quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Kefir faz bem mesmo?




A sabedoria humana vai além do conhecimento científico. Por milhares de anos, muito antes do começo da ciência da microbiologia (o estudo dos micro-organismos) — e por isso sem saber como funcionava —, a espécie humana já fazia o uso da fermentação. Essa técnica — que consiste na ação de micro-organismos, como bactérias e fungos, sobre os alimentos — foi e ainda é tradicionalmente utilizada para preservar e modificar os alimentos, produzindo neles alterações de sabor, aroma e textura.

Os exemplos mais comuns de alimentos fermentados são o iogurte e o pão, produzidos, respectivamente, a partir da fermentação do leite e da farinha de trigo. Claro, temos também as bebidas alcoólicas fermentadas, como o vinho e a cerveja. Além deles, outros alimentos relativamente conhecidos também se encaixam nessa categoria: diversos tipos de queijo, molho shoyu, natto, kombucha, misô, kvas, chucrute, filmjölk e kimchi. Para conhecer outros exemplos, confira essa lista da Wikipédia (em inglês).

E o que é a fermentação? Nada mais é do que o processo em que os micro-organismos utilizam algum tipo de substrato energético presente nos alimentos — normalmente carboidratos, entre eles glicose, lactose ou sacarose — como fonte de energia, modificando suas características de sabor, textura e aramo devido à transformação desses nutrientes em outros compostos e substâncias.

Hoje vamos falar de mais um exemplo de alimento fermentado: o kefir.


O que é o kefir?

A palavra kefir é provavelmente derivada do termo turco “keyif”, que, em tradução livre, significa algo como “sensação de bem-estar” ou “sentir-se bem” [1]. Originário da região do Cáucaso, há aproximadamente 1000 anos [2], o kefir é um alimento tradicionalmente consumido por países asiáticos e do leste europeu [1]. Ganhou também recente popularidade nos demais países da Europa, além de Japão e Estados Unidos, principalmente devido aos seus supostos benefícios à saúde [1]. A produção de kefir é essencialmente artesanal no Brasil [2]; porém, avanços significativos no sentido de viabilizar a produção de kefir em maior escala parecem estar surgindo [3].

Assim como o iogurte e o filmjölk, por exemplo, o kefir também é um alimento derivado da fermentação do leite. Como pode ser observado em mais detalhes na figura abaixo, o kefir caracteriza-se pela formação de “colônias”, denominadas grãos de kefir. Visualmente, é possível perceber que os grãos de kefir apresentam uma estrutura irregular semelhante a uma couve-flor, com uma coloração esbranquiçada-amarelada, possuindo uma textura firme e uma aparência “gosmenta” [4]. Os micro-organismos que compões os grãos de kefir aglomeram-se através de uma matriz de polissacarídeos denominada kefiran [1,2,4].


[Clique na imagem para visualizá-la em tamanho real]


O kefir propriamente dito é a bebida originada a partir da fermentação do leite com os grãos de kefir. Para o kefir ser produzido artesanalmente, basta adicionar os grãos ao leite em temperatura próxima à ambiente (20 a 25 °C), esperar entre 18 e 24 horas e depois coar os grãos [1,5]. O leite, após essa fermentação, está pronto para ser consumido; os grãos de kefir podem, então ser usado para produzir mais kefir posteriormente.

Devido ao processo de fermentação, o kefir possui um sabor ácido e é uma bebida levemente gaseificada, principalmente pela produção de lactato/acetato e gás carbônico, respectivamente [1,5]. Outras substâncias, como diacetil e acetaldeído, são responsáveis pelo sabor e aroma característicos do kefir [1]. A diferença mais importante em relação aos demais alimentos fermentados do leite é que, para o kefir, são utilizadas dezenas de espécies diferentes de micro-organismos (bactérias e fungos) durante sua produção [1,5], enquanto que para os demais produtos normalmente se usa uma ou três culturas de bactérias apenas [1].

Apesar de ser mais comum a partir do leite de vaca, a produção de kefir muitas vezes acontece com os leites de cabra e de ovelha [2], sendo que o leite de outros animais, como camelo e búfalo, também podem ser utilizados para sua produção [1]. De forma semelhante, substitutos do leite — como 'leite' de nozes, 'leite' de soja, 'leite' de coco, 'leite' de arroz e 'leite' de amendoim — também podem ser utilizados para a produção de kefir [1,2].

E um detalhe interessante: o kefir, quando produzido a partir de leite integral, é considerado como uma bebida de maior qualidade quando comparado ao produzido com leite desnatado [2], apresentando aspectos sensoriais (odor, aroma, sabor, textura) mais agradáveis [6].


Composição do kefir

Existem distinções consideráveis na composição microbiológica de diferentes grãos de kefir, que podem variar de acordo com a região de obtenção dos grãos e de suas condições de “cultivo”, como tempo, temperatura e composição prévia de micro-organismos [2]. Abaixo, seguem alguns exemplos de bactérias e fungos normalmente encontrados em grãos de kefir [4,7,8]: 
  • Lactobacillus kefir
  • Lactobacillus kefiranofaciens
  • Lactobacillus kefirgranum
  • Lactobacillus parakefir
  • Lactobacillus brevis
  • Lactobacillus plantarum
  • Lactobacillus acidophilus
  • Lactobacillus rhamnosus
  • Lactobacillus casei
  • Lactobacillus paracasei
  • Lactobacillus gasseri
  • Lactococcus lactis lactis
  • Lactococcus lactis cremoris
  • Streptococcus thermophilus
  • Streptococcus cremoris
  • Streptococcus faecalis
  • Streptococcus faecali
  • Acetobacter aceti
  • Saccharomyces cerevisiae
  • Saccharomyces humaticus
  • Saccharomyces delbruecki
  • Candida kefir
  • Candida holmii
  • Kluyveromyces lactis
  • Kluyveromyces marxianus

Do ponto de vista nutricional, o kefir possui essencialmente os mesmos componentes que seriam encontrados em sua matéria-prima. Ou seja, se for um kefir produzido a partir do leite de vaca, ele apresentará basicamente os mesmos nutrientes contidos nesse leite. Porém, pode haver uma tendência no aumento de algumas vitaminas, como piridoxina (vitamina B6), folato (vitamina B9), cobalamina (vitamina B12) e biotina [5]; ao mesmo tempo, em alguns casos já foi verificada a redução na concentração de algumas vitaminas, como tiamina (vitamina B1), riboflavina (vitamina B2) e a própria cobalamina (vitamina B12) [5].

Tais variações certamente dependem da composição de micro-organismos de cada grão de kefir, a qual normalmente é impossível de se conhecer — a não ser que você solicite que algum laboratório de análise de alimentos ou de microbiologia realize um teste (o que, cá entre nós, não vai acontecer). De qualquer forma, como as variações de nutrientes em relação ao alimento original (o leite) não são muito grandes, nem para mais e nem para menos, a questão da composição de nutrientes do kefir não é algo que vale a pena se preocupar.


Quais são os benefícios do consumo de kefir?

O kefir, devido ao processo de produção da fermentação, é um alimento muito semelhante ao iogurte. Só por esse motivo, teoricamente já valeria a pena consumi-lo. E eu explico o porquê disso.

Hoje sabemos que o consumo de laticínios em geral está diretamente associado a diversos benefícios na saúde. O iogurte, entre esses alimentos, é o que merece maior destaque, já que sua associação positiva é a mais consistente na literatura científica. O maior consumo de iogurte está diretamente relacionado à redução no peso e ao menor risco de diabetes, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica [9,10,11,12,13,14,15,16]. Inclusive, as evidências apontam que o consumo do iogurte e de outros laticínios em sua forma integral (com gordura saturada) seria ainda mais interessante para reduzir o risco dessas doenças crônicas [11,17,18,19,20].

Além da gordura — inclusive pelo fato de que o consumo de iogurte desnatado também parece ser positivo para a saúde —, presume-se que boa parte dos benefícios associados ao iogurte seja por ele ser um alimento fermentado, e que por esse motivo as bactérias (probióticos) presentes nesse alimento — através de uma série de mecanismos [21] — seriam capazes de influenciar positivamente a saúde intestinal e geral de quem o consome. Se esse realmente for o caso, a ingestão de kefir provavelmente levaria aos mesmos (ou possivelmente até mais) benefícios.

Além disso, estudos realizados com animais e células já verificaram que o kefir pode possuir uma série de outros benefícios, incluindo propriedades antifúngicas, antibacterianas e anticâncer, além de potencialmente melhorar a resposta imunológica [2,4,5,7,22]. Apesar de serem indiretas, essas evidências sugerem, novamente, que o kefir pode ser uma alternativa muito interessante para a saúde em geral.

Por fim, temos as evidências provenientes de estudos em humanos, que testaram a influência da ingestão de kefir sobre algumas doenças e condições clínicas. Não são muitos estudos (se alguém souber de outros, por favor comente!), então vamos a eles.


St-Onge et al. (2002) [23]

Em um ensaio clínico randomizado cruzado (padrão-ouro para se testar relações de causa e efeito), homens adultos consumiram leite ou kefir durante 4 semanas para testar, primariamente, o efeito dessas bebidas sobre os níveis de colesterol. Por ser um estudo com desenho cruzado (cross-over), todos os participantes passaram por ambos os tratamentos, ou seja, cada um bebeu tanto o leite como o kefir (em períodos distintos). Durante o período do estudo, os participantes foram instruídos a manter seus hábitos normais de alimentação.

A ingestão de nenhum dos dois tratamentos influenciou o colesterol total, o colesterol LDL (LDL-c), o colesterol HDL (HDL-c) ou os triglicerídeos. Por outro lado, o consumo de leite e o consumo de kefir levaram ao aumento nas concentrações de ácidos graxos de cadeia curta nas fezes dos participantes, um indicativo da maior produção dessas substâncias — o que é positivo, uma vez que os ácidos graxos de cadeia curta estão relacionados com uma série de efeitos positivos para a saúde, como maior atividade anti-inflamatória e melhora da saúde intestinal [24,25]. O estudo concluiu que o kefir não deve ser considerado como um alimento capaz de reduzir os níveis de colesterol. (E mesmo que reduzisse, qual seria a real importância disso? Mais sobre esse assunto em textos futuros).


Hertzler & Clancy (2003) [26]

Em outro ensaio clínico randomizado cruzado, mulheres e homens adultos com intolerância à lactose foram recrutados. Eles consumiram 5 tipos de laticínios em 5 ocasiões diferentes: leite semidesnatado, iogurte sem sabor, iogurte com sabor, kefir sem sabor e kefir com sabor. Novamente, por ser um estudo com metodologia cruzada, todos os participantes ingeriram todas as bebidas, numa ordem aleatória.

