com teanina tem uma chance no mínimo razoável de trazer algum efeito positivo.

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    2. Obrigada por me esclarecer. Boa noite

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  37. Boa tarde.
    Tenho uma duvidas nutricionais. As energias de calorias que absorvemos estão na forma de glicose? A insulina quando estimula a célula , ela estimula para que ocorra a entrada só de glicose ou de qualquer outra coisa?
    Outra coisa: na sua opinião qual o melhor óleo para ingerir nos alimentos. Obrigada. Nicole Antunes

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    1. Olá, Nicole.

      Resumidamente, chamamos de macronutrientes as estruturas moleculares que, após absorvidas e metabolizadas, são capazes de fornecer energia ao corpo. Podemos classificar esses macronutrientes em três grupos: carboidratos, gorduras e proteínas. Ao longo do sistema digestório, cada um dos macronutrientes é digerido em componentes menores para absorção. As moléculas maiores de carboidratos fornecem glicose e frutose, as moléculas de gorduras fornecem ácidos graxos e as moléculas de proteínas fornecem aminoácidos.

      Depois de absorvidos, glicose, frutose (que pode ser convertida em glicose) e ácidos graxos são basicamente direcionados para a produção de energia dentro das células, gerando moléculas de ATP ao serem metabolizados por reações intracelulares como a glicólise, o ciclo de Krebs e a cadeia de transporte de elétrons. Com os aminoácidos a história é um pouco diferente, mas boa parte deles também pode ser usada para a produção de ATP. Sendo assim, não está errado dizer que as calorias que absorvemos estão na forma de glicose, ou de frutose ou de ácidos graxos ou de aminoácidos, mas tecnicamente falando a energia que o corpo de fato utiliza é o ATP.

      Quando a insulina se liga ao seu receptor nas células, ela estimula a entrada de vários nutrientes. A glicose é o principal deles, mas também existe estímulo para a captação de aminoácidos e até mesmo de ácidos graxos. Quando falamos de metabolismo energético, a insulina tem dois grandes papéis: 1) estimular o uso da energia que está entrando no corpo após a ingestão alimentar; 2) guardar o excesso de energia que não será prontamente metabolizado.

      Falando de forma generalizada, quaisquer óleos e gorduras não refinados podem ser consumidos sem problemas. Mas o azeite de oliva (extravirgem) provavelmente se destaca, porque tem um custo-benefício excelente em termos de preço e potenciais benefícios que pode proporcionar.

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  38. Vc saberia me dizer se é verdade que houve um estudo na Califórnia que analisou carnes vendidas em restaurantes e fastfoods, onde foi constatado que a maior parte desses alimentos foi oriunda de uma dieta de milho. Baseada em espectrometria de massa foi possivel rastrear o isotipo de carbono contida naqueles alimentos e saber então, a sua origem.

    Vou postar aqui em baixo umas referências e quero saber se a referência diz o que eu afirmei em cima.
    Obrigado !!!

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    1. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2582047/

      só esta

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    2. Olá.

      Olhando as conclusões estudo, a história é basicamente essa: a maior parte dos produtos vendidos por redes de fast-food tem relação direta com a produção de milho, como o uso de óleo de milho para os alimentos fritos e o uso de ração à base de milho para alimentar os animais que fornecem a carne para os produtos dessas redes.

      E a importância disso não está no milho por si só, mas sim no que essa relação representa. Segundo os autores, a agricultura que gira em torno de plantações de milho é insustentável do ponto de vista ambiental em diversos pontos, incluindo os animais criados em confinamento e o uso de agrotóxicos. E tudo isso se agravaria por ser uma agricultura altamente subsidiada.

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  39. é verdade que uma castanha do pará pode fornecer 200 mcg de selênio?
    To ferrado então, tem dia que consumo umas 15....

    Qual será seu próximo post? Aguardando... Obrigado!

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    1. Olá.

      Uma unidade de castanha-do-pará pode sim conter 200 microgramas de selênio, mas a concentração desse mineral costuma variar bastante. Se me lembro bem, boa parte das análises (talvez a maioria) mostra concentrações entre 60 e 100 microgramas de selênio por unidade de castanha-do-pará, então imagino que, em média, essas devem ser as concentrações mais usuais.

      O próximo post? Não tenho certeza ainda, mas é bem possível que seja sobre óleo de coco. De qualquer forma, pretendo retomar uma frequência mais regular de textos aqui no blog. Então pode ficar no aguardo.

