segunda-feira, 23 de junho de 2014

Glúten: sensibilidade e permeabilidade intestinal — Parte 3




Esse é o terceiro e último post da série sobre glúten, sensibilidade e permeabilidade intestinal. Para melhor compreensão, a leitura dos posts anteriores dessa série é recomendável. Então, para quem ainda não leu, aqui estão os links:


Agora, vamos ao estudo mais recente.

No effects of gluten in patients with self-reported non-celiac gluten sensitivity after dietary reduction of fermentable, poorly absorbed, short-chain carbohydrates [1]



O estudo

Foram recrutados pacientes com síndrome do intestino irritável, com mais de 16 anos, cujos sintomas da doença eram bem controlados com uma dieta isenta de glúten. Nenhum dos indivíduos apresentava doença celíaca, mas, por melhorarem dos sintomas a partir do consumo de uma dieta sem glúten, foram considerados como pacientes que apresentavam sensibilidade ao glúten.

O estudo foi um ensaio clínico randomizado, cruzado, duplo-cego e controlado por placebo – padrão ouro para se testar o efeito de qualquer tipo de tratamento. O termo randomizado significa que todos os pacientes foram aleatoriamente alocados para os grupos experimentais, enquanto que a expressão cruzado diz respeito ao fato de que cada indivíduo participou de cada um dos grupos experimentais — diminuindo a probabilidade de haver influência a partir de variações interindividuais. Duplo-cego refere-se ao fato de que nem os participantes e nem os pesquisadores sabiam quais indivíduos receberiam qual tipo de tratamento; para isso, pessoas não diretamente relacionadas ao estudo tiveram que acompanhar os procedimentos para, ao final do estudo, relatar quais indivíduos, em cada momento, receberam quais tipos de tratamento. Controlado por placebo quer dizer que houve um grupo placebo no experimento, ao qual os grupos de tratamento são comparados.

Nas duas primeiras semanas, todos os 37 participantes foram instruídos a seguir uma dieta sem glúten e reduzida em FODMAPs. O termo FODMAPs (Fermentable Oligosaccharides, Disaccharides, Monosaccharides And Polyols) se refere a carboidratos e polióis (alcoóis que naturalmente apresentam gosto doce) que não são muito bem digeridos pelas nossas próprias enzimas e, por isso, ficam disponíveis para que as bactérias no nosso intestino possam fermentar essas substâncias. Essa estratégia de uma dieta com baixa quantidade de FODMAPs foi utilizada porque pacientes com síndrome do intestino irritável, como os que foram recrutados para o estudo, parecem ser mais sensíveis que pessoas normais a esses compostos [2,3,4].

Após esse período, cada paciente passou, em três momentos distintos, por três tratamentos diferentes: placebo (16 g/dia de whey protein), glúten reduzido (2 g/dia de glúten + 14 g/dia de whey protein) ou glúten elevado (16 g/dia de glúten). Cada tratamento durou 1 semana. Independente do tratamento, todos os pacientes mantiveram o restante da dieta isenta de glúten e reduzida em FODMAPs — a qual foi devidamente seguida por todos os participantes, de acordo com os dados coletados pelos pesquisadores.

Houve, ainda, um período de “re-teste”. Vinte e dois indivíduos, do total de 37, foram novamente estudados — dessa vez por 3 dias — para que o efeito dos três grupos experimentais fosse novamente testado. Essa etapa foi conduzida para testar a reprodutibilidade da fase experimental prévia que durou 1 semana. Foram utilizadas as mesmas quantidades de whey protein e glúten em cada grupo.


Resultados

A adesão a uma dieta isenta de glúten e, ao mesmo tempo, reduzida em FODMAPs diminuiu de forma significativa os sintomas nesses pacientes nas primeiras duas semanas do estudo:


Figura 1
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Como pode ser observados na figura 1, todos os pacientes melhoraram seus sintomas com uma dieta reduzida em FODMAPs. Aqueles que apresentavam piores sintomas naturalmente tiveram uma melhora mais significativa nesses sintomas (quanto maior for o valor no eixo Y, mais intensos são os sintomas na escala AVS). Com isso, é possível perceber também que, após essas duas semanas, o relato de sintomas adversos foi mais homogêneo entre os participantes.

Entretanto, como visto nas figuras 2 e 3, quando os pacientes receberam qualquer um dos tratamentos (whey, glúten reduzido + whey ou glúten elevado), praticamente todos os sintomas foram exacerbados novamente:


Figura 2
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Figura 3
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Ou seja, até mesmo o consumo de whey protein, e não apenas de glúten, foi capaz de induzir aumento nos sintomas dos participantes do estudo. Alguns dos sintomas avaliados, como visto na figura acima, foram dor abdominal, inchaço abdominal, cansaço e náusea.


Variabilidade entre os indivíduos

O desenho cruzado do estudo em questão foi essencial para se perceber diversos fatores importantes para explicar os resultados encontrados nesse estudo.

Alguns pacientes que apresentaram muitos sintomas com o consumo de glúten na fase de 1 semana do estudo apresentaram menos sintomas após o “re-teste” de 3 dias. E o contrário também aconteceu: alguns pacientes que apresentaram poucos sintomas na fase de 1 semana, com o consumo de glúten, apresentaram mais sintomas no “re-teste” de 3 dias. Ao mesmo tempo, alguns pacientes que apresentaram sintomas com o consumo de whey protein, durante a fase de 1 semana, deixaram de apresentar parte dos mesmos sintomas durante o “re-teste” de 3 dias.


Figura 4
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Além disso, segundo os próprios pesquisadores, a primeira fase de 1 semana do tratamento pode ter sido muito estressante para os pacientes, devido aos inúmeros testes aos quais foram submetidos em cada um desses 7 dias. Tal rigorosidade sobre os participantes pode ter contribuído para que os sintomas se exacerbassem ou para que um possível efeito nocebo surgisse. E, na minha opinião, toda a variabilidade observada nesse estudo, junto aos resultados relativamente bastante conflitantes também observados no estudo anterior do mesmo grupo de pesquisadores [5], é muito provável que um efeito nocebo de fato tenha ocorrido em ambos os estudos. Além dos resultados em si já serem de difícil interpretação, a elevada probabilidade de um efeito nocebo dificulta ainda mais a correta visualização e explanação do real efeito do glúten e dos FODMAPs em indivíduos diagnosticados com sensibilidade ao glúten.

De qualquer maneira, individualmente falando, muitos pacientes não tiveram seus sintomas exacerbados com o consumo do glúten. E vale ressaltar que o glúten utilizado nesse estudo não era tão “purificado” como o utilizado no estudo anterior [5] — provavelmente simulando de forma mais fidedigna o glúten como ele é consumido nos alimentos que são fonte dessa proteína.


FODMAPs

Juntando os resultados desse estudo com os obtidos no estudo prévio [5] do mesmo grupo de pesquisadores, que comentei no post anterior dessa série, o que parece mais plausível é que pacientes com sensibilidade ao glúten apresentam, na verdade, sensibilidade a FODMAPs.

Como informação adicional, os autores do estudo mencionam que alguns pacientes relataram intolerância a um (38% dos pacientes) ou mais (27% dos pacientes) alimentos que contêm FODMAPs. Tais dados possivelmente fortalecem a possibilidade de intolerância a FODMAPs, e não ao glúten, nesse grupo de pacientes. Ou pelo menos uma sensibilidade maior a FODMAPs do que ao glúten.

Entretanto, algumas ressalvas importantes:

1) Todos os pacientes desse estudo tinham síndrome do intestino irritável. Boa parte dos pacientes com essa doença apresenta intolerância a alimentos que contêm glúten. Apesar disso, certamente existem diversos pacientes sem síndrome do intestino irritável que apresentam sensibilidade a alimentos que contêm glúten. Os resultados apresentados por esse estudo devem ser colocados em contexto apenas para esse grupo de indivíduos — pelo menos por enquanto, com as evidências científicas que temos.

2) Alguns pacientes que referem ter ou que são diagnosticados com sensibilidade ao glúten apresentam sintomas diferentes daqueles que foram avaliados nesse estudo, incluindo: dor de cabeça, dor muscular, vermelhidão na pele e formigamento nas mãos e pés. Levando em consideração que a síndrome do intestino irritável é caracterizada basicamente pelos sintomas gastrointestinais referidos pelos pacientes, é possível que sensibilidade ao glúten e sensibilidade a FODMAPs sejam duas condições diferentes. Nesse sentido, pacientes com síndrome do intestino irritável podem, na maior parte dos casos, apresentar sensibilidade a FODMAPs, enquanto que outros pacientes podem de fato apresentar sensibilidade especificamente ao glúten. Não dá pra dizer ao certo, uma vez que os dois estudos que temos para nos dar ideia sobre esse assunto foram feitos com pacientes que possuem síndrome do intestino irritável.

3) É possível que o efeito do glúten em pacientes com sensibilidade a essa proteína seja dependente da quantidade de FODMAPs da dieta; ou seja, poucos FODMAPs da dieta talvez sejam insuficientes para que o glúten possa exercer efeitos adversos, enquanto que o aumento de FODMAPs na dieta faça com que o glúten seja mais reativo nessas pessoas que apresentam algum tipo de sensibilidade. Além disso, é muito provável que a maior ou menor sensibilidade a FODMAPs, dependendo do indivíduo, seja determinante para se avaliar o possível efeito “sinérgico” do glúten na sensibilidade a alimentos com glúten e/ou alimentos com FODMAPs.

4) Existe também a possibilidade de que a adoção de uma dieta reduzida em FODMAPs possa alterar a quantidade e os tipos de bactérias no intestino dos participantes da pesquisa [6,7]. Essa modificação nas bactérias do intestino (microbiota intestinal) pode ser determinante no desencadeamento de sintomas, seja pelo glúten ou por FODMAPs.


Considerações finais

Com dados conflitantes e ainda relativamente escassos, parece não ser possível dizer que a sensibilidade ao glúten, da forma como é atualmente classificada, seja de fato uma doença cujos sintomas são desencadeados especificamente pelo glúten. Ao contrário, as evidências existentes sugerem que os FODMAPs possivelmente até tenham um papel mais relevante — pelo menos em pacientes que reconhecidamente muitas vezes respondem de forma negativa ao consumo de alimentos que contêm glúten (indivíduos com síndrome do intestino irritável).