Ao final do acompanhamento, verificou-se que os dois tipos de iogurte e os dois tipos de kefir levaram a uma menor produção de hidrogênio no teste de hidrogênio expirado, o que indica menor concentração de lactose nesses alimentos e/ou maior capacidade do organismo em digerir a lactose presente neles. Além disso, o consumo de ambos os tipos de iogurte e de ambos os tipos de kefir levaram à redução entre 50% e 70% nos sintomas de flatulência, quando comparados ao leite. Logo, apesar de ser um derivado do leite, o kefir — assim como o iogurte [27] — parece ser uma bebida bem tolerada por pessoas com intolerância à lactose.


Merenstein et al. (2009) [28]

Nesse ensaio clínico randomizado duplo-cego, que dessa vez não teve cross-over — até porque as condições da pesquisa não permitiam esse tipo de desenho experimental —, os participantes do estudo foram crianças, com idade entre 1 e 5 anos de idade, que estavam utilizando antibióticos para combater infecções do trato respiratório. Como o uso de antibióticos pode induzir diarreia em crianças com infecções, o objetivo do estudo foi avaliar se a ingestão de kefir é capaz de influenciar quadros de diarreia. Durante as 2 semanas do estudo, as crianças receberam dois tipos diferentes de intervenção: kefir ou placebo (kefir tratado termicamente, com o objetivo de eliminar as bactérias e fungo presentes na bebida). Os pais foram orientados a evitar oferecer às crianças qualquer outro tipo de produto lácteo fermentado ou probióticos.

Durante e após o período de intervenção, não foram observadas diferenças estatísticas no número de episódios de diarreia entre as crianças que consumiram kefir ou placebo. Além disso, também não houve diferenças em outros parâmetros secundários que foram aferidos, como vômitos, dores abdominais, tosse, febre etc. Resumindo: o consumo de kefir não foi efetivo em melhorar ou prevenir sintomas associados à diarreia induzida pelo uso de antibióticos.


Turan et al. (2014) [29]

Esse estudo avaliou a influência do consumo de kefir em pacientes adultos, com constipação, que apresentavam dois ou mais dos seguintes sintomas (durante 12 ou mais semanas nos últimos 2 anos): duas ou menos evacuações por semana; fezes ressecadas; dificuldade ou esforço ao evacuar; sensação de evacuação incompleta; sensação de “bloqueio” no anus ou reto; ou uso de “manobras” manuais para auxiliar na defecação. Como não houve um grupo placebo, podemos dizer que esse foi um estudo não controlado — fato este que diminui a “força” do estudo, já que não é possível comparar o efeito da ingestão do kefir em relação à ingestão de um placebo. Os pacientes foram orientados a não consumir outras bebidas fermentadas derivadas do leite.

Após 4 semanas consumindo o kefir, apresentaram melhoras significativas nos seguintes parâmetros: frequência de evacuação, consistência das fezes e redução no uso de laxantes. De forma semelhante, os participantes do estudo demonstraram melhora subjetiva na sensação de “satisfação” com o funcionamento intestinal. Assim, os autores sugeriram que a ingestão de kefir parece ser positiva em melhorar os sintomas e demais manifestações clínicas da constipação.


Ostadrahimi et al. (2015) [30]

Mais um ensaio clínico randomizado, dessa vez avaliando o efeito da ingestão de kefir no controle glicêmico e perfil lipídico de pacientes com diabetes tipo 2. Nesse estudo, adultos com diagnóstico de diabetes tipo 2 foram divididos em dois grupos: ingestão diária de kefir ou de placebo. O grupo placebo consumiu outro tipo de leite fermentado, não muito bem descrito pelos autores do estudo; possivelmente era o doogh, uma bebida tradicional do Iran à base de iogurte (apesar do nome aparentemente não estar escrito de forma correta no artigo, se esse for o caso); ou possivelmente a bebida placebo era apenas um iogurte convencional. De qualquer maneira, o período de intervenção foi de 8 semanas, durante o qual os participantes foram orientados a não alterar outros hábitos de alimentação e saúde.

Depois do período de acompanhamento, foi observado que apenas os indivíduos que consumiram o kefir apresentaram redução significativa nos níveis de glicose e hemoglobina glicada (HbA1c), este último um importante marcador do controle glicêmico em pacientes com diabetes. E a diminuição nos níveis de glicose e HbA1c foram interessantes não apenas do ponto de vista estatístico, mas também do ponto de vista clínico, já que a redução foi de mais de 20 mg/dL para a glicemia e mais de 1% para a HbA1c; normalmente é muito difícil de ver, nos estudos, tratamentos (nutricionais ou farmacológicos) que levam a reduções superiores a 10 mg/dL e 0,5%, respectivamente, para esses parâmetros. Não foram verificadas alterações nos níveis de colesterol, triglicerídeos e peso corporal em nenhum dos participantes. Os autores concluíram, portanto, que a ingestão de kefir pode ser um adjuvante importante no tratamento do diabetes tipo 2.


Fathi et al. (2015) [31]

Nesse ensaio clínico randomizado, mulheres pré-menopausa foram divididas em três grupos: controle, leite e kefir. O grupo controle consumiu uma dieta padrão para manutenção de peso contendo, diariamente, 2 porções de laticínios desnatados. O grupo leite e o grupo kefir consumiram a mesma dieta, só que além das duas porções de laticínios desnatados já incluídas, ingeriram mais 2 porções de laticínios desnatados (total de 4 porções) ou mais 2 porções de kefir (total de 2 porções de laticínios desnatados convencionais + 2 porções de kefir), respectivamente. Para ficar claro: todos os grupos consumiram a mesma quantidade de calorias diariamente, o que foi possível verificar pelo adequado tipo de controle alimentar (diário alimentar) utilizado no estudo.

Após a intervenção, foi observado que o grupo kefir e o grupo leite perderam significativamente mais peso do que o grupo controle, além de terem apresentado maior redução na circunferência da cintura. Com esses resultados, fica claro mais uma vez que as calorias, dependendo da sua fonte e do contexto geral da alimentação, são interpretadas de formas diferentes pelo nosso organismo


Considerações finais

Como muitos já devem ter lido ou ouvido falar, temos bactérias "benéficas" e bactérias "maléficas" (ou "patogênicas") em nossos intestinos. (Às bactérias "benéficas" também damos o nome de probióticos). Esses termos são derivados de associações já verificadas com efeitos positivos e negativos, respectivamente, de alguns tipos específicos de bactérias que habitam nosso trato gastrointestinal. O que é extremamente interessante, porque a administração oral de algumas bactérias, como a Bifidobacterium lactis, por exemplo, consistentemente demonstram efeitos positivos sobre diversos aspectos da saúde humana [32,33,34,35,36,37,38].

Apesar disso, acredito que podemos não focar em apenas um, dois ou três tipos de bactérias. Não que seja "inútil" pensar em probióticos específicos para condições clínicas e patológicas específicas, mas acho que podemos ir um pouco além. Por quê? Porque apesar de ser um tema extensivamente pesquisado atualmente, ainda sabemos muito pouco sobre como os micro-organismos do intestino influenciam nossa saúde. Além disso, ainda temos muito a aprender sobre como a alimentação, por sua vez, pode modular a própria microbiota intestinal. (Para quem não está familiarizado, o termo microbiota intestinal se refere ao conjunto de micro-organismos que habitam nossos intestinos). 

Assim, ao invés de nos preocuparmos com tipos específicos de micro-organismos no intestino  o que talvez seja muito preciosismo (semelhante a contar calorias?!) , provavelmente é muito mais interessante focarmos na diversidade de bactérias, fungos e outros seres microscópicos que lá habitam, uma vez que a riqueza de micro-organismos no trato digestório já foi associada ao menor peso, à menor adiposidade corporal e à menor prevalência de doenças metabólicas, como obesidade e diabetes tipo 2 [39].

E por que estou falando tudo isso? Porque, apesar de não termos entrado em tantos detalhes sobre os micro-organismos em si, boa parte dos benefícios potencialmente relacionados ao consumo de kefir provavelmente se deve à modulação da microbiota intestinal, já que este é um alimento produzido a partir da fermentação do leite. E como o kefir é um alimento extremamente rico em dezenas de cepas de bactérias e fungos, o consumo dessa bebida invariavelmente levaria ao aumento na diversidade de micro-organismos presentes em nossos intestinos.

E ressalto mais uma vez: o consumo de kefir muito provavelmente confere os mesmos benefícios observados com a ingestão de iogurte. E talvez ainda mais, uma vez que a diversidade de micro-organismos presente no kefir é superior à encontrada nos iogurtes convencionais!


(O kefir de água não foi mencionado porque a literatura científica é bastante escassa de informações sobre esse tipo de kefir. Para quem se interessar sobre o que a ciência diz sobre ele, veja estudos aqui, aqui e aqui. Apesar de praticamente não haver evidências sobre a influência do kefir de água na saúde, humana ou animal, é bem possível que os benefícios sejam semelhantes aos observados para o kefir de leite).




Referências

1. Kabak B, Dobson AD. An introduction to the traditional fermented foods and beverages of Turkey. Crit Rev Food Sci Nutr. 2011;51(3):248-60.

2. Nielsen B, et al. Kefir: a multifaceted fermented dairy product. Probiotics Antimicrob Proteins. 2014;6(3-4):123-35.

3. Leite AM, et al. Microbiological and chemical characteristics of Brazilian kefir during fermentation and storage processes. J Dairy Sci. 2013;96(7):4149-59.

4. Guzel-Seydim ZB, et al. Review: functional properties of kefir. Crit Rev Food Sci Nutr. 2011;51(3):261-8.

5. Ahmed Z, et al. Kefir and health: a contemporary perspective. Crit Rev Food Sci Nutr. 2013;53(5):422-34.

6. Ertekin B, Guzel-Seydim ZB. Effect of fat replacers on kefir quality. J Sci Food Agric. 2010;90(4):543-8.

7. Lopitz-Otsoa F, et al. Kefir: a symbiotic yeasts-bacteria community with alleged healthy capabilities. Rev Iberoam Micol. 2006;23(2):67-74.

8. Magalhães KT, et al. Brazilian kefir: structure, microbial communities and chemical composition. Braz J Microbiol. 2011;42(2):693-702.

