terça-feira, 10 de novembro de 2015

Resveratrol: doce ilusão ou amarga realidade?





Você  provavelmente já ouviu falar dos benefícios do vinho, certo? O resveratrol é, teoricamente, a principal molécula presente no vinho (e na uva) que supostamente confere os benefícios à saúde associados ao consumo dessa bebida.

Já há certo tempo, o resveratrol é uma das substâncias mais queridas na Nutrição. E uma das mais estudadas. São inúmeros trabalhos científicos que se propuseram, e ainda se propõem, a investigar os efeitos dessa molécula sobre a saúde. Consequentemente, toda hora vemos também matérias e manchetes na mídia abordando o assunto.

Mas o que exatamente é o resveratrol? Quais os seus possíveis benefícios à saúde? Em humanos, a ingestão de resveratrol é realmente efetiva ou associada à melhora na saúde?


O que é o resveratrol?

O resveratrol é um polifenol, assim como diversos outros compostos que são consideradas como “milagrosas” ou “funcionais”. Como o nome diz, polifenol é qualquer substância que possui mais de uma estrutura fenólica em sua molécula. Mais especificamente, o resveratrol pertence à classe dos estilbenos, apresentando dois anéis fenólicos.




O resveratrol caracteriza-se como uma substância de ocorrência natural em vários vegetais, tais como uva, amora, mirtilo (blueberry) e amendoim. Entretanto, vale ressaltar que, ao contrário do que muita gente pode pensar, a uva — e, também, o vinho — não é a maior fonte de resveratrol na natureza. Esse prêmio vai para a planta Polygonum cuspidatum, tradicionalmente utilizada nas medicinas chinesa e japonesa [1].

Assim como no caso de outros polifenóis e de diversas moléculas que apresentam atividade anti-inflamatória ou antioxidante, o resveratrol tem sua produção aumentada nas plantas quando estas se encontram em condições de estresse, como a exposição a micro-organismos (como fungos) e a incidência de radiação ultravioleta [2]. A maior produção de resveratrol — e de polifenóis — em resposta a situações estressantes é um mecanismo natural de defesa das plantas.

As três principais fontes de resveratrol na alimentação, considerando nossos hábitos alimentares (e não apenas a concentração total dessa substância) são [3]:

1) Uva (0,16 a 3,54 µg/g)*
2) Suco de uva (0,50 mg/L)
3) Vinho tinto (0,10 a 14,3 mg/L)**


*A concentração de resveratrol das uvas escuras é similar à das uvas claras.

**O vinho tinto apresenta mais resveratrol que o vinho branco. Isso acontece porque, durante a produção do vinho tinto, o processo de fermentação ocorre na presença da casca da uva. A casca da uva é onde o resveratrol encontra-se em maior quantidade.


Resveratrol: a grande panaceia?

O clamor pelo resveratrol consolidou-se em 2006. Até aquele ano, já havia sido demonstrado que a administração de resveratrol a fungos, parasitas e pequenos insetos era capaz de aumentar a longevidade nessas espécies. Entretanto, ainda não haviam sido apresentados dados semelhantes em mamíferos.

Em um estudo com camundongos, Baur e colaboradores demonstraram, pela primeira vez, que o resveratrol era capaz de melhorar diversos parâmetros de saúde e, ainda por cima, aumentar a longevidade em animais mamíferos que consumiam uma dieta hipercalórica [4]. Não à toa, o estudo foi publicado na prestigiosa revista Nature. Nesse trabalho, os pesquisadores dividiram os camundongos em três grupos: 1) dieta controle; 2) dieta hipercalórica; e 3) dieta hipercalórica + resveratrol.

Veja como foi o ganho de peso após 60 semanas:




Fica evidente que os animais que consumiram a dieta hipercalórica (quadrados vermelhos e losangos azuis) ganharam muito mais peso do que aqueles que consumiram a dieta controle (triângulos pretos), mesmo quando houve suplementação de resveratrol. A ingestão de resveratrol atenuou de forma bastante modesta o ganho de peso induzido pela dieta hipercalórica (losangos azuis).

Entretanto, observe o que aconteceu com a sobrevivência dos animais:




A longevidade dos camundongos que receberam dieta hipercalórica + resveratrol foi praticamente igual à dos animais que consumiram a dieta controle, e muito superior à dos animais que receberam apenas a dieta hipercalórica (sem resveratrol).

E os níveis de insulina:




Mais uma vez, a suplementação com o resveratrol reduziu de forma significativa a concentração sanguínea de insulina nos camundongos que ingeriram a dieta hipercalórica, comparados aos animais que consumiram a dieta hipercalórica sem a suplementação. Apesar de ainda superiores, os níveis de insulina dos camundongos com dieta hipercalórica + resveratrol ficaram mais próximos aos dos animais controle do que aos dos animais que receberam apenas a dieta hipercalórica. Nesse caso, menores níveis de insulina indicam menor resistência à insulina, o que é extremamente positivo, uma vez que o desenvolvimento de diversas doenças crônicas — principalmente diabetes tipo 2 e síndrome metabólica — está diretamente relacionado à presença do estado de resistência à insulina.