Isso não quer dizer que pacientes que apresentam sintomas com o consumo de glúten, e melhora desses sintomas com a retirada do glúten da dieta, não devam restringir o consumo de alimentos que contêm essa proteína. Muito pelo contrário, na verdade é até prudente que essas pessoas restrinjam o consumo de glúten. Até porque a principal fonte de glúten na nossa dieta, o trigo, é um alimento que também contêm FODMAPs, e que, portanto, deveria ser restringido numa dieta reduzida em FODMAPs.

Além disso, a restrição no consumo de alimentos que contêm glúten, principalmente aqueles derivados do trigo (pães, biscoitos doces e salgados, bolos e massas em geral), é que a qualidade da dieta pode aumentar de forma significativa. Isso é verdade principalmente porque os alimentos que contêm glúten normalmente são nutricionalmente muito pobres, com baixíssimas quantidades de vitaminas e minerais. E o ideal não é trocar esses alimentos por pães e bolos sem glúten, por exemplo, porque esses produtos também não apresentam uma qualidade nutricional elevada — muitas vezes contendo inúmeros aditivos químicos ou sintéticos. A substituição deve ser feita por alimentos ricos nutricionalmente, como hortaliças, tubérculos e frutas.

Por fim, o consumo e a sensibilidade ao glúten estão associados ao desenvolvimento de inúmeras outras doenças, tais como fibromialgia [8,9], autismo [10,11], diabetes tipo 1 [12,13], depressão [14,15], ataxia [16,17] e esquizofrenia [18]. Mais importante do que a relação entre o glúten e essas patologias é o fato de que a restrição no consumo de glúten é capaz de melhorar os sintomas (e em alguns casos levar à remissão) em todas elas [9,10,12,15,17,18] — e possivelmente em diversas outras doenças relacionadas.

Tudo isso é muito relativo e provavelmente muito variável, dependendo de cada pessoa e das características da doença. Mas se você possui alguma dessas doenças ou suspeita que o o consumo de alimentos com glúten pode estar relacionado a algum sintoma, a restrição é sempre uma alternativa que deve ser levada em consideração.


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Posts da série:


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Referências

1. Biesiekierski JR, et al. No effects of gluten in patients with self-reported non-celiac gluten sensitivity after dietary reduction of fermentable, poorly absorbed, short-chain carbohydrates. Gastroenterology. 2013;145(2):320-8.e1-3.

2. Staudacher HM, et al. Comparison of symptom response following advice for a diet low in fermentable carbohydrates (FODMAPs) versus standard dietary advice in patients with irritable bowel syndrome.  J Hum Nutr Diet. 2011;24(5):487-95.

3. Ong DK, et al. Manipulation of dietary short chain carbohydrates alters the pattern of gas production and genesis of symptoms in irritable bowel syndrome. J Gastroenterol Hepatol. 2010;25(8):1366-73.

4. Gwee KA. Fiber, FODMAPs, flora, flatulence, and the functional bowel disorders. J Gastroenterol Hepatol. 2010;25(8): 1335-6.

5. Biesiekierski JR, et al. Gluten causes gastrointestinal symptoms in subjects without celiac disease: a double-blind randomized placebo-controlled trial. Am J Gastroenterol. 2011;106(3):508-14.

6. Simrén M, et al. Intestinal microbiota in functional bowel disorders: a Rome foundation report. Gut. 2013;62(1):159-76.

7. Carroccio A, et al. Non-celiac wheat sensitivity is a more appropriate label than non-celiac gluten sensitivity. Gastroenterology. 2014;146(1):320-1.

8. Rodrigo L, et al. Remarkable prevalence of coeliac disease in patients with irritable bowel syndrome plus fibromyalgia in comparison with those with isolated irritable bowel syndrome: a case-finding study. Arthritis Res Ther. 2013;15(6):R201.

9. Isasi C, et al. Fibromyalgia and non-celiac gluten sensitivity: a description with remission of fibromyalgia. Rheumatol Int. 2014. [Epub ahead of print].

10. Pennesi CM, Klein LC. Effectiveness of the gluten-free, casein-free diet for children diagnosed with autism spectrum disorder: based on parental report. Nutr Neurosci. 2012;15(2):85-91.

11. Lau NM, et al. Markers of Celiac Disease and Gluten Sensitivity in Children with Autism. PLoS One. 2013 Jun 18;8(6):e66155.

12. Sildorf SM, et al. Remission without insulin therapy on gluten-free diet in a 6-year old boy with type 1 diabetes mellitus. BMJ Case Rep. 2012;2012

13. Visser J, et al. Tight junctions, intestinal permeability, and autoimmunity: celiac disease and type 1 diabetes paradigms. Ann N Y Acad Sci. 2009;1165:195-205.

14. Peters SL, et al. Randomised clinical trial: gluten may cause depression in subjects with non-coeliac gluten sensitivity - an exploratory clinical study. 

15. Carr AC, et al. Depressed mood associated with gluten sensitivity—resolution of symptoms with a gluten-free diet. N Z Med J. 2012;125(1366):81-2.

16. Genius SJ, Lobo RA. Gluten sensitivity presenting as a neuropsychiatric disorder. Gastroenterol Res Pract. 2014;2014:293206

17. Hadjivassiliou M, et al. Dietary treatment of gluten ataxia. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2003;74(9):1221-4.

18. Kalaydjian AE, et al. The gluten connection: the association between schizophrenia and celiac disease. Acta Psychiatr Scand. 2006;113(2):82-90.



82 comentários:

  1. Muito bom! Esse site é maravilhoooooso!

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  2. Boa noite João Gabriel. Estou encantada com a matéria! Meu nome é Lúcia
    tenho um sobrinho com diabetes tipo 1, mesmo sem sintoma relacionado com o consumo do glúten, ele deveria restringir? Sei que é difícil opinar sem consulta, mas qual sua dica?

    Obrigada, Lúcia.

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    1. Muito obrigado, Lúcia!

      O que sabemos hoje é que o glúten parece ter relação principalmente com o desenvolvimento inicial do diabetes tipo 1. Ou seja, teoricamente o mais interessante seria que as crianças, desde bem jovens, já tenham um consumo baixo de glúten, justamente como forma de diminuir a probabilidade de desencadeamento da doença.

      Porém, devido ao presumido mecanismo pelo qual o glúten contribui para o diabetes tipo 1 -- que inclusive envolve aumento na permeabilidade intestinal --, é bem possível que a restrição de glúten ajude a atenuar o desenvolvimento da doença, que é progressiva. Assim, quanto mais cedo acontecer a restrição no consumo, teoricamente melhor será para a criança.

      Existe um relato (e talvez outros) na literatura científica que apresenta o caso de um menino, com diabetes tipo 1, que não precisou utilizar insulina mesmo três anos após o diagnóstico da doença. O controle da doença aconteceu com uma dieta low-carb isenta de glúten.

      E já que eu mencionei low-carb, aproveito para dizer que provavelmente é uma ótima ideia de padrão alimentar para qualquer pessoa com diabetes tipo 1. Se vocês tiverem interesse, mas nunca pensaram nessa questão como alternativa, recomendo conversar com algum profissional que tenha conhecimento e disposição para ajudá-los. A internet também pode ter informações interessantes sobre esse assunto, principalmente de fontes em inglês. Além disso, me adianto para dizer que a experiência prática do diabético, e de seus cuidadores, é também muito importante, principalmente para adequar a necessidade de insulina do paciente (que será mais baixa) com uma dieta low-carb.

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    2. Muito obrigada pelo esclarecimento. Esses termos são novos para mim e meu marido, mas irei repassar para meu irmão. Com certeza estará disposto e procurar a ajuda de um profissional da nutrição que trate dessa forma. No facebook achei uma página chamada Low-carb e estou aguardando a aceitação. O que for para melhorar a qualidade de vida dele e talvez interromper a doença, será de bom tamanho. Fiquei muito feliz com essa página e o seu esquema de responder as dúvidas. Obrigada mais uma vez!

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  3. Boa tarde
    então pode-se dizer que existe relação entre glúten e diabates tipo 1 mesmo sem doença celíaca? Já que não ocorre o mimetismo molecular ( pois não ocorre permeabilidade ) qual seriam os mecanismos de ação de autoimunidade sem permeabilidade?

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    1. Olá.

      Sim, existe relação entre glúten e diabetes tipo 1 independentemente de doença celíaca. Porém, isso não necessariamente quer dizer que o glúten não pode levar ao aumento na permeabilidade intestinal em pessoas (sem doença celíaca) com predisposição ao diabetes tipo 1.

      Os estudos que mostram não haver aumento de permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca foram todos realizados com pessoas sem patologias específicas. Ou seja, não sabemos de que maneira a ingestão de glúten influencia a permeabilidade intestinal em pacientes com diabetes tipo 1. Pode ser que aumente, pode ser que não.

      Além disso, apesar de haver boas evidências de que várias doenças autoimunes apresentam relação com o aumento da permeabilidade intestinal, ainda não é consenso que esse aumento de permeabilidade é uma condição necessária para o desenvolvimento de qualquer doença autoimune. Ou seja, mesmo que venha a ser demonstrado que algumas (ou quase todas) as doenças autoimune dependam do aumento da permeabilidade intestinal, é possível que o diabetes tipo 1 não esteja incluído nelas.

      Ainda, considere um cenário em que se demonstre que o glúten é um fator necessário para o desenvolvimento do diabetes tipo 1. Mesmo nesse caso, é possível que o mecanismo pelo qual o glúten promove o desencadeamento da doença não envolva o aumento da permeabilidade intestinal. Em situações como essa, é possível, por exemplo, que anticorpos gerados a partir da ingestão de glúten levem, posteriormente, à deflagração da resposta imunológica mais específica característica do diabetes. O epítopo formado no intestino pode, por exemplo, possuir uma sequência de aminoácidos que pode ser a mesma identificada em algum segmento das células beta do pâncreas; assim, as células do sistema imune que identificaram o epítopo lá no intestino podem, ao se multiplicar, gerar anticorpos que posteriormente estarão aptos a reagir contra células beta.

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  4. Oi João Gabriel
    eu li toda essa matéria uma vez, mas vendo os comentários fiquei confuso.
    Você recentemente respondeu um comentário dizendo " então se todo mundo quiser, pode parar de ingerir glúten como forma de prevenção de doença autoimune. Está MINIMAMENTE certo "

    porque esse minimamente? O glúten é ou não é prejudicial para TODOS?????

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    1. Olá.

      Não encontrei o trecho ao qual você se refere em nenhuma das três partes dessa série sobre glúten e permeabilidade intestinal. Você poderia me apontar onde você leu isso?