9. Huth PJ, Park KM. Influence of dairy product and milk fat consumption on cardiovascular disease risk: a review of the evidence. Adv Nutr. 2012;3(3):266-85.

10. Aune D, et al. Dairy products and the risk of type 2 diabetes: a systematic review and dose-response meta-analysis of cohort studies. Am J Clin Nutr. 2013;98(4):1066-83.

11. Kratz M, et al. The relationship between high-fat dairy consumption and obesity, cardiovascular, and metabolic disease. Eur J Nutr. 2013;52(1):1-24.

12. Kim J. Dairy food consumption is inversely associated with the risk of the metabolic syndrome in Korean adults. J Hum Nutr Diet. 2013;26 Suppl 1:171-9.

13. Astrup A. Yogurt and dairy product consumption to prevent cardiometabolic diseases: epidemiologic and experimental studies. Am J Clin Nutr. 2014;99(5 Suppl):1235S-42S.

14. Chen M, et al. Dairy consumption and risk of type 2 diabetes: 3 cohorts of US adults and an updated meta-analysis. BMC Med. 2014;12:215.

15. Dugan CE, et al. Increased dairy consumption differentially improves metabolic syndrome markers in male and female adults. Metab Syndr Relat Disord. 2014;12(1):62-9.

16. Cornier H, et al. Association between yogurt consumption, dietary patterns, and cardio-metabolic risk factors. Eur J Nutr. 2015 [Epub ahead of print].

17. Nestel PJ, et al. Effects of low-fat or full-fat fermented and non-fermented dairy foods on selected cardiovascular biomarkers in overweight adults. Br J Nutr. 2013;110(12):2242-9.

18. Kratz M, et al. Dairy fat intake is associated with glucose tolerance, hepatic and systemic insulin sensitivity, and liver fat but not β-cell function in humans. Am J Clin Nutr. 2014;99(6):1385-96.

19. Nestel PJ, et al. Specific plasma lipid classes and phospholipid fatty acids indicative of dairy food consumption associate with insulin sensitivity. Am J Clin Nutr. 2014;99(1):46-53

20. Santaren ID, et al. Serum pentadecanoic acid (15:0), a short-term marker of dairy food intake, is inversely associated with incident type 2 diabetes and its underlying disorders. Am J Clin Nutr. 2014;100(6):1532-40.

21. Bermudez-Brito M, et al. Probiotic mechanisms of action. Ann Nutr Metab. 2012;61(2):160-74.

22. Hong WS, et al. The antiallergic effect of kefir Lactobacilli. J Food Sci. 2010;75(8):H244-53.

23. St-Onge MP, et al. Kefir consumption does not alter plasma lipid levels or cholesterol fractional synthesis rates relative to milk in hyperlipidemic men: a randomized controlled trial. BMC Complement Altern Med. 2002;2:1.

24. Meijer K, et al. Butyrate and other short-chain fatty acids as modulators of immunity: what relevance for health? Curr Opin Clin Nutr Metab Care. 2010;13(6):715-21.

25. Lee WJ, Hase K. Gut microbiota-generated metabolites in animal health and disease. Nat Chem Biol. 2014;10(6):416-24.

26. Hertzler SR, Clancy SM. Kefir improves lactose digestion and tolerance in adults with lactose maldigestion. J Am Diet Assoc. 2003;103(5):582-7.

27. Savaiano DA. Lactose digestion from yogurt: mechanism and relevance. Am J Clin Nutr. 2014;99(5 Suppl):1251S-5S.

28. Merenstein DJ, et al. A randomized clinical trial measuring the influence of kefir on antibiotic-associated diarrhea: the measuring the influence of Kefir (MILK) Study. Arch Pediatr Adolesc Med. 2009;163(8):750-4.

29. Turan I, et al. Effects of a kefir supplement on symptoms, colonic transit, and bowel satisfaction score in patients with chronic constipation: a pilot study. Turk J Gastroenterol. 2014;25(6):650-6.

30. Ostradahimi A, et al. Effect of probiotic fermented milk (kefir) on glycemic control and lipid profile in type 2 diabetic patients: a randomized double-blind placebo-controlled clinical trial. Iran J Public Health. 2015;44(2):228-37.

31. Fathi Y, et al. Kefir drink leads to a similar weight loss, compared with milk, in a dairy-rich non-energy-restricted diet in overweight or obese premenopausal women: a randomized controlled trial. Eur J Nutr. 2015 [Epub ahead of print].

32. Arunachalam K, et al. Enhancement of natural immune function by dietary consumption of Bifidobacterium lactis (HN019). Eur J Clin Nutr. 2000;54(3):263-7.

33. Chiang BL, et al. Enhancing immunity by dietary consumption of a probiotic lactic acid bacterium (Bifidobacterium lactis HN019): optimization and definition of cellular immune responses. Eur J Clin Nutr. 2000;54(11):849-55.

34. Gill HS, et al. Enhancement of immunity in the elderly by dietary supplementation with the probiotic Bifidobacterium lactis HN019. Am J Clin Nutr. 2001;74(6):833-9.

35. Matsumoto M, Benno Y. Consumption of Bifidobacterium lactis LKM512 yogurt reduces gut mutagenicity by increasing gut polyamine contents in healthy adult subjects. Mutat Res. 2004 Dec;568(2):147-53.

36. Corrêa NB, et al. A randomized formula controlled trial of Bifidobacterium lactis and Streptococcus thermophilus for prevention of antibiotic-associated diarrhea in infants. J Clin Gastroenterol. 2005;39(5):385-9.

37. Waller PA, et al. Dose-response effect of Bifidobacterium lactis HN019 on whole gut transit time and functional gastrointestinal symptoms in adults. Scand J Gastroenterol. 2011;46(9):1057-64.

38. Maneerat S, et al. Consumption of Bifidobacterium lactis Bi-07 by healthy elderly adults enhances phagocytic activity of monocytes and granulocytes. J Nutr Sci. 2014;2:e44.

39. Le Chatelier E, et al. Richness of human gut microbiome correlates with metabolic markers. Nature. 2013;500(7464):541-6.



102 comentários:

  1. Olá João, muito bom o post!
    Tenho algumas dúvidas em relação aos probióticos.
    Quando consumimos leite fermentado industrializado tipo yakult (apesar que não tenho hábito de consumir devido a quantidade de açúcar na composição), também podemos ter os benefícios do kefir?
    Costumo consumir um queijo branco ultrafiltrado com probióticos (bifidobactérias), este também teria os mesmos benefícios do kefir?
    Como garantir que estes micro organismos chegarão vivos ao intestino após entrarem em contato com o HCL no estômago?

    Grato!

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    1. Olá, Ulisses.

      Pra qualquer alimento específico, estudos específicos devem ser feitos para que possamos tirar a conclusão de haver o benefício X ou Y. Por exemplo, o alimento fermentado que já foi mais extensivamente estudado é o iogurte convencional. Nesse caso, apesar de nem todos os estudos mostrarem que a ingestão de iogurte altera a composição da microbiota intestinal de forma significativa, a literatura é bem clara em mostrar que esse é um alimento que possui uma série de benefícios relacionados à saúde (peso, sensibilidade à insulina, marcadores metabólicos etc).

      Ou seja, é possível que pequenas alterações na microbiota sejam suficientes para proporcionar efeitos positivos. No caso do queijo ao qual você se refere, não tem como ter total certeza, mas dá para especularmos. O fato de ele ser enriquecido com bifidobactérias abre a possibilidade dele proporcionar, sim, benefícios. Porém, é preciso se atentar ao número de cepas e à quantidade de micro-organismos de cada cepa.

      Diferentemente do iogurte, e principalmente do kefir, é bem possível que o número de cepas e a quantidade total de bactérias em cada uma delas sejam ambos inferiores no queijo. Tendo isso em mente, imagino que seja mais difícil que eles proporcionem os mesmos benefícios do kefir.

      Em relação à sobrevivência dos micro-organismos, a única forma realmente efetiva de garantir que eles vão chegar vivos ao intestino é por meio da utilização de cápsulas resistentes ao HCl. E isso só se aplica à suplementação isolada de probióticos, e não aos alimentos que os contêm. Por outro lado, como mencionei acima, temos o fato de que o iogurte, mesmo sem causar alterações tão evidentes na microbiota -- o que sugere que o número de bactérias que chegam ao intestino talvez não seja tão grande --, pode conferir vários benefícios. Ou seja, a preocupação com o HCl provavelmente não é algo tão importante.

      Obrigado pela leitura!

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    2. Bom dia João
      Obrigado pelo esclarecimento!
      Consumo, em média, três iogurtes integrais de 170g por semana, escolho uma marca que só tem como ingredientes, o creme de leite e o fermento lácteo, ou seja sem aditivos, e ele é produzido com leite tipo A, que acredito ser mais seguro em relação ao leite UHT.
      Então, de acordo com o que consta na literatura científica, estou tendo algum benefício à microbiota, correto?
      Se puder enviar o link para leitura de algum estudo sobre o iogurte que você considera bom, ficarei agradecido.
      Mais uma vez, sem palavras para agradecer a sua atenção e por compartilhar seu conhecimento!
      Até mais!

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    3. É bem possível que você esteja tendo benefícios na saúde devido ao consumo do iogurte, mas não necessariamente todos eles são mediados por alterações na microbiota. Isso acontece justamente pelo que eu disse: a consistência no proporcionamento de benefícios pelo consumo de iogurte parece ser superior à frequência com que alterações na microbiota acontecem com a ingestão desse alimento; ou seja, parte dos efeitos positivos provenientes do consumo de iogurte parecem acontecer, pelo menos em parte, independente de alterações na microbiota. Mesmo assim, no final o que importam são os benefícios em si.

      Coloquei vários links para estudos sobre a relação entre o consumo de iogurte e saúde. Mas um dos melhores é essa revisão, que tem acesso livre:

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24695891

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  2. Muito bom o texto!
    Só complementando o que foi falado sobre o HCL, ao que tudo indica, os fragmentos microbianos que chegam no intestino sinalizam para as bactérias já presentes no intestino se multiplicarem. Ou seja, mesmo as bactérias probióticas chegando mortas no intestino, ainda assim serviriam de estímulo para aumento do número de bactérias probióticas nativas.
    Portanto, não há necessidade que essas bactérias cheguem vivas ao intestino, mesmo mortas elas têm efeito benéfico. :)

    Estou cultivando meu kefir, em breve terei de sobra pra doação! Está sendo muito bem alimentado com leite integral tipo A :D

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    1. Excelente, Shila. Muito obrigado pelo complemento e pela leitura!