E veja o que aconteceu com o fígado dos animais:




Apesar de morfologicamente estar mais “danificado”, o fígado dos camundongos que receberam dieta hipercalórica + resveratrol permaneceu do tamanho do fígado dos animais controle, enquanto que o fígado dos camundongos que receberam apenas a dieta hipercalórica mais do que dobrou de tamanho. O tamanho do fígado é um parâmetro indicativo de esteatose hepática (gordura no fígado). De fato, na imagem histológica das células do fígado, nota-se claramente a maior presença de gordura no órgão dos camundongos que ingeriram apenas a dieta hipercalórica, enquanto que os animais que receberam dieta hipercalórica + resveratrol apresentam morfologia celular comparável à dos animais controle.

Resumindo: preveniu um pouco do ganho de peso; melhorou a resistência à insulina; preveniu o acúmulo de gordura no fígado; e, acima de tudo, aumentou a longevidade. Além disso, esse estudo apresentou outros resultados bem interessantes, mas os que foram apresentados já são suficientes para mostrar porque, após esse estudo, tanto se falou sobre o resveratrol. 

O resultado mais comentado foi justamente esse último: aumento da longevidade. E isso se deu justamente porque uma das coisas que as pessoas mais almejam hoje em dia é viver cada vez mais. Por isso, surgiram diversas notícias no seguinte tom: “Descoberta a solução para se viver mais!”.


(Obs: Vale ressaltar que, até hoje, o único tipo de intervenção que é capaz de aumentar a longevidade, em praticamente qualquer espécie, é a restrição calórica. Existem vários tipos de restrição calórica, entre elas o jejum intermitente. Entretanto, não há evidências minimamente concretas de que a longevidade, mesmo que através da restrição calórica, possa ser aumentada em humanos).

Dos resultados do estudo acima em diante, o resveratrol passou a ser ainda mais estudado, principalmente devido à capacidade antioxidante e anti-inflamatória que essa molécula — assim como diversos outros polifenóis — possui. Após mais alguns anos de pesquisa, foram identificadas diversas patologias e condições clínicas nas quais o resveratrol poderia atuar:

1) Doenças neurológicas, como o Alzheimer [5]
2) Doenças cardiovasculares [6]
3) Câncer [7]
4) Diabetes [8]
5) Obesidade [9]
6) Esteatose hepática [10]
7) Doenças oculares [11]
8) Doença renal crônica [12]
9) Insuficiência cardíaca [13]
10) Osteoporose [14]

E aqui algumas das moléculas que supostamente são moduladas pelo resveratrol, indicando seus possíveis efeitos anti-inflamatório e antioxidante:




Apesar de haver a hipótese de que o resveratrol pode exercer efeitos positivos nas patologias citadas acima, é importante ressaltar que praticamente todas as evidências são derivadas de estudos com animais ou células. Assim, é preciso ir além dos mecanismos, moléculas e vias bioquímicas influenciadas pelo resveratrol. 

Diante disso, é importante perguntar: quais são os efeitos da ingestão de resveratrol em humanos?


Resveratrol em humanos: Hipertensão

Devido às atividades anti-inflamatória e antioxidante observadas para o resveratrol nos estudos em células e em animais, o principal alvo de pesquisa dessa molécula em humanos são as patologias crônicas: diabetes, obesidade, hipertensão, câncer, doenças cardiovasculares etc.

No que diz respeito à hipertensão, em 2015 foi publicado um estudo do tipo meta-análise que avaliou o efeito da suplementação de resveratrol sobre os níveis de pressão arterial sistólica (PAS) e pressão arterial diastólica (PAD) [15]. Os estudos incluídos na meta-análise foram variados no que diz respeito, principalmente, à “saúde” dos indivíduos participantes, ou seja, alguns estudos foram realizados com pessoas “saudáveis” e outros com pessoas com complicações metabólicas, como diabetes tipo 2.

Os resultados indicam que, de maneira geral, o resveratrol não apresentou efeitos significativos sobre a pressão arterial, exceto quando quantidades acima de 150 mg/dia foram utilizadas. Nessa dose, o resveratrol foi capaz de reduzir apenas a PAS, mas não a PAD, o que torna questionável a relevância clínica de tal intervenção.

Isso acontece porque os estudos que demonstram efeitos positivos da redução na pressão arterial sobre a diminuição do risco de doenças cardiovasculares sempre contam com redução tanto na PAS como na PAD [16]. Por outro lado, a redução da PAS com o resveratrol, que foi de aproximadamente 10 mmHg em média, é praticamente a mesma apresentada para a média dos medicamentos utilizados para o controle da hipertensão arterial — e em muitos casos é até superior à redução na PAS conferida por essas drogas [16,17].