      Um trecho um pouco parecido que encontrei foi o seguinte:

      "Se o indivíduo considerar que não consumir glúten é uma forma de potencialmente se prevenir de algumas doenças, ele pode fazer isso sabendo que existe uma fundamentação mínima pra isso".

      Esse trecho se refere para o fato de que a doença celíaca, como doença autoimune, é uma condição onde o glúten induz a permeabilidade intestinal. Por outro lado, não sabemos se esse aumento de permeabilidade induzido pelo glúten também ocorre em outras doenças autoimunes. A possibilidade existe, mas não podemos afirmar porque estudos pra testar isso nunca foram feitos. Além disso, outra informação que sabemos é que pessoas com doença celíaca apresentam maior risco de desenvolverem outras doenças autoimunes. Por isso, considerando essas questões, a pessoa que restringe o glúten como possível forma de prevenção contra doenças autoimunes pode fazer isso sabendo que existe um mínimo de embasamento científico -- que é a possibilidade de um mecanismo comum entre o desenvolvimento da doença celíaca e de outras doenças autoimunes, que envolveria o aumento da permeabilidade intestinal.

      E não, o glúten não necessariamente vai fazer mal pra todo mundo. Existe sim uma relação direta entre o consumo de glúten e o desenvolvimento de algumas patologias, mas é impossível prever quem realmente desencadeará alguma resposta prejudicial ao consumo do glúten no médio ou longo prazo. Porém, se existe a possibilidade de efeitos prejudiciais com o consumo de glúten, por que "arriscar"? É por isso que, na minha opinião, a restrição de glúten é algo que cabe pra qualquer pessoa.

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    2. Você está certo, eu não copiei a frase certa, eu só colocar o que mais ou menos dizia. rs

      Afirmar que glúten faz mal a todos as pessoas, - em diferentes graus - seria errado então? tem pessoas que lidam muito bem com o glúten? Mesmo sabendo da transgenia? do excesso de glúten nos alimentos por modificação genética etc?
      ou isso é irrelevante na sua opinião?

      Desculpe e obrigado.

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    3. Acredito que sabemos pouco sobre modificações genéticas relacionadas ao glúten para entendermos a implicação disso na saúde, caso elas realmente sejam importantes. E, na verdade, acho que isso vale para alimentos transgênicos de maneira geral.

      Apesar disso, alguém poderia vir aqui e citar as evidências apontadas em livros como "Barriga de trigo" e "Dieta da mente" como argumentos de que o glúten de hoje é tão modificado que, por isso, faria mal pra todo mundo. Porém, seria possível rebater tais evidências com algumas outras que mostram que tais alterações genéticas seriam irrelevantes.

      O que realmente temos que avaliar é a relação do consumo de glúten com desfechos de saúde, independentemente das alterações genéticas que o glúten sofreu ao longo dos anos (até porque quase todos os alimentos que consumimos hoje passaram por processos semelhantes; só que você não vê ninguém alertando sobre os “perigos” de consumir arroz geneticamente modificado, por exemplo). Como mencionei nessa terceira parte da série, existe sim uma relação direta, e em alguns casos uma relação aparentemente causal, entre a ingestão de glúten e o desenvolvimento de algumas doenças, como depressão e ataxia. Mas como saber o risco individual de alguém? Não tem como... Por isso que eu falo que podemos optar por não arriscar e simplesmente evitar o consumo de glúten.

      Em relação a lidar bem com o glúten, a discussão é a mesma. Os que “se dão bem” com o glúten são justamente aqueles que não vão desencadear respostas negativas com o consumo dessa proteína; ou seja, são aqueles que apresentam uma resposta neutra. Por outro lado, terão aqueles que vão responder de forma negativa.

      E ainda tem mais. É possível que o glúten propriamente dito nem tenha relação direta com as doenças que mencionei no texto. A associação entre o consumo de glúten e as doenças mencionadas existe, mas como saber se o glúten seria o real culpado? Os alimentos com glúten normalmente contêm uma série de outros aditivos, simplesmente porque as nossas fontes de glúten são os produtos processados e industrializados. Quantas pessoas você conhece que come o trigo a partir do grão? E quantas pessoas você conhece que consome pães, bolos, biscoitos e outros tipos de produtos processados que contêm glúten? E se o consumo de glúten for simplesmente um “marcador” para o consumo de produtos processados e industrializados, sendo que os verdadeiros “culpados” seriam outros componentes presentes nesses alimentos?

      São tantas variáveis em jogo, e nosso conhecimento ainda é tão pouco, que é muito precipitado dizer que o glúten é o grande problema -- e mais precipitado ainda é falar que o glúten vai fazer mal pra qualquer um, considerando os pontos que mencionei.

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    4. Obrigado por responder rápido! rs
      eu discordo de você em alguns aspectos. Arroz, até agora, não foi apresentado nenhum tipo de proteína "inflamatória"... eu usei esse termo só pra entender, não tenho artigos que dizem isso. O milho a mesma coisa, o nosso milho é transgenico, mas não existe nenhuma trabalho científico que eu saiba, pelo menos, que relaciona ele com doenças autoimunes, ou qualquer doença específica ( DC por exemplo ) não dá pra comparar.

      Quanto a relação do glúten ser um marcador, eu discordo em parte. Concordo em relação que alimentos com glúten são no geral, prejudiciais ( biscoitos, cerveja, bolo etc ) mas discordo em relação da marcação. Porque existem trabalhos sérios que mostram que a GLIADINA ( do glúten, e não do biscoito ) promove efeito prejudicial ( mesmo que não seja em todo mundo, mesmo que não cause permeabilidade, mesmo que seja IN VITRO, ou o que seja! Pra quem sabe ler, um pingo é letra...boa coisa ela não é!!! ) entendeu minha visão?

      Agora, isso sem dúvida é muito polêmico, e na minha opinião de leitor e curioso ( ainda não tenho prática clinica ) acredit que mesmo que exista artigo que mostre prejuízos do glúten de forma geral, isso vai ser o mais abafado possível. A indústria alimentícia depende do trigo, soja e leite.
      Falar mal deles, no Brasil principalmente, é ser criticado.

      E ainda digo mais: quem se atreva a falar, é considerado charlatão, sensacionalista, etc... Agora, conversa com quem colocou em prática, que vamos ouvir bons resultados em grande parte das pessoas.

      Tanto a nutrição, quanto a medicina, deve ser vista com ciência, claro, mas também com prática, que é até principal.

      A teoria é linda, a prática arrepia....

      Abraços

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    5. O arroz foi apenas um exemplo. E o fato de não haver inflamação não quer dizer que não vai causar problemas. Os prejuízos a partir da ingestão de qualquer alimento, ou qualquer composto, pode, acontecer independente de inflamação. E sobre o milho, existem prolaminas (zeínas) que, por serem estruturalmente semelhantes à gliadina, poderiam causar problemas semelhantes aos que teoricamente são desencadeados pelo glúten.

      A princípio não questiono a seriedade dos trabalhos que mostram possíveis efeitos prejudiciais da gliadina. Porém, isso não necessariamente significa que eles são relevantes. E o fato de eles serem in vitro pesa muito nesse sentido. Muita gente acha que isso não é um problema, mas na verdade é. Estudos in vitro são úteis basicamente para se estudar mecanismos, mas são péssimos para nos dizer sobre a relevância que o que está sendo estudado tem para sistemas biológicos minimamente complexos (e piores ainda para sistemas extremamente complexos, como o organismo humano). Um exemplo claro que me vem agora é o da gordura saturada: se nos basearmos apenas em estudos in vitro, colocar gordura saturada no corpo seria um homicídio. Só que essa limitação dos estudos in vitro poderia se aplicar a vários outros compostos, já que provavelmente é possível induzir efeitos negativos com quase qualquer substância em modelos com células, dependendo do tipo celular e das condições experimentais. (A minha ênfase em relação a estudos in vitro se deve ao fato de que as evidências sobre os efeitos negativos da gliadina são provenientes desse tipo de estudo).

      E sim, é possível que as evidências não sejam tão divulgadas como deveriam. Porém, pode ter certeza que sites que realmente se importam com a saúde da população vão trazer à tona essas evidências -- até porque os bons sites de saúde são feitos por pessoas que normalmente sabem buscar, ler e interpretar tais evidências.

      Concordo que a prática é muito importante, assim como a individualidade. Porém, se uma pessoa refere benefícios ao remover alimentos que contêm glúten da alimentação, não é possível afirmar com certeza que tais melhorias foram necessariamente por causa da restrição do glúten. Quando você remove o glúten também restringe várias outras coisas que estão contidas nos alimentos que contêm essa proteína.

      E, na minha opinião, o foco da discussão nem precisaria ser o glúten. Existem milhares de alternativas que são infinitamente superiores a qualquer alimento que contêm glúten, assim como existem diversos motivos pelos quais nem deveríamos consumir alimentos que contêm glúten (já que quase todos eles são excessivamente processados). Ou seja, as fontes de glúten, mesmo as mais naturais, talvez nem precisariam (ou deveriam) estar entre as primeiras opções para compor uma alimentação saudável.

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  5. Olá
    fiz um curso em SP semana passada com um profissional chamado Murilo Pereira, conhece?
    ele deu um show sobre glúten e intestino ( microbiota foi o foco )
    foram 9 aulas com muitos questionamentos e respostas.

    Pelo que entendi nem todo mundo expressa o CXCR3... cerca de 1/4 da população mundial expressa. Nessas pessoas, o glúten causa permeabilidade por si só.
    A outra parte da população, por outras causas, pode ter permeabilidade intestinal ( são inúmeras causas, incluindo uso de antiinflamatório, frutose isolada etc)e peptídios do glúten exercer seu prejuízo sistemicamente, mas sem causar a permeabilidade.
    Outra coisa em evidência foi as outras reações mais recentes que o glúten está sendo relacionado. Além de dermatite hepertiforme, ataxia e a própria doença celíaca, entre outras, a sensibilidade da gengiva também está correlacionada. ( Usar fio dental e sangrar ) é uma atenção para hipersensibilidade.

    O curso que fui foi do Lair Ribeiro, mas quem deu aula de glúten e alimentação foi esse Murilo Pereira, o cara é bem inteligente, acredito que ele não falou bobagem!

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    1. Olá.

      Conheço sim o Murilo. Ele é daqui de Brasília, inclusive! E ele realmente é um ótimo profissional; tem muito conhecimento. Mas até mesmo quem sabe muito pode fazer extrapolações que são, de certa forma, indevidas.