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    2. Também agradeço a informação complementar, Shila.
      Abraço

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    3. Não entendi essa questão de chegar bactérias mortas, pode me explicar João Gabriel?
      Elas não exercem função de liberação de substancias benéficas? como seriam se fossem mortas?

      E em relação aos probióticos em capsulas? não ruins?

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    4. Mesmo que as bactérias não cheguem vivas ao intestino, existem algumas evidências que sugerem que os fragmentos bacterianos, gerados durante a morte delas, também seriam capazes de estimular o crescimento de outros micro-organismos já presentes no intestino. Ou seja, as bactérias não necessariamente precisariam chegar vivas ao intestino para exercer um efeito benéfico.

      Não, os probióticos em cápsulas não são ruins. Parte deles chegará viva ao intestino, enquanto que outra parte não chegará (a não ser que sejam cápsulas resistentes à ação do suco gástrico, que aumenta a viabilidade das bactérias). De qualquer maneira, tanto os probióticos vivos como os fragmentos bacterianos podem promover benefícios.

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  3. Sempre seus textos são bem esclarecedores e cheios de referência, mostrando que a ciência pode ser acessível :D
    Mas, eu tenho uma dúvida que ainda não souberam me responder: sobre a modificação das informações nutricionais durante o processo de leite para kefir.

    Os carboidratos, obviamente, diminuem, no processo de fermentação. Mas tenho curiosidade de saber qual seria a composição final de um kefir de leite integral, fermentado em 24hs, por exemplo. Será que os carbos são totalmente zerados (isso por curiosidade mesmo)

    obrigada

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    1. Olá, Maira. Primeiramente, muito obrigado pela leitura!

      O leite integral normalmente possui a seguinte composição:

      - Proteínas: 2,5%
      - Gorduras: 3,5%
      - Lactose: 5,0%

      Após a fermentação com grãos de kefir, fica mais ou menos assim (digo "mais ou menos" porque tanto a composição do leite como a dos grãos de kefir são variáveis):

      - Proteínas: 4,5%
      - Gorduras: 2,5%
      - Lactose: 3,5%

      Ou seja, a quantidade de carboidratos é reduzida em aproximadamente 30%. Como a lactose é metade glicose e metade galactose, ambos caem de forma igual. A glicose é utilizada pelos micro-organismos como fonte de energia, gerando ácido láctico como produto final. A galactose, por sua vez, é direcionada para a constituição do kefiran.

      Tanto a redução total de lactose como a presença de micro-organismos capazes de digeri-la são responsáveis por fazer com que indivíduos com intolerância à lactose sejam capazes de tolerar melhor o kefir do que o leite.

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    2. Muito Obrigada! E as proteínas tb aumentam.
      Sim, entendo que é um valor aproximado, mas muito interessante
      :)

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  4. Olá. Estava lendo sobre alimentação e cheguei até aqui. Então estava assistindo a drª Denise Carreiro nutricionista (li seu material sobre o tema, mas fiquei em dúvida, há duas posições, sendo ela tbm nutricionista como vc, são apenas duas correntes de pensamentos?) no link que segue; https://youtu.be/J4TVq4RyFMI

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    1. Olá, Miron.

      A ideia que o consumo de laticínios pode causar problemas surgiu com a chegada da "Nutrição Funcional" ao Brasil. Desde que ela se instaurou por aqui, a "Nutrição Funcional" vem moldando a formação de grande parte dos nutricionistas que se formaram recentemente e, também, de profissionais mais experientes que resolveram se manter atualizados.

      Porém, existe uma consideração muito importante a se fazer acerca da "Nutrição Funcional". Infelizmente, muitas das ideias difundidas por ela não são baseadas em ciência de verdade. O pessoal da "Nutrição Funcional" muitas vezes pecam no seguinte: utilizam estudos com células ou com animais, ou estudos observacionais, para formular suas hipóteses. Ou seja, utilizam estudos que não deveriam, e não podem, ser utilizados para inferir relações diretas sobre a influência de qualquer variável sobre a saúde humana. E, infelizmente, é isso que a "Nutrição Funcional" faz também para o leite.

      A "Nutrição Funcional" diz que o leite pode causar uma série de problemas, de inflamação a alergia, de aumento na permeabilidade intestinal a câncer. Porém, todas essas alegações em relação aos prejuízos causados pelo consumo de laticínios tem uma base de sustentação científica extremamente fraca (no máximo!) para serem utilizadas como evidências. Ao contrário, algumas dessas hipóteses são literalmente falsas. A questão da inflamação é o maior exemplo disso. A "Nutrição Funcional" -- assim como outros profissionais que não necessariamente se alinham totalmente a ela -- insistem em dizer que os laticínios causam inflamação. Porém, eu te afirmo categoricamente que isso simplesmente não é verdade. Ao contrário, a ciência mostra que o leite não tem nenhum impacto muito grande sobre parâmetros inflamatórios; porém, quando tem, a tendência é que o leite seja ANTI-INFLAMATÓRIO.

      Vale ressaltar que as evidências que mostram que os laticínios são neutros ou anti-inflamatórios são derivadas de estudos denominados ensaios clínicos. Esses são considerados como padrão-ouro de evidência científica, a partir dos quais podemos inferir relações de causa e efeito:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/12/tipos-de-estudos-cientificos.html

      Além disso, em vez de nos preocuparmos com efeitos específicos individuais que o consumo de leite pode causar, podemos avaliar se eles fazem bem ou não a partir de estudos de revisão (que juntam estudos observacionais e ensaios clínicos). As referências de 9 a 16, no texto acima, mostram claramente que, de maneira geral, os laticínios podem trazer vários benefícios à saúde, incluindo perda de peso e diminuição no risco de diabetes e doenças cardiovasculares. E não sou eu que to dizendo isso; é a ciência.

      E por falar em referências, segue os links para os dois últimos estudos de revisão falando sobre o leite não ser inflamatório:

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23446894
      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26287637

      É por essa e mais outras que nem tudo o que se houve deve ser acreditado (não que você tenha comprado a ideia dela). Quando se lê um texto sobre nutrição ou alimentação, é relativamente fácil julgar se aquele material tem qualidade e embasamento científico. Porém, o mesmo não pode ser dito para um vídeo; simplesmente não tem como a pessoa que está falando ficar citando fontes bibliográficas (a não ser que seja uma palestra com slides etc). Por isso que é preciso ter um pé atrás com tudo o que se lê, se ouve e se vê na internet.

      (O termo "Nutrição Funcional" apareceu sempre entre aspas porque, no fundo, ele provavelmente nem deveria ser aplicado. Nutrição é Nutrição; ela SEMPRE ter que ser funcional).

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    2. Excelente resposta. Quisera que todos os profissionais da saúde tivessem esta honestidade e simplicidade bacana em fazer uma exposição real do quadro inteiro, falam como se donos fossem do que exatamente ocorre nos processos em sua totalidade, avaliam alguns pontos como se tivessem a visão do todo, foi muito boa a sua explanação do que ocorre nesta corrente de nutris funcionais, como se os demais não tivessem funcionalidade, e fossem bobocas. Agradeço a clara e sensata resposta.

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  5. Parabéns pelo post, muito bacana, sensato e objetivo. Acima de tudo bem claro.

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    1. Obrigado, Alexandre. Agradeço muito a leitura e os elogios!

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  6. Olá João!
    Parabéns pelo post.
    Será que posso consumir kefir de leite?
    Sou intolerante à lactose
    Obrigado.

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    1. Olá!

      O grau de intolerância à lactose varia de pessoa pra pessoa, e por isso a quantidade tolerada não é a mesma entre indivíduos diferentes. Uma quantidade de 200 mL de leite, por exemplo, pode causar sintomas em algumas pessoas e em outras, não.

      De qualquer maneira, iogurte, kefir e queijo são mais bem tolerados por todo mundo que tem intolerância à lactose; algumas pessoas que são intolerantes à lactose às vezes podem consumir à vontade esses alimentos.

      Se quiser, vá testando gradualmente. Comece com 100 ou 200 mL e vá aumentando aos poucos, de 50 em 50 mL ou de 100 em 100 mL, até ver a quantidade que o seu organismo tolera.

      Boa sorte e obrigado pela leitura!

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  7. O gosto do kefir lembra o do iogurte? Pergunto isso porque já ouvi falar muito bem do kefir, porém não gosto de iogurte (para mim, tem gosto de leite azedo).

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    1. Olá, Flavio.

      O kefir, assim como o iogurte, possui um gosto azedo. Porém, como o preparo da bebida seria feito por você mesmo (ao passo que, no caso do iogurte, as pessoas normalmente compram o alimento já pronto), você tem controle sobre o tempo de fermentação. Assim, deixando o kefir fermentar por menos tempo (inferior a 18-24 horas) vai fazer com que ele fique menos azedo.

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    2. Ah,que bom. Tinha vontade de experimentar o kefir, mas ficava pensando que, se tem gosto de iogurte, era melhor nem tentar. :)

      Engraçado que gosto de chucrute, que é azedo pelo mesmo motivo (ácido lático), mas nunca consegui gostar de iogurte.

      Obrigado!

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    3. Que isso, eu que agradeço a leitura!

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  8. Boa tarde, João Gabriel. Obrigado pelas informações.
    Agora, me surgiu uma dúvida:
    E quanto ao iogurte ´caseiro` feito de leite integral tipo A fervido e iogurte integral (me refiro àquele no qual fervemos o leite, esperamos esfriar um pouco e misturamos com um iogurte integral e deixamos descansando até o dia seguinte).
    Quais suas propriedades? Se assemelham às informações nutricionais do potinho do iogurte? Tem bactérias benéficas? Seu consumo é recomendado em uma dieta LCHF?
    Muito obrigado e parabéns pelo seu trabalho.
    Abraço!

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    1. Olá!

      Os benefícios associados ao consumo do iogurte caseiro serão semelhantes, ou até superiores, aos observados nos estudos com iogurte comum, como redução no risco de obesidade, diabetes tipo 2, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.

      Digo que os benefícios podem ser até maiores porque, no caso dos estudos que buscam relação entre iogurte e saúde, até mesmo os iogurtes adicionados de açúcar são incluídos nessa categoria. Logo, se em nível populacional até o consumo do iogurte com açúcar pode estar associado a benefícios, é provável que a ingestão de iogurte natural (industrializado ou caseiro) seja até melhor.

      Em relação à composição nutricional, ela será sim semelhante à observada no rótulo do iogurte natural industrializado. E, sim, as bactérias estarão lá, justamente devido à utilização do iogurte de potinho.