(Obs: Apesar de haver redução no risco de desenvolvimento de algumas doenças cardiovasculares com o uso de medicamentos que diminuem a pressão (anti-hipertensivos), não é possível afirmar com 100% de certeza que o efeito é decorrente — pelo menos unicamente — da diminuição da pressão em si. Pode parecer contraintuitivo pensar dessa maneira, mas talvez não completamente. Digo isso por causa das estatinas, medicamentos utilizados para diminuir o colesterol no sangue — principalmente o "colesterol ruim". As estatinas diminuem o colesterol? Sim. As estatinas reduzem o risco cardiovascular? Em algumas populações, sim. As estatinas reduzem o risco cardiovascular porque diminuem o colesterol no sangue? Provavelmente não, mas sim por outro mecanismo. Mas esse é um assunto para outro texto).


Como curiosidade, recentemente foi demonstrado que o consumo de nitrato naturalmente presente na beterraba (250 mL/dia de suco de beterraba) é capaz de reduzir em 8 mmHg a PAS e em 3 mmHg a PAD [18], resultado também igual ou superior ao observado para a maioria das drogas atualmente utilizadas para o tratamento da hipertensão [17] (com a vantagem de não apresentar efeitos adversos característicos de medicamentos).

Vale ressaltar que, na meta-análise [15], os estudos com resveratrol que encontraram resultados positivos na redução da PAS foram de curta duração e, ainda, contaram com um número pequeno de participantes. Além disso, foram apenas 3 estudos que demonstraram tal efeito, os quais apresentaram uma inconsistência (I2, um tipo de medida aferida pelos estudos de meta-análise para avaliar o quanto de variação existe dentro do próprio estudo e quando se comparam estudos diferentes com o mesmo desfecho) muito grande entre eles, enfraquecendo o peso que esse tipo de evidência possui sobre a real efetividade do resveratrol sobre a pressão arterial. 


Resveratrol em humanos: Doenças cardiovasculares

Para as doenças cardiovasculares, como infarto ou derrame, ainda estamos longe de ter evidências mais diretas sobre a influência do consumo de resveratrol — e, na verdade, de praticamente qualquer alimento ou nutriente isolado — sobre desfechos mais concretos, como eventos ou morte por doenças cardiovasculares. Por esse motivo, temos que ficar apenas com os tradicionais fatores de risco para essas doenças, como colesterol total, LDLc, HDLc, triglicerídeos.

Nesse caso, os dados são muito mais concretos. A última meta-análise a avaliar esse tópico, publicada no final de 2013, não encontrou qualquer efeito da suplementação de resveratrol sobre os marcadores de risco cardiovascular [19]. Diferentemente da meta-análise realizada para pressão arterial, os testes de sensibilidade sugerem que a ausência de efeitos parece ser um resultado consistentemente encontrado em todos os  ensaios clínicos avaliados nessa meta-análise de marcadores de risco cardiovascular, independente da dose de resveratrol, da duração do tratamento ou do risco cardiovascular basal apresentado pelas populações estudadas. De qualquer maneira, assim como os autores sugerem, estudos com um número maior de indivíduos e com um tempo maior de acompanhamento seriam necessários para se chegar a resultados ainda mais conclusivos sobre o efeito do resveratrol sobre os fatores de risco cardiovascular aferidos.


Resveratrol em humanos: Diabetes e controle glicêmico

Quando falamos de obesidade e diabetes, os principais marcadores avaliados são aqueles que dizem respeito ao metabolismo da glicose, como glicemia de jejum, insulina e hemoglobina glicada (HbA1c, um marcador capaz de avaliar o nível médio de glicose no sangue nos últimos 90-120 dias, aproximadamente). Nesse caso, temos dois estudos de meta-análise recentes que avaliaram o efeito da suplementação de resveratrol sobre esses parâmetros.

A primeira meta-análise, publicada em 2014, incluiu todos os estudos disponíveis com indivíduos “saudáveis” e também pacientes com diabetes tipo 2 [20]. Verificou-se que, mesmo quando qualquer um dos marcadores avaliados encontrava-se acima da média, o resveratrol não teve qualquer efeito nos indivíduos “saudáveis”. Por outro lado, nos pacientes diabéticos a suplementação com resveratrol apresentou redução significativamente estatística nos níveis de glicemia, insulina e HbA1c.

A segunda meta-análise incluiu estudos apenas em pacientes com diabetes tipo 2 [21]. Por ser um trabalho mais recente (e com uma metodologia de busca aparentemente mais consistente), resultou em um número maior de estudos incluídos na análise. Diferentemente do encontrado na meta-análise anterior, a suplementação com resveratrol apresentou redução estatisticamente significativa apenas nos níveis de HbA1c, mas não na glicose ou insulina sanguíneas.

Porém, assim como para a redução nos níveis de pressão arterial sistólica observada mencionada acima, é necessário avaliarmos até que ponto tais modificações são clinicamente importantes, ou seja, se são capazes de conferir reais benefícios à saúde dos indivíduos. No caso da primeira meta-análise [20], as reduções de 0,3% na HbA1c e de 1,5 µU/mL na insulina, na prática, são muito pequenas para um paciente diabético, mesmo que a diminuição nesses valores tenha sido estatisticamente significativa. Por outro lado, a redução nos níveis de glicose sanguínea já foi mais representativa, atingindo um valor médio de 10 mg/dL — nada de outro mundo, mas é sim um redução interessante.