      Por isso, vou fazer um breve comentário. Os estudos com glúten, CXCR3 e permeabilidade são todos in vitro ou ex vivo. A partir deles não tem com tirar conclusões sobre os efeitos in vivo em humanos. Digo isso porque, em modelos in vivo e ex vivo, o glúten realmente leva ao aumento na permeabilidade intestinal (mesmo sem considerar a expressão de CXCR3) -- os estudos foram citados na parte 2 dessa série.

      Ou seja, não diria que o que foi dito foi bobagem, mas certamente é uma extrapolação. De qualquer maneira, a observação de que a expressão de CXCR3 in vitro e ex vivo está relacionada ao aumento da permeabilidade é o tipo de resultado que abre portas para que o assunto seja pesquisado em humanos.

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  6. Boa noite João! Gostei dessa reportagem sobre o glúten, tenho aprendido muito isso, e pelo seu texto é exatamente o que sei.
    Respondendo ao colega aí de cima que não colocou nome, eu também conheço bem o Murilo, e acho ele inteligente, mas ele tem alguns pulos do gato. Certa vez na aula fechada para 50 pessoas, uma médica perguntou pra ele o que ele achava de Dieta e tipagem sanguínea, ele respondeu da seguinte forma: " você quer que eu te responda a realidade, ou o que a ciência diz? Aí ela riu e disse que queria a opinião dele, e ele respondeu dizendo que é verdade quando se trata de algumas doenças tipo câncer, o ajuste da dieta do grupo sanguíneo é fundamental, mas que ele não tem artigo para mostrar isso. Aí eu te pergunto, eu acredito nele, mas como um profissional diz que existe algo, que não é provado cientificamente!? Eu estou fazendo a pós de Nutriendocrinologia, coordenado pelo Dr. Lair Ribeiro, estou gostando, e colocando em prática primeiro em mim. Mas quando se trata de alimentação, que eu não tinha noção nenhuma, gosto de ouvir várias opiniões. Essa do tipo sanguíneo acho muito radical.
    Abraço, Marcelo (CRM SP-83313)

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    1. Olá, Marcelo.

      A prática certamente conta muito, seja ela clínica (de um profissional) ou individual. Se uma pessoa chega pra mim e fala: "Eu fiz tal coisa e deu certo". Se realmente funcionou, a questão de ter evidências científicas não necessariamente é tão importante.

      Porém, o que não dá pra aceitar é o discurso do tipo "se você fizer tal coisa, vai prevenir as doenças X, Y e Z". Não dá pra aceitar simplesmente porque é impossível medir isso. Não tem como você saber se a ausência de desenvolvimento de tal doença foi decorrente especificamente da adoção de determinado hábito -- isso considerando algum tipo de intervenção que não qualquer embasamento científico.

      Vou dar exemplos pra ilustrar melhor. Digamos que uma pessoa possui um problema de pele e alguém diz pra ela que, se ela adotar a dieta do tipo sanguínea dela, o problema vai melhorar. Em seguida, a pessoa passa a se alimentar de acordo com a dieta e de fato o problema desaparece. Ótimo. Certamente não foi algo com o devido embasamento científico, assim como não tem como saber exatamente por que tal efeito aconteceu. Mas funcionou, mesmo que tenha sido por efeito placebo. Não vejo nenhum problema nisso.

      Então, com o exemplo acima, é possível dizer que algo "existe" mesmo sem embasamento científico. Só que isso depende, inclusive, da forma com que você passa a mensagem. Imagine alguém falando o que eu disse no parágrafo acima da seguinte forma: "Para quem tem o tipo sanguíneo 'O', e ao mesmo tempo apresenta problemas de pele, basta seguir a dieta do tipo sanguíneo específica para você que o seu quadro clínico vai melhorar". Essa forma de passar a informação estaria longe de ser a melhor, porque a ideia passada é que a melhora do problema sempre vai ocorrer. Ou seja, o que quero dizer é que precisa ficar claro que o embasamento científico não existe, e que, mesmo que funcione para a pessoa X, não necessariamente vai funcionar para a pessoa Y.

      Só que pode existir, também, o cenário onde as evidências mostram que determinada intervenção não funciona e que, por outro lado, as pessoas que a testaram na prática relatam que, em boa parte dos casos, funciona sim. Essa é a realidade do hCG, por exemplo. As evidências científicas são bem claras em demonstrar consistentemente que é um tratamento que não difere do placebo. Porém, na prática, as pessoas dizem que funciona. Mas e se essas pessoa tivessem usado placebo em vez do hCG? De acordo com a ciência, o efeito seria exatamente o mesmo. Nesse tipo de situação, temos duas conclusões possíveis: 1) a ausência de um grupo controle (que é impossível, já que temos n=1) nos impede de dizer até que ponto o hCG tem efeito -- que teoricamente é igual ao de um placebo, como mostram os estudos; 2) puro efeito placebo. De qualquer maneira, quando temos evidências mostrando que uma intervenção não funciona, mesmo com pessoas dizendo que na prática tem efeito, o mais importante também é deixar a realidade bem clara. A decisão final vai ser do indivíduo.

      Por outro lado, podemos ter também uma situação em que uma pessoa fala: "Vou fazer uma dieta alcalina, pois o meu médico disse que vou prevenir osteoporose e câncer consumindo uma dieta que aumenta o pH do meu sangue". Será que vai? Considerando as evidências científicas, o suposto aumento do pH sanguíneo nem ocorreria, o que nos leva à conclusão de que tal dieta não levaria aos efeitos desejados (pelo menos não por esse mecanismo). E mesmo que a pessoa não desenvolva essas doenças, como saber que foi pela dieta? Não tem como saber...

      Por isso que o mais importante é que as pessoas recebam informações de qualidade, tendo os profissionais o papel de informar quando algo realmente possui embasamento científico ou não. Ou se algo, mesmo sem evidências, já funcionou na prática com algumas pessoas ou não.

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    2. Me entristece muito ouvir um profissional criticando determinados profissionais e alegando coisas que nunca, jamais foram ditas. Eu sou médica, já comentei inclusive outras vezes porque acho que me acrescenta boas discussões. Eu conheço muito bem e de perto essa história do pH. Eu sei quem é o "mestre" que você se refere que defende a dieta alcalina, não vim aqui pra mudar sua opinião, só pra esclarecer: ele nunca disse que o pH do sangue muda! Ou você já ouviu ele falar isso? se sim, por favor me manda algum link dele dizendo isso. Inclusive eu tive a oportunidade de questionar ele sobre essa história e ele foi totalmente pragmático quanto a estabilidade do pH sanguinio entre 7,35 a 7,45......... o buraco é mais embaixo. O HGC idem, ele é a favor? sim, em alguns casos..... eu sou a favor? não. Sou ginecologista e nunca prescrevi HCG para emagrecimento. Tenho minha prática clínica, tenho uma nutri funcional na clínica e juntas fazemos ótimos trabalhos incluindo emagrecimento. Mas por favor, antes de dizer que o tal médico defende dieta pra regular o pH do sangue, tenha pelo menos uma experiencia ao vivo com ele e o questione! ele vai te responder com muito prazer.

      Boa noite, Mariana.

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    3. Olá, Mariana.

      Segue um vídeo do Lair Ribeiro e alguns trechos que eu selecionei sobre pH (comentários meus entre parênteses):

      https://www.youtube.com/watch?v=_NTU0tXcm8g

      "Criança é alcalina, idoso é ácido". (Mesmo que ocorra uma leve modificação do pH com o passar da idade, ele ainda permanece dentro de um intervalo fisiológico; por isso, não é possível dizer que com tal idade a pessoa é 'alcalina' e, quando fica mais velha, ela se torna 'ácida'. Além disso, a possível pequena modificação do pH é uma consequência, e não uma causa, do envelhecimento e das possíveis alterações patológicas que venham a acontecer).

      "Câncer ocorre em ambiente ácido. Se o seu ambiente é alcalino... câncer não consegue crescer em ambiente alcalino". (Câncer cresce em ambiente ácido? Sim, mas isso é muito mais uma consequência do próprio metabolismo das células cancerígenas do que uma condição que necessariamente precisa ocorrer para seu desenvolvimento. Existem cânceres que não dependem do pH do ambiente, enquanto que outros, inclusive, podem se desenvolver melhor em meios alcalinos. Além disso, na terceira e última parte dos textos que escrevi sobre pH, aqui no blog, citei um estudo de revisão [o único sobre o assunto, se não me engano] que mostra que não existem evidências sobre ‘acidificação’ pela dieta e desenvolvimento de câncer.)

      “Uma criança que toma um copo de refrigerante... ela precisa tomar 32 copos de ‘água boa’ só pra anular o prejuízo”. (Seria interessante explicar de onde vem esse número mágico de 32. E, se essa afirmação fosse verdadeira, teria muita gente morrendo de beber refrigerante, principalmente porque praticamente ninguém no mundo tem acesso, ou ao menos conhece, a tal ‘água boa’ pra poder anular o efeito ‘acidificante’ dos refrigerantes).

      Esses trechos resumem basicamente tudo que ele fala sobre pH no vídeo. E, como é possível perceber, conceitos e conclusões equivocadas sobre o assunto são quase que onipresentes.

      Ele pode até reconhecer que o pH sanguíneo não sai da faixa fisiológica, mas isso é o dever dele como profissional de saúde. A minha verdadeira crítica se refere ao fato de passar a informação de que uma alimentação alcalina, por meio de alimentos ou água, seria capaz de “rejuvenescer” e tratar ou prevenir doenças. Porém, as dezenas de referências que eu cito na terceira parte da série sobre pH, aqui no blog, mostram que tais alegações não são verdadeiras.

      É possível que alimentos alcalinos, ou água alcalina,sejam benéficos para algumas patologias, só que a ciência ainda não estudou tais possibilidades? Certamente! Porém, se não foi estudado, como é possível afirmar categoricamente que a ingestão de água ou alimentos com pH alcalino vai trazer algum benefício? Não tem como... Essa é a questão.