      Agora, o consumo de laticínios numa dieta LCHF vai de acordo com o que a pessoa achar adequado. Existe um equívoco por muitos seguidores de dietas Paleo e LCHF que o "mal" dos laticínios é a presença de carboidratos (lactose). Os laticínios levam ao aumento nos níveis de insulina? Sim, mas por causa das proteínas contidas neles, e não pelos carboidratos. A lactose em si possui um estímulo quase que negligenciável sobre os níveis de insulina.

      Logo, deve ser avaliado se o objetivo das dietas LCHF é reduzir carboidratos ou se é reduzir insulina. Na minha opinião, a questão é a insulina. Ou seja, se você tem um carboidrato que praticamente não leva ao estímulo da insulina, como é o caso da lactose dos laticínios, colocar a lactose no mesmo "barco" dos outros carboidratos talvez não seja a avaliação mais adequada.

      Por outro lado, as proteínas dos laticínios (incluindo o iogurte) estimulam de forma significativa a secreção de insulina. Ou seja, no final das contas os laticínios levam ao aumento nos níveis de insulina após o seu consumo.

      Por isso, é uma questão de avaliar qual é o seu objetivo com a sua própria dieta. Por exemplo, se você já consome queijo e tem observado benefícios, eu diria que você provavelmente vai continuar bem. Muita gente não sabe, mas os queijos também levam a um estímulo considerável de insulina (um pouco menor que do iogurte, mas ainda sim algo importante).

      Além disso, muita gente acha que insulina é tudo, mas não é. Pretendo escrever um pouco mais sobre isso em breve, só que são tantos detalhes que não dá pra comentar por aqui.

      Assim como qualquer coisa que envolve alimentação, não custa testar.

      Obrigado pela leitura!

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  9. Obrigado pela excelente resposta!
    Geralmente consumo pela manhã pela praticidade, misturando ao coco e chia. Junto como dois ovos cozidos.
    Raramente ingiro carboidratos, então acredito que não tenha problema ingerir possíveis carbos ou elevar insulina por conta deste iogurte, afinal, no final do dia, tenho saldo pequeno de ingestão de carbos.
    No mais é isso, muito obrigado pelas informações, disposição e agilidade pela rápida resposta.
    Abraço!

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  10. Sei que nesse Site tem doadores de Kefir (Probiótico) em todo o Brasil e também quem tiver para doar pode se cadastrar: http://probioticosbrasil.wix.com/probioticosbrasil

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  11. Eu quero muito, será que esses sites são confiáveis?

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  12. Muito boa esclarecedora a matéria.

    Faço uso do Kefir há muitos anos e sinto-me muitíssimo bem de saúde, sobretudo, em relação ao trato gastrointestinal.

    Recomendo o consumo do Kefir e não recomendo o leite fermentado industrializados, pois neste a adição de açúcar é muito grande.

    O Kefir deve ser consumido, preferencialmente, ao natural, ou com frutas e legumes (cenoura, beterraba, maçã e laranja, por exemplo), batidos no liquidificador.

    Se for adoçar, use mel ou açúcar mascavo.

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  13. Faço doação de kefir de leite em Belo Horizonte, moro no bairro Graça, tem que buscar no local. e-nail: venturarogerio@bol.com.br

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  14. Quando estamos com diarreia, qual o melhor pra consumir? o de leite ou de água.

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    1. Olá, Beth.

      Temos apenas um estudo, que foi citado no texto, que testou especificamente o uso de kefir em quadro de diarreia. No caso, esse trabalho foi com kefir de leite. Porém, não teve efeito positivo algum, nas crianças do estudo, quando comparado ao placebo. Como não temos estudos com kefir de água, não podemos ter certeza sobre seus efeitos.

      Porém, vale ressaltar que outros estudos que usaram probióticos isolados ou que usaram outros alimentos que contêm probióticos já observaram efeitos positivos em casos de diarreia. Assim, considerando que a composição de um kefir para outro sempre muda, ainda assim é possível que qualquer kefir por aí, seja de água ou de leite, venha a trazer efeitos positivos em casos de diarreia.

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  15. Parabéns pelo post!

    Existem muitas informações sobre o kefir na internet, a maioria delas fala sobre muitos benefícios, porém nenhuma dessas informações possuem dados científicos.

    Estou tomando o leite fermentado pelo kefir faz 9 meses. Meu objetivo inicial era a redução do colesterol, que assim como em algumas das fontes mencionadas, não foi influenciado pelo kefir.

    Seu artigo foi muito útil para que eu pudesse identificar os reais benefícios do kefir e decidir se devo continuar tomando ele ou não.

    Obrigada!

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    1. Eu que agradeço pela leitura, Luciana!

      O que você falou sobre usar as evidências científicas para decidir continuar ou não com o uso do kefir faz todo sentido, mas lembre-se de uma coisa: só porque o kefir nunca foi estudado para uma determinada finalidade, isso não quer dizer que ele não funcionaria.

      Além disso, mesmo que alguns dos estudos que já foram publicados não tenham sido positivos, isso também não quer dizer que o kefir não possa ajudar nessas condições. Para cada uma das finalidades, é possível perceber que são poucos estudos até o momento; às vezes são necessários muitos estudos para que uma hipótese seja realmente confirmada ou descartada.

      As evidências existentes ajudam a nos guiar, mas o mais importante de tudo é experimentar por conta própria, como você mesma fez.

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  16. Muito bom artigo. No kefir há uma grande variedade de bacterias boas, mas e em relação a quantidade? Para quem tem um desequilibrio muito grande na microbiota do intestino, pode se beneficiar?

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    1. Olá.

      Assim como para a variedade, as quantidades tendem a ser elevadas (ou no mínimo suficientes) para serem potencialmente benéficas até mesmo para quem possa ter um grande desequilíbrio na microbiota intestinal.

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  17. Sobre o leite ter antibioticos, hormonios, vacas que são forçadas a ficar prenhas e com isto um aumento do estrogenio, adição de soda caustica, formol, etc.Será que os lactobacilos do kefir são capazes de se sobrepor a tantos venenos |?

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    1. Olá.

      Se o leite tiver esses problemas, as bactérias do kefir provavelmente não vão sobrepor possíveis efeitos negativos.

      Mas a questão é: esses realmente são problemas que vêm com o consumo de leite, principalmente considerando que os estudos tendem a mostrar efeitos neutros ou positivos com a ingestão de laticínios?

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  18. Parei de ler quando a matéria informa erroneamente que o kefir é do leite. São dois tipos, se informem melhor.
    Caso tenha havido menção do kefir de água, me avisa que eu volto pra ler.

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    1. Olá, Eli.

      Se você tivesse lido até o final, teria visto a parte referente ao kefir de água, e por que ele só foi mencionado no fim do texto. Sem pressa e sem julgamentos, podemos chegar mais longe.

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  19. O LAIR RIBEIRO DIZ QUE O MELHOR KEFIR É DE LEITE DE COCO
    É VERDADE?

    ELE DIZ QUE NÓS NÃO PRECISAMOS BEBER LEITE

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    1. Olá.

      Só existem estudos com kefir de leite de vaca. Então não podemos afirmar quase nada sobre o efeito de outros tipos de kefir sobre a saúde humana.

      O Lair Ribeiro provavelmente afirma que o kefir de leite de coco é o melhor por acreditar no que você mencionou no final do seu comentário: ele diz que não precisamos consumir leite (por achar que é um alimento não saudável). Mas até mesmo essa ideia é bem questionável, tendo em vista que a literatura científica no geral mostra efeitos neutros ou positivos do consumo de leite de vaca sobre a saúde humana.

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  20. voltando a questão do consumo do leite e observando o comentários de alguns médicos a respeito do consumo dele (não somente Dr. Lair, mas também o Dr. Patrick), como fica a questão da ingestão do leite quando se falam que aos mesmos são adicionados antibióticos, hormônios, vacas que são forçadas a ficar prenhas e com isto um aumento do estrogênio?

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    1. Olá.

      Ótima pergunta. Esses são questionamentos muito válidos, porque realmente poderiam fazer do leite um alimento potencialmente prejudicial.

      Infelizmente, o assunto é muito complexo para eu poder falar em apenas um único comentário. Pretendo escrever em breve sobre esse assunto, porque considero ser bem importante, principalmente porque a maior parte da população mundial consume laticínios.

      Por enquanto, posso resumir da seguinte forma: com as evidências que temos até hoje, não é possível concluir que o leite é prejudicial à saúde, mesmo que seja influenciado negativamente por esses problemas que você mencionou. Por um simples fato: no geral, os grupos populacionais que consomem mais laticínios não possuem mais problemas de saúde.

      Por outro lado, existem sim evidências (não são tantas, mas existem) de que os problemas que você mencionou, que a princípio são teóricos, sejam realmente problemas na prática. O simples fato de haver estudos que poderiam colocar o leite como um alimento potencialmente prejudicial é suficiente para que preocupações de saúde sejam legítimas.

      Por isso, é compreensível que alguns defendam o leite, e é compreensível que alguns sejam contra (apesar de, em ambos os casos, muitas vezes os argumentos usados sejam “errados”). A decisão fica na mão de quem consome. Se a escolha por consumir ou não consumir laticínios puder ser feitas com base em informações e evidências, melhor.

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    2. Quero parabeniza-lo pela ética e profissionalismo... Vc não chama ninguem de mentiroso ou faz deboches como tem por ai... Parabéns por ser como é João Gabriel. Continue assim, estudando e nos mostrando informações.... Se vai tirar ou não é problema da pessoa..... E tudo nessa vida tem lado A e B... Não existe verdade absoluta...

      Obrigada

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  21. sou marlene, de são paulo capital.
    meu filho é gastroentrologista e me disse que não é verdadeiro essa história de probioticos no sistema imunologica. Disse que as pessoas usam termos como segundo cerebro para vender capsulas de probioticos usados em diarreia
    falo mesmo

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    1. Olá, Marlene.

      Sinto informar que a sua fonte de informações parece estar desatualizada. Existem centenas de trabalhos científicos mostrando a relação entre a microbiota e o sistema imunológico. Além disso, várias outras evidências sugerem um efeito modulador do sistema imune por probióticos.

      Apesar disso, existe uma certa verdade no que você falou. Muitas das evidências que temos até o momento sobre probióticos são indevidamente extrapoladas, e boa parte disso acontece devido a interesses comerciais. Ou seja, existe sim uma certa "manipulação" do conhecimento que temos hoje para propagarem supostos benefícios dos probióticos que ainda não foram cientificamente demonstrados.