No caso da segunda meta-análise [21], apesar de ter havido diferença estatística na redução da hemoglobina glicada (HbA1c), um importante marcador do comportamento dos níveis de glicose nos últimos meses, o benefício clínico foi muito pequeno: redução média de apenas 0,4% (uma das formas de expressar os níveis de HbA1c é por meio de valor percentual). Assim, se pegarmos um paciente diabético com níveis de HbA1c de 8,0% ou mais — extremamente comum em indivíduos com diabetes tipo 2 —, uma redução de 0,4% não é algo tão relevante.

Vale ressaltar que o modesto benefício do resveratrol sobre os níveis de glicemia podem ser explicados pelo principal mecanismo de ação dessa molécula. Já foi extensivamente demonstrado em animais e células que o resveratrol parece realmente ser capaz de ativar proteínas intracelulares que controlam o metabolismo, o gasto calórico e a utilização de substratos energéticos (como a glicose) pelas nossas células, tais como a SIRT1 e a AMPK [22]. O mais interessante é que tais efeitos também já foram demonstrados em humanos [23], indicando que o resveratrol poderia vir a exercer efeitos benéficos em algumas condições patológicas.





Resveratrol em humanos: Inflamação

Hoje sabemos que praticamente todas as doenças crônicas, do diabetes ao Alzheimer, da aterosclerose à doença renal crônica, são diretamente influenciadas pelo estado inflamatório do organismo. É muito difícil dizer se a inflamação leva ao desenvolvimento dessas doenças ou, ao contrário, se são essas doenças que realmente aumentam a inflamação no corpo. Na verdade, é muito provável que as duas coisas aconteçam praticamente de forma simultânea e “sinérgica”, como uma retroalimentação. Assim, devido à importância que a inflamação possui nessas doenças, os marcadores pró-inflamatórios e anti-inflamatórios são extensivamente estudados atualmente.

No contexto da inflamação, os resultados não poderiam ser mais contraditórios. Um recente artigo de revisão tabulou todos os estudos do tipo ensaio clínico que avaliaram, de forma direta ou indireta, o efeito do resveratrol sobre marcadores de inflamação e chegaram à seguinte conclusão: os resultados são bastante inconsistentes [24]. Não apenas os resultados são controversos — com redução nos marcadores inflamatórios em alguns estudos e efeitos nulos em outros —, mas também as doses utilizadas, o número de indivíduos participantes e o tempo de tratamento são completamente diferentes entre os estudos. Só para ilustrar, as doses de resveratrol utilizadas variaram de 10 até 3000 mg.

Enquanto existem estudos em que doses mais baixas (40 mg) foram capazes de reduzir marcadores inflamatórios, há também estudos em que doses extremamente elevadas (3000 mg) foram 100% ineficazes [24]. Por outro lado, o contrário também já foi observado: doses relativamente pequenas de resveratrol não mostrando efeitos, assim como doses altas levando a resultados positivos.

De qualquer maneira, vale ressaltar que, assim como para a pressão arterial e para o controle da glicose no sangue, os poucos resultados benéficos observados para os marcadores inflamatórios a partir da suplementação de resveratrol são bastante modestos na maioria dos estudos.


Efeitos adversos da ingestão de resveratrol

Poucos são os efeitos adversos provenientes da ingestão de resveratrol, e eles normalmente surgem apenas quando doses muito elevadas são ingeridas (quantidades que não virtualmente impossíveis de serem obtidas por meio da alimentação). Os mais comuns parecem ser os efeitos gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia e náusea, que se apresentam quando doses a partir de 2500 mg/dia são ingeridas durante vários dias consecutivos [25]. Vale ressaltar que alguns estudos com humanos já utilizaram doses iguais ou superiores a 2500 mg, indicando que possíveis efeitos benéficos podem vir acompanhados, em alguns casos, de efeitos adversos.

Outros possíveis efeitos adversos: aumento nos níveis de bilirrubina, descoloração da pele, cistite, acne, flatulência, dor no peito, tontura e xerostomia [25]. Além disso, doses a partir de 5000 mg podem levar ao desenvolvimento de problemas nos rins, que em alguns casos são tão sérios que podem levar à falência desses órgãos [26].


Considerações finais

Apesar dos estudos pré-clínicos terem sido muito promissores, devido aos excelentes resultados obtidos a partir da ação do resveratrol em animais e células, [in]felizmente o efeito desse composto em humanos é, na melhor das hipóteses, muito pequeno e inconsistente.

Infelizmente porque, no final, o objetivo da ciência e dos profissionais de saúde é ter o máximo de opções para que pacientes que precisam de tratamento possam ter desfechos mais favoráveis, melhorando ao máximo suas condições de saúde. De forma semelhante, é sempre interessante ter em mãos estratégias que sejam efetivas também no sentido de prevenir doenças, para que pessoas saudáveis possam se manter assim pelo maior tempo possível.