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    2. Top!! Aguardando ansioso!
      Muito mimimi sobre um óleo, inacreditável como pode ter tanta divergencia.

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  40. Boa noite dr. Quais os riscos de tirar leite da dieta? ele é de fato fundamental para termos cálcio? muito obrigada bom final de semana.

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    1. Olá.

      Podemos dizer que os laticínios não são essenciais, assim como nenhum alimento ou grupo alimentar por si só é essencial. Ou seja, isso significa que é possível ter uma alimentação saudável, incluindo uma ingestão adequada de cálcio, mesmo sem o leite e seus derivados. Porém, esses alimentos são de longe as melhores fontes de cálcio que temos na alimentação.

      Mesmo sendo possível ter uma ingestão adequada de cálcio na ausência dos laticínios, a pergunta é: essa seria uma boa ideia? Em grande parte dos casos, não seria uma boa ideia, simplesmente porque as pessoas em geral não estão acostumadas a consumir outras fontes concentradas de cálcio, sem contar que alguns desses outros alimentos ricos em cálcio não são de tão fácil acesso. Por esse e outros motivos, a não ser que a pessoa tenha algum tipo de sensibilidade aos laticínios, eu costumo não recomendar a de leite e derivados da dieta.

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    2. Permita-me corrigi-lo na pergunta da anônima acima,
      Existe sim um grupo alimentar que se restringirmos, teremos carência nutricional, as carnes.
      Apenas produtos de origem animais nos fornecem vitamina B12.

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    3. Sim, é verdade que os alimentos de origem animal são virtualmente a nossa única fonte de vitamina B12 na dieta. Mas isso não significa que as carnes são necessárias para que tenhamos uma boa ingestão desse nutriente. Realmente, as carnes são uma das fontes mais concentradas de vitamina B12, mas outros alimentos de origem animal também são fontes muito boas. Duas porções de 200 mL de leite, por exemplo, fornecem 75% da necessidade diária desse nutriente.

      Por isso, é sim possível ter uma ingestão adequada de vitamina B12 mesmo sem consumir carnes. Os alimentos de origem animal são essenciais, mas as carnes a princípio não são.

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  41. Boa noite. Muito boa discussão a entrevista. Gostei do modo que vc aborda.
    Quando terá outro? sua página já está nas favoritas.
    Sucesso sempre.

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    1. Olá.

      Os podcasts dependem de convites, então não sei quando será o próximo. Mas em breve pretendo retomar uma frequência mais regular de publicação dos textos. Obrigado por ouvir o podcast e pela leitura do blog!

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  42. Bom dia João Gabriel
    Comer arroz feijão diariamente com legumes, sem nenhuma carne ou ovo, vai elevar o índice glicêmico?
    A combinação arro com feijão é densa nutricionalmente no sentido de aminoácidos?
    Obrigado!

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    1. Outra dúvida, tomar creatina reduz a necessidade daquele 1,5 a 2g de proteína/kg diário ou é indiferente?

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    2. Olá.

      O índice glicêmico de uma refeição com arroz e feijão sem carne ou ovo, comparada a outra com carne ou ovo, vai ser sim maior. No entanto, como comentei no podcast, em praticamente todos os casos o índice glicêmico dos alimentos ou das refeições não faz diferença alguma. O que pode fazer diferença é o baixo consumo de proteína, principalmente se não for compensado nas demais refeições do dia.

      Em relação à outra dúvida: não, ingerir creatina não faz diminuir a necessidade diária que uma pessoa tem por proteína na alimentação.

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  43. Prometo que é a última dúvida: você acha perigoso uma pessoa humilde (46 anos) fazer jejum intermitente de 14 a 16 horas sem acompanhamento nutricional porque ouviu um médico dizer na internet?
    Muito obrigado!

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    1. Não é perigoso, até porque os estudos não mostram efeitos adversos da prática do jejum intermitente. Se a pessoa não se sente segura, ela pode começar com períodos menores de jejum. Por exemplo, 8 horas por dia pode ser um bom ponto de partida.

      Mas é claro que o melhor, se possível, é ter o acompanhamento de um profissional atencioso e que saiba como realmente aplicar o jejum na prática.

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  44. Opa, beleza?
    Poderia me falar o nome do primeiro cara da foto neste post?