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    4. Oi, sou eu de novo!
      Estou te respondendo porque gosto do feedback e não acredito que eu seja a certa e você o errado. Aprendi muito no início com um nutricionista e devo muito a ele. Ele que me ajudou a eu entrar nesse mundo "nutrição" mesmo sendo médica.
      O que eu sei e posso te dizer, é que a capacidade de tamponamento do ser humano é reduzida a partir dos 40 anos, trocando em miúdos, o poder de liberação de NaHco3 no pâncreas é reduzida... Quando ingerimos algo alcalino, essa alcalinidade é neutralizada no estômogo, pra gerar ácido clorídrico o organismo já interpreta isso e libera bicarbonato ( Nahco3 ) no sangue, esse sangue teoricamente ficaria mais alcalino, ele não fica, imediatamente o pH do tecido é aumentado, O tecido, não sangue. Não é segredo pra ninguém que a acidez reduz o poder de oxigenação, e que a alcalinidade facilita o poder de oxigenação. ( Vide Otto Warburg - 2 prémios Nobel ) Não a melhor pessoa pra conversar sobre câncer, ainda tenho que aprender muito. Mas a questão do câncer que você mencionou eu acredito que seja pela falta de oxigenação e não pelo pH em si. Mas o pH reduzido diminui a oxigenação. Aqui no Brasil é pouco conhecido, mas países como EUA, Itália e outros, o tratamento com ozonio é muito utilizado no câncer, concomitante e não sozinho!

      Uma colega minha não acha legal eu ficar comentando no seu blog, disse que não era pra eu discutir, mas eu não concordo, gostei muito do blog, concordo com muitas coisas e discordo com outras. Gostei muito de ver os comentários também.

      Boa noite!

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    5. Dei um google aqui, e achei um artigo pequeno, mas interessante quanto a "verdade ou mito da dieta alcalina".

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3195546/

      É concluído, no último paragrafo da conclusão, que uma dieta alcalina pode ajudar, paliar, amenizar, algumas doenças crônica ocidentais. E isso eu posso confirmar na minha prática profissional, é bem eficaz.

      Boa noite!

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    6. Olá novamente, Mariana.

      Também acho que assuntos como esse devem ser discutidos quando possível, desde que com embasamento. Inclusive, agradeço a sua participação nos questionamentos.

      Em relação a esse artigo, posso dizer que ele é bastante fraco do ponto de vista científico. Leia-o por completo que você vai ver as inúmeras falácias lógicas que o autor comete. Nenhum, ou praticamente nenhum, dos pontos que ele levanta possui o devido embasamento científico; citar referências não necessariamente significa que os seus argumentos serão válidos. Se não me engano, eu comentei um pouco mais sobre esse estudo em algum comentário da série sobre pH aqui no blog.

      E sobre dietas ‘alcalinas’ na prática: elas podem ajudar? Claro que sim. No geral, essas dietas vão ser bem saudáveis, e esse é o motivo pelo qual elas podem ser potencialmente benéficas para diversas doenças crônicas. Porém, considerando a literatura científica, não tem como dizer que uma dieta 'alcalina' funciona porque ela 'alcaliniza' o organismo.

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    7. Olá
      acredito que uma água mais alcalina ( pH acima de 7,45 ) é benéfica para todas as pessoas. Não acredito que uma água mais acídica ( pH < 7 ) vá causar câncer em alguém sem predisposição, ou qualquer outra doença. Mas pra você ter uma ideia, meu pai, 85 anos, tentando sair de uma insuficiência renal grave, só estou dando água alcalina pra ele, e faço um protocolo com bicarbonato. Pacientes renais principalmente tem um ganho muito grande numa dieta alcalina. Água com limão por exemplo, embora seja ácido e não estimula a liberação de ácido clorídrico, são absorvidos os minerais, que sistemicamente ajudam no controle do pH. Hoje sabemos que existe uma acidose metabólica subclínica em grande parte da população quiça de toda. Principalmente na terceira idade. Não encaro a água alcalina como um milagre, mas essa "história" de pH ta longe de ser bobagem ou como alguns dizem picaretagem...

      http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0261561411000604

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23380803

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18926940

      água cujo pH é acima de 7,45 sempre está relacionado a saúde, mesmo que os estudos sejam fracos. Se você pesquisar não vai achar nenhum apontando sobre pH ácido!

      Longe de mim estar aqui querendo mudar sua prática clínica, eu mesma não mando meus pacientes tomarem, mas quando me perguntam eu opino. E na minha casa usamos um pH superior a 7.

      Boa noite

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    8. Olá.

      Em alguns comentários (não lembro exatamente se na série sobre glúten ou sobre pH, porque as pessoas começaram a misturar os assuntos), cheguei a falar sobre pH e rins. A doença renal crônica é uma condição bem específica, na qual várias das orientações e recomendações para a população em geral vão ser diferentes. No caso, a modulação do pH urinário (principalmente [talvez] por água alcalina, mas muito mais dificilmente por alimentos) pode ajudar em alguns aspectos.

      Um comentário sobre o estudo avaliando água alcalina e reabsorção óssea: o parâmetro mais importante, CTX sanguíneo, apresentou diminuição do ponto de vista estatístico, mas não necessariamente do ponto de vista clínico. Além disso, os valores basais eram bem superiores no grupo da água alcalina; inclusive, os níveis de CTX continuaram maiores nesses pacientes, mesmo com a redução. Ou seja, com todos esses problemas, apesar de ser um estudo interessante em humanos, esse trabalho está muito longe de ser uma boa evidência de que a ingestão de água alcalina vai influenciar a turnover ósseo.

      E uma observação sobre a questão do limão e regulação do pH: não tem a ver com o teor de minerais, mas sim provavelmente com a concentração de algumas moléculas com potencial redutor, como o citrato. Basta analisar a quantidade de minerais “alcalinizantes” presentes no limão para se observar que as concentrações são bem baixas. Além disso, o potencial de se modular o pH urinário com limão e outros alimentos é consideravelmente menor que com as águas alcalinas.

      De qualquer maneira, as estratégias utilizadas para modulação de pH sanguíneo ou urinário, ou propriamente da acidose metabólica de baixo grau, provavelmente não vão trazer prejuízos para os pacientes -- e muito provavelmente vão conferir benefícios, principalmente se houver alterações na alimentação. Por isso, a princípio não sou contra elas. A questão é o mecanismo proposto: se não há evidências sobre ele, vamos nos contentar em dizer "não sabemos".

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  7. Exatamente João kkkkkkkkkkkkkkk

    olha esse video pelo amor de Deus, e principalmente no minuto: 1:05:06

    https://www.youtube.com/watch?v=6QbSylD4xk8

    "soda cáustica é alcalina" tem que rir pra não chorar
    esse cara se acha o fodão e não sabe nem química de terceiro ano haha

    abraço

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    1. Olá, também não entendo de química. Poderia me explicar então? Se a soda cáustica tem o PH de 13,5, ela seria o que? Alcalina ou Ácida?

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  8. Boa tarde João. Qual sua opinião sobre farinha de trigo integral?
    tem menos glúten que a refinada? tem vantagens?
    pode ser psicológico, mas eu estava há bastante tempo sem comer glúten e estava me sentindo bem, ontem eu comi kibe e depois a noite comi biscoite, putz... minha cabeça quase estourou de tanta dor!

    hoje acordei melhor, será que fiquei intolerante ?

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    1. Olá.

      Pelos motivos expostos ao final desse post, o fato da farinha de trigo conter glúten já não me faz gostar muito dela. A quantidade de glúten nela é essencialmente a mesma da farinha de trigo refinada.

      Em relação à sua reação, o que posso dizer é que não existem evidências sobre "intolerância" a alimentos após ficar um tempo sem consumi-los. É mais provável que tenha ocorrido um efeito nocebo (que comentei no texto).

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  9. Olá
    chegou a ver um estudo que mostrou que o glúten altera a microbiota intestinal?

    Pois é, parece que a desculpa de que "não é celíaco" não vale mais né rs

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    1. Olá.

      Sinceramente não sei se eu vi, ou posso até ter visto, mas esquecido.

      Se puder disponibilizar o link, mesmo que seja para um texto ou reportagem sobre o estudo, ficaria agradecido!

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    2. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4841035/

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    3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27102333

      Boa tarde!!

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    4. Obrigado!

      Realmente ainda não tinha visto, e parece interessante, com um desenho experimental simples, mas aparentemente bom.

      Porém, existem pelo menos dois grandes pontos a serem observados:

      1) Não é possível saber se as alterações na microbiota foram especificamente devido à restrição de glúten, uma vez que a exclusão do glúten não foi a única variável que diferiu entre os períodos com e sem glúten na dieta. Ou seja, quando os participantes removeram o glúten, eles também modificaram vários alimentos que consumiam anteriormente.

      2) Mesmo que uma dieta com restrição de glúten leve a alterações na microbiota, ninguém sabe exatamente o que essas modificações significam. A modulação da microbiota é algo extremamente complexo e pobremente compreendido. Ainda faltam décadas de estudos para que possamos tentar compreender esses e outros resultados. E é por isso que estudar desfechos (permeabilidade intestinal ou sintomas intestinais, por exemplo) é muito mais importante do que estudar apenas marcadores (microbiota intestinal, nesse caso, por exemplo).

      Mas, como falei antes, ainda sim são resultados bem interessantes.

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  10. Vc indica probióticos para seus pacientes?
    tipo para preveção...

    fui num nutricionista funcional e ele me passou vários,junto com FOS deu quase 200 reais o orçamento será que vale a pena?

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    1. Olá!

      A primeira coisa que eu diria é que, dependendo das cepas bacterianas utilizadas, o valor de 200 reais pode até estar relativamente barato. Mas só relativamente mesmo... Ainda considero caro (assim como você parece considerar), mas comparando ao cenário atual, ainda mais em locais onde tudo parece ter o preço maior -- como aqui em Brasília --, não está tão caro assim.

      De qualquer maneira, respondendo à sua primeira pergunta, eu dificilmente recomendo probióticos. E por um motivo bem simples: as evidências de benefícios reais ainda são poucas e estão longe de ser, na minha opinião, boas o suficiente para serem recomendados como algo que realmente pode ajudar as pessoas em geral. Porém, vale ressaltar que algumas condições clínicas têm uma chance maior de se beneficiar do uso de probiótios.

      O que você pode fazer é perguntar ao seu nutricionista exatamente o porquê dessa suplementação, e se possível pedir para que ele te apresente evidências de que o uso dessa suplementação, para o seu caso, pode ser benéfica (nem precisa ser um montante de evidência científica; mas pelo menos algo que dê uma luz).

      Não estou criticando o profissional com o qual você se consultou, mas eu diria também que é sempre bom ficar de olho nas prescrições "de gaveta" -- que valem não só para dietas, mas também para suplementos. Inclusive, isso é muito comum em profissionais que usam a denominação de "funcional", infelizmente. Novamente, não estou criticando ninguém diretamente, mas sim dizendo que esse tipo de situação é uma possibilidade real.