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  22. Boa noite João! Muito legal vc abordar o kefir nessa página!!
    Os lactobacilos ingeridos pelo kefir e pelos probioticos chegam vivos ao intestino? o pH do estomago os matam?
    Obrigada!!!

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    1. Olá.

      Alguns dos micro-organismos ingeridos nos suplementos ou nos alimentos que contêm probióticos não chegam vivos até o intestino. Mas os que chegam costumam ser suficientes para exercer efeitos positivos, desde que a quantidade inicial não seja muito pequena (acredito que a maior parte dos profissionais e a maior parte dos suplementos disponíveis prescrevem e oferecem, respectivamente, doses viáveis).

      Além disso, como comentou a Shila em um dos comentários acima, existem evidências sugerindo que até mesmo os micro-organismos que não chegam vivos podem ter um papel importante. Nesse caso, alguns componentes das bactérias, por exemplo, como elementos da estrutura celular ou do material genético, seriam capazes de modular a microbiota intestinal.

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  23. Boa noite!! Achei muito interessante essa matéria! Li esse texto 3 vezes seguidas para absorver ao máximo as informações e ainda vou ler os artigos

    Minha nutricionista segue uma linha meia rigorosa e sei sua opinião a respeito, ela não recomenda leite de vaca e orienta o não consumo. Entretante, recentemente ela aderiu a yorgus grego, que embora seja de leite de vaca, é fermentado por cepas de probióticos.... A minha pergunta é: de fato esses probióticos são vivos lá? eles fermentam o leite? reduzem a capacidade inflamatória da caseína A1?

    Obrigada

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    1. Olá.

      Primeiro é importante mencionar que as evidências que temos até hoje indicam que, na maioria dos leites, a caseína, nem mesmo a caseína A1, parece ser inflamatória (existem sim evidências que podem sugerir o contrário, mas a ciência é assim).

      Em relação às bactérias probióticas: sim, elas estão presentes nos iogurtes. Não só no grego, mas em todos os iogurtes. Justamente porque são eles que realizam o processo de fermentação do leite para o iogurte.

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    2. inflama sim.. a maioria das rinite é causada por sensibilidade a caseína... faz a experiência, tira dos seus pacientes e veja a diferença. No Brasil há um lobby muito grande de laticício

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    3. Dizer que inflama ou não inflama, só por dizer, não significa nada. É apenas mais uma opinião. Qualquer um pode dar opiniões, mas nem todas as opiniões condizem com a verdade.

      Por outro lado, a experiência individual das pessoas e a experiência clínica dos profissionais são importantes. Elas ajudam, mas não tem rigor científico, e por isso podem ser influenciadas por confundimentos. Elas são úteis para entendermos como o corpo funciona, mas na maioria dos casos não permitem afirmar nada de conclusivo.

      A única forma de se fazer é isso é com base em estudos. Precisamos de evidências científicas para afirmarmos alguma coisa na nutrição e nas ciências da saúde. Em relação aos laticínios, a maior parte da literatura parece claramente indicar que não há um efeito inflamatório, e possivelmente um efeito anti-inflamatório.

      Em breve pretendo escrever um texto sobre isso. Então fique por perto, caso queira ver o que a ciência tem a nos apresentar.

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  24. Esses probióticos, principalmente lactobacilos, não são produtores de ácido láctico? Isso não seria ruim? acidificar o intestino?

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    1. Olá.

      A acidificação do intestino não é ruim. Ao contrário: existem evidências sugerindo que a maior acidificação no intestino, principalmente devido à produção de ácidos graxos de cadeia curta, é um fator importante para a redução do risco de câncer, por exemplo.

      O ácido lático não é intrinsecamente prejudicial, nem pela acidez e nem por outros motivos. Isso não significa que não existem problemas de saúde em que a produção de ácido lático, por exemplo, se torna aumentada. Mas significa que, mesmo nesses casos, a maior presença de ácido lático é uma consequência, e não uma causa, de um possível problema.

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  25. Boa noite, João
    Queria saber sua opinião sobre hipersensibilidades, mediadores e exames laboratoriais.
    Atualmente tenho lido muito a respeito, e é impressionante a discrepância de informações entre alguns artigos, e alguns posicionamentos das sociedades médicas. Já estudou as hipersensibilidades mediadas por IgG? Conhece um exame que mede esses parâmetros para diversos alimentos? Já li muito trabalho sério publicado a respeito, entretanto os posicionamentos que leio afirmam que não há evidências que IgG contra algum alimento significa que ele está sendo deletério ao organismo.

    Desde já agradeço sua opinião
    Vinícios.

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    1. Olá, Vinícios.

      Essa não é uma área sobre a qual eu tenho conhecimento aprofundado. Mas realmente existem informações "conflitantes", principalmente porque as evidências para embasar a relação entre níveis de IgG a hipersensibilidade são relativamente escassas.

      Além disso, o corpo é um sistema muito complexo. Por exemplo, existem muitos casos de doença autoimune que não levam ao aumento de auto-anticorpos, ao mesmo tempo em que uma maior concentração sanguínea de auto-anticorpos não necessariamente se manifesta como uma doença autoimune.

      Hoje, falando do ponto de vista de evidências científicas, até onde sei não há exames realmente precisos em identificar hipersensibilidades. As chances de falsos positivos e falsos negativos são relativamente elevadas.

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  26. Boa noite
    Fui num curso do Murilo Pereira da MVP nutrição e ele disse que teve que engolir essa ( sobre o kefir de leite ) disse que teve uma brasileira que fez um trabalho muito legal no Brasil sobre o kefir de leite.... mas que beber leita ninguem deveria tomar.... Não quis perguntar pq não sou expert no assunto e fiquei com vergonha, mas pq excluir leite se não tem alergia ou intolerancia?

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    1. Olá.

      Considerando a literatura científica como um todo, não existem evidências suficientes para recomendar a exclusão de laticínios para pessoas sem alergia ou intolerância. É simples assim.

      Porém, existem alguns pontos que podem ser um tanto quanto preocupantes, caso venhamos a entender um pouco mais sobre eles. Falei sobre alguns deles em um comentário acima. Você pode usar o Ctrl+F e procurar por "potencialmente prejudicial" para encontrar esse comentário com mais facilidade.

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  27. Oi. Boa noite, sou Matheus tenho 17 anos de MG
    Sigo os conselhos do Dr Lair Ribeiro e ele recomenda o uso de Yakult 40 e qualquer outros alimentos probióticos

    Eu já uso Tofu, gostaria de conseguir o Yakult 40, mas não encontro ele em Juiz de Fora, o Yakult normal tambem ajuda na flora intestinal?

    Obrigado!

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    1. Olá, Matheus.

      O Yakult normal provavelmente ajuda sim. Os sites brasileiro e americano da marca não informam a quantidade de lactobacilos em cada frasco do produto, mas os sites do Reino Unido e da Austrália dizem que a quantidade é de 6,5 bilhões de bactérias.

      http://www.yakult.co.uk/about-yakult/what-is-yakult
      http://yakult.com.au/product-key.html

      Apesar de conter consideravelmente menos bactérias do que é alegado para o outro produto, o Yakult 40 (40 bilhões de bactérias), ainda sim é uma quantidade que pode ajudar.

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    2. Boa tarde, João. Sou eu de novo.
      Se eu te contar vc não acredita, fui no mercado Empório com a minha mãe hoje, e pelo incrivel que pareça, o Yakult 40 chegou ontem na loja.... Mesmo preço que o outro e muito gostoso!
      Obrigado pela suas informações.... Valeu!

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  28. OLá em relação a coenzima Q10 ela pode ser obtida através de alimentos? é uma vitamina?
    tambem estou usando ubiquinona sub-lingual...o médico mandou tomar pra vida toda... corro risco de suprimir a produção interna?

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    1. Olá.

      A produção interna pode até vir a diminuir (mas talvez não). Mesmo assim, isso só aconteceria enquanto a suplementação ocorrer. Ou seja, não seria um problema. A coenzima Q10 não é classificada como uma vitamina, porque até o momento considera-se que o corpo consegue produzir quantidades suficientes dela para suprir nossas necessidades.

      Carnes e peixes (principalmente coração e fígado), oleaginosas (nozes e castanhas) e leguminosas ricas em gorduras (amendoim e soja) são importantes fontes de coenzima Q10 na alimentação. Os óleos dessas leguminosas e das oleaginosas também são boas fontes (incluindo o azeite de oliva), porque ela é um composto lipossolúvel.

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    2. Nossa não sabia. Posso usar óleo de soja então? ou farinha de soja°? proteína de soja??

      Adorava leite de soja até me falar que fazia MAL

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    3. Eu não recomendaria o uso do óleo de soja. Nesse caso, a questão não seria necessariamente a soja em si, mas sim o fato de ser um óleo refinado. Óleos refinados possuem resíduos químicos do processo de extração, além da formação de compostos potencialmente tóxicos.

      Em relação aos outros produtos derivados da soja, não dá pra dizer com tanta certeza. No fundo, a maior parte da literatura científica indica que a soja é um alimento neutro ou até positivo para a saúde. Mas existem também algumas evidências que poderiam sugerir potenciais efeitos negativos. Por isso, no geral, eu não costumo recomendar produtos derivados da soja.

      Até porque alternativas não faltam. E alternativas não processadas. Note como é extremamente difícil encontrar a soja como alimento. Você encontra derivados da soja (alimentos processados), mas nunca o grão da soja (alimento não processado). Com outras sementes, oleaginosas e leguminosas -- gergelim, semente de girassol, nozes, avelã, amendoim -- você encontra o alimento íntegro com facilidade.

      Por que não consumir esses alimentos em vez dos derivados da soja? Até mesmo do ponto de vista científico, os estudos feitos com esses alimentos invariavelmente mostram resultados positivos. É consenso na literatura científica que sementes e oleaginosas são benéficas para a saúde humana.

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  29. Oi, boa tarde! Faço nutrição e gostaria muito de entender mais sobre artigos cientificos de nutrição... não tenho aula disso na faculdade, e vejo que temos que prescrever apenas coisas em evidencia... tem algum post sobre isso?
    Obrigada

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    1. Olá!

      Não, infelizmente ainda não escrevi sobre isso, apesar de falar muito sobre o assunto nos textos e nos comentários. E infelizmente essa é a realidade das faculdades de nutrição no Brasil: aprendemos virtualmente nada sobre como ler, interpretar e buscar artigos científicos.