Felizmente, por outro lado, o “fracasso” do resveratrol é, na minha opinião, algo positivo, uma vez que isso pode levar pesquisadores, profissionais e a população a pararem de acreditar nas “pílulas mágicas”. Não existe — e provavelmente nunca existirá — qualquer composto derivado de alimentos capaz de ser, isoladamente, genuinamente efetivo em tratar ou prevenir doenças crônicas. O "segredo" é comer comida de verdade e ser fisicamente ativo, além de ter outros hábitos como sono e controle do estresse devidamente cuidados.

É importante mencionar, novamente, que até os resultados positivos foram bastante modestos — além de terem sido demonstrados apenas em um número muito reduzido de estudos, todos eles de curta duração e com poucos participantes. Os efeitos possivelmente benéficos do resveratrol, de acordo com a literatura, seriam na pressão arterial e no controle glicêmico  — nesse último caso, especificamente para pacientes com diabetes tipo 2.

Ainda, a maior parte dos estudos até hoje falhou em mostrar qualquer tipo de efeito nas variáveis discutidas acima. Não à toa, publicações recentes de 2014 e 2015, como editoriais científicos e estudos de revisão, também questionam a relevância da suplementação de resveratrol sobre a saúde humana [27,28,29].

E mais um detalhe: não espere que a uva ou o vinho tinto confiram benefícios devido à presença de resveratrol em suas composições. Baseado nos dados apresentados acima, seria necessário consumir todos os dias mais de 10 kg de uva, mais de 10 litros de suco de uva ou mais de 2 ou 3 litros de vinho tinto — considerando as concentrações máximas de resveratrol que podem ser encontradas nesses produtos — para se atingir as doses mais baixas de resveratrol normalmente ingeridas por meio dos suplementos utilizados nos estudos. Por outro lado, é claro que a uva e o suco contêm uma infinidade de outros compostos que poderiam, por exemplo, atuar em sinergia com o resveratrol e conferir benefícios à saúde. Assim, é possível que quantidades bem menores de uva, por exemplo, tragam efeitos positivos? Claro que sim!

De qualquer maneira, são mais de duas décadas de pesquisas com o resveratrol, além de milhões (bilhões?) de dólares gastos. Por isso, é importante repensar se o dinheiro destinado às pesquisas — nessa e em diversas outras áreas — está de fato sendo bem utilizado, de forma a gerar reais benefícios à nossa população.

Além disso, a reflexão também fica para todos nós: vale a pena investir tempo e dinheiro com suplementos “milagrosos”? Se aparentemente não vale nem para o resveratrol — uma das substâncias mais bem estudadas, inclusive em humanos —, o que dizer da maioria dos outros suplementos com supostos efeitos benéficos?!


(Obs: a partir de uma pesquisa abrangente no PubMed, uma base de dados de artigos científicos, no período em que esse texto foi escrito, nenhum estudo buscou testar primariamente o efeito da suplementação de resveratrol sobre a perda de peso ou de gordura corporal em humanos. Por isso, perda de peso e de gordura corporal não foram discutidas aqui).


***
Se você vê valor no meu trabalho, considere fazer uma contribuição.




Referências

1. de Ligt M, et al. Resveratrol and obesity: Can resveratrol relieve metabolic disturbances? Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

2. Giovinazzo G, et al. Resveratrol biosynthesis: plant metabolic engineering for nutritional improvement of food. Plant Foods Hum Nutr. 2012;67(3):191-9.

3. Baur JA, Sinclair DA. Therapeutic potential of resveratrol: the in vivo evidence. Nat Rev Drug Discov. 2006;5(6):493-506.

4. Baur JA, et al. Resveratrol improves health and survival of mice on a high-calorie diet. Nature. 2006;444(7117):337-42.

5. Bastianetto S, et al. Neuroprotective action of resveratrol. Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

6. Zordoky BN, et al. Preclinical and clinical evidence for the role of resveratrol in the treatment of cardiovascular diseases. Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

7. Singh CK, et al. Resveratrol and cancer: challenges for clinical translation. Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

8. Szkudelski T, Szkudelska K. Resveratrol and diabetes: from animal to human studies. Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

9. Aguirre L, et al. Resveratrol: anti-obesity mechanisms of action. Molecules. 2014;19(11):18632-55.

10. Heebøll S, et al. Effects of resveratrol in experimental and clinical non-alcoholic fatty liver disease. World J Hepatol. 2014;6(4):188-98.

11. Bola C, et al. Resveratrol and the eye: activity and molecular mechanisms. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2014;252(5):699-713.

12. Saldanha JF, et al. Resveratrol: why is it a promising therapy for chronic kidney disease patients? Oxid Med Cell Longev. 2013;2013:963217.