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  11. Sim, mas é de gaveta mesma, meu pai e minha mãe fomos neles e em relação ao probiótico ele passou exatamente os mesmo, as mesmas cepas, e disse que era básico ( como se todo mundo precisasse daquelas ) o resto da suplementação foi diferente. Ele passou vários fitoterápicos, vc acredita que funciona? passou pra ela Rhadiola Rosea e pro meu pai Pingeu Africano entre outras

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    1. A maior parte dos fitoterápicos não possui o devido embasamento científico. Isso não significa que eles não funcionam para fins específicos, mas sim que ainda não foram devidamente testados em estudos.

      Se houver algum indício de que esses fitoterápicos podem ajudar para a finalidade prescrita, talvez valha a pena tentar. Se funcionar, ótimo. Mas o mínimo que deve ser feito é procurar saber, por parte do profissional que prescreveu e também por outras fontes, se existe alguma possibilidade de esses suplementos ajudarem.

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  12. Boa noite!

    você viu a publicação do conselho de nutrição sobre glúten?

    eles concluíram que não existe nenhum beneficio na exclusão do glúten em não celíacos e no final eles dizem que pode ser perigosa essa dieta.

    É pra rir ou pra chorar?

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    1. Olá.

      Pois é, o que não faltam são conclusões questionáveis por parte de órgãos e instituições "oficiais". Nesse caso, dá até pra argumentar que as evidências não são tão fortes, mas elas com certeza existem.

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    2. não entendi
      o que não são tão fortes?

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    3. As evidências.

      Já temos alguns artigos interessantes mostrando que o glúten pode ter um efeito causal em algumas doenças. Porém, ainda não temos evidências suficientes, tanto em número (poucos estudos) como em qualidade (estudos pequenos e com algumas ressalvas metodológicas) para afirmarmos com muita propriedade que todos deveriam evitar o glúten.

      Ou seja, temos evidências, mas ela ainda não são tão fortes.

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  13. Boa tarde, João
    me chamo Flávia. Não estou achando seu post sobre o pH e alimentação.

    Acontece que meu filho médico foi num simpósio de saúde funcional e tinha um grupo de pessoas que trabalham com pH e alimentação para esclarecer dúvidas e ele trouxe um artigo por escrito sobre isso. Gostaria de te enviar para você ler e me falar o que acha. Aqui em casa nós compramos um filtro que acrescenta magnésio na água e retira grande parte do flúor e cloro. A água fica até mais gostosa, não sei se isso pra saúde é grandes coisas. Mas gostaria de saber sua opinião

    Obrigada. Flávia

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    1. Olá, Flávia.

      Aqui estão os posts sobre pH:


      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/03/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de_24.html

      http://cienciadanutricao.blogspot.com.br/2015/04/o-mito-do-ph-alimentacao-e-capaz-de.html


      Se quiser, pode me enviar um e-mail com esse artigo e também com suas dúvidas específicas. Será um prazer poder ajudar no que eu puder.

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  14. existe alguma coisa nutricional para Tireoidite de Hashimoto?

    Grata

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    1. Olá.

      Sim, a suplementação com selênio é a melhor estratégia isolada para tireoidite de Hashimoto. Porém, os resultados em marcadores sanguíneos, como tireoglobulina e tireoperoxidase, podem demorar um pouco pra aparecer: entre 6 e 12 meses (ou até mais).

      Em alguns casos, uma leve restrição de iodo, que na prática seria basicamente consumir menos sal refinado (que é fortificado com iodo), também pode ajudar.

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    2. Obrigada. Não consumo sal, só com alimentos que já vem salgado. Mas evito.

      Grata

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  15. Tu não tem facebook mais não?
    eu curti a página lá da GENES

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    1. Olá.

      Tenho meu perfil pessoal, com o mesmo nome que aparece aqui no blog. Mas acompanhe a página do GENES que tem coisa boa lá!

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    2. mas eu quero você haha se é que me entende

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  16. Oi, João.
    Sou a Flávia que tenho você no facebook
    Te marquei num video e gostaria da sua opinião quanto ao uso rotineiro e generalizado de Glutamina com a finalidade de "saúde intestinal"
    Obrigada

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    1. Olá, Flávia.

      O uso contínuo de glutamina provavelmente não faz mal, e pode até trazer benefícios no sentido de prevenir, por exemplo, a exacerbação da permeabilidade intestinal em alguns quadros patológicos. Mas essa visão é baseada no mecanismo de atuação da glutamina, e não em estudos específicos que testaram essas hipóteses.

      Porque a maior parte dos estudos com glutamina e saúde intestinal são em condições patológicas específicas. Ou seja, temos evidências de que a glutamina pode ajudar no tratamento, mas não necessariamente na prevenção, de quadros que levam ao aumento da permeabilidade intestinal, por exemplo.

      O uso rotineiro e generalizado da glutamina, assim como de qualquer outra coisa, só é ideal se realmente pode haver prevenção de algum problema. É possível que a glutamina previna alterações intestinais negativas? Sim, claro. Quem quiser optar por usá-la consistentemente, tudo bem, porque a glutamina a princípio não vai causar nenhum problema. Só não podemos dizer que essa é uma prática necessária.

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  17. Boa noite, João. Gostaria de parabenizar a qualidade dessa página e perguntar porque alguns colegas seus ( da GENES ) debocham quando falam em gluten-free? Já que está provado que existem relações do glúten com a piora de alguns quadros?

    Obrigado

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    Respostas
    1. Olá.

      Eu não sou responsável pela atitude de outras pessoas, e ninguém pode escolher como o outro vai se comportar. Por isso, na verdade nem tem como eu responder a sua pergunta.

      O que eu posso dizer é: se você não concorda com o posicionamento ou com a conduta, é só não acompanhar. Eu também não concordaria, e deixaria de acompanhar, se eu achasse que alguém que eu sigo está debochando as pessoas. Essas atitudes são, no mínimo, desnecessárias.

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  18. SINTO EXTRASSÍSTOLES DE VEZ ENQUANDO
    OUVI FALAR QUE PODERIA SER SERSIBILIDADE AO GLÚTEN E QUE SÓ PASSARIA SE TIRASSE O GLUTEN
    É VERDADE?

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    1. Olá.

      Desconheço de evidências mostrando que a ingestão de glúten poderia estar ligada a casos de extrassístole. Mas isso significa que o assunto provavelmente não foi explorado cientificamente, e não que não existe relação entre as duas coisas.

      Então não tem como dizer se é verdade ou não. O que você pode fazer é testar. Experimente ficar algumas semanas sem glúten, com exclusão total, para ver o que acontece. E se melhorar o seu quadro?

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  19. Boa noite, Obrigado pelo compartilhamento dessas informações, muito boas!
    Meu nome é Marcelo Cruz, sou estudante de medicina do décimo período, e nos últimos anos tenho me interessado muito por esses assuntos ligados a nutrição.
    Há um mês atrás, eu assisti uma aula do médico e pesquisador Alessio Fasano, que é conhecido por publicar e estudar profundamente a Doença celíaca, na videoconferência várias vezes ele dizia que tal coisa deve-se ao fato do glúten aumentar a permeabilidade intestinal também em indivíduos sem a DC, mas em menor expressão e menor tempo de permeabilidade. De tudo que li nesse blog, vejo que parece não ter evidência que o aumento da expressão da zonulina ocorra em seres humanos, teria ele cometido um equivoco em afirmar isso?

    Aguardo sua observação.

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    1. Olá, Marcelo.

      Respeito bastante o Fasano, porque parece ser um ótimo cientista (não só pesquisador, mas também cientista). Os estudos ex-vivo, inclusive alguns do grupo de pesquisa do Fasano, realmente mostram um aumento de permeabilidade intestinal com exposição ao glúten, mesmo em pessoas sem doença celíaca ou sem sensibilidade ao glúten.

      Mas vale lembrar: em estudos ex-vivo, primeiro ocorre a biópsia, depois a exposição ao glúten. Ou seja, a exposição ocorre fora do sistema biológico que é o corpo humano. Resultados de estudos ex-vivo são úteis, é claro, mas são insuficientes para sabermos como o consumo de glúten realmente influencia a permeabilidade intestinal no ser humano.

      Para isso precisamos de estudos in vivo, como esse de Biesiekierski que comentei em mais detalhes no texto. Até onde sei, nenhum estudo in vivo já mostrou que o consumo de glúten, ou de alimentos que contêm glúten, é capaz de levar ao aumento na permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca. Isso não quer dizer que não pode acontecer. Ainda são poucos estudos, e com um número relativamente pequeno de participantes. Mas, enquanto não houver evidências in vivo em seres humanos (não em animais), não é possível afirmar que o glúten leva ao aumento na permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca.

      É possível que o Fasano tenha o conhecimento de resultados, falando justamente isso que eu mencionei logo acima, que ainda não foram publicados. Ou ele pode saber de estudos in vivo em humanos, mostrando aumento de permeabilidade intestinal, que eu desconheço. Afinal, ele é um pesquisador da área, e essas duas são possibilidades bem plausíveis.

      Mas ele pode estar extrapolando as evidências existentes (pesquisadores, assim como todo mundo, também são influenciados por vieses).

      De qualquer maneira, acho que esse não é o ponto mais importante. O que considero mais importante é que existe uma relaçã0 entre o consumo de glúten e várias doenças, sendo que algumas delas aparentemente não teriam nada a ver com o glúten. E, como mostrei no texto, essa relação pode ser de causa e efeito, porque alguns pacientes com essas doenças melhoram seu quadro ao adotarem uma dieta sem glúten.

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  20. Boa tarde João Gabriel
    Meu nome é Mônica. Tenho hipotireoidismo de Hashimoto minha médica endocrinologista prescreveu Puran T4 50mcg e faço acompanhamento semestral.
    Recentemente fui numa nutricionista que me propôs uma abordagem que segundo ela seria benéfica para mim com problema de tireoide, uma das estratégias era tirar o trigo, centeio e cevada, porém, fui feliz comentar com a minha médica achando que ela iria me elogiar por buscar uma estratégia saudável de alimentação e ela falou que minha nutricionista é completamente maluca e que não poderia atuam em nada que influenciaria a tireoide, além disso falou que parar de comer glúten causaria uma intolerancia a esses alimentos e depois se eu comesse algum dia algo com glúten , teria uma diarréia instantanea ... Estou perdida agora, lendo seu texto me parece que não ocorre isso, mas e se ela estiver certa e eu desenvolver uma intolerancia grave? Estou pensando em alternar os dias, exemplo: pelo menos 3 vezes na semana comer o pão de sal que eu sempre amei e a nutri orientou a ir diminuindo..

    Agradeço sua opinião!

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    1. Olá, Mônica.