      Entre em contato comigo por e-mail (seção Contato, lá no topo do blog) que talvez eu tenha algumas indicações que podem vir a ajudar.

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  30. Os probióticos presentes em yogurt por exemplo, quando mais "velho" o produto mais fermentado é? Porque quanto mais tempo eles agem sobre leite no caso, mais fermentado fica, então o interessante seria usar um yogurt com a data de validade mais próxima? Ou eles são fermentados na fábrica e quando é empacotado já estão mortos?

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    1. Olá.

      Parte dos priobióticos presentes no iogurte permanecem vivos. Mas a baixa temperatura de refrigeração para conversar o iogurte basicamente impede que eles continuem se multiplicando.

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  31. Desculpe a minha ignorância, não entendo nada do assunto, mas ouvi o dr. Lair dizer que substancias ácidas podem causar câncer, ele falou da acidez do refrigerante, disse que não deveríamos beber, pois é uma dos produtos mais ácidos, e que podem causar câncer. O kefir não é ácido ? Eu tomei hoje e senti uma baita azia no estômago. Qual a acidez do refrigerante e do kefir ? E em relação ao uso de formol, água oxigenada e soda caustica no leite, qual o melhor leite para consumir, o de caixinha ou o em pó ? Não adianta me indicar outro, os outros são caros e difíceis de achar. Os de saquinho não vendem mais por aqui. Como o kefir se comporta no meio de tanto produto químico ?

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    1. Olá.

      A acidez que o Lair Ribeiro se refere é o efeito dos alimentos sobre o pH sanguíneo. Alimentos que supostamente reduzem o pH, tornando-o mais ácido, seriam prejudiciais. O refrigerante seria um desses alimentos, assim como muitas pessoas dizem que os laticínios (incluindo o kefir) também são.

      No caso dos laticínios, e mais especificamente do kefir (e dos iogurtes), não seria pela acidez inerente a esses alimentos, mas sim pelo fato de serem alimentos ricos em proteínas. Os defensores da hipótese de que os alimentos são capazes de modificar o pH sanguíneo, ou o pH dos fluidos corporais, consideram o "excesso" de proteína como um fator que leva à redução (acidificação) do pH.

      Mas essa hipótese nunca foi cientificamente confirmada. Muito pelo contrário. Os estudos que já foram feitos para avaliar a hipótese de que os alimentos (incluindo os laticínios) modificam o pH sanguíneo, e por isso poderiam causar problemas de saúde, sugerem que a hipótese não é verdadeira. Falei sobre esse assunto nesses textos:


      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de_24.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/04/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html


      Tem grande chance da sua azia não ter relação alguma com a acidez do kefir. Pode ter sido algo eventual, assim como pode ter sido desencadeada por outros fatores. Você pode testar algumas vezes, em diferentes situações, para ver se esse efeito da azia foi realmente causado pelo kefir. Se realmente for o caso, você pode deixar de consumi-lo; ele não é um alimento essencial para se ter uma boa saúde.

      O leite de caixa ou o leite em pó a princípio têm a mesma chance de serem adulterados. Porque o leite que é usado para se produzir o leite em pó é o mesmo que seria embalado nas caixas.

      O kefir produzido a partir do leite vai se comportar de maneira "normal". Não existem "químicos" em leites que não foram adulterados. Os únicos aditivos do leite de caixa são os fosfatos de sódio, que a princípio não causam problemas. Os aditivos do leite em pós são a lecitina e, em alguns casos, algumas vitaminas, que também não são problemáticos.

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  32. Olá boa tarde Comecei a tomar o iogurte de Kefir e passei a ter azia. Isso é normal?

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    1. Olá.

      Desconheço de estudos que avaliaram a relação entre o consumo de kefir e a manifestação de sintomas gástricos e esofágicos, como a azia. Mas, por experiência clínica, o que eu posso dizer é que a azia não é uma ocorrência comum nos pacientes que bebem kefir de leite.

      Você pode continuar experimentando, de preferência sem fazer outras alterações na alimentação, para ver se o efeito é realmente do kefir ou se foi apenas uma coincidência. É possível que algumas pessoas apresentem azia ao consumir kefir? Sim, porque cada corpo é um corpo.

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  33. o que é melhor comer requeijão ou kefir?
    gosto de passar algo cremoso no pão. Usava cotagge. O que acha. Obrigada

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    1. Olá.

      Todas são opções viáveis. Mas o kefir é mais vantajoso por dois motivos. Primeiro, por ser fermentado, possui bactérias probióticas. Segundo, contém apenas os aditivos do leite utilizado na sua produção (fosfatos de sódio, que não são prejudiciais à saúde).

      O requeijão e o cottage normalmente possuem alguns outros aditivos, que variam de produto pra produto e de marca pra marca. No geral, também são aditivos que não fazem mal. Mas, como sempre falo em relação aos aditivos, é sempre melhor evitar, porque não sabemos qual é o efeito que eles podem ter em cada pessoa.

      Se, pelo sabor, não fizer muito diferença pra você, eu recomendaria o kefir mesmo. Mas tenha em mente que, no geral, requeijão e cottage não são alimentos que vão trazer problemas (como falei, quanto menor for a quantidade de aditivos, melhor; basta ler a lista de ingredientes).

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  34. Já sei sua opinião sobre as proteínas do leite ( que possuem evidências serem anti-inflamatórias )

    Mas porque tantos profissionais, incluindo nutricionistas com mestrado e doutorado (que não citarei nomes como alguns gostam de fazer aqui) afirmam que laticínios são inflamatório a todos, porém em escalas diferentes?
    Esses mesmos profissionais afirmam que quando fermentados, as proteínas lácteas desnaturam e se degradam a compostos de menor massa molecular, e que o açúcar lactose é fermentado a valores inferiores a 0,5g (em 100g de queijo por exemplo).

    Ou seja, são mentirosos? tiram informação empírica?

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    1. Olá.

      Também gostaria de entender por que alguns profissionais afirmam isso. Eu até tenho possíveis explicações, mas nenhuma certeza; o certo só poderia vir das palavras das próprias pessoas.

      O mais importante é sabermos as evidências por trás. Se o profissional não cita referências, fica difícil acreditar -- por mais que a pessoa demonstre ter conhecimento ou possua vários títulos. O que eu faço é bem simples: levo a sério quem fala e mostra referências; quando não fazem isso, considero, no máximo, como possibilidades (exceto quando eu sei, com base em evidências, que o que foi falado não é verdade).

      Algumas pessoas com alergia a proteínas do leite, por exemplo, não possuem reações a laticínios fermentados ou possuem apenas reações mais brandas. A questão da desnaturação dessas proteínas, pelo processo da fermentação, poderia ser uma explicação -- uma vez que facilitaria a digestão por uma mudança na conformação da estrutura proteica, diminuindo a chance de haver formação de epítopos alergênicos.

      Mas nada disso explica o porquê dos profissionais ainda insistirem que os laticínios são inflamatórios para (virtualmente) todo mundo. Quando apresentarem evidências suficientes, ficarei feliz em reavaliar o que eu sei e o que as evidências que dizem o contrário realmente significam.

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    2. Quais seriam suas possíveis explicações?

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    3. São muitas, mas quase todas elas têm a mesma base, o viés de confirmação. Entendendo sobre viés de confirmação dá pra imaginar quais são as possíveis explicações:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/05/vies-de-confirmacao-nutricao.html

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    4. Eu sei que é viés de confirmação, estou no 5º período de medicina e já tive a matéria "metodologia científica"
      A questão é que a própria literatura é confusa, eu já estudei por conta própria o assunto e de fato o leite tem muitos benefícios, mas assim como o álcool, que pode ter um efeito protetor na saúde cardiovascular se em doses pequenas, já o fígado não tolera nem um pouco, prejudica. O leite de vaca se mostra um fator de risco considerável para câncer de mama e próstata, isoladamente e dose dependente. Já para a saúde óssea, benéfico. Algumas pessoas predispostas a terem acne, sofrem piora do quadro quando ingerem leite. Então é isso, não é veneno nem mocinho. É um alimento que quem gostar toma, quem não gosta, não toma, cabe o profissional mostrar os possíveis riscos e beneficios. Não existe conclusão final do estado da arte.

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    5. Na verdade, o consumo de laticínios está associado a um menor risco de câncer de mama. Nada que indique que seja uma relação de causa e efeito, mas de qualquer maneira a princípio não é um fator de risco:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21442197
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26770237

      No caso do câncer de próstata, duas das três meta-análises até o momento (incluindo a mais recente) mostraram uma associação positiva entre o consumo de laticínios e o risco de desenvolvimento da doença:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16333032
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18584476
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25527754

      Mas os riscos relativos aumentados, nessas meta-análises, são tão pequenos que podemos dizer que existe uma significância estatística na relação entre laticínios e câncer de próstata, mas provavelmente nenhuma significância clínica. Riscos relativos precisam ser muito mais substanciais (pelo menos na magnitude de 2,0 ou 3,0) para começarem a ser sugestivos de uma possível relação causal entre as variáveis.

      Já em relação à acne, essa é uma questão muito mais clínica do que científica. Nem de perto temos estudos suficientes para afirmar que o consumo de laticínios leva ao desenvolvimento de acne. Mas, na prática, algumas pessoas de fato referem melhorar ao restringir o consumo de leite e derivados. Aqui realmente é uma questão de experimentação.

      Como quase tudo na ciência, e como você mesmo falou, não temos respostas definitivas nessas questões. Realmente cabe aos profissionais avaliarem o que pode ser aplicado para cada paciente. Mas que façamos isso sem vieses.

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    6. João, sobre a influência do CA de mama, eu não disse que teria relação de causa e efeito, jamais diria isso sem ter embasamento, embora eu acredite que o leite disponível hoje nos mercados tenha contaminação química de xenoestrógeno e isso poderia aumentar o risco de CA de mama e próstata inclusive já elucidado em alguns artigos de coorte (ou seja prospectivo)
      De qualquer forma os dois trabalhos que você anexou não me convencem do consumo de leite de vaca para redução do risco de CA de mama porque o artigo menciona "dairy" que são derivados de leite, um queijo curado por exemplo ( maturado ) dificilmente teria influência negativa no risco de algum câncer se consumido moderadamente, talvez até ajudaria no plano alimentar desses pacientes.

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    7. Falei sobre as possíveis relações de causalidade não por algo que você comentou, mas apenas para expandir a discussão sobre as implicações que essas meta-análises de estudos observacionais nos apresentam.