13. Raj P, et al. Potential of resveratrol in the treatment of heart failure. Life Sci. 2014;95(2):63-71.

14. Mobasheri A, Shakibaei M. Osteogenic effects of resveratrol in vitro: potential for the prevention and treatment of osteoporosis. Ann N Y Acad Sci. 2013;1290:59-66.

15. Liu Y, et al. Effect of resveratrol on blood pressure: A meta-analysis of randomized controlled trials. Clin Nutr. 2015;34(1):27-34.

16. Zachetti A, et al. Randomized controlled trials of blood pressure lowering in hypertension: a critical reappraisal. Circ Res. 2015;116:1058-73.

17. Blood Pressure Lowering Treatment Trialists' Collaboration. Effects of blood pressure lowering on cardiovascular risk according to baseline body-mass index: a meta-analysis of randomised trials. Lancet. 2014 [Epub ahead of print].

18. Kapil V, et al. Dietary nitrate provides sustained blood pressure lowering in hypertensive patients: a randomized, phase 2, double-blind, placebo-controlled study. Hypertension. 2015;65(2):320-7.

19. Sahebkar A. Effects of resveratrol supplementation on plasma lipids: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Nutr Rev. 2013;71(12):822-35.

20. Liu K, et al. Effect of resveratrol on glucose control and insulin sensitivity: a meta-analysis of 11 randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2014;99(6):1510-9.

21. Hausenblas HA, et al. Resveratrol treatment as an adjunct to pharmacological management in type 2 diabetes mellitus—systematic review and meta-analysis. Mol Nutr Food Res. 2015;59(1):147-59.

22. Kulkarni SS, Cantó C. The molecular targets of resveratrol. Biochim Biophys Acta. 2014 [Epub ahead of print].

23. Goh KP, et al. Effects of resveratrol in patients with type 2 diabetes mellitus on skeletal muscle SIRT1 expression and energy expenditure. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2014;24(1):2-13.

24. Poulsen MM, et al. Resveratrol and inflammation: Challenges in translating pre-clinical findings to improved patient outcomes. Biochim Biophys Acta. 2015 [Epub ahead of print].

25. Brown VA, et al. Repeat dose study of the cancer chemopreventive agent resveratrol in healthy volunteers: safety, pharmacokinetics, and effect on the insulin-like growth factor axis. Cancer Res. 2010;70(22):9003-11.

26. Popat R, et al. A phase 2 study of SRT501 (resveratrol) with bortezomib for patients with relapsed and or refractory multiple myeloma. Br J Haematol. 2013;160(5):714-7.

27. Visioli F. The resveratrol fiasco. Pharmacol Res. 2014;90:87.

28. Cottart CH, et al. Is resveratrol an imposter? Mol Nutr Food Res. 2015;59(1):7.

29. Novelle MG, et al. Resveratrol supplementation: Where are we now and where should we go? Ageing Res Rev. 2015;21:1-15.



30 comentários:

  1. O pior são as manchetes de jornais. Mesmo se o resveratrol fosse tudo isso, a quantidade de vinho que um homem deveria tomar para adquirir os benefícios é absurda! A quantidade de açúcar ingerido com a uva nem se fala... e quando, na época das manchetes, eu falava " fizeram um estudo controlado em que davam uma taça de vinho para o grupo A e placebo ou nada para o grupo B?" eu quase apanhava. Triste.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Gabriel.

      Os estudos que abordei foram todos considerando a suplementação isolada de resveratrol. Nenhum deles foi com vinho ou suco de uva, por exemplo.

      De qualquer maneira, mesmo que o vinho ou suco de uva tenham efeitos benéficos à saúde, eles não seriam derivados do resveratrol isoladamente. No máximo seriam decorrentes da ação sinérgica do resveratrol com outros compostos (e talvez não tenham nada a ver com o resveratrol, dada a ausência de efeito dessa substância em grande parte dos estudos).

      Excluir
  2. Tbm achei um bom texto, parabéns.

    ResponderExcluir
  3. Você está me dizendo que resveratrol não tem função positiva no nosso organismo? ( inflamação, anti-oxidação etc ) ????

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Não sou bem eu que estou dizendo, mas sim as evidências científicas. Ainda não foi demonstrado, em humanos, que o resveratrol pode ter qualquer efeito relevante sobre a saúde metabólica, incluindo parâmetros antioxidantes e anti-inflamatórios.

      As referências para os estudos estão todas no texto.

      Excluir
  4. comer semente de uva faz bem?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá.

      Existe, sim, uma possibilidade de a ingestão de extratos da semente de uva possam trazer benefícios. Não é possível afirmar com muita precisão porque seriam necessários estudo bem feitos para isso, que não é o caso do presente momento.

      Por outro lado, a semente intacta tem uma probabilidade menor de conferir benefícios, uma vez que ela apresenta uma dificuldade bem maior de digestão que, consequentemente, levam uma menor disponibilidade dos compostos que poderiam levar a efeitos positivos.

      Excluir
  5. amei a página. Sou médico e creio q os suplementos da moda , muitas vezes, necessitam de respaldos assim que nem os seus : de cunho científico! Parabéns!