      Pode ficar tranquila. Restringir ou eliminar o glúten da alimentação a princípio não leva a casos de intolerância ou sensibilidade aos alimentos que contêm essa proteína.

      E, na minha opinião, você deveria eliminar totalmente o glúten da dieta. Existem boas evidências de que todas as doenças autoimunes são diretamente influenciadas (ou até causadas) pelo efeito que o glúten tem sobre a permeabilidade intestinal.

      Corroborando esse fato, a tireoidite de Hashimoto é provavelmente a doença autoimune com mais evidências científicas de que a ingestão de glúten pode desencadear, ou no mínimo piorar, o problema. Por isso, repito: a minha sugestão seria excluir totalmente os alimentos que contêm glúten da sua alimentação.

      Nessa série de textos eu não falei especificamente sobre doenças autoimunes. Mas tudo indica que as pessoas com essas doenças possuem uma propensão acima do normal a terem a permeabilidade intestinal aumentada em resposta à ingestão de glúten. E isso, no caso, seria um fator determinante para que a doença autoimune se manifeste nas pessoas com propensão genética.

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  21. João, boa tarde. Sou nutricionista e gostaria de tirar uma dúvida com você.
    Recentemente na mídia, vimos matérias alegando que dietas sem glúten possivelmente aumentaria o risco de diabetes e outras doenças devido a falta de fibras e excesso de carboidratos pertencentes de algumas substituições de pães e biscoitos sem glúten. Porém, se formos ver o padrão de alimento que tem glúten, não são alimentos ricos em fibra, a própria farinha branca ( de trigo) usada na maioria dos industrializados podemos afirmar que é pobre em fibra. Em contra partida, alguns pães artesanais feitos de batata doce e outras farinhas disponíveis no mercado possui mais libra e até um valor de micronutriente maior. Estou errado, ou de fato há uma distorção enorme nessa polêmica?

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    1. Olá.

      Sim, há uma grande distorção nessa polêmica. Os resultados são de estudos observacionais. Muitas pessoas que trocam os alimentos com glúten por alimento sem glúten não sabem muito bem o que estão fazendo, e por isso podem ter a qualidade da alimentação prejudicada. Esse é o grande fator de confundimento que surge nos estudos observacionais que são usados como base para a hipótese de que "dietas sem glúten fazem mal".

      Mas se a pessoa souber o que está fazendo, ou for minimamente orientada, a qualidade da alimentação normalmente aumenta com uma dieta restrita em glúten. Justamente pelo que você disse: existem vários substitutos sem glúten, para alimentos com glúten, que possuem uma qualidade nutricional superior. Ainda mais hoje em dia, com o crescimento desse mercado.

      É claro que existem os substitutos que são de baixa qualidade. A questão é fazer as trocas certas. Se for trocar um pão com glúten por um substituto sem glúten, não vale a pena trocar por tapioca ou por um pão feito com alguma farinha refinada. Ou substitui por um pão feito com algum tipo de farinha integral sem glúten, ou troca por um alimento de verdade que naturalmente não contêm glúten.

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  22. Bom dia João. Se não souber responder, sem problemas.

    Meu nome é Breno, 21 anos

    Se eu ingerir glúten esporadicamente (pizza, sanduíche ...)
    quais as chances de eu ter reações negativas na saúde?

    Quando se fala dos malefícios é o consumo diário, ou esporádico também prejudica? Estou sendo taxado de paranóico, saio com meus amigos e como em casa para não ter que comer em pizzarias e bares. Sinceramente me faz mal pensar que estaria desencadeando um processo inflamatório . Cortei tudo, gordura trans, glúten, e todo tipo de conservante e realçador de sabor (glutamato monosódico) bebida só bebo água, muito raramente ( menos de 1x por mês ) bebo uma cerveja Malzbier que não sinto mal estar.

    Não sei se é psicológico mas já aconteceu de eu ter que comer pão e no dia seguinte estar com dor de cabeça e barriga estufada. Nunca tive isso, parece que meu corpo desacostumou quando parei. Não quero voltar a ingeri tais alimentos.



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    1. Olá, Breno.

      Se você quer parar, vá em frente. O julgamento de outras pessoas não precisa influenciar sua escolha, desde que essa decisão faça sentido pra você.

      O risco individual é muito difícil de prever. Até porque provavelmente existem casos em que a pessoa nunca teve sinais e sintomas aparentes e só lá na frente, depois de muitos anos, desenvolveu um problema relacionado ao glúten.

      É claro que, a princípio, a regra é: quanto menor e menos frequente for o consumo de alimentos que contêm glúten, menor é a chance de manifestar um problema associado. Mas muito possivelmente existem casos em que uma exposição por semana, por exemplo, tem o mesmo efeito da exposição diária. Normalmente não tem como saber...

      Pra cada um de nós, a grande pergunta é: sabendo que o consumo de alimentos com glúten pode levar a problemas que vão além da doença celíaca e da sensibilidade não-celíaca, e que é praticamente impossível saber seu risco individual, você está disposto a continuar consumindo esses alimentos frequentemente?

      Não faltam alternativas. Os alimentos com glúten podem ser substituídos por diversos outros alimentos, de preferência aqueles que não são processados ou refinados.

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  23. Boa noite!
    Existe alguma evidência científica forte que sugere ou afirme que de fato a permeabilidade intestinal, e o fenômeno de homologia estrutural/mimetismo molecular está relacionado a maior incidência de doenças autoimunes, mas que fale sobre o mecanismo de homologia estrututal, não apenas a um fator dietético?

    Se sim, poderia mencionar aqui o link ou o número usado neste post? Conversando com um professor da faculdade ele me desafiou a encontrar um, e eu não to sabendo escolher, tem muitos com esse tema, mas quando vou ler não é bem concluindo isso.

    Obrigada!!!

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    1. Olá!

      Não que eu saiba. Até onde meu conhecimento vai, a hipótese de que doenças autoimunes são causadas, ou potencializadas, pelo aumento na permeabilidade intestinal tem relação com a dieta, mas não necessariamente por um mecanismo de mimetismo molecular.

      O principal exemplo é o glúten: temos evidências observacionais em seres humanos, evidências experimentais em animais e evidências preliminares (de estudos-piloto) em seres humanos mostrando que essa proteína provavelmente é um fator importante nas doenças autoimunes. Só que as principais evidências dessa hipótese sugerem que o glúten seria responsável por causar a permeabilidade intestinal, mas não necessariamente algo além disso.

      Mas, só porque não sabemos, não quer dizer que o mecanismo que você busca não existe. Porque existem sim algumas evidências que apontam para um papel do mimetismo molecular em doenças autoimunes.

      Em 2007, por exemplo, teve esse estudo de revisão sugerindo a possibilidade de isso acontecer na esclerose múltipla, principalmente a partir de infecções virais:

      http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/08916930500484922

      De forma semelhante, mais um trabalho de revisão sugeriu uma possibilidade de mimetismo em outras doenças autoimunes:

      http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1586/1744666X.3.3.323

      E, seguindo uma linha parecida, esse outro estudo fala sobre resultados de autoimunidade após vacinações virais:

      http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0264410X05003506

      Não tenho um conhecimento tão profundo nessa área de funcionamento do sistema imunológico, mas até onde já li o mimetismo molecular não é, por si só, um processo patológico. A reatividade cruzada de células do sistema imune, por esse e por outros motivos, parece fazer parte da nossa fisiologia. Mas tudo isso dentro de um contexto geral em que o corpo está em equilíbrio.

      Será que o aumento na permeabilidade intestinal é um dos requisitos, entre outros possíveis, para que haja um desequilíbrio e passe a existir um "excesso" de epítopos reconhecidos pelo sistema imune? Será que isso ultrapassa a capacidade de regulação, pelas células Treg, por exemplo, de manter o balanço imunidade-autoimunidade?

      Realmente não sabemos a resposta. Tanto é que as doenças autoimunes são tratadas basicamente em cima dos sintomas, e não da causa.

      De qualquer forma, se estamos falando de alimentação, fica a pergunta: o mais importante é saber se a exclusão de um fator dietético, como o glúten, pode prevenir doenças autoimunes (ou pelo menos atenuar os sintomas, depois de já desenvolvida a doença), ou o importante é saber se existe um passo adicional, como a influência da homologia estrutural, no desencadeamento dessas doenças?

      Conhecer o mecanismo de ação tem seu valor, porque podemos desenvolver, por exemplo, medicamentos que trabalham na raiz do problema ou até mesmo na prevenção das doenças. Mas às vezes conhecer os fatores que desencadeiam o problema é ainda mais importante -- principalmente se, ao eliminar esses fatores, já temos um cenário suficiente para impedir o desenvolvimento de uma doença.

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  24. Oláa, me ajuda pelo amor de Deus?
    Vou fazer um trabalho pra faculdade ( medicina ) Estou no 2º período e eu tenho que dar uma pequena palestra sobre o consumo de glúten, seu que ele é prejudicial para doentes celíacos, já estudei bem a doença, e tenho alguns artigos que vou usar na bibiografia, mas a questão da sensibilidade eu não entendo nada, não sei se é uma reação tipo alergia tardia como escutei de alguns profissionais no youtube.

    Resumidamente, você poderia dar seu parecer no aspecto fisiopatológica das manifestações não celíacas do glúten?

    Vou enumerar alguns itens:

    - Apenas predispostos genéticamente desenvolve sensibilidade?

    - É dose dependente? quanto mais come, mais sensibilidade, ou é por exposição tipo reação tudo ou nada.

    - Quando aquecido, cocção por exemplo, destroi o glúten?

    Obrigadíssima!!

    Larissa Sperancini

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    1. Olá, Larissa.

      1) Não se sabe muito sobre a predisposição genética para a sensibilidade não-celíaca ao glúten, mas os detalhes você encontra com certa facilidade nos estudos de revisão sobre o tema (links no final).

      2) Até onde sei, ainda não conhecemos se existe uma relação dose-dependente ou não, porque os estudos ainda não testaram isso. É bem possível que existe, mas se não houver evidências não podemos afirmar com muita certeza. É possível que já existam estudos sobre isso, mas desconheço. Os trabalhos de revisão talvez falem sobre esse assunto.

      3) Não, a cocção não destrói o glúten. Existem alguns estudos sugerindo a degradação do glúten por outros processos, como a fermentação.

      Seguem alguns trabalhos de revisão que podem te ajudar. Se não conseguir o pdf de qualquer um desses artigos, entre em contato comigo por e-mail que eu posso ajudar.