      Apesar dos títulos das meta-análises conterem apenas a palavra "dairy", os pesquisadores analisaram os laticínios não apenas como um grupo alimentar nesses estudos, mas também os diferentes tipos de laticínios isoladamente. No caso do leite, tanto o integral como o desnatado, não foram observadas associações com o risco de câncer de mama.

      Essas evidências não necessariamente provam alguma coisa. Mas vale sempre lembrar o seguinte: a ausência de associação entre duas variáveis em estudos de coorte (e em meta-análises desses estudos) é praticamente uma certeza de que não existe relação causal entre elas. Assim, mesmo que achemos que o leite comercial possua contaminantes e hormônios, a princípio seriam quantidades que não estariam influenciando o risco de desenvolver câncer de mama.

      E só mais um comentário sobre o que você disse. Só podemos dizer que alguma coisa, na ciência, foi de fato elucidada quando as evidências são realmente consistentes em apontar para uma única direção. E não podemos dizer que a presença de xenoestrógenos (ou até mesmo estrógenos em geral) é um fato "já elucidado" no que diz respeito ao aumento no risco de câncer de mama (ou até de próstata). Mesmo que exista a presença de estrógenos no leite, e mesmo que exista uma associação entre o consumo de leite e o risco de câncer (de próstata, mas não de mama), não tem como afirmar que esse maior risco -- caso a relação seja de causa e efeito -- seria uma consequência da presença desses hormônios.

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    8. Obrigada pela correção!

      Segue alguns trabalhos como sugestão de leitura:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4524299/

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3359127/

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/14729019

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15203374


      Em contra partida, temos uma meta-análise enorme, linda, porém cheia de conflitos de interesse, que é evidente, basta ler na conclusão afirmando que o leite é fundamental para a prevenção de doenças crônicas, no mínimo filogenéticamente equivocado.

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5122229/

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  35. o pediatra do meu filho disse tire o leite para melhorar o nariz.
    Foi tire e queda. Ele não é alérgico mas o leite estava prejudicando
    Não compro mais essa porcaria pra dentro de casa.
    Leite faz mal sim

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    1. Olá.

      Não duvido que o seu filho tenha melhorado ao parar de consumir leite. Mas isso não significa que o problema é o leite. Se fosse, todo mundo que consome leite estaria com o mesmo problema do seu filho.

      O que acontece é que algumas pessoas realmente possuem intolerância, alergia ou sensibilidades a leite e derivados. Se existe suspeita, é só remover os laticínios da alimentação e ver o que acontece. Se houver melhor, caso resolvido: a pessoa apresentava uma reação adversa ao leite.

      Mas, por favor, não vamos generalizar. Cada caso é um caso.

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  36. Oi, boa noite!
    Não quero me identificar, sou gorda e comecei a fazer um acompanhamento com a minha nutricionista.
    ela restringiu todo carboidrato, mas disse que seria por um período.
    Estou seguindo a dieta direito, basicamente legumes e carnes, ovos, castanhas e amêndoas pequena porção. Peso tudo.

    Porém sinto muito falta de doces. Ela mandou um chocolate para comer no final da tarde com substancias de ajudariam na compulsão. Mas não é o bastante, a tarde sempre que vou tomar o café, adoço com açúcar de coco ( que achei ótimo o gosto , estévia é horrível )

    Quero saber sua opinião, sobre usar esse açúcar de coco que tem menor índice glicemico, se ele atrapalharia tanto assim no meu protocolo. E também gostaria de saber se muito esporadicamente eu poderia comer um sanduíche sem glúten e sem lactose com pão de batata doce e queijo sem lactose ( porque é o único lugar que posso chamar minhas amigas pra sair e comer, e no japonês também )

    Sei que eu deveria tirar essas dúvidas com ela, mas quero uma opinião diferente.

    Obrigada.

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    1. Além disso, ela me prescreveu manipulados, que inclusive um tenho que tomar antes das 8h.

      Mas estou levando muito a sério porque todas as pessoas, sem exceção, que foram nela emagreceu saudavelmente.
      Quero sua opinião sobre usar carboidratos de baixo indice glicêmico. Numa dieta que deveria ser sem carboidratos.

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    2. Olá.

      A sua dieta é restrita em carboidratos, mas não é sem carboidratos. A quantidade pode ser bem pequena, mas não é zero.

      Não sei minha opinião deveria contar, porque quem está realizando o seu acompanhamento, quem possui as informações sobre o seu caso, é sua nutricionista, não eu.

      O que eu posso dizer é que existe sim a possibilidade de ter bons resultados mesmo se você consumir uma pequena quantidade de açúcar de coco e mesmo se você, esporadicamente, comer o sanduíche referido.

      Só não tem como saber se os resultados serão exatamente os mesmos caso você seguisse 100% da dieta. O único jeito de fazer isso seria se existissem duas de você: uma seguindo o plano alimentar sem exceções, e outra seguindo o plano alimentar com as exceções que você mencionou. Mas isso (até onde eu sei) é impossível.

      Mas você pode se perguntar:

      Vale a pena seguir 100% da dieta, sentir uma certa sensação de restrição, e teoricamente ter mais chance de emagrecer mais (sabendo que o mais, nesse caso, provavelmente não seria tão mais assim)? Ou vale a pena se permitir alguns pequenos desvios, mesmo correndo o "risco" de emagrecer um pouco menos (mas ainda com a possibilidade da perda de peso ser virtualmente igual)?

      Não se esqueça também que, pelo que você falou, o seguimento dessa dieta é por um tempo limitado.

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  37. Artigo bem completo e não conhecia o Kafir e fiquei com muita vontade de experimentar, por isso vou procurar e satisfazer o desejo(rss)

    Abraços

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  38. muito interessante ! estou experimentando o kefir de coco, e gostei do saber...queria uma dica para o combate da insônia, tenho tido a insonia tipo 2, aquela que a pessoa dorme, porém no meio da noite acorda e não dorme mais, o que poderia ajudar ? obrigado ! muito feliz por existir pessoas que compartilham seus conhecimentos com as outras !!

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    1. Olá, Eugenio.

      A questão de como a alimentação regula o sono é muito complexa. Os resultados dos estudos até o momento dão um nó na cabeça, porque cada trabalho parece mostrar uma coisa diferente.

      Mas atualmente eu dou três sugestões principais, que podem ser testadas individualmente e, de preferência, durante pelo menos algumas semanas:

      1) Dieta com menos carboidratos e mais gorduras, com a última refeição do dia seguindo o mesmo padrão.

      2) Dieta com mais carboidratos e menos gorduras, com a última refeição do dia seguindo o mesmo padrão.

      3) Dieta rica em proteínas, com quaisquer quantidades de carboidratos e gorduras (de acordo com sua preferência).

      Mas o mais importante talvez nem seja a alimentação. Exposição à luz artificial durante a noite é bem prejudicial ao sono, principalmente se a pessoa for muito sensível a esse estímulo. Pode ser o seu caso. Hoje em dia, além das lâmpadas, temos tv, celulares, tablets, computadores... O ideal é se expor o mínimo possível à luz desses aparelhos durante a noite.

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  39. Olá João,

    Comecei a consumir kefir a poucos dias, tenho intolerância à lactose moderada e por enquanto estou me sentindo bem! Mas também tenho hipoglicemia e tenho que restringir o meu consumo de doces e carboidratos em geral! Você conhece algum estudo que tenha sido feito sobre a influência (boa ou ruim) do kefir para quem tem hipoglicemia, já que existem evidências para redução da diabetes? Como seria esse equilíbrio da glicemia no sangue?

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  40. Olá, Vanessa.

    Ainda não existem estudos que testaram o efeito da ingestão de kefir sobre a glicose sanguínea em pessoas diagnosticadas com hipoglicemia. E é bem provável que nunca existam estudos assim. Primeiro porque a hipoglicemia não é fácil de ser diagnosticada. E segundo porque essa não é, no momento, uma área de interesse do uso de kefir pelos pesquisadores; outras áreas, como saúde metabólica, saúde óssea imunidade e saúde intestinal, normalmente são o foco.

    Mas, considerando o que sabemos sobre como os alimentos regulam a glicemia, é possível que o kefir possa trazer resultados positivos. A maioria dos alimentos e dietas que possuem impacto benéfico sobre a glicemia atuam por meio da regulação desse parâmetro, e não necessariamente apenas na sua diminuição. Nós normalmente ouvimos falar que o alimento A ou a dieta B são bons para reduzir a glicemia, mas ouvimos isso justamente porque eles são testados em pessoas com a glicemia elevada.

    O corpo tende ao equilíbrio. Se um alimento regula um parâmetro, muitas vezes ele consegue regular esse parâmetro dos "dois lados" (aumentando e diminuindo, por exemplo, dependendo do desequilíbrio que existe no momento). Ou seja, se já existem estudos mostrando que o kefir é capaz de levar à redução da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2, é bem possível que ele seja um alimento que regule a glicemia de maneira geral (aumentando ou diminuindo, dependendo do caso). Se esse for o caso, ele poderia ser benéfico para pessoas com tendência à hipoglicemia. Mas é só uma hipótese, por enquanto.

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  41. Quem tem intolerancia a leite pode beber yakult?
    aquele yakult 40 é melhor né? minha mãe leu na internet e ta mandando todo mundo aqui em casa beber 1 de manhã

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    1. Olá.

      Pessoas diferentes tem sensibilidades diferentes ao leite. As mais comuns são: intolerância à lactose e alergia às proteínas do leite. Como você usou a palavra "intolerância", acredito que está se referindo a casos de intolerância à lactose.

      Laticínios fermentados, como iogurtes e yakult, costumam ser mais bem tolerados por pessoas com intolerância à lactose, principalmente porque o processo de fermentação faz com que esses alimentos possuam uma menor concentração de lactose. Mas a capacidade de ingerir esses laticínios depende do grau de intolerância da pessoa. Pessoas muito intolerantes à lactose ainda podem apresentar sintomas após consumir laticínios fermentados, enquanto pessoas com baixo grau de intolerância costumam não ter problemas.

      Se o yakult 40 realmente possui uma concentração maior de bactérias em sua composição, a princípio é um produto que tem um maior potencial positivo do que o yakult convencional. Mas essa área de como as bactérias intestinais influenciam a saúde é muito complexa. As pessoas costumam achar que, quanto mais "bactérias benéficas", melhor é o produto. Mas não necessariamente é sempre assim. Ainda temos evidências limitadas nessa área, e por isso costumo usar termos como "a princípio", "possivelmente" etc.

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