    ResponderExcluir
  6. Olá, João! Excelentes informações. Uma dúvida: A beterraba é boa para atenuar a hipertensão? Se sim, como utilizar? Minha pressão é normal mas tenho amigos já desenvolvendo. Caso um dia ocorra comigo eu já previno. Obrigado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Leandro.

      A maior parte dos estudos com suco de beterraba tem mostrado uma redução interessante na pressão arterial, e em diversos grupos populacionais diferentes. Por isso, é bem possível que ajude a prevenir uma eventual hipertensão.

      Porém, vale ressaltar que a hipertensão está diretamente relacionada ao ganho de peso e, ainda mais, ao desenvolvimento do quadro de resistência à insulina. A relação é tão próxima que podemos dizer que esses dois fatores são causas do aumento de pressão arterial. Portanto, manter peso e sensibilidade à insulina (ou seja, não desenvolver ou tratar a síndrome metabólica) adequados é a melhor forma de não ter problemas de pressão.

      Excluir
  7. Valeu João. Hereditariedade não deve ser a principal parte, né? Minha mãe tem mas é obesa e não controla os alimentos que aumentam esta resistência. Mas ela acredita que é hereditariedade somente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Se a pessoa não tiver nenhuma outra característica da síndrome metabólica, como alterações na glicemia e/ou insulinemia, obesidade (principalmente abdominal) e dislipidemia, poderia ser apenas fatores genéticos levando à hipertensão. Porém, qualquer um pode perceber que esse não é o caso da grande, grande, grande maioria das pessoas.

      Por isso, mesmo que existam fatores genéticos, são os hábitos alimentares e o estilo de vida que realmente determinam o aumento patológico da pressão arterial. Fatores genéticos talvez sejam necessários, mas não são, sozinhos, suficientes para o desenvolvimento da hipertensão.

      Excluir
  8. João, há muitas evidências científicas de que doses altas de vitamina C e Zinco sejam capazes de reduzir, de forma significativa, o nível de cortisol em estados de estresse?

    Achei estes estudos:

    Vitamina C
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11590482

    Zinco
    https://www.researchgate.net/publication/21452442_Zinc_acutely_and_temporarily_inhibits_adrenal_cortisol_secretion_in_humans_A_preliminary_report

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Thiago.

      Eu sinceramente nunca pesquisei sobre esse assunto, então não posso afirmar nada com muita certeza. Mas, pelo visto, parece que podem sim reduzir os níveis de cortisol.

      No caso da vitamina C, existem evidências mostrando que a suplementação pode ajudar na recuperação muscular em exercícios de alta intensidade (que são atividades estressantes, claro). Essa redução nos níveis de cortisol pode ser parte da explicação para esse efeito na recuperação.

      No caso do zinco, não sei se o efeito sobre os níveis de cortisol é relevante ou até mesmo benéfico, inclusive porque as doses utilizadas no estudo são bem elevadas. Diferentemente da suplementação com vitamina C, para a qual existem dezenas e dezenas de estudos com quantidades elevadas desse nutriente (embora não sejam estudos muito prolongados), provavelmente não são muitos os estudos que utilizam doses altas de zinco. Será que são seguras? Essa pergunta é importante porque os minerais em quantidades elevadas normalmente causam mais problemas do que as vitaminas em quantidades elevadas.

      Excluir
  9. Ótimo artigo! João, li em mais de uma fonte que pessoas tiveram problemas sérios com suplementação de betacaroteno, talvez os benefícios dos fito nutrientes dependem de uma sinergia com outros nutrientes... será que é uma boa suplementar licopeno?

    ResponderExcluir
  10. Ótimo artigo! João, li em mais de uma fonte que pessoas tiveram problemas sérios com suplementação de betacaroteno, talvez os benefícios dos fito nutrientes dependem de uma sinergia com outros nutrientes... será que é uma boa suplementar licopeno?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Renan.

      É bem possível que os fitonutrientes dependam sim de uma sinergia. E não só isso: o desequilíbrio entre os diversos fitonutrientes, em que uma substância fica bem acima das demais, talvez possa gerar um desvio de funções benéficas para funções danosas.

      É justamente o que pode acontecer com o beta-caroteno. Ele possui um potencial antioxidante, mas, dependendo das concentrações e das interações com outras substâncias, ele pode passar a ter uma ação que favorece processos de oxidação (em vez evitá-los).

      E o que vale para o beta-caroteno pode valer também para o licopeno. Por isso, apesar de a suplementação talvez apresentar um certo risco, é bem provável que a maior ingestão de licopeno pela dieta seja mais segura.

      Excluir
  11. http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/7912/1/2012_dis_apfmenezes.pdf


    Quero oferecer uma contribuição sobre o estudos dos benefício do Reverastrol, e fomentar a idéia de que não necessáriamente pode se por definitivo afirmar que o mesmo, não tem propriedades que auxiliam na recuperação de doenças graves, conforme informado no estudo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Everton.