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23083989
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24077239
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24369326
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24533607
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26109797
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26201175
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26438584
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27216895
      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27747460

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  25. Boa noite! Você já leu esse trabalho? Acredita que quem tenha Tireoidite de Hashimoto tenha que fazer uma dieta isenta de glúten como na Doença Celíaca?

    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26109797

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    1. Na verdade esse que te mandei foi o que você publicou para o comentário acima, o que eu queria ter anexado era este:

      https://www.ncbi.nlm.nih.gov/labs/articles/28315909/


      Agradeço sua opinião!

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    2. Olá.

      Não tinha visto esse trabalho ainda. Mas, assim como o estudo mostra e até onde o meu conhecimento vai, não temos ensaios clínicos testando o efeito de dietas sem glúten na doença de Hashimoto -- nem mesmo estudos piloto, como temos para algumas doenças, como as citadas nesse texto.

      Mas é inegável que existe uma associação consistente entre doença celíaca e outras doenças autoimunes, sendo que uma das relações mais evidentes é com a tireoidite de Hashimoto. Além disso, existem evidências sugerindo que o maior tempo de adesão a uma dieta sem glúten, em pacientes com doença celíaca, está associado a uma menor incidência de doenças autoimunes.

      Junto a isso, temos as evidências experimentais em animais sugerindo uma conexão entre glúten, permeabilidade intestinal e doenças autoimunes, especialmente com modelos animais de diabetes tipo 1. Isso nos leva a crer que, em pessoas com predisposição genética, a exposição ao glúten seria um fator de risco para o desenvolvimento de doenças autoimunes.

      Na minha opinião, todas as pessoas com doenças autoimunes deveriam seguir uma dieta isenta de glúten por toda a vida. E realmente evitar sempre, sem as "escapadinhas". Por mais que existam algumas dificuldades, é uma estratégia segura e relativamente simples em relação a outras intervenções (principalmente as medicamentosas). Então por que não lançar mão de uma dieta sem glúten?

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    3. Mas o foco foi em celíacos e não em não celíacos, essa que é a minha observação. Porque o glúten tem que retirado de celíacos de qualquer jeito. Relacionado ou não tireoidite.

      A grande polêmica é essa relação na ausência de DC. E é isso que o artigo aborda, mas não conclui nada definitivo. Por isso perguntei qual sua visão da conclusão do artigo.
      Já li muitos trabalhos a respeito e tem pesquisador que coloca no mesmo "balaio" doença celíaca e sensibilidade ao glúten, por isso fica tão complicado de entender, na minha opinião. Ás vezes converso com profissionais eles afirmam " se não tem DC, ou sensibilidade não vejo porque tirar o glúten ".... mas como vai saber se tem sensibilidade?
      Alguns propõe teste de exclusão, se sentir melhora vale a pena a dieta, mas e se não sentir? Continua comendo?
      E tem pesquisadores e médicos renomados que afirmam ocorrer a hiperpermeabilidade porque a gliadina agiria na zolunina, fazendo-a abrir mesmo sem ter o gene HLA-DQ2.... Fico muito confuso com isso e não sei quando vai haver uma conclusão definitiva, e não por posicionamentos de sociedades.

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    4. É importante falar sobre a prevalência de Hashimoto em celíacos primeiro, para entendermos como o glúten se relaciona com doenças autoimunes de maneira geral. Depois deve-se discutir como o glúten poderia afetar a saúde de pessoas que ainda não manifestaram nenhuma doença autoimune. Se sabemos que o glúten é um fator necessário para a doença celíaca, que o desenvolvimento de doença celíaca está relacionado ao surgimento de outras doenças autoimunes e que o consumo de glúten está associado ao aparecimento de outras doenças autoimunes (além da doença celíaca), começamos a juntar as peças.

      O artigo que você citou não chega a nenhuma conclusão direta porque não temos dados suficientes para saber se o consumo de glúten, em seres humanos, poderia diretamente levar à manifestação ou à piora de doenças autoimunes, incluindo Hashimoto.

      Dá pra saber sim se a pessoa tem ou não tem sensibilidade não-celíaca ao glúten: se não tiver sinais ou sintomas, não tem. Porque essa é uma condição clínica em que o critério “diagnóstico” (entre aspas porque ainda não há consenso) atual é baseado apenas em sinais e sintomas. O que pode acontecer é a pessoa ter alguma predisposição genética e não saber, justamente porque ainda não apresentou sinais ou sintomas; esse é um caso diferente. E talvez tenha sido isso que você quis dizer. Nesse caso, concordaria com o que você falou: como saber (se a pessoa tem alguma predisposição)?

      O aumento na permeabilidade intestinal com o consumo de glúten, em modelos animais de doenças autoimunes, já foi verificado. Em humanos sem doença celíaca, os estudos que temos até o momento mostraram que não acontece aumento na permeabilidade intestinal com o consumo de glúten.

      Considerando tudo que temos na literatura até agora, a minha visão é a seguinte. Acredito que existem pessoas com predisposição a doenças autoimunes. O consumo de glúten não leva ao aumento na permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca, nem mesmo em quem tem sensibilidade não-celíaca ao glúten (como falei nessa série de textos). Até aí tudo bem. Mas acredito que o glúten leva ao aumento na permeabilidade intestinal justamente nessas pessoas com predisposição genética para doenças autoimunes. Quando juntamos a exposição ao glúten, que causaria o aumento na permeabilidade intestinal, a outros possíveis fatores ambientais, as doenças autoimunes se manifestariam nessas pessoas com predisposição.

      Por isso o meu posicionamento nesse assunto é de que todo mundo, especialmente pessoas com histórico de doenças autoimunes na família, deveriam restringir o consumo de glúten. Porque, se essa minha hipótese estiver certa (e, pelos estudos com animais, o caminho parece ser esse), a pergunta seria: como saber se você tem uma predisposição para qualquer doença autoimune? Não tem como... Então a forma mais direta de prevenir a manifestação de doenças autoimunes seria justamente pela eliminação do glúten.

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  26. Comprei pão sem glúten - feito com farinha de grão de bico, arroz integral, e batata doce. óleo de coco, sal rosa e fermento biológico.

    2 fatias contém 1,7g de fibra.

    Quero saber se vale a pena ou é igual pão frances.

    Obrigada querido. Abç

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    1. Olá.

      Igual a pão francês dificilmente vai ser, porque a farinha de trigo refinada usada no pão francês perde quase todos os nutrientes. Ao contrário, tudo indica que os ingredientes usados nesse pão sem glúten não são refinados, e por isso mantêm seus nutrientes.

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  27. Boa noite
    Esses artigos que você se baseou para fazer o post, são todos abertos ou alguns tiveram que pagar?

    Porque a médica que eu vou que disse que glúten altera a integridade intestinal disse que a maioria desses estudos tem que pagar, não dá pra baixar em PDF bonitinho, iguais aos outros.

    Em indivíduos celíacos ocorre mais permeabilidade pelas tight junctions e mais tempo além de produção de IL 6 e inibição dE il 10, e em não celíacos e sensíveis ocorre uma menor permeabilidade,mas ocorre, e inibição de IL 10. Péssimo em doenças autoimunes.

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    1. Olá.

      Alguns dos artigos são pagos, mas existem formas de ter acesso a eles sem precisar pagar. Inclusive, eu posso passar qualquer um dos artigos para quem me pedir.

      Em relação ao seu comentário, como mencionei no texto, não tem como afirmar que existe aumento da permeabilidade intestinal em pessoas sem doença celíaca, mesmo em pessoas com sensibilidade não-celíaca ao glúten. Isso é o que os estudos mostram até o momento.

      O caso das doenças autoimunes é um assunto à parte. Existem sim evidências de que a patogênese dessas doenças requerem um aumento da permeabilidade intestinal, e que isso poderia ocorrer a partir da exposição ao glúten -- possivelmente desencadeando ou exacerbando casos de doenças autoimunes.

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  28. Uma nutricionista digital influencer postou dizendo que é um mito afirmar que glúten aumente qualquer tipo de inflamação, entretanto de tudo que li aqui, é possível concluir que de alguma forma ele aumenta sim, em todos os indivíduos.

    Existe algum artigo que conclua isso para que eu possa mandar para ela?
    Obrigada

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    1. Olá.

      Até agora os estudos são poucos. Quase todos eles estão citados nessa série de textos que escrevi sobre glúten e permeabilidade intestinal. Você poderia usar os estudos citados e discutidos por aqui.

      Mas lembrando: os resultados ainda não são definitivos. Pelo menos alguns outros trabalhos, olhando essa temática a partir de outras perspectivas e com desenhos experimentais mais robustos e amostras mais significativas, são necessários para entendermos como o glúten realmente influencia a inflamação em pessoas "normais", em celíacos e em indivíduos com sensibilidade ao glúten não-celíaca.

      Especialmente no caso de pessoas com sensibilidade ao glúten não-celíaca. Porque essa é uma entidade clínica que ainda está sendo conhecida. É possível, por exemplo, que o que hoje chamamos de sensibilidade ao glúten não seja apenas um único problema, mas sim um grupo de alterações patológicas diferentes. Se esse for o caso, é possível que o glúten leve a sintomas em todas elas, mas isso não necessariamente significa que o aumento da inflamação vai estar presente em cada uma delas.

      Devido a detalhes como esse, assim como outros possíveis complexidades, ainda não podemos concluir tanta coisa sobre como o glúten influencia a inflamação.

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    2. Ela fez um post com o seguinte título " SE VOCÊ FOI NUM NUTRICIONISTA QUE LHE TIROU O GLÚTEN POR TER HIPOTIREOIDISMO, NUNCA MAIS VOLTE NELE "

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    3. Então o ideal seria ir atrás de estudos mostrando a relação entre o consumo de glúten e o desenvolvimento ou a prevalência de tireoidite de Hashimoto. Ou até mesmo da associação entre consumo de glúten e outras doenças autoimunes.

      Não estou julgando, mas um post com esse título muito possivelmente significa que essa pessoa desconhece a relação entre glúten e tireoidite de Hashimoto. Ao falar sobre os estudos, caso a pessoa esteja disposta a ouvir, você estaria no mínimo informando ela.

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  29. Gostaria muito que você desse uma lida e depois falasse algo a respeito do que achou do artigo.

    https://drive.google.com/file/d/0B0MhO4kRirXAaVVaOHpCV3BEWWM/view

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    1. Olá.

      Infelizmente não atendo pedidos como esse, simplesmente porque não posso dispor de tempo para ler todos os artigos que me pedem. Se você quiser que eu comente sobre alguma informação mais específica, é só falar.

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