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  45. Boa tarde.
    Gostaria de saber se é verdade que o coentro tem ação destoxificante
    Obrigada

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    1. Olá.

      Assim como diversos outros vegetais, é bem possível que o coentro exerça sim um papel mais ou menos nesse sentido, seja essa ação direta ou indiretamente causada pelo seu consumo. O problema é o uso do termo "detoxificante", que pode significar uma infinidade de coisas quando estamos falando de saúde.

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  46. Boa noite.
    O que significa isso na nutrição:
    ----GLA-MFF----
    ( fécula, fermentado, mocotó // glúten, leite, açúcar )

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    1. Olá.

      Isso aparece na lista de ingredientes de algum produto? Poderia transcrever essa lista de ingredientes por completo para ajudar?

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    2. Estava num slide de uma palestra . Queria entender a sigla
      Mas pode deixar kkkk não dá pra adivinhar né
      Obrigado

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    3. Acho que a única coisa que eu posso dizer é que as letras da sigla correspondem às letras iniciais das palavras que estão abaixo dela.

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    4. Meu Deus, é isso mesmo... Que horror como não entendi isso.

      Foi numa aula sobre autoimune, faz sentido restringir gluten, leite e açúcar e usar : Compota de maça (não sei oq é) mocotó (não tem risco de infecção?) e fermentados

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    5. Esse seu último comentário foi uma pergunta para mim? Se sim, poderia elaborar um pouco melhor para ver se posso responder?

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  47. Seria possivel vc me ajudar num lanche da tarde sem eu passar em consulta?
    Almoço e janto bem mas acabo tendo dificuldade para lanchar de tarde . Ovos como pela manhã e frutas, de tarde acabo gastando muito dinheiro porque vou numa loja de comidas funcionais e integrais e um sanduíche saudável e gostosa não sai menos de 25 reais a conta, tenho que arrumar algo que eu consiga fazer em casa. Eu preciso ganhar peso mas não quero me entupir de gluten me faz muito mal e eu estou sofrendo por isso.

    Obrigado. João Claudio Fernandes

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    1. Olá, João.

      Não posso entrar em muito detalhes por dois motivos. Primeiro que eu precisaria saber mais informações sobre você, sua rotina e seus hábitos para realmente poder ajudar; mas isso só seria possível a partir de uma consulta ou de uma conversa um pouco mais detalhada. Em segundo lugar, ao te ajudar assim diretamente, eu abriria precedente para que outras pessoas também façam perguntas semelhantes e para que eu passe a ter o dever de ajudá-las da mesma forma; mas como profissional eu não devo fazer isso.

      De cabeça, o que eu posso te dizer é o seguinte:

      1) Tente lembrar dos grupos alimentares para compor suas refeições, porque isso pode te ajudar a pensar em opções de lanches. Alternativas não faltam entre frutas, laticínios, carnes e ovos, nozes e castanhas, raízes e tubérculos.

      2) Você não necessariamente precisa lanchar. Mesmo que esteja acostumado com isso e acredite que não consiga ficar sem o lanche da tarde, o mínimo que você poderia fazer é tentar. No seu caso, como refere que quer ganhar peso, você poderia aumentar a quantidade de alimentos nas outras refeições para compensar o lanche que não estaria mais sendo feito.

      3) Os lanches entre as refeições principais podem ser diferentes daquilo que a maioria das pessoas está acostumada. Por que não fazer com que os alimentos desse lanche da tarde sejam parecidos com os do almoço ou do jantar? Ou até mesmo do café da manhã?

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    2. Otimas dicas.
      É verdade que aumentar a ingesta de comida em momentos longes do treino pode acumular na barriga ou é indiferente?
      eu tento comer mais carboidrato antes de malhar.

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    3. Os melhores momentos para ingerir mais carboidrato são imediatamente antes do treino ou logo depois. Isso pode diminuir um pouco a chance de ocorrer acúmulo como gordura corporal, além de potencialmente beneficiar o desempenho no treino e a recuperação muscular.

      Mas isso não necessariamente quer dizer que comer carboidratos fora desses horários vai levar ao acúmulo de gordura. São muitas variáveis em jogo, como intensidade do treino, composição das refeições ao longo do dia, ingestão total de calorias e proteínas etc. Mas, como mencionei acima, se você quer aumentar a ingestão de carboidratos, em regra o melhor a fazer é consumi-los em momentos próximos ao treino.

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