      Assim como é o caso da dissertação de mestrado que você linkou, existem vários estudos com animais mostrando efeitos benéficos do resveratrol. Inclusive, o estudo que eu citei para abrir esse texto caminhou justamente nesse sentido, e talvez seja o mais impressionante até hoje.

      Além disso, se pegarmos estudos com animais que avaliaram o efeito do resveratrol sobre os parâmetros que mencionei no texto, como hipertensão, doenças cardiovasculares e controle glicêmico, é possível encontrar sim resultados positivos.

      O que acontece é que, em humanos, esses resultados ainda não foram replicados. Tudo de bom que já foi visto em modelos animais ainda não foi observado em seres humanos. Essa é a questão.

      O máximo que esse trabalho e outros estudos com animais podem fazer é mostrar o potencial que o resveratrol e outras substâncias, assim como os alimentos que os contêm, possuem na prevenção e no tratamento de doenças. A partir daí, devemos tentar entender como isso pode ser testado e aplicado em seres humanos, para sabermos se os efeitos benéficos também podem acontecer em nossa espécie.

      Excluir
  12. Rapz, pode crer, que nem sempre estudos cientificos, demonstram o real...fizeram um estudo experimento com o comprovadente eficaz( mastruz), nonque diz respeito a ser um vermifugo natual muito eficaz, usado a ceculos pelos indios manauaras de praticente todas regioes deste pais, puseram tres laminas, uma com mastruz, e outras duas com farmacos conhecidos no tratamemto de vermes.....colocaram os ascaries e esperaram 24 horas a reacao....os medicamentoa reagiram em 2 horas e o mastruz nao reagiu nem depois das 24 horas propostas no experimento.....so meu broder, e que nao levaram em consideracao que as dosagens de mastruz eficazes nao puderam ser usadas pois estavam testando sobre uma lamina e uma cultura de vermes em ambiente controlado......logicamente nao faria o mesmo efeito e nem chegaria perto doa farmacos no que se refere a reacao de ataque contra as vermes....mesma coisa se pode dizer deste experimento com ratos...mas eu ja fiz uso do resveratrol manipulado e te digo....faz efeito.....

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Waldemar.

      Não duvido que o resveratrol possa ter dado algum resultado positivo pra você. Mas a primeira questão é: mesmo que tenha funcionado para um indivíduo, isso não significa que vai funcionar para outros, ou para a maioria das pessoas. Os estudos costumam avaliar o que acontece com as pessoas em geral, na média. É por isso que, no caso do resveratrol, não podemos generalizar possíveis benefícios, mesmo com relatos individuais de eficácia.

      A segunda questão é: quando você fez o uso do resveratrol, pra qualquer que tenha sido a finalidade, essa foi a única alteração de alimentação, medicamentos e hábitos de vida que você fez? Porque é bem raro que um paciente altere apenas uma variável quando está em busca de um resultado X ou Y na saúde. Se não foi a única alteração, não tem como dizer que o efeito foi do resveratrol, ou se o resveratrol teve de fato algum papel no efeito que você relata.

      E, mesmo que o uso do resveratrol no seu caso tenha acontecido sem qualquer outra alteração nos seus hábitos, ainda assim talvez não seja possível afirmar com toda certeza que foi o resveratrol. Isso depende também de que tipo de efeito você está falando, já que você não especificou. Vários tipos de condições clínicas podem melhorar simplesmente com o passar do tempo. Um dos fenômenos que explica isso se chama "regressão à média", caso tenha curiosidade em saber mais.

      Excluir
  13. cara seus textos são bons e polêmicos ! gostei.... tem como você fazer um texto sobre o polemico OLÉO DE COCO ?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Eugenio.

      Pretendo escrever sobre o óleo de coco no futuro. Enquanto isso, você pode ler a seção de comentários do texto abaixo. Nela eu respondo várias dúvidas que já me perguntaram sobre óleo de coco:

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2014/08/qual-e-o-melhor-oleo-para-coccao.html

      Excluir
  14. Bom dia JG.Marques !
    Parabéns por seu trabalho e estudo x matéria.
    Continua a tese, "somos o que ingerimos,raciocinamos e praticamos ou não de atividades fisicas,as melhores práticas tanto para experimentos clínicos ou laboratoriais o importante,em corpos animais racionais ou não haver em primeiro plano, uma limpeza orgânica balanceada e integralidade eliminando os agentes parasitárias, através do orgânico, natural,nutricional corréta e bioquímicos
    ...dessa forma teremos uma evoluçao exata dos resultados.
    Gostei de sua abordagem sobre "as pílulas mágicas " ...quando existem só o mercantil o s humanos esquecem da ética e seus próprios valores !..
    Cordialmente,
    Adair Pereira Dias
    Autor do "Projeto Saúde e Cultura". 1996/2001.
    Em Novos conceitos sobre serviços de saúde,metodologias,nutrição corréta com visão de responsabilidades sociais e ambiental.
    (5511)97597-0804 whatsApp

    ResponderExcluir